E la nave va

 Algum dos navios que transportaram os imigrantes italianos para o Brasil , final do sec.XIX 

1.Amazona                                                                2. America

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3.Andrea Dorea                                                     4.  La Bretagne nandrea-doria1.jpg  nla_bretagne-1886.jpg

5. La Bourgogne                                                         6. Carlo R 

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8. Citta di Genova                                              9. Città di Napoli

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10. Columbus                                             11. Conte di Savoia

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 12.Duca degli Abruzzi                              13. Duca di Genova

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14.Dulio                                                                                  15. Europa

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 16.Giulio Cesare                                          17.Giuseppe Verdi

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18.Gneisenau/Citta di Genova      19.Golconde/MatteoBruzzo/Citta di Genova IIngneisenaucittadigenova.jpg  ngolconde-matteo-bruzzo-citta-di-genova-ii.jpg

 

20.La Gascogne                                                                21. Liguria

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22.Mafalda di Savoia                                   23. Matteo Bruzzo

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24. Nord America                                                25.Orenoque

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26.Palermo                             27  .Pacifica                      

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 28. Po, Adria e Sirio                                29. Principe Udine

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30. Princepessa Mafalda                              31. Re Vittorio

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32. Regina Margherita                                        33. Sulla

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34. Roma                                                       35. Tomaso Udine

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 36. Tomaso di Savoia                                             37.Umbria

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38. Vicenzo Florio                                         39. Ville de Santos

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40. Vulcania/Saturnia

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A história que nos define

 Terceira classe de um navio de imigrantes italianos, sec XIX

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“A memória se enraíza no concreto, no espaço, no gesto, na imagem, no objeto.”

(NORA, 1993).

 

 A memória nos permite contemplar a passagem do tempo, sem ela estaríamos presos a um eterno recomeço. É através da memória que construímos uma identidade e encontramos sentido para o que somos. Assim, temos uma história que nos identifica como indivíduos na imensidão de todas as épocas e todos os lugares.  Ao contrário do que se costuma pensar, a memória é dinâmica e se nutre do momento presente. É a nossa imaginação quem lhe dá o significado. Mesmo em museus ou outros lugares aparentemente estáticos, somos nós que selecionamos o que vamos guardar e determinamos com qual intenção fazemos isso.

 

Mas quanto aos silêncios e esquecimentos deliberados? Quando a censura cria um espaço vazio na seqüência da história, situações que se mascaram, acontecimentos que se omitem?  O silêncio é revelador, pois ainda é possível delimitar a forma das peças que faltam no conjunto. Como num quebra cabeças, podemos descobrir nos buracos não preenchidos, aquilo que está ausente no todo. É possível procurar as pistas que nos revelarão o conteúdo desses fragmentos que parecem estar vazios de memória. Ao fazermos isso, recuperamos o direito de manifestação de vozes excluídas por algum motivo injustificável. É desse modo que reelaboramos a memória para que a polifonia que compõe nossa identidade fique completa.   

 

Mas quando há o esquecimento profundo, a incapacidade absoluta de lembrar? Aquilo que se perde ou por algum motivo se sepulta? Aquilo que jamais aparece na narrativa?

A ruptura é completa. O trauma fragmenta nosso reflexo, passamos a não mais nos reconhecer no Outro. Nega-se a própria essência como estratégia de sobreviência e quebram-se os laços familiares e sociais. A tarefa de reconstrução de identidade passa a ser então tarefa das próximas gerações. 

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Orsina, Orsini, Orsino…

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 Um dos pontos que mais provoca curiosidade na pesquisa sobre os antepassados imigrantes é a data e o navio em que a família de origem desembarcou no Brasil. Essa é também uma informação importante para quem deseja obter a dupla cidadania italiana. Meu post “Itália a bordo” está com mais de cinquenta comentários de pessoas que procuram ajuda para localizar a entrada de seus antepassados em nosso país. Embora não fosse essa a minha intenção, o post terminou se transformando numa espécie de fórum.

Desejo a todos boa sorte!

http://blog.cybershark.net/ida/index.php/archives/196

Existe sempre a certeza de que em algum lugar isso ficou registrado. O porto de maior movimento nos anos da grande imigração (1880 a 1910) foi o do Rio de Janeiro porque lá desembarcavam imigrantes destinados a Minas Gerais e aos demais Estados do sul do Brasil. Os que vinham contratados por Minas seguiam de trem para Juiz de Fora, e os destinados ao sul do Brasil eram embarcados em navios de cabotagem (costeiros) que os transportavam a seus destinos.

Esse arquivo ainda não está digitalizado e a consulta é lenta, feita pessoalmente ou através dos microfilmes dos CHF – Centro de História da Família -, que funcionam  nas Igrejas dos Santos dos Últimos Dias- LDS.    

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  Os imigrantes com destino a São Paulo desembarcavam diretamente no porto de Santos,  subiam a serra de trem, com destino à estação situada literalmente dentro da Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo. Esse arquivo se encontra disponível para a consulta on-line.

O memorial na capital paulista possui um Museu da Imigração, que existe desde 1993, e um Centro de Pesquisa e Documentação. Instalado num dos poucos edifícios centenários de São Paulo, o museu ocupa parte da antiga Hospedaria dos Imigrantes, um conjunto de prédios construídos entre 1886 e 1888, no Brás, para receber e encaminhar os imigrantes trazidos pelo governo do Estado de São Paulo. De 1882 a 1978, cerca de 60 etnias e nacionalidades por ali passaram, totalizando mais de 2,5 milhões de pessoas. Existe um registro de todas as pessoas que estiveram na antiga hospedaria. Entre os documentos estão listas de bordo dos navios que atracaram em Santos, cartas chamando imigrantes, cerca de cinco mil fotografias e documentos pessoais.

