Archive for February, 2005

Published by Leandro on 22 Feb 2005

Etiqueta para lidar com refrigerante

Existem milhões de livros e cursos que ensinam o adequado armazenamento e manipulação de vinhos e outras bebidas nobres.

Entretanto, diariamente, eu vejo absurdos sendo cometidos com a manipulação de uma importante bebida no nosso dia-a-dia: o refrigerante.

Em primeiro lugar, deve-se considerar que as preferências individuais de marca e sabor são subjetivas. Entretanto, todo verdadeiro apreciador de refrigerante sabe o que realmente importa no mesmo: O GÁS. Sim, o CO2. ELE é a alma de qualquer refrigerante.

Estou consciente que existem pessoas que tiram o gás do refrigerante para bebê-lo. Não censuro, mas considero uma heresia; é como colocar gelo em vinho.

Não, este post é para VOCÊ, que adora lacrimejar devido à acidez das bolinhas de CO2 subindo pelo seu nariz. Que acha que dois goles de Coca-Cola sem um arroto é uma abominação. Que tem arrepios de náusea quando coloca o refrigerante no copo e não vê nenhuma bolha subindo. Para vocês, almas irmãs, vai esta lista de procedimentos a serem ensinados aos hereges.

1. Garçons de restaurante: quando eu peço um refrigerante, e você serve como se o objetivo fosse espirrar o máximo de refrigerante possível dentro do copo no menor espaço de tempo, isso me tira do sério. Aqueles 3 dedos de espuma, espalhando o tão precioso GÁS pela atmosfera, é uma completa estupidez. Deixa o refrigerante que sobrou tão atraente como uma calda de lama com açúcar. Faça um favor a nós dois e apenas DEIXE meu refrigerante na mesa. Você nunca entenderia, mesmo…

2. Garrafas PET: Uma monstruosidade necessária. Pesadas, flexíveis, frágeis, e eu ainda não consigo deixar de pensar que uma delas vai estourar na minha cara um dia, desfigurando-me além de qualquer possibilidade de reparo. Ainda assim, são onipresentes. Então, não APERTE a garrafa como se ela fosse tentar fugir, na hora de servir. Pense nela como um bebê: força pode e deve ser substituída por jeito. Dê apoio à garrafa, com a mão POR BAIXO dela. Não a agarre como se fosse o último salva-vidas do Titanic. Nada contra a força, na verdade; mas você provavelmente, ao recolocá-la na mesa, vai soltar seu aperto mortal de uma vez só, causando um “splash” intragarrafal de refrigerante, e a liberação de uma quantidade inadmissível do precioso GÁS. Aliás, não precisa bater a garrafa na mesa como se fosse o Martelo de Thor: repouse-a suavemente, evitando o “splash” supracitado. Não é difícil, basta um pouco de atenção.

3. Quando em ambientes informais, NUNCA use canudos ou copos para tomar refrigerante. Cada transição do refrigerante libera mais um pouco do GÁS, diminuindo seu prazer. Latas e garrafas até 600 mL se prestam perfeitamente ao sorvimento direto através de suas aberturas; garrafas PET de 2000mL, não. Geralmente.

4. Tempo de armazenamento e espaço vazio na garrafa são inversamente proporcionais à quantidade de GÁS no refrigerante; nunca aceite um refrigerante de alguém de “acha que sobrou um pouco do último que eu comprei…”.

5. O congelamento do refrigerante destrói o GÁS. Se você abrir o refrigerante ainda congelado, diga adeus à possibilidade de recuperá-lo. Descongelar o refrigerante ANTES da abertura é melhor, mas não se engane: o encanto acabou.

Estes são apenas princípios básicos. Em outro post, entrarei em mais detalhes sobre a diferenciação olfativa de refrigerantes. Ou não. E viva o GÁS!

Published by Leandro on 22 Feb 2005

Desespero

Outro dia dei 2 reais para o carinha no farol que estava fazendo malabarismo com bolas de XXXXX (nunca consegui descobrir o que elas eram em suas “former lives”).

(esperando as exclamações de espanto e horror diminuírem)

Eu sei, eu sei. É antitético à minha existência. Mas explico:

O cara estava usando 4 bolas. Numa rotina bem complexa. Não errou nada.

Se a metade das pessoas que eu conheço tivessem metade da competência que ele apresentou no que fez, eu não teria muitos problemas na vida.

Outra maneira de interpretar: estou tão cercado de idiotas que estou a fim de recompensar todo mundo que faça qualquer coisa bem-feita. O suficiente pra dar dinheiro no farol, aparentemente.

Published by Leandro on 17 Feb 2005

The long dark teatime of the soul.

Se existe um momento no qual as trombetas do apocalipse não devem soar, pois a humanidade está no seu mais insignificante nível mental, é às 16h30 de um dia útil.

