No coração do Dão

José Lopes e Rosa Buonomo, avós da Carla Alonzo Duclós

 

             José Lopes veio para o Brasil quando tinha nove anos, em 1917. Junto com seus pais – Manuel e Maria Alves – desembarcou no porto do Rio de Janeiro, trazendo consigo o nome de sua terra natal, Viseu, em Portugal – agora tão distante. Em sua nova pátria cresceu, casou-se com Rosa Buonomo e deixou – entre seus numerosos descendentes – uma linda neta, Carla Alonzo Duclós.
Foi assim que descobri essa história: minha nora, Carla, pediu uma ajuda para encontrar o lugar exato onde seu avô nasceu.  Em seus documentos brasileiros e na memória familiar, uma só palavra: Viseu.

 Era um território muito grande para localizar a exata freguesia da família Lopes. Esse sobrenome é muito antigo na região e encontra-se inúmeras ocorrências com o mesmo nome em todo o distrito.

Distrito de Viseu

          Viseu é um distrito de Portugal com uma área de 5007 km²  com uma população residente de (2006)  394 844,  sua sede é a cidade de mesmo nome (Viseu). Pertence à tradicional província da Beira Alta, mas incluí alguns concelhos do Douro Litoral e do Trás-os-Montes e  do Alto Douro. Limita-se ao norte com o Distrito do Porto, o Distrito de Vila Real e o Distrito de Bragança, a leste com o Distrito da Guarda, a sul com o Distrito de Coimbra e a oeste com o Distrito de Aveiro.  É o único distrito português que não faz fronteira nem com o mar nem com Espanha.

           O  distrito de Viseu subdivide-se nos seguintes municípios: Armamar, Carregal do Sal, Castro Daire, Cinfães, Lamego, Mangualde, Moimenta da Beira, Mortágua, Nelas, Oliveira de Frades, Penalva do Castelo, Penedono, Resende, Santa Comba Dão, São João da Pesqueira, São Pedro do Sul, Sátão, Sernancelhe, Tabuaço, Tarouca, Tondela, Vila Nova de Paiva, Viseu, Vouzela.

                       

 

O Concelho de Penalva do Castelo 

               Com muita paciência, fui cruzando as listas de antigos registros de batismos referentes ao distrito de Viseu, até encontrar uma concidência, os nomes dos avós de José Lopes – Henriqueta e Alexandre Lopes – nascidos no mesmo local, na freguesia de Insua, concelho de Penalva do Castelo, em datas aproximadas:

Henrequeta Pinto Ferreira
11 Abril 1865
batisada: 19 Abril 1865   Sao Genesio, Insua, Viseu, Portugal  
pai  Manoel Pinto Ferreira  mãe:  Maria Emilia  
Alexandre Lopes
 17 JAN 1862   
batisado:  26 JAN 1862   Sao Genesio, Insua, Viseu, Portugal  Insua,
pai Luiz Lopes  mãe:  Luzia de Asumpacao
 

 

 

O concelho de Penalva do Castelo está situado em pleno coração da Beira Alta, estende-se por uma área de 140 quilómetros quadrados que reúne 13 freguesias – Antas, Castelo de Penalva, Esmolfe, Germil, Ínsua (Penalva do Castelo), Lusinde, Mareco, Matela, Real, Sezures, Pindo, Trancozelos e Vila Cova do Covelo.

Penalva do Castelo recebeu foral em 1240 e a referência ao Castelo vem de uma torre de onde se avistava o rio Dão. Foi entre este e o rio Côja, que se desenvolvei o primitivo núcleo populacional.

Durante a Reconquista Cristã, as Terras de Penalva eram um ponto estratégico muito importante, e foram escolhidas para a construção do primeiro da Ordem do Santo Sepulcro em Portugal. A 10 de Fevereiro de 1491, D. Manuel I, o Venturoso, atribui-lhes o Foral Novo, e renova-lhes os anteriores direitos e privilégios.

0 primitivo núcleo da vila ter-se-á situado nas margens do rio Om, atual Dão, entre este e o rio Coja. Segundo alguns estudiosos, os restos da antiga vila misturam-se com as ruínas (na Quinta do Mosteiro, em Trancozelos) do templo da ordem monástica do Santo Sepulcro, talvez o primeiro da Península, sob proteção de D. Afonso Henriques e de sua mãe. Assim, ficou conhecida por Vila Nova do Santo Sepulcro.

Há, igualmente, vestígios que comprovam os povoamentos celta e romano. A antiga sede do concelho localizava-se em Castelo de Penalva, documentada já em 1058. Castendo recebeu carta de foral de D. Sancho II em 1240 e D. Manuel I outorgou-Ihe novo foral em 10 de Fevereiro de 1514.

Primitivamente Castendo, passou a designar-se pelo nome atual por decreto de 4 de Agosto de 1957. Ainda hoje, porém, e costume algumas pessoas, sobretudo as mais idosas, referirem-se à Vila pelo nome antigo, principalmente pelos mais antigos.”Vou à feira a… Castendo” é uma frase frequente às sextas-feiras, dia de movimentado mercado e feira no centro da vila.

          

 O território do Dão é marcado por seu relevo peculiar, circundado por um conjunto de serras: a leste a belíssima Serra da Estrela, a norte a Serra da Nave (que protegem a região do rigor do clima continental), ao sul as Serras do Buçaco, Açor e Lousão, e a oeste a Serra do Caramulo (que evitam a entrada do ar úmido vindo do Atlântico). No centro desta redoma está o Dão, formado por colinas onde se formam inúmeros microclimas propícios à viticultura, com altitudes entre 400 e 700 metros. Todos os vinhos desta região são muito bons. Dois vinhos notáveis do Dão: o Grão Vasco, da Sogrape , e o Aliança, da Caves Aliança.

                            quinta típica da região, com parreira na cerca

O clima é temperado, com influencia mediterrânea – invernos chuvosos e verões quentes e secos, com cerca de 2.600 horas de sol e 1000 mm de chuvas por ano. O clima é irregular e a qualidade dos vinhos pode variar bastante de ano a ano. 

O solo  marcante – falar de Dão é falar de granito. Cerca de 97% dos vinhedos do Dão fica em solo granítico, que é pobre, de textura pedregosa, com ótima drenagem. O granito aqui vai além dos vinhedos e também marca a arquitetura da região. Tudo ali é de granito: casas, muros, fontes, lagares…

Santuário de Nossa Senhora de Lourdes.        

