Ray Reyes Leon. Muito pouca gente sabia – acredito que nem mesmo ele – mas eu e este homem fomos casados por um bom tempo. Casamos cedo, eu devia ter uns 12 anos, tivemos dois filhos gemeos e vivemos felizes numa casa na serra – com uma piscina aquecida. Os colegas de banda dele moravam conosco. E o Roy, que eu acreditava ser o melhor amigo dele, havia sido nosso padrinho de casamento. Curiosamente, me lembro agora, todos andavam pela casa com camisas parecidas, mas de cores diferentes e estampas coloridas. Rolavam faixas nos braços tambem.
Depois eles demitiram o Ricky Melendez e colocaram o Kiki(que mais tarde se tornaria Ricky Martin), aquele pirralhinho sem sal, no lugar, e o Menudo perdeu a graça para mim.
O fato é que vivi minha época, e como todas as minhas coleguinhas, eu gostava do Menudo e tinha o meu preferido.
Aí o mundo mudou, eu entrei pra sexta ou sétima série, comecei a estudar pra valer, esqueci da existencia deles até que, aos 18 anos mais ou menos minha mae me perguntou o que fazer com minha colecao de botons e posteres que tava gastando um precioso espaço. Eu dei uma tossidinha (isso era meu?) e mandei ela queimar tudo, espalhar as cinzas pelos 4 continentes e separar uma parte para mandar pra lua. Pedi sigilo sobre o ocorrido tambem, era uma coisa entre mãe e filha – para que comentar com todo mundo?
Muitos anos depois, me vi caçando a historia deles para uma adolescente e mostrar pra ela que nós – adultos -tambem jã tivemos aquela idade e aqueles sentimentos. Me deu saudadinha. De uma epoca que meu grande amor tinha olhos verdes e não vinha embrulhado num pacote junto com discussões de relação, métodos anticoncepcionais, partos naturais (e seus horrores), depilação sempre em dia, a familia do conjuge. Enfim. Voce se apaixonava, casava, tinha filhos, e nem precisava esperar os 9 meses para isso.
E, depois que a adolescente em questão se foi, eu continuei a procurar na internet o que houve com os meus 5 queridos. E fui, óbvio, no orkut. E quase tive um ataque cardíaco.
Mulheres da minha idade, que era adolescentes quase crianças no anos 80 reclamavam que o Menudo Schlebts havia as tratado mal (nao descobri como, posto que a pessoa apagou o post, mas depreendi das respostas que ela obteve). Aí teve outra que disse ter ouvido calada, mas que tambem tinha uma denuncia a fazer sobre o cidadao que autorizou ela no msn mas nunca tinha tempo de conversar com ela.
Mulheres, atencao – DA MINHA IDADE. Eu fui apaixonada pela imagem que eu fazia de um menino adolescente que cantava uma musiquinha. Ele não fazia cocô, nao soltava pum, ele so cantava, sorria, e me beijava, nos meus sonhos. Aquelas mulheres adultas estao cobrando o ônus de ser famoso de um cara tambem adulto que não tem mais o bonus do sucesso (dinheiro) a muito tempo. Se ex-Menudo eu fosse, a policia eu chamaria se alguem viesse atras de mim a esta altura do acontecimento pedindo autógrafos, e sairia correndo dali.
Acho saudável as pessoas manterem suas crenças de infancia, se encontrasse o cara num aeroporto eu provavelmente faria questão de – sem ser invasiva – pedir uma foto – até pelo inusitado da coisa. Mas nunca sairia correndo atras dele, nem xingaria se o cara nao me aceitasse no msn, nem ficaria fula se fosse atrapalha-lo no local de trabalho dele pra ele me dar um autografo e ele nao me atendesse. Muito menos viajaria ate o seu país de origem porque – agora que ele nao é mais famoso – supostamente tem mais tempo pras fãs.
Meu, acorda, que fãs? “Fãs do seu trabalho” Que trabalho? Um é advogado, o outro é corretor de imóveis … Se imagina correndo até o por quilo da esquina pra almocar rapidinho e uma turba de balzaquianas gordinhas atrás de voce. Como alguem se sentiria? Como o cara não deve ter se sentido
Os nossos sonhos de infancia são legais. Devem ser cultivados e, se possível, revividos eventualmente. Mas há que se entender que o que é do passado, deve ficar no passado.
Ou vc corre o risco de trocar a fantasia:

Pela realidade:

E eu não vou te enganar não: tem vezes que a realidade é feia pra caralho!