Minha família não era formada pelo grupo típico de imigrantes, agricultores os quais se dirigiram à cidade de Caxias do Sul (RS), aos cafezais paulistas ou para as fazendas de Minas Gerais. Esses encontram-se bem documentados devido ao grande número dos que já se dedicaram a pesquisá-los. Os meus familiares eram comerciantes e buscaram  o principal porto gaúcho para se radicarem no novo país. Há pouca bibliografia sobre a imigração em centros urbanos no sul do Brasil. 

Meus bisavós se estabeleceram na cidade de Rio Grande (RS) - e provavelmente só poderia encontrar esse registro  no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro. Mesmo assim tentei encontrá-los no Memorial dos Imigrantes paulista, onde é necessário o sobrenome correto da família.   Somente agora me ocorreu procurá-los como Orsino, já que meus avós se assinavam Orsini.

Abaixo, o registro de entrada de meus trisavós, dos meus bisavós e seus irmãos, na Hospedaria de Imigrantes do Brás:

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Orsina é um sobrenome muito raro, característico da província de Novara. Tem, porém, alguns representantes na cidade de Francavilla de Sicília (ME).

Orsini é bastante difundido por toda Itália, típico da região central, principalmente do Lazio. A família Orsini teve três representantes que se tornaram papas, sendo o mais famoso Benedetto XIII. Os Orsinis mantiveram por longo tempo o ducado de Gravina em Puglia (BA) onde Benetto XIII° nasceu.

Orsino – originário da região de Cusano Mutri (BN) – é também muito comum em todo o país italiano. Derivado de Orso – diminutivo de urso – tem sua origem na Idade Média e por muitos séculos essa família da nobreza italiana teve representantes ilustres. (Informações de Michelangelo Grassi)


Libri Memorialis

“O dom de despertar no passado as centelhas de esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer”                                Walter Benjamin

 

Nos Finados, lembramos e agradecemos a Deus a vida de nossos ascendentes, aqueles que nos antecederam (pais, avós, parentes e amigos). Paramos um minuto. Acendemos uma vela. Proferimos uma oração. Vamos à missa nos cemitérios ou comunidades. Agradecemos a Deus essa cadeia da vida que nos tornou possíveis e viventes

 

.

)
Cemitério São Miguel e Almas – Porto Alegre (RS)

Leôncio Lobato Jr. (meu pai) – 09.06.1913 – 30.10.1998
Leôncio Lobato (avô paterno) – 03/12/1885 – 16/11/1954
Silvia Condessa Lobato (avó paterna) – 14/09/1886 – 18/03/1969
Adelina Veríssimo Orsini (avó materna) -
20/04/1892 – 02/06/1966
Sady Orsini (meu tio)- 05/08/1920 – 05/10/1974 
Anna Veríssimo Rodrigues (tia-avó) – 24/06/1877 – 16/04/1963


Cemitério Santa Casa da Misericórdia Porto Alegre (RS)

Ernestina Veríssimo Rocha (tia-avó) 25/05/1870- 26/08/1962
Idalina Veríssimo da Conceição (bisavó materna)
1838- 25/08/1939

Cemitério Católico de Rio Grande (RS)

Luís Orsini (avô materno) 10/08/1890 – 01/04/1922
Felice Orsini (bisavô materno)14/07/1859- 08/07/1915
Margarida Iovara Orsini (bisavó materna) 19/07/1869- 11/10/1958
Pietro Marco Esposito Iovara e Maria Philomena Bino Iovara (trisavós)

Transporte funerário de S.José do Norte para Rio Grande (RS)

Fernando Maximiano Veríssimo 1840-1930 (bisavô materno)


Igreja San Lorenzo, ao lado do cemitério, Vaprio d’Agogna (NO)

Genesio Orsina e Maria Francesca Bino Orsina
(trisavós maternos) 


Cemitério Santa Esperança, Morretes (PR)

 Antonio Candido Figueiredo e Deolinda França Figueiredo (trisavós paternos) 


Cemitério Freguesia de Sopo, Vila Nova Cerveira, Viana do Castelo

Joaquim Francisco Condessa e Maria Rosa Condessa (trisavós)

Antonio Martins e Maria Custódia (tataravôs) 


Cemitério Municipal de Curitiba

 Luís Joaquim Condessa (bisavô paterno)
08/12/1853 – 19/08/1925

Eugenia Figueiredo Condessa (bisavó paterna)

                                                 

 

Lux ætérna lúceat eis, Dómine: * Cum Sanctis tuis in ætérnum: quia pius es. Réquiem ætérnam dona eis, Dómine: et lux perpétua lúceat eis. Cum Sanctis tuis in ætérnum: quia pius es.

 Équiem ætérnam dona eis, Dómine: et lux perpétua lúceat esi.

Repouso eterno dá-lhes, Senhor: E que a luz perpétua os ilumine.

Com teus santos pela eternidade: pois és piedoso. 