Trata-se de um concelho essencialmente agrícola, além das culturas de vinha (produção de vinho do Dão) e cultiva-se maçãs (realce para a “Bravo de Esmolfe”, qualidade bastante apreciada e originária desta aldeia) e a pastorícia (fabrico de queijo da Serra da Estrela). Existe ainda uma larga tradição no campo artesanal, nomeadamente a latoaria e a cestaria/esteiraria.
Uma última referência para a gastronomia típica do concelho, a qual se insere na da região: feijão branco com carne de porco, arroz de grelos com chouriço, arroz de favas com costeletas em vinha de alhos, feijão com couves, torresmos à Beira Alta, bacalhau assado no forno com batata a murro…

Essa receita de bacalhãu no forno com batata, tive o prazer de saborear na casa de D. Dirce – filha de José Lopes – uma iguaria portuguesa num lar paulistano. Aproveito esse momento para agradecer pelo carinho com que nos recebeu.

Freguesia de Insua

Na vila de Castendo, em Ínsua, freguesia de Penalva do Castelo, encontra-se instalada a sede do concelho. O mais importante monumento da vila é a Casa da Ínsua ou Solar dos Albuquerques, cuja data de construção remonta ao século XVIII. É uma das mais belas casas solarengas das Beiras, constituída por um jardim em dois patamares no centro de uma grande exploração agrícola com bonita mata e o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes.

        

Esta casa senhorial, mandada construir no âmago da Beira Alta por iniciativa de Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres (1739-1797), governador de Mato Grosso, data da segunda metade do século XVIII (c. de 1770-80). A autoria deste projeto arquitetónico é atribuída a José Francisco de Paiva (1744-1824), do Porto. Pois existem pormenores que estabelecem ligações estilísticas com monumentos deste arquiteto – o desenho das varandas em ferro forjado, muito utilizado por ele, ou os frontões ondulados e semelhantes aos da Igreja do Convento de S. Bento de Avé Maria do Porto.

São três os portões de acesso à vasta propriedade agrícola, em pedra de feição classicizante (datáveis de 1900), havendo um outro junto à casa, rente a um pátio arborizado e rodeado por paredes brancas. A entrada principal ostenta um frontão curvilíneo e é ladeada por uma série de canhões com datas entre 1776 e 1797. No andar térreo, as janelas são protegidas por grades de ferro e as do segundo andar apresentam gelosias em forma de diamantes, a par das características guilhotinas. Das janelas mais altas parecem pender, nos cantos, rolos de pergaminho atado, em pedra escura. Numa das extremidades do terreiro fica a capela e, à esquerda, uma série de dependências de serviço.

Esta disposição, que define um tipo de casa constituída por um corpo longo delimitado por dois torreões, em voga desde o século XV, adquire o seu aspeto mais emblemático na fachada sobre o jardim.

Os torreões, de ameias ornadas de flores-de-lis, revelam a permanência de um arcaísmo puramente formal e realçam o exotismo do verde exuberante. As goteiras em canhão adquirem o mesmo significado. Dotada de grande simetria, a fachada possui uma galeria de três arcadas, ao nível do andar intermédio dos torreões (a do lado direito foi fechada no século anterior), corpo central com janelas de frontão triangular, com os cantos inferiores em rolo de pergaminho, sobrepujando outras de dimensão inferior, gradeadas e envoltas por cantaria, que se prolongam sob as galerias dos torreões.

Estes torreões apresentam um outro piso que se eleva acima do corpo central, também eles com séries de três janelas de frontões angulares. O jardim sobranceiro divide-se em dois terraços com sebes de buxo e cameleiras, e ainda com um tanque povoado de nelumbos. O jardim inglês, ligeiramente afastado, é rico e extenso, de tal modo que se atribuíram nomes às ruas que foi formando, entrecruzadas com inúmeras clareiras, fontes e até um altar ao ar livre, que é enriquecido por uma terracota de Leopoldo Battistini (1909).

A Casa da Ínsua, beneficiada no século XIX, possui um valioso espólio documental na sua rica biblioteca, relativo ao Brasil setecentista. No seu interior destaca-se a escadaria com corrimão de pedra espiralada, de carácter marcadamente cénico, decorada por troféus de parede, e a lareira de um dos salões superiores, enquadrada por figuras alegadamente mitológicas. Tal como a Casa de Sezim, possui no seu interior decoração de papéis de parede pintados, fabricados por Z. Zuber (1827) e decorados por J. M. Gué. Presentemente, esta propriedade agrícola é também residência da família descendente do fundador.


“São Paulo de meus amores”

O Poema da Casa Que Não Existe
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *Onde a cidade acaba em chácaras quietas
e a campina se alarga em sulcados caminhos
achei a solidão amiga dos poetas
numa casa que é ninho, entre todos os ninhos.

Térrea, branquinha, com portadas muito largas,
desse azul português das antiquadas vilas
e uma decoração de laranjas amargas
que perfumam da tarde as aragens tranqüilas.

Ergue-se no pendor suave da colina,
escondida por trás dos eucaliptos calmos;
tem jardim, tem pomar, tem horta pequenina,
solar de Liliput que a gente mede aos palmos …

Neste ponto, a ilusão, a miragem, se some;
olho para você, eu triste, você triste.
Enganei uma boba! O bairro não tem nome,
a estrada não tem sombra, a casa não existe!
Afonso Schimdt

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Para Joanna das Dores Villalva, minha bisavó que me deixou uma porta aberta em São Paulo e meus filhos *Daniel&Carla, Miguel e Juliana

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No tempo do Império, São Paulo não passava de uma vila pouco desenvolvida e sem muitos recursos. As ruas estreitas formavam um emaranhado de vielas que cresciam sem planejamento algum. Os Conventos de São Francisco, São Bento e São Carmo eram a bases do triângulo que formava o espaço da cidade. Era onde ficava o Pátio do Colégio, o Palácio do Governo, a Assembléia Provincial, o Correio e as repartições Fiscais.

Nas ruas Direita, São Bento e 15 de Novembro, no Vale do Anhangabaú – chamado na época de “Vale Intransponível” – se concentrava a maior parte da população e a segregação sócio-espacial não estava ainda bem definida. Isso só aconteceu depois da aprovação da lei de Terras de 1850 – projeto elaborado pelo fazendeiro e Senador do Império Nicolau dos Campos Vergueiro, que definia que todas as terras devolutas eram propriedade do Estado, sendo que a sua ocupação ficaria sujeita à compra e venda. As terras livres passaram a ser propriedade do Estado que poderia vendê-las a quem tivesse condições de pagar. A lei acabou por influenciar no aumento do valor dos terrenos na área urbana da cidade.

Nessas ruas centrais, sobrados de dois e até três pavimentos foram construídos para abrigar as pessoas abastadas. Muitos fazendeiros, mantinham casas na área urbana. Essas residências de taipa de pilão tinham, na maioria das vezes, sacadas de ferro, balcões e janelas adornadas. As cores das fachadas variavam entre o branco, o amarelo e o rosa-pálido. No térreo, funcionavam casas comerciais.

