freak mothers

CAT Bolita

Primeiro sábado de chuva após o veranico e último de maio de 2009:

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Expressionante

O tubarão vai alcançar a sereia, cuidado! coloquei este pano em sua boca, ufa! nade, nade! olha o peixinho amigo da sereia beliscando ele. oh não! outro, foge peixinho. aqui tem mais espaço: um jacaré muito grande  chegou, oh!
*pausa*
Olha a folha, desiste. Me pede auxílio:
- Juju, desenha um Peter Pan lutando com um Gancho e o jacaré muito grande com a boca aberta embaixo querendo comer eles.
- (…)
- Rápido!
- Não sei filha.
- Pff…

*despausa*
o Jacaré comeu o Gancho, voe Peter.
*vira folha*
Vou fazer algo muito expressionante: uma mamãe está com uma barriga muito grande, ela vai ter nenê. ohhh! o nenêm nasceu, veja que bonitinho…Agora ela vai cantar uma música muito linda para ele.
Continua por mais alguns minutos para depois largar um pequeno caderno cheio de linhas emaranhadas e sobrepostas à giz de cera vermelho num canto do chão.

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Um clássico é um clássico. É um clássico.

Não deixa de ser encantado porque você o viu com um torpe olhar “do futuro”. Tornar acessível todo tipo de arte e boa cultura para uma criança é possibilitá-la de desenvolver um olhar apurado, lhe dar a chance de sacar semelhanças e diferenças, de entender a arte, dramatizar e expurgar seus sentimentos.

Nada se cria, tudo se transforma. Ou se copia, no caso de idéias, dependendo do nível de reflexão, interesse e dedicação que se investe.

Antes (ou depois) de gostar ou desgostar de um clássico – seja ele em qual área da arte estiver – é obvio que ele ocupa seu lugar na história e tem este título por algum motivo. Investigue. O mundo já existia antes de nascermos. e continuará …

Claro que o filtro de influencias que chegam até você e seus filhos é: você quem decide. Mas entender (por estudo ou coração) que as pessoas vivem e pensam a seu modo, época e costumes, é fundamental.

É isso, apenas compartilhando um pensamento, quis registrar e gosto de repetir para quem quiser ouvir (ou ler) que não tenho medo de cantigas de ninar, por exemplo. Como mãe, só tenho medo mesmo é do Bob Esponja Calças Quadradas. tem problemas com peixe e atum na sua bota? Bob Esponja Calças Quadradas…

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Nuances

 Ou “tudo hoje é pink ou royal”.

Tinha duas amigas na infância com quem compartilhava o gosto de desenhar e pintar, passávamos então algumas tardes envolvidas nesta atividade, revezando o ponto de encontro na casa de uma e de outra. Uma delas tinha um fantástico estojo de lápis aquarelável da marca Caran d’Ache, que usávamos com cuidado e parcimônia, pedindo licença toda vez a mudar a cor – principalmente se as mais cobiçadas, em que o lápis apresentava menor tamanho pelo uso, como o amarelo ouro. Fazíamos isso por respeito profundo ao estojo e à arte. Bom, na verdade também porque ela dava uma levantada de sobrancelhas fulminante se sentisse alguma ameaça à integridade de qualquer uma das cores. Também devíamos devolver ao lugar retirado a cor usada, para que não se alterasse a ordem.

Esses tempos minha mãe chamou a atenção de que não “existem” as cores como “existiam” antigamente. Explico: era mesmo natural se usar os nomes fantasias dos pigmentos no cotidiano. Não eram apenas “azul escuro e azul claro” como temos o costume de falar hoje em dia. Havia o azul marinho, o azul petróleo, o azul turquesa e outros tantos azuis. Maravilha, púrpura e abóbora. Gris, carmim e prata…Magenta. (Não, magenta não. Magenta eu pensava que era tipo um ocre-seilá-oque quando pequena, magenta, magenta: nada sonoro!).

Hoje é sabido que o Magenta é uma cor-pigmento primária. (pula parágrafo)

De tanto destreino – minha mãe observou - vamos até perdendo a capacidade de diferenciar (ou notar) realmente as cores e suas nuances, que nome dar à cor da blusa que estou a usar no momento: um azul com um tanto de roxo. Lembro que a  ganhei e eu disse: “Ai que linda! Azul!” Azul. Ponto. Entendem?

Pedi à minha filha esses dias, que estava acompanhando atenta ao meu lado a finalização de uma tela em tinta acrílica:
- Me vê um terra de siena – sem esperar que realmente ela me atendesse.
- Aqui! – disse-me ela com o tubo na mão.
Repeti a experiência meio incrédula:
- Agora coloca um pouco CARMIM na minha paleta. Pois trouxe, não o vivo nem o magenta, (não, magenta não!) e sim o pigmento certo.
Não me lembro de ter-lhe ensinado o nome das cores, por vezes confunde nas brincadeiras e na escola o azul com verde, mas lembrei que é muito observadora minha pequena aquariana com um tanto do ascendente em virgem. Está sempre ao meu lado, ao comprar tintas, ao pintar, ao conversar com as pessoas. Sei que são apenas nomes fantasias dados aos pigmentos, mas e tem coisa mais graciosa que uma pequena no alto de seus 04 anos dizer: Não vai usar hoje o azul ‘cerlulio’ (sic)?

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Dia das Mães

Vinda da escola, anuncia-me:
-  Sabia que vai ter uma garrafinha que é um vaso, mas é segredo, não pode contar tá?
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