Archive for September, 2004

Published by Leandro on 25 Sep 2004

Comercialização de opiniões.

Acabei de ler algo que me fez pensar. Uma matéria na Folha Online dizendo que são poucos os blogueiros que conseguem viver com a renda gerada pelo seu blog.
Opa! Quer dizer que blog pode ser fonte de renda?
Deixe-me entender. Eu escrevo aqui porque, às vezes, estou a fim de começar um ranting longo e chato, que poucas pessoas estariam dispostas a ouvir, e possivelmente não na hora em que eu quero falar.
Acontece que alguns de meus diletos amigos, em suas horas de lazer, até dão uma passada para ver do que o louco do Leandro está reclamando agora.
Eu só imagino um banner pedindo contribuições para que eu possa me manter escrevendo…
Será que eu começaria a escrever o que os “others” querem ler? Sim, porque aí a audiência ia ser importante. Eu PRECISO do dinheiro, então não posso espantar possíveis compradores!
E se a Nike resolve me patrocinar? Será que eu iria dizer que tênis de marca é um puta desperdício de dinheiro?
Pronto. Aí eu vendo minha opinião sincera. Sim, porque eu babo ovo dos meus patrocinadores sinceramente. Se a Nike paga para alguém tão maravilhoso como eu escrever, eles não podem ser completamente ruins, podem? Afinal, reconheceram meu gênio!

Idéia bizarra…

Published by Leandro on 19 Sep 2004

Quick Massage

Bem, eu agora sou oficialmente capacitado para realizar massagens relaxantes em cadeiras especiais (vulgo QuickMassage). Sério. Com certificado e tudo. Não estou brincando! Se eu soubesse como colocar imagens aqui, digitalizaria o dito certificado para provar.

Inaudito, não? Long story made short, foi bom para a minha carreira. E, de quebra, posso trabalhar num shopping se tudo mais der errado. O que a gente não faz por dinheiro…

Reflexão: Agora eu sei cozinhar e fazer massagem. Acho que virei o marido perfeito. Ainda sei usar o computador, programar o videocassete… Só não lavo e passo roupa, porque aí já é demais! Se um dia a Karin me largar, posso colocar um anúncio no jornal:

“Procura-se mulher independente e bem sucedida financeiramente que esteja em busca de um relacionamento estável. Sou compreensivo, gentil e prendado. Currículo com foto é indispensável.”

Minha vida está garantida!!!

Published by Leandro on 19 Sep 2004

Só por falar.

Entrada curta, só porque eu estou sozinho na frente do computador, e resolvi ficar filosófico:

O que você quer?

Parece bobo, né? Mas pouquíssima gente sabe a resposta para essa pergunta. Experimente. Se alguém disser que vai fazer um curso de inglês, pergunte o que essa pessoa quer com isso. Se alguém mudar de emprego, pergunte o que ela quer do novo emprego. E assim por diante.

Pouca gente sabe.

Infelizmente, esse post não acaba com uma das minhas frases registradas, que explicam tudo em poucas palavras. Eu também não sei.

Será que isso é aquilo que chamam de “sentido da vida”?

Published by Leandro on 12 Sep 2004

Conceitos complexos.

Às vezes eu me envolvo em discussões que aparentemente não têm fim. E tudo por que? Porque alguns conceitos que, na minha cabeça, estão bem claros, parecem ser alienígenas para a maior parte dos “outros” (leia-se: They Who Are as Others).

Vou tentar listar e definir alguns desses conceitos aqui, com direito a adições posteriores à medida que me parecer apropriado. Sei lá, talvez um “Beginner´s Guide to a Deranged Mind” ou coisa que o valha…

1. Generalizações.

“Você não pode generalizar!” é um dos gritos que eu mais ouço ou leio. Se eu digo que adolescentes são um saco, que quem não sabe português é ignorante, ou, seguindo o termo geral, “X é Y”, logo recebo um “Ah, mas nem todos os X são Y! Você não pode generalizar!”

Engraçado é que essas pessoas não acham estranho quando ouvem dizer que os seres humanos têm dois braços, ou que são animais racionais, ou que os políticos são corruptos, apesar das óbvias e abundantes exceções.

Ainda mais: um dos chavões mais repetidos da história da humanidade é “Toda regra tem sua exceção”, chavão esse convenientemente esquecido pelos “others” em situações convenientes.

É tão difícil assim compreender que generalizações só são incorretas se aplicadas sobre um indivíduo? Como maneira de descrever grupos, a generalização é perfeitamente aceitável, se não indispensável! Este conceito é inumano demais?