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Embora fossem luxuosas, essas residências eram precariamente iluminadas por candeeiros de azeite e óleo de mamona. Não havia abastecimento regular de água potável, e as ruas, além de muito escuras à noite, tinham péssimos calçamentos, feitos com pedras mal aparelhadas e irregulares. A falta de iluminação pública, obrigava aos moradores que se arriscavam sair á noite, a andar com lanternas.

Queixa-se, em 1870, o presidente da Província de São Paulo ao Inspetor de Obras: “a capital da Província não tem iluminação que preste, não tem água para satisfação dos habitantes, não tem praças ornadas, chafarizes, monumentos ou edifícios públicos”. Quanto ao transporte, as pessoas precisavam alugar tílburis ou carros de boi para perfazer as grandes distâncias. Só mais tarde e que começaram a trafegar os primeiros bondes de tração animal pela cidade.

Nessa época, a população paulistana era estimada em cerca de 20 mil habitantes. Houve um aumento demográfico devido à presença de estudantes que vieram estudar na Academia de Direito, escravos de família que os acompanharam e fazendeiros que passaram a viver na capital da província.

Mas, apesar do crescimento populacional, a vida urbana, na expressão do poeta Álvares de Azevedo – que, depois de alguns anos no Rio de Janeiro, voltara a São Paulo para estudar na Faculdade de Direito -, permanecia um “bocejar infinito”. Na sua opinião, “não há passeios que entretenham, nem bailes, nem sociedade”.

Em uma de suas cartas, Álvares de Azevedo pedia que lhe mandassem da Corte (Rio de Janeiro) vidros pequenos, que servissem no seu candeeiro; quatro anos depois fazia um pedido igual: o vidro de seu candeeiro tinha se quebrado, e esse era um artigo que não se encontrava aqui “nesta santa terrinha”.

CARTA À MÃE (Álvares de Azevedo)


S. Paulo, 12 junho de 1849
Tenho a vista a sua de 3 de corrente q. com mto prazer recebi.
Enquanto no Rio reluzem esses bailes a mil e uma noites, com toda a sua mania de fulgências e luzes, por aqui arrasta-se o narcótico e cínico baile da concórdia Paulistana.
Nunca vi lugar tão insípido, como hoje está S. Paulo – Nunca vi coisa mais tediosa – e mais inspiradora de spleem [enfado, melancolia] – se fosse eu só que pensasse, dir-se-ia q. seria modéstia – mas todos pensam assim – a vida é um bocejar infinito.
Não há passeios que entretenham, nem bailes, nem sociedades – parece isto uma cidade de mortos – não há nem uma cara bonita em janela, só rugas, caretas desdentadas – e o silêncio das ruas só é quebrado pelos ruídos das bestas sapateando no ladrilho das ruas.
Esse silêncio convida mais ao sono que ao estudo – enlanguesce, e entorpece a imaginação e pode-se dizer que a vida aqui é um sono perpétuo.
Passam dias e dias sem que eu saia de casa – mas que hei de eu fazer? As calçadas não consentem que um par de pés guarnecidos de um par de calos – como os meus – possam andar vagando pelas ruas – Fico em casa, e contudo por isso não estudo mais do q. qdo. no ano passado eu ia todas as noites conversar em alguma casa de família, ou num baile.
Estudo sempre, contudo – porém é como a martelo, é unicamente a força de vontade.
Diga a Nhanhã que as obras vão andando e q. prometeram-me por qualquer destes dias a toalha.
Basta por hoje, mtas. lembranças a todos – a Exma. Sra. Nhanhã, a Marianinha, Quinquins etc. etc. e lance sua benção sobre
Seu f. do coração.
Maneco.
Por aqui não há novidades, que lhe interessem além do nascimento de uma filha de Bella. Quinta-feira aqui houve teatro. Nunca vi coisa tão ruim
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Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo: 1862-1887

* MILITÃO AZEVEDO (1837-1905)*
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Em 1862, Militão fotografou uma série de vistas da capital paulista para a Photographia Academica, de Carneiro & Gaspar, em São Paulo. Em 1887, 60 fotografias originais sobre papel albuminado integraram a obra Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo: 1862-1887, no qual o fotógrafo contrapôs vistas dos mesmos logradouros realizadas nessas duas datas, criando assim um modelo de fotografia paisagística urbana de enfoque comparativo.

Vista da ladeira São Francisco para o Largo da Memória, 1860
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Vista em direção ao Largo São Francisco,1860
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Ladeira do Ouvidor-Largo São Francisco,1860
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Mosteiro de São Bento, 1862milmosteiro-de-sao-bento-sao-paulo-sp-1862.jpg

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*Paróquia de Nossa Senhora Assunção e São Paulo (Catedral da Sé)*
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foto de Marc Ferraz,1904

JOAQUIM JOZE VILLALVA
Casado com: JOAQUINA MARIA DAS DORES
Data e local do casamento: 09 SEP 1849 Catedral da Sé, São Paulo

(pais da minha bisavó Joanna das Dores Villalva Lobato)

.

A primeira referência à construção de uma Igreja Matriz em São Paulo consta das Atas de 7 de fevereiro de 1588, na ocasião em que o povo e os vereadores foram convocados à sessão da Câmara. Diz o documento: “Oficiais e povo logo praticaram sobre o fazer-se a igreja e todos foram de parecer que se faça hygrega matriz”.
No ano seguinte, o povo reuniu-se novamente na Câmara para tratar do mesmo assunto: a construção da Matriz. Decidiu-se que ela seria edificada entre as casas de Diogo Teixeira e André Mendes, em terreno escolhido pelo cacique Tibiriçá, chefe dos guaianás.

Em 1598, a Câmara convocou os empreiteiros para fazer “corpo de igreja” e capela matriz. Dois anos depois, entretanto, as obras estavam tão atrasadas que a Câmara obrigou os moradores a fornecerem escravos “para as taipas da igreja”, sob pena de multa.

Foi somente em 1616 que a Catedral da Sé ficou pronta. Mas teve curta duração, pois, em meados do século XVIII, encontrava-se em ruínas. No ano de 1754, o antigo templo do Largo da Sé foi demolido e, à custa de esmola dos fiéis, foi possível edificar um outro aproximadamente no mesmo local. O seu frontispício só ficaria concluído em 1764.

A edificação da torre de pedra foi motivo de muita preocupação, já que não havia arquiteto que quisesse se responsabilizar pela obra. Recorreu-se então a Joaquim Pinto de Oliveira, por alcunha Thebas, mestiço e escravo alforriado, perito em construção feita de pedra, o que era raro na cidade feita em taipa de pilão.

