03 anos

Cotidiano

Tuesday, December 9th, 2008 | Cotidianas {diariamente}, Freak Mothers {tudo!} | 1 Comment

Além de gostar de ouvir e ver histórias a pequena agora deu para ensaiá-las. Ela, claro, faz o papel da princesa, sobrando para mim a bruxa má. Com sorte consigo ficar com alguma fada madrinha.

Na hora do lanche ela me pede uma maçã:
- Toma: a maçã, querida…
- Não, não, faz “a voz”!
- Querrr esta lindaaa maçã vermelénhaaaaa Branca de Neveeee? – Digo enquanto ela pega a fruta.
Queio sem casca, Bruxa – Ela diz me devolvendo a fruta.

¬¬ Esqueci que princesas são mei frescas….

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- Desenha-me uma bailarina?

- Desenha-me uma bailarina?
- Ah…depois ok?
- Desenha, mamãe? Agora?

- Maria Clara
- Um?
- Desenha-me uma bailarina?


  desenhos de 
1. Juliana Duclós, nanquim e acrilica sobre papel e
2. Maria Clara Duclós – Canetinha sobre papel rosa.
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Fiz um grupo no FLICKR intitulado “
Desenhos de Crianças“, onde os membros colocam fotos dos desenhos e também do fazer, além de discussões sobre as fases da representação e materias a serem oferecidos. PARTICIPE :D !

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Lá longe no horizonte

Na varanda o avô Nei de repente fita o infinito, com a expressão séria e a voz grave solta com eloqüência um de seus versos:
“Lá longe no horizonte nasce a força da vogal sem nome”

Maria Clara acompanha muito atentamente, franze o sobrolho e procura dar igual ênfase nas palavras, avisando que o modo correto era assim:
“Lá longe no horizonte nasce a vovó na ponte”


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(E não é que ficou bom, Joe?)
.
TARDE
Lá longe no horizonte
nasce a força da vogal sem nome
Voz do sobrenatural encontro
entre Deus e seu espelho

Imagem torta de espontâneo corpo
que interrompe o vôo permanente
Sombra não revelada pelo olho
colhida como flor para si mesmo

Surpresa do Criador quando se cansa
da infinita paz de estar atento
Lá nasço eu na minha fonte
De janela aberta e rádio aceso

Leia o poema TARDE, que contém este verso, no Jornal da Poesia.
Ouça sua declamação, feita em edição especial pelo autor em sua biblioteca.

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Não sei porque…

- Mãe, por que você não é igual ao Homem de Lata?
- Porque eu tenho coração?
- Tem?
-Sim filha, quer ouvir?
- Sim…
- E , o que você ouviu?
- Uma música!

Love song Ilustração da artista norueguesa Annette Mangseth - visite sua loja on-line CARAMBATACK DESIGN. Seu lindíssimo trabalho pode ser visualizado também no FLICKR.

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tão “tão” distante

Os “Por quês” vem tão logo começam a formular as primeiras frases, e vão ficando cada vez mais densos e vorazes, não querem apenas satisfazer sua curiosidade, estão formando a compreensão de si e da vida!

1. Aonde se esconde o sol? Por que escureceu? Que luz é essa no céu? Quem a acendeu? De que é feita a nuvem? – sobre os fenômenos da natureza respostas simples os satisfazem. Desta fase saem belas pérolas das cabeçinhas pensantes.
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(passei fácil por esta)
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2. De onde eu vim? Como nascem os bebes? O que são as plantas? E os insetos? O que tem dentro da gente? E pra que serve? – Embora muitas vezes embaraçosas é fascinante lhes ajudar a buscar respostas através de exemplos, gravuras, vídeos e experiências.

(passei fácil por esta)
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3. E quando começam a perguntar sobre a morte ? Ou sobre crueldade, abandono, miséria, inveja, injustiça?
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(…)
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É mais fácil responder sobre uma história – tão “tão” distante - do que sobre situações próximas, e aí entram os contos de fadas. Exemplo: onde esta a mãe da Cinderela? E o pai? Então por que a madrasta é tão má com ela? E por que ela não reage?

Também vão achar nos personagens dos contos de fadas os conflitos de sentimentos do ser humano, identificá-los e aprender a lidar com eles – dentro de si e no outro.
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Maria está nesta fase, todas essas perguntas me foram feitas por ela.
Mas minha resposta preferida ainda é:

* Maria: – Por quê?
* Mamãe: - Porque … Bilboquê.

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*ilustração: Telas de Juliana Duclós

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