                                  

                                        


A casa da minha vó

 

  

Minha irmã - Lais Lobato Heberle – foi convidada para prestar um depoimento oral sobre nossa avó Adelina Veríssimo Orsini, na inauguração do Centro Histórico Cultural da Santa Casa, em Porto Alegre, realizada em 19.10.2007.  Minha avó morou por mais de 30 anos numa casa alugada da Irmandade da Santa Casa, na primeira metade do século XX até 1966. Abaixo transcrevo seu depoimento, onde Lais conta que a casa de nossa avó foi o lugar mágico de nossa infância:

“A minha avó Adelina Veríssimo Orsini morava numa casa da SantaCasa, na Rua Sarmento Leite, 271, esquina com a Oswaldo Aranha, defronte à Faculdade de Engenharia. No lugar onde era a casa da minha vó, hoje é a Faculdde de Medicina e o estacionamento (…) Ela continuou morando lá, até 1966, quando faleceu. Aí a casa foi entregue à Santa Casa (…) Eu ia muito na casa da vó. Casa não. Na verdade era um quarto, mas era uma casa para a gente. Ela vivia muito bem, naquele quarto. Ela tinha um alvará da Santa Casa que a permitia locar outros quartos. Esse alvará ficava na parede do quarto dela. Geralmente ela alugava para estudantes universitários. Tinha uma sacada e era super organizada, super caprichosa, os guardanapos bordados…Era tudo muito bonito. A  gente sempre escutava os sinos da Igreja Nossa Senhora da Conceição, então era hora de ligar o rádio para a minha tia avó Nica escutar a Ave Maria. Ouviamos os sinos nesses pátios aqui. Era onde se escondiam os ninhos de Páscoa e a gente tinha que procurá-los. Eram três pátios internos, e o térreo dava para a calçada. A gente era proibida de chegar naquele portão e sair para a calçada: só se podia brincar naqueles pátios. Tinha goiabeira… Era a maior alegria(…). os bondes passavam ali.

Lembro que a minha vó descia, pegava o bonde na esquina e ia no mercado (…) Tinha na esquina uma padaria de portugueses. ”

 

 casa da minha avó (1977) antes de ser demolida.

Naqueles tempos ditosos                                                                                                           
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,                                                                                             
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar”      
 (Meus oito anos, Casimiro de Abreu)


Meus trisavós escravocratas e Tia Percy

A origem de Morretes – fundada em 1721 – está ligada à descoberta de minas de ouro na região. Foi assim que muitos fizeram fortuna e ocuparam as terras ao longo dos rios Cubatão, Marumbi e Pinto, onde estabeleceram fazendas de criação de gado. É essa a história de minha trisavó – Deolinda França. Seu pai – João França – descendia dos primeiros habitantes do lugar, sua mãe Aurellliana (ou Orellianna) era filha de Floriano Bento Vianna, o Capitão das Milícias de Paranaguá, que entrou para a história do estado por lutar pela emancipação da comarca paranaense (1821) da província de São Paulo.  

 

 A família Oliveira Vianna, do Paraná teve origem no casal de portugueses Félix Bento Vianna e Antonia de Oliveira Vianna, que por volta de 1775, aportou em Paranaguá, vindo das Ilhas – Portugal. O capitão Floriano Bento Vianna foi o segundo filho desse casal. Dedicou-se desde sua mocidade à vida do comércio e da agricultura, no chamado 2º Distrito de Paranaguá, onde possuía fábrica de beneficiar arroz, mandioca e aguardente, no lugar denominado “Tromomó”. Hoje um pequeno povoado ou vilarejo, situado em Guaraqueçaba, onde a população é na sua maioria evangélica. Possuía ainda engenho de serra nas proximidades da Baía das Laranjeiras. 

         Deolinda França (minha trisavô) se casou, no dia oito de junho 1856, com Antonio Candido Figueiredo (meu trisavô), natural de Portugal, negociante em Morretes, onde faleceu.  Foi nesse ambiente que minha bisavó Eugenia – filha desse casal – cresceu, onde a escravidão era parte do seu cotidiano.

          Aqui minha pesquisa toma uma dinâmica própria e começo a encontrar fatos até então desconhecidos. Embora pudesse desconfiar, não tinha ainda noção que meus antepassados paranaenses fossem escravocratas.    

         Agradeço a Janine Moreira – pesquisadora da história familiar – que gentilmente me repassou sua pesquisa e localizou a certidão de batismo de Esperança. Uma pequena menina – filha de Procópia, escrava de Antonio Candido Figueiredo, que acredito ser a Tia Percy da minha avó Sylvia.    

  

            Antonio Vieira dos Santos (1851), descreve os costumes dessa  época em Morretes – onde todas as famílias abastadas possuíam muita “escravatura” :

 

“1725: no espaço de 60 a 70 anos, em que foi extraída do seio da terra, imensa riqueza, das muitas famílias q. ficarão bem recheadas, e por isso para este Município afluiram as mais nobres e principais destas famílias a fazerem seus estabelecimentos ruráes nas férteis margens dos rios Cubatão, Garúmbi, e Rio do Pinto, aplicando-se aos trabalhos da mineração taes forão a dos Pinheiros, Setubaés, Carreiras Matozos, Franças, Cardozos Limas e outras, como se verá no esboço seguinte das minas principais q. então haviam no Município.”

 

“Os Cidadãos mais principaes, e abastados de Paranaguá das duas famílias Franças e Cordeiros, forão occupar e tomar posse de Sysmarias de muitas legoas de Campos, desocupados e nelles estabelecerem suas fazendas de criações de gados vacuns e Cavallares, como forão os Capitães Mores João Rodrigues França – Jozé Carneiro dos Santos, Capitães Gaspar Gonçalves de Moraes; Francisco Gonçalves Cordeiro, António Glv. de Moraes; huns nos Campos de São Jozé ao rumo de Sul e Sudoeste, té Oeste. Outros…”

 

“… sua Casa adornada de damasco e seda sua mesa servida de baixela de prata, suas mo cambas, ou as mulatas pagens de sua família, adornadas de grossos cordões de Oiro, de mais de cem oitavas de peso, e até tinha uma completa banda de música de instrumentos de sopro; que seus Escravos tocavam principalmente quando ele ia à Vila de Paranaguá fazendo uma entrada pomposa, ao som da trompa e do Clarim,  era possuidor das grandes Casas de sobrado que estão próximas á Igreja de São Benedito.”