A antiga Sé foi demolida em 1911 para obras de ampliação da Praça da Sé. A partir de 1913, a catedral metropolitana, elevada à sede da arquidiocese, começou a ser reconstruída em granito com projeto neogótico do arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl. Em 25 de janeiro de 1954, por ocasião do IV Centenário, a Sé foi inaugurada, mas com suas torres principais inacabadas.

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*Gabinete Topográfico: Precursor no ensino da engenharia em São Paulo*

Em 1835, a Assembléia Legislativa da Província de São Paulo criou um curso especial de “engenheiros de estradas”. Atenderia essa escola à necessidade da construção de novas estradas e à conservação das já existentes. Ela foi a primeira manifestação do ensino das ciências exatas em São Paulo, cujo objetivo era atender ao clamor público da necessidade da conservação de pontes e estradas, pois, sem elas, a economia da Capitania e posteriormente da Província estariam aniquiladas.

“Infelizmente a experiência do Gabinete Topográfico teve curta duração, apesar de ser um “Instituto tão necessário para o real desenvolvimento do paiz não podia medar naquelle regimen de ficções e de enfezada centralização. Por isso, apesar da grande falta que então se experimentava, de homens práticos, capazes de bem delinear e executar as estradas, já n’aquela época reputadas indispensáveis para a prosperidade de São Paulo, após a extinção daquella modesta tentativa, que alias já ia produzindo excellentes fructus, nada mais se ensinou entre nós d’aquelle gênero.”
Taunay, Affonso Escragnole

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O


O PARANÁ EM 1876

  

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* Francisco José de Souza Lobato, nomeado pelo Presidente da Província do Paraná – Adolpho Lamenha Lins – professor da cadeira de São João de Graciosa, em 24 de outubro de 1876. Francisco José de Souza Lobato e Dorothea Maria do Rozario são os pais de meu bisavô Heráclito de Souza Lobato, nascido em Antonina, casado com Joanna das Dores Villalva em Morretes.

   

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COMARCAS MUNICÍPIOS NOTAS
Curitiba Curitiba Pequena cidade situada no centro de uma península, formada pelos rios das Pedreiras, Belém e Ivo, afluentes do Curitiba e este do Iguassu, com 5 largos e 22 ruas.
Príncipe Em uma serra nas cabeceiras do rio dos Patos, confluente do Curitiba, que, depois de encontrar-se com o rio Goyo, toma o nome de Iguassu.
Paranaguá Paranaguá Na parte meridional da Bahia de seu nome, com um porto muito e comerciante e por onde se escoão os productos da província. Tem uma boa alfândega.
Guaratuba -
Antonina Antonina Na parte occidental da bahia de Paranaguá, com um bem perto na Bahia de seu nome.
Morretes Sobre o rio Maigastava, que deságua na importante Bahia de Paranaguá.
Castro Castro Nas cabeceiras de um braço do tio Tibagy, confluente do Parapanema, na comarca de seu nome, onde existem muitos campos inteiramente desconhecidos.
Ponta Grossa À margem direita do rio Tabagy e na extrema da comarca de Castro e da Comarca da capital.
Guarapuava Guarapuava À margem esquerda do rio Lageado, que após o recebimento das águas do Pinhãozinho toma o nome de Jornão, para fenecer no Iguassu.
Lapa Lapa -
Campo Largo Campo Largo A villa do Campo Largo foi elevada à categoria de cidade por lei provincial de 07.11.1882.
São José dos Pinhaes São José dos Pinhaes -

                                         


Mnemosyne, imigração e ruptura

Sei contadino perchè hai un documento che lo attesta , non perchè vivi il tuo paese.

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A última década do sec. XIX foi uma época definitiva para minha família. Um novo destino ficou decidido quando meus bisavós Iovara/Orsina atravessaram o Atlântico, no navio San Gottardo, em direção ao Brasil. Deixavam definitivamente a Itália e seu passado de “contadino”- na província de Novara – para iniciar uma vida urbana no porto de Rio Grande. Uma decisão extremamente corajosa não só por romper com todos os laços, mas porque não dava para prever o que lhes aguardava no novo país.
É possível que tenham pensado em nós – seus descendentes, filhos de seus filhos – para encontrar ânimo e firmeza para enfrentar tão radical propósito. Não era só uma troca de “paese”, era deixar sua terra, seus familiares, a profissão exercida por séculos por seus ancestrais. Mudar de cultura, nacionalidade, linguagem. E algumas vezes, até o próprio nome da família era modificado. Felice Maria Orsina deixou na Itália seus pais – Genésio e Francesca – e dois irmãos, Giovanni e Francesca.

O destino fecha o cerco

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Ao iniciar-se a última década do século XIX, a Lapa se firmava como uma próspera cidade – sede de município. Tinha sido fundado a Associação Literária Lapeana e se organizado uma biblioteca e inaugurado o Teatro São João. A maioria das ruas do centro já era calçada e a cidade possuía vários jornais.
O recenseamento de 1892 mostra que a Lapa contava com 172 casas habitadas, a matriz de Santo Antônio, a Casa de Câmara e Cadeia, quatro ruas longitudinais, seis transversais, três largos, um cemitério católico, quatro fontes e fogos. Eram 8.709 os habitantes, dos quais 982 urbanos. As principais ruas, traçadas no sentido Norte-Sul, eram quatro e tinham nomes simples: a das Tropas, a da Boa Vista (que permitia se visse a linha do horizonte no descampado, tanto para o Norte como para o Sul), a do Cotovelo e a da Cadeia Velha, sucessivamente denominada do Quebra-Pote, da Cachaça e do Rezende.
 Havia, ainda, o Pátio da Matriz e o Largo das Laranjeiras, a Travessa do Chafariz, que ligava a Rua das Tropas à da Boa Vista, e as travessas do Ferreiro e do Bispo. Os becos levaram o nome das ruas a que serviam. Muitas travessas, becos, e até mesmo novas ruas que depois iriam surgir, são mencionados em documentos apenas como “de fulano de tal”. Em geral, nos becos não havia casas, apenas muros laterais ou, então, cercas delimitando a propriedade erguida sobre a rua principal. Os campos e a floresta acabavam bem junto às ruas-limite do povoado.

