O Bruno, colega blogueiro, pediu a alguns amigos que escrevessem no blog dele sobre a experiencia de voltar ao Brasil, depois de algum tempo, o resultado ficou maneiríssimo.
E me fez pensar, como geralmente me fazem algumas coisas que ele escreve. Eu nunca morei fora do Brasil, mas já morei em muitos estados daqui da terra de santa cruz. E sempre acontece algo muito interesse cada vez que eu volto de minhas incursões. Pelo menos aconteceu de forma MUITO marcada da primeira vez que eu voltei.
Imagine que estávamos todos numa reunião social, muito bem vestidos. De repente eu ouvi um barulho lá fora e vou ver o que é. Eu ponho os pés na rua e rolo uma ribanceira, caio de cara no cocô de cachorro, sou atropelada por um caminhão, fujo de um bando de doninhas raivosas, perco o sapato e, depois disso tudo, eu entro de volta na sala. Só se passaram 15 minutos, tá todo mundo arrumadinho, eu saí de lá arrumada, mas voltei totalmente .. ahn .. diferente, já sem saco para a festa, sem a mesma roupa que eles, e achando que ficar ali, fazendo uma social com aquelas pessoas, é tudo que eu não queria fazer.
É exatamente asim que eu me sinto. Parecia que o tempo passou diferente para mim do que passou pra meus amigos/familia. Depois de morar no meio do mato, tendo que consolar uma amiga cujo cão morreu comido por uma onça e depois outra amiga, cujo presente do dia dos Pais do marido (comprado na Americanas.com) caiu no rio durante a travessia é … surreal … Eu fui a uma feirinha onde uma das atrações era … uma escada rolante! Cresci profissionalmetne de forma absurda no quesito logísitca. Morei sozinha no meio do nada, chorei de solidão e sofri. E isso muda. Muda MUITO.
E quando eu voltei, eu simplesmente não via mais sentido -e muitas vezes nem muita graça – na maior parte das rodinhas sociais que eu fazia parte … Mas que cazzo, todo mundo se preocupando cousas tão .. “nao importantes”? Só que o fato é que antes eu tambem pensava daquele jeitinho. Eu apenas passei a ter outras prioridades, nem melhores nem mais inteligentes que meus amigos. O Rio de Janeiro era estranho e chato. Era agressivo, era mau. E eu não mais me adaptei a viver nele por muito tempo. E fiz outros amigos. Obviamente. E fiquei com alguns. Mas a dinamica das relações mudou.
Depois eu fui pra mais dois empregos em estados diferentes. Depois eu fui pro interior do ES e … idem .. Cada vez que eu voltava pros meus amigos do Rio eles pareciam mais distantes da minha realidade. Eles não eram melhores nem piores.
E eu percebo que a cada mudança eu fico mais distante daquele mundo que eu vivia qd tinha 26, 27 anos … E eu percebo que aqueles amigos, a grande maioria pelo menos, simplesmente não tem mais nada a ver comigo.
Não foi o mundo que mudou. Não foram as pessoas que mudaram. Só que eu mudei.
Não sei qual das Barts que eu prerfiro, mas posso dar certeza de uma coisa, a de hoje é MUITO mais versátil que a anterior.
This entry was posted on Tuesday, February 3rd, 2009 at 4:56 pm and is filed under Hipocrisia. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. RSS 2.0. You can leave a response, or trackback from your own site.
February 4th, 2009 at 5:17 am
Valeu Barts! Valeu pela referência, pelo link e por abrir um novo ponto de vista sobre esse assunto no seu post. Falar sobre amigo é complicado, sempre acaba ficando meio chapa branca, mas você mandou bem.
Essa mudança de interesses nunca para. A gente tem a impressão que vai ali e já volta, mas o ali passa a fazer parte de nós e a volta perde o sentido. No lugar dela, vem a vontade de ir de novo, para um lugar diferente de onde saiu e de onde está. Eu gosto disso, isso me alimenta, isso me interessa. Não sei o que meus amigos de um ano atrás vão achar disso quando eu voltar pro Brasil…
Um viva aos momentos que passamos com nossos amigos quando temos os mesmos interesses que eles (e achamos que vai ser assim pra sempre).
Um viva aos novos amigos que fazemos pelo caminho (ou pela internet).
E Viva aos viajantes!
February 4th, 2009 at 5:57 am
Eu bebo à isso!
February 4th, 2009 at 11:27 am
No meu caso, eu nem me mudei de estado. Mudei somente de cidade e continuei mantendo contato esporádico com algumas amigas, mas até então alguma coisa me mantinha ligada àquele mundo.