 

Jean Baptiste Debret

 

  Instrucções que deve observar o destacamento da Guarda Nacional nesta Freg..ª :
   — Os Escravos ou outra qualquer pessoa que forem encontradas na rua com Armas  ou peças prohibidas sendo de noite serão conduzidas a Caza da Correcção, e se for de dia, sendo Escravos serão levados á Caza de seus Senhores para que os castiguem. 
5. — Todo o Escravo ou outra qualquer pessoa que se encontrar na rua embriagado de dia ou de noite será logo posto na Caza da Correcção, bem como algum alienado que promover dezordens ou offender a moral publica.

6. — Todo o Escravo que das 8 horas da noite em diante, se encontrai-na rua ou em outra qualquer parte, sem trazerem bilhetes de seus Senhores, ou Feitores serão prezos, e bem assim os que se encontrarem jogando nas tabernas, Cazas de desconfiança, ou nos mattos dos subúrbios da Freguezia, serão também prezos e entregues a seus Senhores para estes os castigarem com 25 a 50 açoites na forma do Artigo 10 das posturas Municipaes.”

  Memória Histórica Chorónologica Topographica, e Descriptiva Da Villa de Morretes Do Porto Real Vulgarmente Porto de Cima  - Vieira dos Santos, 1851 – Museu Paranaense  

 

DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO POR COR NA PROVÍNCIA DO PARANÁ (1854)

Cidade      Habitantes   Brancos    %             Não Bran.    %            Escravos     %

 

Morretes    3709           1563        42,14%       2146          57,86%    755     20,36%

    

*PEREIRA, Magnus R. de Mello. Semeando iras rumo ao progresso: ordenamento jurídico eeconômico da sociedade paranaense, 1829-1889. Curitiba : Ed. da UFPR, 1996, p. 59.         


“C’est l’eau de la vie”

“Almoço no acampamento do empreiteiro Condessa. Bacalhau à moda portuguesa.
A título de aperitivo, o cozinheiro português serviu Vinho do Por­to Adriano Ramos Pinto. Então, depois, já acomodados na mesa feita com materiais de fortuna, deliciaram-se com o pratarraz de bacalhau, regado a vinho seco, tinto e branco…” (1884). Do livro “Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba – 100 Anos”

 

 

Um cálice de Vinho do Porto antes do almoço e um cafézinho da comida, é um antigo hábito familiar que meu pai fazia gosto em seguir. Um costume que foi certamente trazido pelo meu bisavô Luís Joaquim Condessa de sua terra natal. Mais uma herança – dessas que não constam em testamento nenhum -  que identifico na vida familiar e com toda a delicadeza vou separando em nossa história. 

A delicadeza de um manjar, de um vinho, de um aroma. A delicadeza no modo de preparar a alimentação. A delicadeza do paladar. A delicadeza de confraternizar ao redor da mesa. A delicadeza que existe na maneira de fazer uma refeição com todos os seus procedimentos.   

O Vinho do Porto é um vinho licoroso, produzido na Região demarcada do Douro, sob condições peculiares derivadas de fatores naturais e de fatores humanos. O processo de fabricação,baseado na tradição, inclui a parada da fermentação do mosto pela adição de aguardente vínica (benefício ou aguardentação), a lotação de vinhos e o envelhecimento. Os brancos constituem um aperitivo ideal: servidos frescos, ligam bem com canapés de peixe fumado, carnes frias, marisco e também com queijo fresco de ovelha e de cabra.

Vintage dos Vinhos do Portoem 1881 e 1878 

1881  
Vinhos que prometiam tornar-se excelentes quando foram engarrafados mas muitos deles revelaram-se uma desilusão.Muitas empresas declararam. Vários exportadores consideravam que, devido à filoxera, no futuro não se fariam mais Vintage. 
 
1878  
Vintage excepcional, muito fino. Todas as empresas declararam. Ainda muito bom, em 1978, segundo Ben Howkins. Em Julho as notícias do Douro, segundo Ernest Cockburn, eram armantes,antecipando uma vindima tardia e muito pequena, devido à filoxera. Tempo inconstante durante Julho e Agosto, mas as vindimas, feitas a partir de meados de Setembro, decorreram com óptimo tempo. Mas, no Cima Corgo, produção muita escassa, metade da do ano anterior. Muitos proprietários decidem não voltar a cultivar as suas vinhas. 
 
*Vintage é uma designação aplicada a colheitas de uvas, comopara o vinho do Porto, em que as condições de produção, colheita, estágio e outros factores de produção contribuem parauma qualidade excepcional. A sua origem ou significado vem de vint relativo à safra de uvas e age de idade.

“Findo o almoço, deixaram o galpão. Condessa mandou servir café e conhaque.