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Meus bisavós Joanna Villalba e Heráclito Lobato levavam uma vida pacata. Sua casa – no quarteirão de baixo da Lapa – ostentava graciosas e hospitaleiras cortinas e toalhas de rendas nas janelas. Joanna não sentia saudades da capital paulista onde tinha nascido. Estava perfeitamente adaptada à sociedade local e a grande diversão diária era colocar cadeiras nas calçadas, no final da tarde, para gozar a fresca e assuntar as novidades com os vizinhos. Seu filho caçula – Alceu Lobato – já estava com quatro anos, meu avô Leôncio com oito e Agripina com dez.
Ao encerrar-se o ano de 1893, reinava, entretanto, a apreensão. A guerra fratricida, até então simples noticiário de acontecimentos ocorridos muito distante, estava às portas da cidade, a qual, pela primeira vez em muitos anos, não vira realizar-se a popular festa consagrada a São Benedito, com seus folguedos e congadas.
Desde o início de novembro, o que se via era o tráfego apressado de obuseiros Krupp, arrastados por carretas, a poeira levantada por cavalarianos a galope ou o marchar descadenciado dos soldados do Batalhão Patriótico. Todos a caminho de uma elevação entre o Rio Negro e a Lapa, posição considerada estrategicamente muito boa, com o rio à esquerda e, por trás, a estrada que levava a cidade.
No dia 17 de janeiro 1894 a 22 de fevereiro de 1894, a Lapa foi cercada pelas tropas federalistas e a luta sangrenta contra o exército legalista foi dentro da cidade. Meu avô ficou órfão, a família desaparecida. Até o momento, procuro encontrar o local onde meus bisavós foram enterrados e a forma como morreram.

parana2detalhe.giftropas paranaenses, 1894


Auguri!

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Joy to the world

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Graça seja convosco, e paz, da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.” 1CO 1:3

 

 

É TEMPO DE PERDÃO

Nei Duclós

É tempo de perdão pelo tempo perdido
É a perda de tempo que nos mantém cativos
Não o tempo sem valor ou a chance fria
Mas o tempo do coração em queda livre
É tempo de perdão pela vida no exílio
Tempo sem razão do obscurantismo
Tempo escoado pela falta de um grito
A fala enterrada do tempo partido
É tempo de perdão pelo que poderia ter sido
Por jogarmos o tempo pela janela de vidro
Onde não vemos o tempo que o vento sibila
E perdemos a canção sem tempo nem brilho
É tempo de perdão pelo poema sem sentido
A palavra que o tempo repassa sem ruído
Pelo tempo que arranjamos longe do espírito
Esse tempo não redime o estranho convívio
É tempo de perdão para dizer meu amigo
De construir uma fogueira do tempo antigo
Que se aviste de longe, no tempo redivivo
E que nos faça curar o tempo e sua ferida
É tempo de perdão no ano que se fina
Tempo de comunhão mesmo que termine
Quando temos tempo no instante tísico
É só um aperto de mão no tempo assassino
É tempo de perdão, venha ter comigo
Algum tempo que desperte a pedra insensível
E que tenha tempo composto no capricho
mesmo que o tempo devore seus filhos
É tempo de perdão e não de arrependidos
É tempo de oração, do pão que é repartido
Lugar comum do tempo, feito de granito
Onde pousamos o rosto do tempo infinito


A 2ª Revolta da Armada

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Relatório do Comandante Custódio de Mello invasão de Paranaguá
04.02.1894

Ao sr. 1 º tenente Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Marinha.

De volta a esta Capital, onde cheguei às 11 horas da manhã do dia de hoje, passo a relatar-vos os principaes incidentes da gloriosa e recente expedição ao Estado do Paraná, lastimando que a escassez das partes officiaes, relativas às operações.

A 13 ainda do mez de janeiro de 1894, isto é, 7 dias antes da capitulação de Ambrosios, a esquadra libertadora investio o porto de Paranaguá.

`As 7 horas da manhã seguinte, os cruzadores URANO e ESPERANÇA pela barra do norte, emquanto o REPUBLICA pairando na do sul protegia-lhes a passagem, vivo combate travou-se entre os nossos navios e a fortaleza da Ilha do Mel.

A fortaleza da Ilha do Mel – Essa vetusta fortaleza, a princio enérgica e disposta a luta, fora pouco a pouco espaçando o seu canhoneio até que, por volta das 3 horas reconhecendo a ineficácia da sua resistencia, ao decimo oitavo tiro com que respondeu a nossa agressão, calou os seus fogos fugindo toda a sua guarnição para as matas dos arredores.

Já n’esse tempo os dois primeiros cruzadores dando cumprimento às instrucções recebidas, despejavam na PONTA DO BICHO os contingentes de desembarque.

Em menos de dez minutos foi ladeada a distancia que os separava do seu objectivo, penetrando sem a menor resistencia no recinto da fortaleza, onde, em substituição ao pavilhão nacional, hastearam a bandeira branca da paz e da concórdia.

Ahi foram aprehendidos dois canhões Krupp em perfeitissimo estado de conservação e limpeza, com setenta tiros, onze peças de alma lisa, das quaes duas ainda carregadas, alguma munição, muitos projectis esphericos, setenta carabinas de diversos systemas com cerca de 30 mil cartuchos, seis barris de polvora, velas mixtas e outros appetrechos de menor valia.

Emquanto se procedia o arrolamento do material abandonado, os fugitivos, em perseguição dos quaes seguiram alguns destacamentos, se foram apresentando, de modo que em poucas horas de pesquiza haviamos feitos cincoenta prisioneiros, entre os quaes o commandante da praça, Alferes JOAQUIM SEVERIANO DA SILVA FILHO, sem esquecer dois sargentos e um cabo e seis soldados de 3 º Regimento de Artilharia, que declararam estarem promptos a servir a revolução, a que só por dever de disciplina combatiam até então.

O resto d’esse dia, como todo o correr do seguinte, foram empregados em arrecadar o material transportavel, restabelecer com a nossa gente o serviço da fortaleza e dispor os elementos de ataque à cidade de Paranaguá.

Às 8 horas da manhã de 15, ordenei aos navios que deixassem o fundeadouro que haviamos tomado na tarde anterior em frente à Ilha das Cobras e seguimos avante em direção àquella cidade, collocado o REPUBLICA na vanguarda da linha de combate, o URANO pela alheta de boreste, com ordem de forçar a margem e ir tomar posição conveniente para bater as trincheiras do porto d’Àgua, seguindo o ESPERANÇA à distancia a pôpa do REPUBLICA afim de entreter os fogos com as baterias situadas mais proximo.

Logo que os navios se puzeram a descoberto da Ilha da Cotinga, vivo fogo rompeu de terra.
A nossa resposta não se fez esperar.

A luta tornou-se renhida então de parte a parte, e assim se menteve emquanto durou a nossa passagem, lenta e propositalmente demorada, diante das 6 bocas de fogo que defendiam o litoral.
Em meio do combate o General de Divisão Antonio José Maria Pego Junior, que se achava occasional ou propositalmente em Paranaguá, esquecido dos deveres inherentes ao alto cargo de commandante em chefe do districto militar, desappareceu inesperadamente, seguindo caminho de Curityba em um trem expresso com todo o seu estado maior e a quasi totalidade dos officiaes da guarnição daquella cidade.

