Sob a alcunha de “Ramses, o filho da puta luz”, o egiptólogo frances Christian Jacq começou sua carreira na literatura mundial.
Eu tenho os 5 livros da pentalogia, li a muitos anos, e não conseguia lembrar porque nunca o li de novo. Aí eu resolvi fazê-lo. E aí eu entendi.
O livro em si não é ruim, e parte de premissas reais mega interessantes. Descreve um Ramses já idoso, no quinto livro, com grandes problemas dentários, o que realmente parece ser fato, pelo estudo de sua múmia, da mesma forma como descreve seu suposto rosto e altura com alguma veracidade. Tem muita informação histórica que é bastante bacana de se ler, algumas com veracidade atestada, outras que foram ”maleabilizadas” para não c hocar nossos costumes ocidentais.
O livro se permite a algumas adequações que não caem mal. Por exemplo, ao invés de descrever um cara poligâmico com 150 fihos de mais de 80 mulheres diferentes, e para se manter fiel ao romantismo de Nerfertari, a esposa principal, o autor descreve a criação de uma instuição chamada “os filhos de Ramses”, que não seriam propriamente filhos biologicos dele, mas jovens com habilidades especiais que receberiam educação especial. Isso explica a tumba dos filhos de Ramses, que é real, não deixa de cita-los no livro, mas não trai a visão de herói romantico de uma mulher só que o autor queria dar.
E, para passar longe da coisa do incesto, explica que, quando sua esposa real era uma hitita, a sua filha com sua falecida rainha predileta – Nefertari – fazia o papel de grande esposa real nos rituais religiosos onde a hitita não poderia entrar – o que ajusta o livro com o aspecto histórico, sem descrever o fato de Ramses ter casado com virtualmente TODAS as suas filhas com as suas principais esposas (Nefertari e Iset Nofret), e Meritamon – sua filha – ter sido realmente sua grande esposa principal a partir dos 10 anos de idade e até sua troca pela hitita…
Enfim. Tudo isso sao concessões literárias que até caem bem
Agora, o que dói no livro é a total falta de costume do autor de ir dar uma olhadinha lá atrás para ver o que escreveu. Isetnofret começa o livro um ano mais velha que o faraó, para terminá-lo quase 10 anos mais jovem. Khá nasce com Ramses completando 20 anos e, quando morre, a diferença de idade já é de quase 30. Homero é enfiado no livro sem dó nem pena, assim como Helena de Tróia, e o rei é visto como um grande herói, sem defeitos, ao invés de ser visto como o usurpador que foi. A batalha de Kadesh, que foi um fracasso com milhares de egipcios mortos, é vista como uma grande vitória.
Outra coisa que não cai bem são as descrições de cenas de sexo. Dá vontade de voce fechar o livro e ler a bíblia, saca?
São tantos erros bobos, que dá vontade de parar de ler. O que é uma pena, porque o cara se sai bem em coisas muito mais dificeis…
Enfim, não é uma leitura prazeirosa, mas quem conseguir superar este pequenos percalços de data … Recomento para os menos exigentes.