— Não fosse tão baixa a temperatura, daria licor a vosmecês, pa­ra apressar a digestão — desculpou-se. E ajuntou:

 — Mas o conhaque, dizem os franceses, que foram os seus inventores… c’est l’eau de la vie…”

 

“Após essa conversa amistosa, o arquiteto Condessa mostrou a obra aos engenheiros visitantes. Pilares de granito esquadrejado, de até 30 metros de altura, a base,engastada na rocha virgem, sustentando os seis vãos/vencidos com vigas de ferro de alma cheia. Ao regressarem, ao carro de passageiros, Monteiro Tourinho disse, ao engenheiro Batista:

— Com toda justiça, essa magnífica obra d’arte devia chamar-se Viaduto Condessa… Deram-lhe o nome de Viaduto Carvalho, em homenagem ao Presidente Carlos de Carvalho, que nos visitou em 1.° de abril de 1882…
— Injustiça. Devia chamar-se Viaduto Condessa…

O arquiteto Condessa sorriu satisfeito.

— Em Portugal, há obras de cantaria em abundância. Paredes, muros, pilares. Em Lisboa e na Extremadura, o calcáreo é a pedra de cantaria por excelência. No Porto, no norte do país e nas Beiras, usa­mos granito e xisto…”


Caminhos de Ontem

Abaixo, trechos do livro “Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba – 100 Anos” SR5 da RFFSA.

As partes transcritas referem-se a uma viagem de inspeção das obras – realizada pelos engenheiros João Teixeira Soares, Guilherme B. Weinschenk e Monteiro Tourinho, encarregados da ferrovia.O viaduto Carvalho – construído pelos irmãos Francisco e Luís Joaquim Condessa – está quase terminado, quando recebem essa visita. A seleção dos trechos transcritos foi feita por mim e faz parte da pesquisa realizada sobre meu bisavô Luiz Condessa.

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“Então, após vararem o túnel de 45 metros, no km 60,374, pararam no km 60,504, para visitarem o célebre viaduto do Rochedo. Essa extraordinária obra de 84 metros, dividida em 6 vãos de 12, 16, 16, 12, 12 e 16 metros, apoiados em 5 pilares de alvenaria de pedra, achava-se em fase de conclusão. Tão logo apearam, o engenheiro Batista apresentou-os ao empreiteiro.

— O arquiteto Joaquim Condessa é o empreiteiro dessa difícil obra de arte; português, filho do arquiteto do mesmo nome. Mal rece­beu o grau que lhe foi conferido pela Universidade de Coimbra, deixou pais e irmãos. Veio para o Brasil. Em 1882, empreitou a construção da alvenaria desse viaduto, que, agora, embora nos retoques finais, já permite o tráfego.

— Acostumou-se no Brasil? — perguntou-lhe Monteiro Tourinho.
— Pois se me acostumei? Sim. Mal chegando, casei-me com a moça Carolina, filha do meu patrício António Cândido de Figueiredo, comerciante estabelecido em Morretes. Sei que minha sogra, dona Deolinda França era neta do capitão Floriano Bento Vianna, que andou fazendo algumas estrepolias por aqui…

Dr. Tourinho gostou da franqueza.

— Vosmecê tem razão, doutor Condessa. Bento Vianna foi pro­curado pelo Sargento-Mor Francisco Gonçalves da Rocha e pelo Capi­tão Inácio Lustosa de Andrade, para iniciarem uma revolta, com o objetivo de fazer, disto aqui, província apartada da de São Paulo. Combinou-se que os conjurados dariam o grito separatista na ocasião em que o Juiz de Fora, doutor António de Azevedo Mello e Carvalho, proferisse a fórmula de juramento de obediência às bases da Constituição decre­tada pelas Cortes Cerais Extraordinárias e Constituintes de Lisboa e de vassalagem a Dom João VI, como Rei Constitucional do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, ao Príncipe Regente do Brasil, Dom Pe­dro, e também à dinastia da Casa de Bragança.O primeiro grito seria o de Bento Vianna, que comandava um batalhão. Os demais conjurados, debruçados nas janelas do Paço, o secundariam.Após a solenidade, rea­lizada no dia 15 de julho de 1821, Bento Vianna deu um passo à fren­te de sua tropa e dirigiu, à Câmara Municipal, um requerimento ver­bal, nos seguintes termos:

“Ilustríssimos Senhores. Temos concluído com o nosso juramento de fidelidade, agora queremos que se nomeie um Governo Pro­visório para que nos governe em separado da Província de São Paulo. Pedimos que deste requerimento se dê parte a Sua Ma­jestade.”

Então aconteceu que os demais companheiros de conjura ficaram de bico calado. O Juiz agiu corretamente. Respondeu que ainda não era tempo e que com vagar se havia de representar a Sua Majestade. Bento Vianna retrucou:

“O remédio logo se aplica ao mal quando aparece. Portanto não há ocasião melhor nem mais oportuna.”

Felizmente, o fato não teve maiores consequências. Bento Vianna nem sequer foi preso. Pouco tempo depois foi promovido a oficial, che­gando ao posto de capitão. Em atenção aos seus serviços, foi condeco­rado com. a Comenda da Ordem da Rosa…

Após essa conversa amistosa, o arquiteto Condessa mostrou a obra aos engenheiros visitantes. Pilares de granito esquadrejado, de até 30 metros de altura, a base,engastada na rocha virgem, sustentando

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os seis vãos/vencidos com vigas de ferro de alma cheia. Ao regressarem, ao carro de passageiros, Monteiro Tourinho disse, ao engenheiro Ba­tista:

— Com toda justiça, essa magnífica obra d’arte devia chamar-se Viaduto Condessa…

Teixeira Soares prosseguiu.