Cousa não menos digna de nota é que, ao passo que as nossas bombas causavam sensíveis prejuizos em terra, ceifando vidas e ocasionando não pequenos estragos materiaes…..
Às 11 horas da manhã ainda do dia 15 transposta a ultima trincheira do porto d’Água, mandei cessar o fogo, para que as guarnições repouzassem e tomassem a sua primeira refeição.
Ao meio dia tendo chegado o IRIS, com um reforço de cento e cincoenta homens, voltamos de novo a carga, d’esta vez resolvidos a não abandonar a luta emquanto não houvesse realisado o desembarque que projectava.

N’esse sentido dispuz-me a bater o adversário por partes, começando o ataque pela trincheira levantada à direita da estação do caminho de Ferro, quasi ao desembocar de uma estreita rua, traçada em continuação à ponte do Lloyd.

Pela má configuração d’essa trincheira, que, alem de outros defeitos, possuia uma única canhoneira voltada para a Ilha das Cobras, restricto e limitado era o campo de tiro de canhão que a guarnecia.

Aproveitando-me d’essa particularidade, aliás muito propícia aos fins que tinha em vista, vim collocar-me com o REPUBLICA em posição tal que a pudesse ferir pelo flanco, sem que fosse attingido pelas balas adversárias.

Em menos de um quarto de hora do mais nutrido fogo contra aquelle reducto de areia, foi elle abandonado, refugiando-se no matto os poucos dos seus defensores que ainda puderam escapar com vida ao mortífero e certo fogo de nossa artilharia.

N’esse interim o cruzador URANO, que tivera ordem para approximar-se o mais possível de terra, veio collocar-se a uns sessenta metros da praia, fazendo largar de bordo os seus escaleres atopetados de officiaes e valorosos soldados dos batalhões FERNANDO MACHADO, 25 de INFANTARIA e CORPO POLICIA DE DESTERRO, respectivamente commandados pelo coronel NEPOMUCENO DA COSTA, tenentes CARPES e Alferes ANNIBAL GONÇALVES.

Antes que os escaleres abicassem à terra, partiram do matto fronteiro successivas descargas de fuzilaria, que para logo tiveram respostas condigna das metralhadoras do canhões de tiro rápido do URANO e do REPUBLICA.

Dois magnificos disparos de bomba partido d’este ultimo cruzador, cahindo precisamente no lugar em que maior parecia a concentração dos nossos adversários, pol-os em completa debandada, deixando após si muita arma e munições, alem de alguns de seus companheiros que cahiram na luta para não mais se erguerem.

Dada esta circumstancia, de todos os navios partiram escaleres com restante do pessoal de desembarque, perfazendo um total de 316 homens assim divididos, cento e cincoenta do exercito libertador ao mando do coronel FRANKLIM CUNHA, noventa e seis do BATALHÃO FERNANDO MACHADO, vinte do CORPO DE POLÍCIA DO DESTERRO e cincoenta do BATALHÃO DE MARINHA sob o commando do 1 º tenente HONORIO DE BARROS.
Todos estes contingentes tinhão por commandante em chefe o CORONEL PAHIM.
Fácil tornou-se o seu desembarque.

Senhores do litoral, os nossos soldados avançam para a cidade pela estrada do CAMINHO DE FERRO, seguindo na vanguarda os bravos e intrepidos marinheiros, a cuja approximação os nossos adversários temerosos da sua tradicional ousadia e temeridade, abandonam o campo da luta e fogem desordenadamente, deixando dois canhões que foram trazidos para bordo do URANO por alguns soldados do BATALHÃO FERNANDO MACHADO.

Ao penetrarem porem em Paranaguá tiveram os nossos de suspender a marcha para repellir o ataque dos dois canhões Krupp, retirados do litoral para defeza interna da cidade. (Portão da estação da estrada de ferro).

O combate tornou-se pouco e pouco desesperado, mas os nossos marinheiros, n’um dado momento, zombando da metralha inimiga, avançam resolutos a peito descoberto, como quem desprendidos da vida busca na morte o meio honroso de perpetuar as suas gloriosas tradições.
A fortuna os guia n’esse tranze arriscado e os canhões, até então em actividade, são tomados a mão e feitas prisioneiras as suas guarnições.

Batidos ainda uma vez, os nossos adversários pensam ainda poder resistir nos arredores da cadeia, acobertados do infortunio de quarenta e dois prezos políticos e em cujo número contava-se o 1 º tenente da armada FRANCISCO DE SOUZA MELLO.

Que se enganaram, porem, bem demonstrou o cerco que lhes puzemos e ante o qual não tiveram remédio senão render-se, humilhados da sua propria franqueza. O general EUGENIO DE MELLO, comprehendendo que a resistencia por mais tempo seria inútil, recolhia-se a sua habitação quando foi feito prisioneiro, sendo immediatamente conduzido, para bordo do URANO.

Assim foi que a cidade de PARANAGUÁ defendida por cerca de ……noventa homens de infantaria e artilharia e guardada por seis canhões modernos, foi occupada, perdendo AS NOSSAS FORÇAS APENAS SEIS HOMENS, EMQUANTO DOS CONTRÁRIOS CAHIRAM POR TERRA CERCA DE CENTO E CINCOENTA, além de muitos feridos.

Acto contínuo à nossa occupação as portas da cadeia foram aberta de par em par para deixar passar, aos applausos da população, QUARENTA E DOIS criminosos políticos, victimas da insólita prepotencia do marechal dictador.

Na cidade e seus arredores foram apprehendidos seis Krupp com cem tiros, trezentas e poucas carabinas de diversos systemas com cerca de oitenta mil tiros, cem espadas, alguns reflez, quarenta bestas de cargas, dois caixões, um com uniforme para soldados e outros com calçado.

À 16 de Janeiro fiz seguir o cruzador IRIS para Antonina, a cuja presença a cidade rendeu-se à discripção, fugindo os seus defensores, que desorientados deixaram o armamento em abandono.

Pouco depois de haver o IRIS fundeado seguio para MORRETES um destacamento de cincoenta praças sob o commando do tenente CARPES, à cuja approximação, essa cidade, a exemplo da precedente tambem rendeu-se.
N’uma e n’outra cidade, apprehendemos dois canhões KRUPP, com sessenta e seis tiros, um caixão com polvora, cento e vinte carabinas com trinta mil tiros, noventa e quatro refles, oitenta e quatro cinturões, quarenta e oito patronas e quatro espadas.

À semelhança de ANTONINA e MORRETES, CURITYBA rendeu-se no dia 17, sem a menor resisitencias à simples approximação de um contingente de cem praças ainda sob o commando do tenente CARPES, fugindo para a fronteira do Estado o ex-governador DR. VICENTE MACHADO, o commandante do Districto, general de Divisão ANTONIO JOSÉ MARIA PEGO JUNIOR e grande numero de officiaes.

