Eu o encontrei a primeira vez ontem, por volta das 10 horas da manha. Perguntei quanto tempo até Hornillos del Camino ele respondeu, ahhh, un hora, una hora e rato… E eu acreditei…Continuei andando até a promixa vila e lá o encontrei tomando vinho.
Disse mais de 10 vezes que com pan e viño se hace el camino. Me sugeriu ir até Hontanas e lá dormir. Quando cheguei em Hontanas, eu tava estropiada, cheguei uma hora mais tarde, mais cheguei. E pela manha, ainda escuro, quando fui tomar meu cafè, ele estava là, esperando o amigo barbudo. Saiu pouco antes de mim e chegamos quase juntos em Castrojeriz, ele me sugeriu dormir em Boadilla del Camino. Na saída de Castrogeriz, indo até Itero, ele me pareceu meio caladao, se comparado a seu companheiro de viagem que subiu um morro falando pra cacete. O que era estranho, porque ele sempre falava com todos, ria muito e era muito amigável. Andamos muito tempo nos cruzando no dia anterior. Me disse que queria estar em Leon dia 30 e em Ponferrada dia 4, quando encontraria um amigo.
Eu achei o Manolo meio calado, mas nao exatamente me senti a vontade para perguntar se tava tudo bem.
Na descida do morro, a cerca de 10 metros a minha frente, ele caiu para frente. Pensei que foi um tombo nada sério, atñe ver suas maos estendidas, ao lado do corpo, e chamei de la de tras, ele nao respondeu e eu comecei a gritar por seu amigo. Que veio correndo. Quando eu vi a quantidade de sangue que saìa de seu nariz me preocupei, mas nao consegui sequer virá-lo para tirar a mochila. Ele comecou a liberar gases e excrementos e o sangue pelo nariz nao parava. Chegaram mais peregrinos e eu, sabendo que meu telefone nao pegava, deixei-os là e sai correndo em busca de ajuda. Na hora que encontrei uma pessoa, uns 4 kilometros percorridos em inacreditàveis 40 minutos com 10 quilos nas costas, ela me deu um binoculo e eu vi que là jà havia um helicopero.
Nao adiantava ficar ali. Fui ate Itero esperar noticias. Me senti muito mal por nao ter ficado la e ajudado.
Lá eu decidi que nao iria até Boadilla del Camino, onde havíamos combinado de passar a noite num albergue da cidade, eu seguiria direto para Leon, de onibus, para compromissos particulares.
Foi là que eu soube que, assim como nunca chegaria a pernoitar em Boadilla neste percurso, o Manolo, com seus 42 anos e toda a sua alegria de vida, apòs 25 minutos de tentativa de ressucitacao pelos paramedicos do helicoptero, tambem nunca chegará.
Bon Camino, Manolo, e que Santiago te guie pela sua nova caminhada.
This entry was posted on Thursday, September 25th, 2008 at 8:59 and is filed under Sem Categoria. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. RSS 2.0. You can leave a response, or trackback from your own site.
September 25th, 2008 at 17:41
Caramba
September 25th, 2008 at 17:45
A propósito, não se sinta mal por “não tê-lo ajudado”. É sempre muito difícil tomar decisões em horas aflitas e você escolheu fazer o que parecia mais lógico na hora, ir atrás de socorro. Você o ajudou. Acontece que a outra ajuda foi mais rápida, mas você fez o que poderia/deveria.
Boa viagem
September 25th, 2008 at 20:18
Você ajudou: saiu pra buscar alguém. Se o seu ato específicou teve ou não alguma influência no resultado final é irrelevante. Você tomou a atitude que pareceu mais adequada na hora, e que poderia efetivamente ter salvo a vida dele, dados diversos fatores que você não tinha (e nunca tem) como controlar…
Como bem disse a Aline, boa viagem!
September 26th, 2008 at 9:52
Cara, isso é ficção, não é?
September 29th, 2008 at 9:52
Nao… nao eh
September 30th, 2008 at 22:54
Cara… que barra.
Fico com o rbp: você fez o que estava a seu alcance ali na hora, ajudou como pode. Não se sinta mal por não ter ficado.