 — Quando, em janeiro de 82, assumi a direção dos trabalhos, já havia muita coisa feita… embora bastante por fazer. Entre Paranaguá e Morretes, corria o trem. A 1 .a Seção fora inaugurada no dia 5 de ou­tubro de. 1881. Entre Morretes e o Alto da Serra, a situação era dife­rente. A l.a Subdivisão tinha assentado mais 2 km de trilhos, além de Morretes. Estava concluída a ponte sobre o rio Jardim, assim como muitos aterros e cortes.

Na 2°, atacados os túneis do Cari e da Sanga Funda, assim como grandes muros de arrimo e algumas pontes. O via­duto do Rochedo, em obras. Deram-lhe o nome de Viaduto Carvalho, em homenagem ao Presidente Carlos de Carvalho, que nos visitou em 1.° de abril de 1882…
— Injustiça. Devia chamar-se Viaduto Condessa…

Almoço no acampamento do empreiteiro Condessa. Bacalhau à moda portuguesa.
A título de aperitivo, o cozinheiro português serviu Vinho do Por­to Adriano Ramos Pinto. Então, depois, já acomodados na mesa feita com materiais de fortuna, deliciaram-se com o pratarraz de bacalhau, regado a vinho seco, tinto e branco. O doutor Durão iniciou a con­versa.

— Vosmecê deve orgulhar-se do trabalho de cantaria que execu­tou no viaduto do Rochedo — disse, dirigindo-se ao dono da casa.

O arquiteto Condessa sorriu satisfeito.

— Em Portugal, há obras de cantaria em abundância. Paredes, muros, pilares. Em Lisboa e na Extremadura, o calcáreo é a pedra de cantaria por excelência. No Porto, no norte do país e nas Beiras, usa­mos granito existo…

— Na ponte do rio dos Papagaios, usei arenito. Era só o que havia — interveio Monteiro Tourinho.

Certo! — aprovou Teixeira Soares. E argumentou: — Engenha­ria nao é só ciência. Também arte. Arte de aproveitar os recursos locais…

Condessa continuou:

— Muito interessante os termos peculiares aos aparelhos de can­taria, em Portugal, que herdamos dos romanos. Se os blocos de pedra formam apenas os parâmetros exterior e interior, sendo os vazios pre­enchidos com pedras irregulares, então o aparelho diz-se opus emplectum. Porém, nos muros de pequena espessura, todos os blocos de pe­dra são perpianhos, isto é, ocupam toda a espessura dos muros. O opus inertum é feito de pedras irregulares, aparelho poligonal, sem formar fiadas horizontais. Já o opus reticulatum só admite pedras regulares, talhadas em forma de quadrados ou losangos, dispostas de maneira a que suas juntas se correspondam, formando uma rede de malhas qua­dradas ou romboidais. No opus spicatum, o aparelho toma o aspecto de espinha de peixe. No opus isodomum, as pedras são aparelhadas nas mesmas dimensões, formam fiadas regulares, de altura constante, as juntas verticais se alternando. Finalmente, no opus pseudoisodomum, a altura das fiadas consecutivas é alternadamente desigual…

- Não só no uso da cantaria destacaram-se os romanos — ajun­tou Monteiro Tourinho. E explicou:

— Suas vias pavimentadas, tais como a Ápia e a Flamínia, usavam pedras quadradas. De lá para as ferrovias, como hoje as concebemos, foí um passo. Até o nome é quase idêntico: via ferreae, diziam os romanos de suas estradas pavimentadas de pedras bastante duras…

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— As bases de pedra do viaduto do Rochedo são de…

— …opus emplectum — respondeu o arquiteto Condessa, antecipando-se à pergunta do doutor Durão. 

— A seção dos pilares é muito grande. Só as paredes externas constituem opus isodomum.

Findo o almoço, deixaram o galpão. Condessa mandou servir café e conhaque.

— Não fosse tão baixa a temperatura, daria licor a vosmecês, pa­ra apressar a digestão — desculpou-se. E ajuntou:

 — Mas o conhaque, dizem os franceses, que foram os seus inventores… c’est l’eau de la vie

………………………………….

 “opus emplectum, opus incertum, opus reticulatum, opus spicatem, opus isodomum e opus pseudoisodomum

são termos que designam a técnica utilizada pelos romanos na construção de muros. (opus=obras). Assim, por exemplo, utilizar a técnica do “opus emplectum”, quer dizer que se construiu primeiro os dois panos exteriores da parede, com pedras talhadas de grande tamanho que servem de cofragem ao recheio interior feito de terra, restos de cerâmica e ou pedra de menor qualidade e uma argamassa rica em cal e de grande consistência. Este ligante era também utilizado nas juntas das paredes que serviam de cofragem. As esquinas do edifício que se conservaram são constituídas à base de grandes blocos de pedra sobrepostos e assentes com junta seca.

(Agradecimentos a Miguel Lobato Duclós)


“Terras de Cervaria”

  

               Nesse meandro que em que vou compondo minha história familiar, encontro mais um ponto: Freguesia de Sopo, concelho de Vila Nova de Cerveira, distrito de Viana de Castelo, que integra a região do Minho. Vila Nova de Cerveira fica na margem esquerda do Rio Minho, que faz fronteira com a Espanha, distante 37 km de Viana do Castelo e 108 do Porto. Criada por D. Dinis em 1320, esta vila ainda conserva casas do século XVII e XVIII que se encaixam para formar algumas das suas estreitas ruas. Numa caminhada por entre o casario antigo, pode-se visitar a Casa da Anta, onde funciona o Centro Cultural, com exposições provisórias de artistas da terra. E em alguns de seus restaurantes provar o Arroz de Sável ou a Taínha no Forno, que ali se fazem como ninguém. 