Eis pois como em concissos termos se effectuou a conquista do Estado do Paraná.
Congratulando-me com o Governo por tão auspiciosa victoria, faço votos pelo próspero triumpho da causa que defendemos
CUSTÓDIO DE MELLO
Contra-Almirante.

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A 1ª Revolta da Armada

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A Primeira Revolta da Armada aconteceu em novembro de 1891, quando o  presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca, em flagrante violação da Constituição recém promulgada em 1891, ordenou o fechamento do Congresso. Unidades da Armada na Baía de Guanabara, sob a liderança do almirante Custódio de Melo, sublevaram-se e ameaçaram bombardear a cidade do Rio de Janeiro, então capital da República. Para evitar uma guerra civil, o marechal Deodoro renunciou à Presidência da República (23 de novembro de 1891).

Em diversos Estados brasileiros, os governadores que haviam apoiado o Golpe de Deodoro foram depostos – como foi o caso do Rio Grande do Sul, que derrubou Julio de Castilhos, obrigando-o a demitir-se. Foi substituído por uma junta composta de Assis Brasil, Barros Cassal e General Domingos Alves Barreto Leite, que esperavam o apoio de Floriano Peixoto para que fossem realizadas novas eleições no estado. Ao contrário, Floriano Peixoto é a favor de Julio de Castilhos, que volta ao poder  com o apoio do governo central e da guarnição militar de Porto Alegre.   

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“_ Pude nesse memorável e auspicioso dia 23, dezenove dias depois da terrível afronta, formar nas águas da baía de Guanabara, poderosa esquadra sob meu comando, composta de todos os navios surtos no porto dessa baía, a saber:
Os couraçados Riachuelo, Aquidaban e Solimões;
As canhoneiras Cananea, Centauro Carioca e Liberdade;
As torpedeiras de alto mar Marsílio Dias, Araguary e Iguatemy e outras torpedeiras.”

APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO DE 23 DE NOVEMBRO PELO CONTRA-ALMIRANTE CUSTÓDIO JOSÉ DE MELLO

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Encouraçados Aquidaban e Riachuelo (abaixo)  

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VOLTA À LEGALIDADE  

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“Acreditavam esses infelizes que o país que viu com tanta indiferença o banimento da família reinante em 1889, não se levantaria agora por ver-se privado de um congresso Legislativo, Mas enganaram-se.
Agiotas desesperados, jogaram esta cartada suprema e perderam. O Brasil podia parecer indiferente “a queda da Monarquia quando se lhe prometia a República, para a qual a mesma instituição monárquica o prepara, e que lhe vinha assegurar as mesmas liberdades de que virtualmente gozava, aumentadas de outras que se faziam necessárias pela mudança das formas. Era porém erro temerário supor-se que o Povo Brasileiro assistisse indolente ao concular de suas liberdades preciosas, em cujo gozo tem-se educado ddesde os tempos coloniais.”
Jornal do Comércio sobre a renúncia do Deodoro, (23 de novembro de 1891).

 No dia em que Deodoro fechou o Congresso, lá se encontrava Rui Barbosa discursando em defesa a reforma bancária que tinha efetuado em 17 de janeiro de 1890.

Abaixo, a opinião de Custódio de Melo sobre essa reforma: 

” O regime bancários – fundado pelo decreto de 17 de janeiro e pelos que se seguiram , criando bancos de emissão, inclusive pelo de 7 de novembro de 1890, foi desvirtuado desde logo…
Logo após as promulgações desses decretos, surgiram, como por encanto, empresas apresentadas ao público sob denominações mais ou menos pomposas, mais ou menos sedutoras…Organizadas a empresa, companhia ou banco, suas ações eram logo divididas, sem desembolso de capital, “intera micos”, reservando-se um pequeno número delas para imoral encenação do dia seguinte.
Nesse dia, lançada na praça a organização da empresa, realizada já a escamotagem, e, portanto, tendo as ações passados às mãos dos felizes monopolizadores, às portas dos incorporadores acontevelando-se estes em tropel e completa desordem, na procura das ações, cujos lucros fabulosos, há muito, anunciavam os cartazes, _ (ações que, entretanto, já não estavam ali, mas na praça para serem por artes mágicas vendidas com um ágio, que, só ele, pagaria o valor nominal de cada uma delas ) – aluía grande multidão de indivíduos atraídos de todos os ângulos do país, e alguns até do estrangeiro, por essa voragem que atordoava os sentidos…
A importância das primeiras entradas que faziam os possuidores de ações dessas fantásticas empresas, era imediatamente distribuída entre os incorporadores, a título de direito de incorporação, aos advogados administrativos e aos concessionários: a importância das entradas subconsequentes era aplicada à organização e à montagem de grandes e faustosos escritórios, à compra, por preços exageradíssimos, de propriedades arruinadas, quase sempre realizadas essas compras por transações inconfessáveis. Essas ações, que dest’arte nenhum ou quase nenhum valor representava, – tinham, não obstante, ágio na praça, e, o que é mais, a procura e a oferta iriam sempre em progressão crescente, sem que ninguém se lembrasse de indagar porque meios se operava tão maravilhoso fenômeno!…

Em profusão se distribuía concessões, sem estudos prévios, com garantias de juros,e outros muitos favores ruinosos às finanças do Estado, tais como: concessões de estradas de ferro e de engenhos centrais, de sanemanto, de melhoramento de portos, centenas de concessões de burgos agrícolas e de terras devolutas, com o que os compromissos do tesouro subiram a centenas de milhares de contos de réis pafavéis em épocas fixadas nos respectivos contratos, e muitos outros de igual jaez e quilate. Fez ele ainda presentes de largas ajudas de custo e autorizou pagamentos indevidos de milhares de contos de réis.”


Na procura da tia-avó Agripina

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Em 1541, D. Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, governador adelantado da Província do Rio da Prata, para tomar conta dessas terras em nome do Rei da Espanha, chega aos Campos Gerais, depois de atravessar a Serra do Mar e cruzar o Rio Iguaçu. Certamente, Cabeza de Vaca utiliza um antigo caminho indígena que batisa de Campos de Vera, em homenagem ao seu avô Pedro de Vera. Esta designação permaneceu por muito tempo em mapas e documentos espanhóis. Um século depois é que se começa a falar na Antiga Estrada Real ou Estrada da Mata, que daria origem ao povoado da Lapa, rota obrigatória para que os tropeiros com seus muares – vindos de Viamão (RS) -  chegassem às feiras de Sorocaba em São Paulo.

