A 1ª Revolta da Armada





A Primeira Revolta da Armada aconteceu em novembro de 1891, quando o presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca, em flagrante violação da Constituição recém promulgada em 1891, ordenou o fechamento do Congresso. Unidades da Armada na Baía de Guanabara, sob a liderança do almirante Custódio de Melo, sublevaram-se e ameaçaram bombardear a cidade do Rio de Janeiro, então capital da República. Para evitar uma guerra civil, o marechal Deodoro renunciou à Presidência da República (23 de novembro de 1891).
Em diversos Estados brasileiros, os governadores que haviam apoiado o Golpe de Deodoro foram depostos – como foi o caso do Rio Grande do Sul, que derrubou Julio de Castilhos, obrigando-o a demitir-se. Foi substituído por uma junta composta de Assis Brasil, Barros Cassal e General Domingos Alves Barreto Leite, que esperavam o apoio de Floriano Peixoto para que fossem realizadas novas eleições no estado. Ao contrário, Floriano Peixoto é a favor de Julio de Castilhos, que volta ao poder com o apoio do governo central e da guarnição militar de Porto Alegre.

“_ Pude nesse memorável e auspicioso dia 23, dezenove dias depois da terrível afronta, formar nas águas da baía de Guanabara, poderosa esquadra sob meu comando, composta de todos os navios surtos no porto dessa baía, a saber:
Os couraçados Riachuelo, Aquidaban e Solimões;
As canhoneiras Cananea, Centauro Carioca e Liberdade;
As torpedeiras de alto mar Marsílio Dias, Araguary e Iguatemy e outras torpedeiras.”APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO DE 23 DE NOVEMBRO PELO CONTRA-ALMIRANTE CUSTÓDIO JOSÉ DE MELLO
Encouraçados Aquidaban e Riachuelo (abaixo)
VOLTA À LEGALIDADE
“Acreditavam esses infelizes que o país que viu com tanta indiferença o banimento da família reinante em 1889, não se levantaria agora por ver-se privado de um congresso Legislativo, Mas enganaram-se.
Agiotas desesperados, jogaram esta cartada suprema e perderam. O Brasil podia parecer indiferente “a queda da Monarquia quando se lhe prometia a República, para a qual a mesma instituição monárquica o prepara, e que lhe vinha assegurar as mesmas liberdades de que virtualmente gozava, aumentadas de outras que se faziam necessárias pela mudança das formas. Era porém erro temerário supor-se que o Povo Brasileiro assistisse indolente ao concular de suas liberdades preciosas, em cujo gozo tem-se educado ddesde os tempos coloniais.”
Jornal do Comércio sobre a renúncia do Deodoro, (23 de novembro de 1891).
No dia em que Deodoro fechou o Congresso, lá se encontrava Rui Barbosa discursando em defesa a reforma bancária que tinha efetuado em 17 de janeiro de 1890.
Abaixo, a opinião de Custódio de Melo sobre essa reforma:
” O regime bancários – fundado pelo decreto de 17 de janeiro e pelos que se seguiram , criando bancos de emissão, inclusive pelo de 7 de novembro de 1890, foi desvirtuado desde logo…
Logo após as promulgações desses decretos, surgiram, como por encanto, empresas apresentadas ao público sob denominações mais ou menos pomposas, mais ou menos sedutoras…Organizadas a empresa, companhia ou banco, suas ações eram logo divididas, sem desembolso de capital, “intera micos”, reservando-se um pequeno número delas para imoral encenação do dia seguinte.
Nesse dia, lançada na praça a organização da empresa, realizada já a escamotagem, e, portanto, tendo as ações passados às mãos dos felizes monopolizadores, às portas dos incorporadores acontevelando-se estes em tropel e completa desordem, na procura das ações, cujos lucros fabulosos, há muito, anunciavam os cartazes, _ (ações que, entretanto, já não estavam ali, mas na praça para serem por artes mágicas vendidas com um ágio, que, só ele, pagaria o valor nominal de cada uma delas ) – aluía grande multidão de indivíduos atraídos de todos os ângulos do país, e alguns até do estrangeiro, por essa voragem que atordoava os sentidos…
A importância das primeiras entradas que faziam os possuidores de ações dessas fantásticas empresas, era imediatamente distribuída entre os incorporadores, a título de direito de incorporação, aos advogados administrativos e aos concessionários: a importância das entradas subconsequentes era aplicada à organização e à montagem de grandes e faustosos escritórios, à compra, por preços exageradíssimos, de propriedades arruinadas, quase sempre realizadas essas compras por transações inconfessáveis. Essas ações, que dest’arte nenhum ou quase nenhum valor representava, – tinham, não obstante, ágio na praça, e, o que é mais, a procura e a oferta iriam sempre em progressão crescente, sem que ninguém se lembrasse de indagar porque meios se operava tão maravilhoso fenômeno!…
Em profusão se distribuía concessões, sem estudos prévios, com garantias de juros,e outros muitos favores ruinosos às finanças do Estado, tais como: concessões de estradas de ferro e de engenhos centrais, de sanemanto, de melhoramento de portos, centenas de concessões de burgos agrícolas e de terras devolutas, com o que os compromissos do tesouro subiram a centenas de milhares de contos de réis pafavéis em épocas fixadas nos respectivos contratos, e muitos outros de igual jaez e quilate. Fez ele ainda presentes de largas ajudas de custo e autorizou pagamentos indevidos de milhares de contos de réis.”