Criada em 1320 por D. Dinis, Vila Nova de Cerveira era de grande importância para a defesa da passagem fluvial, que dá acesso ao interior do pais, através da vertente oriental da Serra d’Arga. Ainda é possível observar as ruínas do Castelo Medieval e da antiga praça-forte.

A Vila fica num vale cercado por montanhas das serras da Gávea, da Salgosa e estendendo-se para a Serra de Covas, até alcançar a Serra d’Arga,  ao sul. Este maciço montanhoso define, através de encostas abruptas, a fronteira entre a orla ribeirinha do rio Minho e o interior do concelho, definido pela bacia do rio Coura.

 Vila Nova de Cerveira – sede de concelho - é composta por 15 freguesias, que se espalham pelas encostos dos morros que cercam o vale. Sopo é uma dessas freguesias do concelho e julgado municipal de Vila Nova de Cerveira, distrito administrativo e Diocese de Viana do Castelo. Dista 8 Km da sede do concelho, sendo servida pelas estradas de Vila Nova de Cerveira (E.M. 516), Gondarém ( Calvário ) – France, Vilar de Mouros (E.M. 517), e Covas (E.M. 516). Foi nesse lugarejo – com pouco mais de 600 – habitantes que nasceu meu bisavõ  Luis Joaquim Condessa, pai de minha avó paterna Sylvia Condessa Lobato.   

A IGREJA PAROQUIAL
A Igreja Paroquial de Sopo é um digno templo do século XVIII, edificado em granito da região, lavrado pelos canteiros da terra. Tem configuração retangular, e na torre sineira, com data de 1773, sobressai no ângulo frontal do lado direito um brasão artístico, com os símbolos de S. Tiago – a espada, o livro (evangelho), o cantil de água e o bordão (peregrino) - emoldurada por um portal central, com data de 1769, esteticamente de bom gosto, donde sobressaem duas colunas paralelas com capiteis jónicos. Na parte superior do portai, destaca-se um frontão curvo, recortado e rematado por uma janela, tendo epigrafada a data de 1771, no remate do brasão. No ano de 1927, foi esta Igreja alvo de profundas obras de restauro.
Tem magníficos altares (7), em talha dourada sendo majestosa pela sua muita altura – pé direito. Na parede exterior da sacristia Norte – a Igreja tem duas sacristias laterais -, lê-se a data de 1830, ano em que foi construída a sacristia. O oratório é do Século XIX.  

Próximo da igreja, o Cruzeiro da Senhora da Piedade, trabalho do canteiro de Sopo, Manuel Igreja (séc. XVIII). 
 

CAPELA DE SANTO ANDRÉ
Esta capela veio do lugar de S. André, existindo um ali cruzeiro. Em 1758 (Memórias Paroquiais), estava e está situada no lugar da Espinhosa. Tem a data 1682, inscrita no frontispício. É uma capela com planta retangular, fachada de concepção parca, com beirais curvos. As dimensões do templo, são reduzidas e no seu frontal existe um pequeno campanário rematando a cornija bem como as duas belas e elegantes colunas nos topos dos cunhais. Na sua frontaria deparamos apenas com o seu portal de simples tossa e tranqueiros, ladeada por dois janeletes de tipo retangular, sendo todo o seu adro murado e vedado com um simples portão em ferro forjado e de grande singeleza.
Existem os seguintes santos: Santo André ladeado por N. Senhora dos Remédios e N. Senhora das Necessidades.
 
CAPELA DE S. GREGÓRIO
Esta capela consta na relação das Memórias Paroquiais de 1758. Este templo está situado no lugar da Aldeia ou de S Gregório, próximo da Quinta de Santiago. É uma capela de planta retangular com fachada simples, acabada em frontão curvilíneo, tendo um campanário ao centro. Os beirais da cornija são moldurados. Junto à capela existe uma fonte e um lavadouro. Venera-se este Santo Papa Gregório cognominado Magno devido às suas insignes acções, no dia 3 de Setembro, data da sua consagração
 
CAPELA DE SANTO ABEDÃO
A capela de Santo Abedão ou Abedon ou Abdão ou Abdon ou ainda Eudão, situada no lugar de Pardelhas, no meio de um lameiro, rodeada por salgueiros e muita vegetação. É um edifício que data do século XVII, o qual sofreu alterações no século XVIII, devido a obras de restauro e conservação, por isso descaracterizada. Em Portugal existe só mais uma capela, com devoção a este Santo, -Correlhã – Ponte de Lima. O arqueólogo arcoense Felix Alves Pereira, explica a devoção a este Santo, nestas paragens, por influências bizantinas, que se fizeram sentir na Península Ibérica no inicio da Idade Média.

Detalhe de Cantaria de Sopo, sec. XVIII – Cantaria é a pedra que, tendo sido afeiçoada manualmente, com o uso de ferramentas adequadas, apresenta-se pronta para ser utilizada em construções e equipamentos. Atua ora como elemento estrutural, ora como ornamentação e, muitas vezes, atende às duas funções.