           Nos idos do século 18,  é construída a estalagem Pouso do Capão Alto e logo surgia o povoado,  que em 13 de junho de 1769 é elevado à categoria de Freguesia Nova de Santo Antônio da Lapa. Afonso Botelho de San Payo e Souza inicia a construção da Igreja de Santo Antônio, centralizando a freguesia e fixando seus habitantes. Em 13 de junho de 1806 a freguesia é elevada à categoria de Vila Nova do Príncipe. Em 1872 ,se  desmembra de Curitiba e passa a se chamar Lapa.

 

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Monumento ao Tropeiro, painel em azulejos do artista Poty Lazzarotto, na entrada da cidade da Lapa.

 

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O centro histórico da Lapa guarda a memória do seu passado, são 235 casas dos séculos XVII, XVIII e XIX que foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN – em 1989. Ao anoitecer, são acesos os lampiões e as ruas de paralepípedo adquirem a cor indefinida do tempo sem fronteiras.

 

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Agripina Lobato

Nascida em 15 NOV 1884   Lapa, Parana, Brasil  
 Batisada em 06 JAN 1885   Igreja de Santo Antonio, Lapa, Parana 
Pai:  Heraclito De Sousa Lobato  Mãe: Joanna Vilharva Lobato
    


O menino da Lapa

Ao meu avô Leôncio Lobato
e bisavós Heráclito de Sousa Lobato
                Joanna Vilalva Lobato
    

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“Os meninos da vila, quando se referiam à luta que se avizinhava, não escondiam as suas preferências e diziam: “os nossos já vem vindo” (Rocha Pombo)

É possível que entre esses meninos estivesse meu avô, Leôncio Lobato. Quando aconteceu o Cerco da Lapa, o famoso episódio da Revolução Federalista (1893-1895), meu avô estava com nove anos. Foi quando ficou órfão, provavelmente em conseqüência dessa batalha. Essas crianças que brincavam nas ruas do lugarejo, não podiam imaginar o horror que se aproximava.

A pacata localidade da Lapa – onde meu avô nasceu – esteve sitiada e sob fogo cerrado durante 26 dias (17 de janeiro a 10 de fevereiro de 1894).  A vila não era legalista, ao contrário, tinha muitos moradores que eram simpatizantes dos maragatos. Resistiu porque o Cel. Antônio Ernesto Gomes Carneiro – foi depois de sua morte que ganhou a patente de general – decidiu enfrentar as tropas revoltosas com pouco menos de 650 homens, entre civis (caboclos recrutados entre os moradores pelo coronel local Joaquim Lacerda) e militares. As tropas lideradas por Gumercindo Saraiva e seu irmão Aparício tinha cerca de dois mil homens, armados com quatro canhões.

A resistência oferecida por Gomes Carneiro terminou por sacrificar inúmeras vidas dos habitantes da Lapa.  A Revolução Federalista foi uma guerra civil fratricida, das mais violentas de nossa História. A degola era comum em ambos os lados e a ordem era para que não se fizesse prisioneiros. Talvez por ser uma luta de guerrilha, onde era impossível transportar prisioneiros, o mais comum era que se executassem os oficiais e o resto dos combates eram incorporados às tropas do vencedor.
O Paraná orgulha-se em dizer que o Cerco da Lapa forneceu o tempo necessário para que Floriano Peixoto organiza-se seu exército e assim não caísse a República. O ataque à cidade da Lapa foi um erro de estratégia de Gumercindo Saraiva. Fez com que perdesse um tempo precioso no estado do Paraná, quando deveria ir em frente para o São Paulo onde o exército ainda não estava preparado para a luta.
Os revoltosos gaúchos – aliados com a Segunda Revolta da Armada, liderada por Custódio de Mello – já haviam obtido vitória no Rio Grande do Sul e parte do território de Santa Catarina. Os marinheiros insurretos haviam tomado o porto de Paranaguá e a cidade do Desterro, onde estabeleceram um governo provisório. 
Vicente Machado, então governador do Paraná em exercício, abandonou a capital paranaense, fugindo para Itararé junto com o General Pego. A capital paranaense recebeu Gumercindo Saraiva com aplausos e não chegou a ser atacada pelos revoltosos. A rendição foi negociada pelo Barão de Serro Azul, que amealhou dinheiro junto à Associação Comercial para que a cidade não fosse saqueada.

A Lapa era o único local em que a luta continuava. Gomes Carneiro preparou a resistência, cavando trincheiras e colocando barricadas nas ruas. Tomou casas para servirem de fortaleza e a cidadezinha se transformou numa praça de guerra. Gomes Carneiro recusou a tentativa de negociar uma rendição que os comerciantes locais tentaram fazer, à semelhança do que havia ocorrido em Curitiba.

As prisões estavam cheias e muitos foram mortos sob a suspeita de serem simpatizantes dos maragatos.   Acreditando-se espionado pelos moradores, Carneiro mandou atirar em qualquer um que parecesse querer desertar ou fugir do vilarejo, incluindo as mulheres. João Prestes e seu compadre João Lourenço foram apanhados, saindo da vila e foram degolados junto a um riacho. É possível que sem saída, muitos moradores tentassem salvar suas famílias e seus lares passando informações para os rebeldes, para que houvesse um desfecho mais rápido de tão funesta resistência.
As mulheres e as crianças refugiavam-se na Igreja e nas casas que consideravam mais seguras. Quem tivesse necessidade de sair era baleado e muitas morreram ali. Explodiam granadas nas ruas e dentro das casas, muitos eram carregados às pressas para uma enfermaria improvisada, com o peito rasgado pelos estilhaços.
 
. Os federalistas aproveitavam a noite, ocultando-se em casas e quintais de onde podiam atingir de surpresa os sitiados. Os combatentes fuzilavam-se cara a cara, quando não se matavam à arma branca. Famílias inteiras foram mortas. Finalmente morreu o General Carneiro e a Lapa pode se render.

A primeira Revolta da Armada aconteceu em 1891, quando o General da Marinha – Custódio de Mello – abortou o golpe de Estado dado por Deodoro. O primeiro presidente da República do Brasil dissolveu o Congresso e suspendeu às garantias institucionais. Custódio de Mello posicionou os navios de guerra, que estavam sob seu comando, na baía da Guanabara apontando os canhões para o Palácio.

Deodoro renunciou e assumiu em seu lugar o vice-presidente Floriano Peixoto. Previa-se que fossem realizadas novas eleições e fosse restabelecido o Congresso e a Constituição. Mas Floriano Peixoto não pretendia tanto. Foi por esse motivo, que Custódio de Mello desencadeou a Segunda Revolta da Armada, dessa vez articulando-se com a Revolução Federalista no estado gaúcho.
No Rio Grande do Sul, o governador Julio de Castilhos tinha apoiado o golpe de Deodoro.  As forças oposicionistas apoiaram Floriano Peixoto e depuseram Julio de Castilhos. Ficaram surpreendidos e revoltados quando Floriano Peixoto apoiou a volta de Julio de Castilhos.

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