Tudo que você poderia fazer de útil no dia já foi feito, ou não mais o será. Se já foi feito, não vale a pena iniciar nada de novo no mesmo dia. Se não foi, o sentimento da corrida contra o relógio enche a sua alma de desespero e desolação.

Acredito que o intelecto coletivo humano fique vagando espectralmente entre os Universos, desta hora até às 5 da tarde, quando alguns mais afortunados deixam o trabalho e vão pra casa.

Às 6 da tarde, o espírito humano deixa o limbo e se prepara para a noite.

Tenha medo das 16h30. Tenha muito medo.

Published by Leandro on 16 Feb 2005

Não entendo mais nada.

O Universo decidiu que eu não devo ter um MP3 Player. A Juliana decidiu deixar de ser consumista. Ela e o Gustavo saíram do Orkut. Eu quase não durmo mais, e não sinto falta. Não estou acompanhando o Big Brother. Faz semanas que não vou ao cinema.

Juro que não entendo mais nada nesse mundo. Imagino que as coisas ainda vão ficar muito mais estranhas antes de voltarem a um semblante de normalidade…

Pressão atmosférica, talvez?

Published by Leandro on 13 Feb 2005

“Delete”

Nota mental: se um dia eu começar a apagar tópicos das minhas comunidades no orkut, e comentários e posts no meu blog, numa base constante, vou parar pra pensar na vida. Porque, se eu estou escrevendo algo, é porque acredito no que eu escrevi. Mudar de idéia, OK, aceito. Apagar o que eu escrevo 3 vezes por semana, quer dizer que eu estou escrevendo muito e pensando pouco.

De maneira geral, se eu falar merda, vou arcar com isso. Posso até apagar se eu mudar de idéia. Mas se não mudar, vou deixar registrado. Qualquer outra coisa, eu acho fraqueza de caráter.

Published by Leandro on 13 Feb 2005

Dilatação do tempo.

É um efeito bem conhecido, mas vou discutir de novo, por pura falta do que fazer.

O tempo é percebido de maneira variável, todo mundo já notou.

Existem “time speeders” e “time slowers” no mundo. Uma conversa agradável com amigos é “speeder”. Expectativa sobre algo é um “slower”. Consultório médico é “slower”. Cinema pode ser “speeder” ou “slower”. Fila é “slower”. Restaurantes são “slowers” antes da comida chegar, “speeders” depois. Leitura é “speeder”. TV e videogame são “speeders”, exceto durante os comerciais. Sonhar acordado é “speeder”. Instant messengers são “speeders”. Reuniões, meu Deus, como são “slowers”… Dar aula é “speeder”. A pressão atmosférica é “slower”.

Lembrei da piada sobre o cara com câncer terminal e como prolongar a vida…

Published by Leandro on 11 Feb 2005

Overexplanation.

Situação chata. Você faz uma piada, disfarçada como comentário absurdo. Alguém não entende, e te explica o óbvio, com uma riqueza de detalhes insultante. O que você faz?

Published by Leandro on 04 Feb 2005

Termo de irresponsabilidade.

A partir deste momento, eu não me responsabilizo pela vida (such as it is) de quem me cerca neste antro de cretinice onde estou preso. Posso até sentir o gostinho do meu primeiro homicídio doloso. E o melhor: a vítima nem desconfia… Vai ser maravilhoso olhar pra a surpresa estampada no rosto dela, enquanto a sua vida lentamente se esvai no jorro de sangue arterial resultante do meu ataque súbito…

[daydream mode OFF]

OK, preciso começar a tomar drogas. Rápido.

Published by Leandro on 04 Feb 2005

Snippet.

Cansei de ver pessoas justificando uma atitude escrota dizendo “ah, eu não sei ser falso, foi espontâneo…”, como se isso tornasse a atitude menos escrota.

Espontaneamente, eu também peido e arroto. Mas exerço autocontrole para não ser desnecessariamente desagradável.

E tente essa desculpa da “espontaneidade” se peidar num elevador lotado, pra ver se cola.

Published by Leandro on 02 Feb 2005

Fuga

A única maneira de não surtar imediatamente nessa semana foi encher minha mente com ruído branco.

“Leandro, preciso que você faça tal coisa”

*mental static* “OK!” *mental static”

“Professor, como é o seu tipo de prova?”

*mental static* “Varia.” *mental static”

“Você pode ficar na faculdade amanhã, depois das aulas?”

*mental static* “Claro!” *mental static*

Não é tão bom quanto mp3, mas desde que o iPAQ morreu e não tem nenhum cartão liberado que me permita comprar um mp3-player de aniversário, vai ter que servir.

Na verdade, meu sonho é desenvolver um autismo voluntário funcional. Simplesmente desligar todos os sentidos e me enclausurar no meu mundo interno quando quiser. E me divertir com isso. Mas não… tudo que eu tenho é a estática…

shshshSHSHshshHShshsHshHsHshshSHsh…..