A lenda do concelho de Vila Nova de Cerveira 
“Era uma vez … um cervo (veado), que os Deuses do Olimpo quiseram que fosse Rei. Escolheu estas terras outrora desabitadas do “bicho” homem e aqui plantou sua colónia de cervos de tal modo que nas redondezas toda a gente passou a chamar a estes lugares “terras de cervaria”.Muitos anos correram. Lutas e refregas, calamidades que foram dizimando a colônia, até que ficou só o Rei Cervo. Diz a lenda que na Reconquista quando os Senhores de pendão e caldeira desceram dos cerros asturianos à conquista do que seria mais tarde o “Condado Portucalense”, um jovem fidalgo desafiou o Rei Cervo para uma luta frente e frente. E o velho senhor aceitou. A luta seria travada entre arvoredos e ervas daninhas e num local onde existiam pequenas valas no lugar de Valinha. E sem apelo nem agravo conta-nos a “estória”, o Rei Cervo venceu! Ficou com o pendão do fidalgo e, a partir daí, seu brasão de armas foi a bandeira conquistada.  Mas os Deuses enganaram o velho Rei. Ele não seria imortal …Cansado da vida, doente, na solidão das fragas, o velho Senhor morreu. E com ele desapareceu para sempre a “Terra da Cervaria” (…).
Ainda hoje e para que a “estória” se não perdesse, as “armas” de Vila Nova de Cerveira têm um cervo em campo verde, passante de ouro, armado de prata, contendo entre as hastes um escudete de azul carregado de cinco besantes de prata. E, também, no cimo dos montes deste Município mandou construir “in memoriam” o Rei Cervo, que numa notável escultura em ferro, de José Rodrigues, atesta a longevidade das Terras de Cervaria.

       rio Coura, na freguesia de Sopo.

A freguesia de Sopo, está situada num monte, muito abundante em água, e por isso muito fértil.
É atravessado pela Ribeira de Real; pelo Regueiro do Nascente, pelo Regueiro das Amoladouras, pelo Regueiro da Buraca do Pedro e pelo Regueiro do Coura. A Ribeira e os Regueiros deságuam no Rio Coura. Existem duas Matas a referenciar: a Grande e a de Valboa (311 m).
Designa-se ainda os Penedos das Casinhas ( 390m) e os Penedos da Castanheira (550m).

Pequena Biografia de Luís Joaquim Condessa, fornecida pela Câmara de Vereadores de Curitiba:

” O nome de Rua Luiz Condessa foi denominado por meio da Lei Ordinária n. 4387/72, conforme projeto de lei de autoria do Vereador Edgard Dantas Pimentel : 

Nasceu nosso homenageado na cidade do Minho*, em Portugal, em 8 de dezembro de 1854. Desde cedo veio para nosso País, fazendo de nossa terra sua segunda Pátria, aqui casando e constituindo família, colaborando com o progresso de nossa cidade. Comerciante em bairros de nossa Capital, muito fêz pelo desenvolvimento de Curitiba, lutando e trabalhando para que os munícipes tivessem os benefícios públicos de abertura de ruas, macadamização e outras obras públicas indispensáveis ao nosso progresso, do qual foi um dos grandes entusiastas. Foi tronco de tradicional familia, era filho de Joaquim Condessa e sua mulher Maria Rosa Condessa e foi casado com a senhora Eugenia Figueiredo Condessa, deixando 5 filhos, 15 netos e 23 bisnetos. O benquisto cidadão veio a falecer em nossa cidade no dia 19 de agosto de 1925, sendo das mais justas a homenagem que se pretende lhe prestar, motivo porque pedimos o apoio de nossos nobres pares”

* Segundo pesquisa realizada pela Diretora do Arquivo Distrital de Viana do Castelo, Maria Olinda Alves Pereira, Luís Condessa deve ser da Freguesia de Sopo, concelho de Vila Nova de Cerveira, distrito de Viana de Castelo, onde foram encontrados os registros de nascimento dos demais familiares. Ainda que não se tenha encontrado ainda sua certidão de batismo. Nessa biografia de Luís Condessa não consta também sua participação na construção da ferrovia Paranaguá-Curitiba, junto com seu irmão - o arquiteto  Francisco Joaquim Condessa.  


“Retrato em Luar” Cecília Meirelles

 

Retrato em Luar

Meus olhos ficam neste parque,

minhas mãos no musgo dos muros,

para o que um dia vier buscar-me,

entre pensamentos futuros.

 

Não quero pronunciar teu nome,

que a voz é o apelido do vento,

e os graus da esfera me consomem

toda, no mais simples momento.

 

São mais duráveis a hera, as malvas,

que a minha face deste instante. 

Mas posso deixá-la em palavras,

gravada num tempo constante.

 

Nunca tive os olhos tão claros

e o sorriso em tanta loucura. 

Sinto-me toda igual às árvores:

solitária, perfeita e pura.

 

Aqui estão meus olhos nas flores,

meus braços ao longo dos ramos:

e, no vago rumor das fontes,

uma voz de amor que sonhamos.

 

 Ritratto Al Chiar Di Luna
Trad: Anton Angelo Chiocchio

 

Lascio i miei occhi in questo parco

le mani nel muschio dei muri,

per quegli che un giorno a cercarmi

verrà, tra pensieri futuri.

 

Non voglio chiamarti per nome:

parrebbe il sibilo del vento;

brucio tra i gradi della sfera

tutta, nel semplice momento.

 

Durano piá l’edera, l’erba

che il viso mio di quest’istante. 

Ma posso fissarlo in parole,

scolpirlo in un tempo costante.

 

Mai gli occhi ho avuti tanto chiari

e folle il riso, come l’aria…

mi sento tutta uguale agli alberi:

perfetta, pura e solitaria.

 

Qui l’occhio mio vede dal fíore,

qui il braccio mio teso é nel ramo,

qui voci d’acque vaghe echeggiano

quella d’amore che sognamo.



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