Eis que começar outra faculdade e conviver com gente muito diferente me mudou completamente. Na última vez que encontrei minhas mesmas colegas foi trágico: com uma eu não conseguia conversar, não tinha assunto. A outra simplesmente cortou minha fala umas 5 vezes pra rir com outra amiga e depois me largou falando sozinha.
Aí não teve jeito, né?! É triste perceber que alguma coisa “morreu”, mas outras nasceram no lugar. Não me arrependo.
February 4th, 2009 at 1:12 pm
Primeiro gostaria de parabenizá-la pelo post (e pelo blog também). Fui apresentada à ele pelo Bruno (meu namorado). Aparentemente eu sou a única razão para ele voltar pro Brasil, por isso muitas vezes acho que ele não vai voltar… nesse caso quem vai ter que se mudar sou eu. E então vou poder ter minhas próprias impressões sobre ir e vir.
Por enquanto, a única mudança que fiz, foi sair da casa dos meus pais na semana passada. Estou morando sozinha agora, o que já faz diferença. Estou tendo que aprender todos aqueles detalhes que nos passam despercebidos na casa dos pais (como vc fala naquele outro post). Estou tendo que lidar com coisas que não precisava antes, como me livrar da barata que surge no meio da cozinha, sem ter pra quem gritar. Mas é gratificante.
O próximo passo com certeza vai ser morar fora do país, só preciso chegar a um acordo com o Bruno quanto à data…
February 4th, 2009 at 2:30 pm
@Bruno – eu nao comento, mas leio teu blog com frequencia e – bah – nem tem o que agradecer …
@Eu tambem bebo a novos e velhos amigos. Aos que vieram da internet, aos que vieram deste estranho e paralelo mundo chamado vida real, aos antigos que se foram, os antigos que ficaram. E àqueles que, por mais que a gente tente, a gente nunca deixa de ser amigo, e tem que aceitar a presenca deles em nossa vida forever – quem nao tem um amigo assim???
@Gabs: Crescer é escolher. Eu acho qeu vc pega certo o que eu quero dizer quando diz que “alguma coisa morreu”, “elas riam e vc nao sabe de que” – vc fez escolhas diferentes, caminhos diferentes … nem melhores nem piores .. mas a Gabs final é sempre “maior”que a anterior.
February 4th, 2009 at 2:36 pm
@Pri (scila?)
Em primeiro lugar, bem vida (ou benvinda, a nova ortografia mudou isso tm???)
Olha, morar sozinho é froids, é assustador, é caro, mas é o mairo barato. Voce vai crescer, vai apredner a se administrar, vai poder fazer xixi de porta aberta e, se quiser um gato, pode ir la na rua e pegar, sem dar explicacao para ninguem!!!
E eu espero, sicenramente, que vc e o Bruno acordem uma data para vc ir pra la, porque morar fora (eu nunca morei) deve ser s urrealmente bom. (bruno, meu filho, defina-se!)
February 4th, 2009 at 11:39 pm
Já mudei algumas vezes de cidades, desde as bem pequenas, com 20 mil habitantes, até Sampa, com seu tamanho que não acaba. Fora as viagens, muitas viagens a trabalho e umas outras poucas de turismo, e posso te afirmar, como é bom conhecer gentes diferentes, sentir cheiros diferentes e comer comidas diferentes. Eu amo isso.
February 7th, 2009 at 11:51 pm
Já me mudei e mudei tantas vezes que já perdi a conta. Já tive minhas coisas espalhadas por casas de avós e pais. Mas o que eu mais gostei foi morar no interiorzão, daqueles com padaria mais próxima só a 6 kms de casa.
A gente muda, mas o coração não muda não. Aliás, às vezes esse é o problema. Vc foi, voltou, achava que o coração da pessoa era X e na verdade era Y…e aquele Y vc não conhece. Não é o assunto, não é nada disso, é começar a ver as pessoas como elas são. Quando vc as conhece bem, tá ótimo, nada muda, só o assunto e assunto se conserta, eu acho. Mas quando vc descobre que não era bem assim…minha filha, é uma meerrrrdaaa…
Abs!
February 9th, 2009 at 12:50 am
adorei o tx barts
o
eu nunca me chamei riroca no fundo no fundo, soh atendia qdo me chamavam
February 9th, 2009 at 1:16 am
que comments o meu heuhe deixa eu tentar de novo:
viajar eh muito bomm!!!
February 9th, 2009 at 7:42 am
POis é Ju
Grande sorte a sua, eu fui registrada mesmo como riroca, mas ‘depois de muito constrangimento, mudei de nome
February 25th, 2009 at 11:17 am
E eu, que moro no mesmo apartamento desde que nasci???
Mas viajei algumas vezes, o que é sempre bom, mas raramente dá tempo de sentir algo mudando.