Culturais {DVD’s, livros e música}
“Minhas Cabeças”
Livro da exposição “Minhas Cabeças”, de Odette Eid (Líbano, 1922), artista que chega ao Brasil em 1925.
Ultimamente Maria tem se cobrado mais pela “perfeição” de seus traços. Observa desenhos e tenta copia-los, chegando a se irritar quando algo não sai como planejou: Rasga e recomeça.
Talvez seja a fase de pré-alfabetizacao, onde a letra deixa de ser um desenho e passa a ser um signo, e suas preocupações estão voltadas em saber seu formato e se fazer entender com as palavras. Na idade em que Maria se encontra também é comum que queira “acertar” as cores, se antes não lhe importava o céu rosa, o rosto verde etc agora procura representar em seu desenho o tom “real”.
Maria sempre colocou força no material que está usando e narra para si o que está pensando fazer, e geralmente se envolve mais com o processo do que com o acabamento do desenho ou da atividade.
A serie da artista Odette Eid “Minhas cabeças” usa elementos muito familiares para as crianças como panos, lã, trapos – e Maria acha as obras extremamente engraçadas. Usamos o livro para observar a expressão das cabeças, contornos de olhos e narizes e proporção. A artista desconstrói a percepção em favor da emoção e exercício de representação do olhar.
O ato de desenhar deve ser prazeroso e livre, mesmo sabendo que pode ser esta uma fase comum a todas as crianças, acho importante que esta idéia não se perca, é no papel e no desenhar que as crianças passam seu desenvolvimento, mas é ali também que vão se expressar.
P de Poesia
Resolveu arrumar os romances policiais e não resistiu, releu todos. Maria rodeava, resmungava, espiava. Um dia, interrompeu a avó e apontou com o dedinho os Ms que continha na página aberta. A avó fez festa e ambas ficaram orgulhosas: Maria compreendeu que ali existia um código.
* imagem: font Goudy Initialen by Dieter Steffmann, 2000
Neste momento, creio, começou seu interesse pelas letras. Não um interesse por aprender a ler ou escrever mas pelo símbolo, forma, grafia. Nesta fase de pré-alfabetização a poesia dá a sonoridade, o prazer, a brincadeira da linguagem:
O MOSQUITO ESCREVE
(Cecília Meireles)
O Mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois, treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.
O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U e faz um I.
Esse mosquito esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí, se arredonda e faz outro O,
mais bonito.
Oh!
já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever o seu nome.
Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa, não é, criança?
E ele está com muita fome.
2 livros de Mário Quintana e 2 livros de Cecília Meireles para ler com os pequenos nesta fase:
1. Pé de Pilão, Mário Quintana – 2000 Ed. Ática
2. Ou Isto ou Aquilo, Cecília Meireles – 2002 - Nova Fronteira
3. A Festa das Letras, Cecília Meireles – 2001 – Nova Fronteira
4. O Batalhão das Letras, Mário Quintana – 1997 -Editora Globo
…
Cecília Meireles, a poeta maior, “também foi professora, pedagoga influente, autora de livros infantis e fundadora da primeira biblioteca especializada para crianças no Brasil“, >> leia o ensaio “MAR DE CECÍLIA, ESPELHO SONORO” de Nei Duclós
Top 10 Maria Hit’s
Desde que nasceu até hoje, selecionei 10, padrinhos e avós sabem do que falo; e quem é mãe ou pai sabe o que é ouvir exaustivamente a mesma música ou filme, vamos lá:
1. Acalanto - Dorival Caymmi & Nana Caymmi
4. Coração Tranquilo – Walter Franco
5. Mi niña se fue a la mar – Federico García Lorca-Paco Ibañez
6. Flor de Maravilha – Cantiga Popular
7. Sopa do Nenem - Palavra Cantada
8. Over the Rainbow - Cantada por Judy Garland
9. Barbie Girl- versão de Kely Key << tenho nada com isso :o
10. Lago dos Cisnes - Tchaikovsky
.
:) é isso…Coloquei linques do You Tube nas musicas
* foto: do atelie Coisas de Maria
Acalanto-Dorival Caymmi & Nana Caymmi
“Vamos trabalhar as déeeferenças” com Ocelot
Hoje, meu aniversário, resolvi ir com Maria prestigiar a Mostra de Cinema Infantil. Vimos Príncipes e Princesas (Princes et princesses – 1999) de Michel Ocelot, que Maria já é fã.
Como em Azur e Asmar (Azur et Asmar, 2006) e Kirikou (Kirikou et la sorcière, 1998 – Kirikou et les bêtes sauvages, 2005) , é um show de diversidade, com lições de tolerância, amor e perdão. para nós adultos. que já estamos calejados com tanto desrespeito às diferenças, que já nos ensinaram lutas perdidas, que já estamos acostumados com a INdiferença. Que procuramos desesperados, comparações e nivelamentos com nosso olhar treinado, cada vez que nos deparamos com algo fora do campo de visão. Para elas não. Para as crianças, o olhar de Ocelot é normal – não causa surpresa. Não assistem ao filme com a sensação de estarem aprendendo algo ou vendo um desenho incomum. e sim humano: como somos. Se encantam/indentificam. Uma linda história, bela trilha e desenhos.
E de tão sutil – não ouvi Maria perguntando sobre cor ou vestimentas em Kirikou, perguntou-me sobre a forte cena em que o pequeno herói se afoga, por exemplo – é genial. De tão simples, é surprendeente – para nós, adultos [2].
Michel Ocelot é o principal convidado da mostra e semana que vem serão exibidos 4 curtas do diretor:
Les 3 Inventeurs (1980)
La Belle fille et le sorcier (1989)
La princesse insensible (1986)
LÍnvite (aux noces d’azur et Asmar)
10 de julho (sexta-feira) no CiC, 19 hs (palestra para estudantes ao final da exibição)
11 de julho sábado no Teatro Pedro Ivo, às 14 hs – Dublagem ao vivo (conversa com as crianças ao final da exibição)
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