Às vezes eu me envolvo em discussões que aparentemente não têm fim. E tudo por que? Porque alguns conceitos que, na minha cabeça, estão bem claros, parecem ser alienígenas para a maior parte dos “outros” (leia-se: They Who Are as Others).
Vou tentar listar e definir alguns desses conceitos aqui, com direito a adições posteriores à medida que me parecer apropriado. Sei lá, talvez um “Beginner´s Guide to a Deranged Mind” ou coisa que o valha…
1. Generalizações.
“Você não pode generalizar!” é um dos gritos que eu mais ouço ou leio. Se eu digo que adolescentes são um saco, que quem não sabe português é ignorante, ou, seguindo o termo geral, “X é Y”, logo recebo um “Ah, mas nem todos os X são Y! Você não pode generalizar!”
Engraçado é que essas pessoas não acham estranho quando ouvem dizer que os seres humanos têm dois braços, ou que são animais racionais, ou que os políticos são corruptos, apesar das óbvias e abundantes exceções.
Ainda mais: um dos chavões mais repetidos da história da humanidade é “Toda regra tem sua exceção”, chavão esse convenientemente esquecido pelos “others” em situações convenientes.
É tão difícil assim compreender que generalizações só são incorretas se aplicadas sobre um indivíduo? Como maneira de descrever grupos, a generalização é perfeitamente aceitável, se não indispensável! Este conceito é inumano demais?
Portanto, em relação a grupos, eu posso e vou generalizar. Se serve para o IBGE, serve para mim.
2. Preconceito.
Quando eu não estou sendo crucificado por generalizar, eu o sou por ser “preconceituoso”. Será que sou?
“Preconceito” envolve julgar sem dados. Adquirir dados e depois estabelecer correlações e princípios gerais é ciência. Se eu digo que adolescente é um saco, não é porque eu ouvi falar. É porque eu CONVIVO com eles, e SEI que eles são um saco. Não é preconceito, é verificação pessoal de um fato. Se eu digo que um analfabeto funcional apresenta graves limitações na sua capacidade de realizar tarefas complexas, não é preconceito, é constatação de um fato. Se eu disser que os judeus querem dominar o mundo, isso é preconceito. Eu realmente não conheci nenhum judeu que me dissesse que quer dominar o mundo, então estou inventando ou papagueando o que eu ouvi dizer.
Apesar de parecer um conceito simples, é incrivelmente incompreendido pelas massas. Go figure…
3. Ignorância.
Para mim, essa palavra invoca o sentido de “desconhecimento de uma importante parcela do conjunto do saber produzido pelo ser humano”. Para os “others”, parece poder ser simplesmente substituído pelo termo “burrice”, que para mim denota “falta de capacidade ou habilidade de aprender”. Boa sorte tentando explicar essa sutil diferença. Já tentei. Aparentemente, a idéia de que ignorância tem cura, mas burrice é terminal, não é tão fácil assim de transmitir.
4. As pessoas são diferentes entre si.
Desde o advento do Politicamente Correto, todos TÊM que ser iguais. Mesmo que, para isso, você precise mentir descaradamente, e dizer que a Solange tem um vocabulário tão adequado quanto o meu.
Me faz pensar por que, então, eu estudei tanto. Poderia ser um ser exatamente tão importante ou relevante quanto sou hoje, se tivesse ficado no sofá comendo batatas fritas pelos últimos 20 anos.
Bom, acho que já chega, para um post só. Assim que eu for incompreendido de novo, acrescento algo a essa lista.