Portanto, em relação a grupos, eu posso e vou generalizar. Se serve para o IBGE, serve para mim.

2. Preconceito.

Quando eu não estou sendo crucificado por generalizar, eu o sou por ser “preconceituoso”. Será que sou?

“Preconceito” envolve julgar sem dados. Adquirir dados e depois estabelecer correlações e princípios gerais é ciência. Se eu digo que adolescente é um saco, não é porque eu ouvi falar. É porque eu CONVIVO com eles, e SEI que eles são um saco. Não é preconceito, é verificação pessoal de um fato. Se eu digo que um analfabeto funcional apresenta graves limitações na sua capacidade de realizar tarefas complexas, não é preconceito, é constatação de um fato. Se eu disser que os judeus querem dominar o mundo, isso é preconceito. Eu realmente não conheci nenhum judeu que me dissesse que quer dominar o mundo, então estou inventando ou papagueando o que eu ouvi dizer.

Apesar de parecer um conceito simples, é incrivelmente incompreendido pelas massas. Go figure…

3. Ignorância.

Para mim, essa palavra invoca o sentido de “desconhecimento de uma importante parcela do conjunto do saber produzido pelo ser humano”. Para os “others”, parece poder ser simplesmente substituído pelo termo “burrice”, que para mim denota “falta de capacidade ou habilidade de aprender”. Boa sorte tentando explicar essa sutil diferença. Já tentei. Aparentemente, a idéia de que ignorância tem cura, mas burrice é terminal, não é tão fácil assim de transmitir.

4. As pessoas são diferentes entre si.

Desde o advento do Politicamente Correto, todos TÊM que ser iguais. Mesmo que, para isso, você precise mentir descaradamente, e dizer que a Solange tem um vocabulário tão adequado quanto o meu.
Me faz pensar por que, então, eu estudei tanto. Poderia ser um ser exatamente tão importante ou relevante quanto sou hoje, se tivesse ficado no sofá comendo batatas fritas pelos últimos 20 anos.

Bom, acho que já chega, para um post só. Assim que eu for incompreendido de novo, acrescento algo a essa lista.

Published by Leandro on 05 Sep 2004

Piling up.

Existem certas épocas na nossa vida que tudo parece acumular, em vários sentidos. Entreguei a tese, e passei no exame de qualificação, então estava pronto para um merecido semi-descanso, haja visto que as minhas férias de meio de ano foram pro saco por conta disso.

Ledo engano. Primeiro, o departamento financeiro aqui de casa (leia-se Karin) comunicou o departamento de compras (leia-se eu) que a crise financeira doméstica atingiu níveis poucas vezes vistos. Paradoxalmente, eu nunca fui melhor remunerado do que sou hoje, bem pelo contrário. Mas, depois de vários anos de irresponsabilidade fiscal (pelos quais eu assumo COMPLETA responsabilidade), as nossas contas estão todas estouradas. Bem, como dizem os chineses, “moh ching, moh meng” (sem dinheiro, sem vida). O meu descanso vai ter que ser barato.

Tudo bem, o computador e a banda larga devem me manter ocupado, certo? Quase.

Meu monitor de 17″ resolveu ser anti-comunista, e perdeu o vermelho. Se ainda perdesse o verde, eu poderia ter uma simpatia esportiva. Mas nem isso. Claro, sem dinheiro, sem monitor novo. Tive que desenterrar um Seiko (sim, a Seiko já fez monitores) de 14 polegadas, resolução máxima de 800×600 a 60 Hz. Pense mudar de um Omega 2002 para um Fusca 1978.

Bom, ainda assim, posso ficar o dia inteiro postando no Orkut e me divertindo, certo? Errado.

Passo dois dias solto e dois dias na cadeia, lá. Pareço o bêbado da cidade. Estou nos dois dias preso, que vão acabar quando??? Exato, no fim do feriado!

Merdas diversas: fui enrolado a pegar aulas de sexta-feira à noite, vou trabalhar os próximos dois fins de semana, EM ADIÇÃO à semana inteira, se eu quiser uma bolsa de pós-doc no ano que vem tenho que entregar o projeto até dia 30 desse mês, já tenho uma pilha de trabalhos de alunos para corrigir, tem gente que está começando a se ressentir da minha proximidade aos coordenadores na Anhembi-Morumbi.

Ou seja, cosmicamente, está tudo acontecendo junto! E o meu inferno astral deveria ser só em janeiro…

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