Published by Leandro on 26 May 2005
Livros/filmes.
Seguindo a onda Daniducquesca de análise de livros/filmes, vou falar de um que REALMENTE me impressionou, mas é pouquíssimo comentado. E vou entremear isso com opiniões pessoais e análises profundas da personalidade de pessoas que eu não conheço. Sintam-se livres para ler de olhos fechados.
Ah! Cuidado! Eu vou falar sobre várias partes do livro/filme; se você tem seu prazer estragado por saber o final do filme, ainda não assistiu, mas pretende, a saída é pela porta da direita, por favor…
O livro/filme escolhido é: CONTATO (Carl Sagan)
Primeiro que eu sempre adorei o Carl Sagan. “Cosmos” foi a série de TV que basicamente selou meu destino como cientista na vida, e isso apenas com 7 ou 8 anos de idade. Eu não entendo, até hoje, como alguém pode saber que existe um Universo e não PRECISAR saber como ele funciona. “Cosmos” dava, hoje eu sei, a explicação mais “for Dummies” possível para “Life, Universe and Everything”. Desde lá, não consegui mais parar de me interessar por como o diabo da coisa funciona.
Segundo: ele não acreditava em discos voadores. Em vida fora da Terra, OK. Mas contato entre nós e uma raça tecnologicamente avançada? Nope. Ele achava que não dava..
E aí o cara faz o que? Escreve um livro sobre isso. Sobre aquilo que ele NÃO acredita que é possível. Mas um livro sobre como seriam as coisas se isso acontecesse.
Aí, você fala: porra, o cara era astrônomo. Vai ser um porre. Haja dados técnicos…
NÃO!!! Ele escreve basicamente sobre uma cientista atéia brigada com Deus, sobre como a fuga dela da religião a acaba levando exatamente a Deus (ou um tipo de Deus). Sobre como a ciência afasta tanto as pessoas de Deus que acaba, pelo exagero, encontrando Deus. E como a religião aproxima tanto as pessoas de Deus que elas não o vêem quando ele finalmente aparece. Sobre como o excesso de algo se torna, no final, sua própria antítese.
Claro, no filme, não aparece tudo isso. O Hadden, pra mim, é a síntese de tudo que eu queria ser na vida. A Dra. Arroway É tudo que eu SOU na vida (e qualquer cientista que valha algo, diga-se de passagem, também se vê nela). E a Máquina, gigantesca, resultado da união de vários povos, é o maior símbolo religioso que eu já vi na vida.
Quando ela explode, eu sempre me assombro… Todo o esforço, toda a esperança, toda a curiosidade… frustrados. Na primeira vez que eu assisti, me senti FISICAMENTE atingido… EU queria saber o que a máquina fazia!
E no final, a filme nunca explica se foi tudo uma alucinação ou aconteceu mesmo. Só indica, de maneira bem tacanha.
No livro, o final é melhor. Muito melhor. De fazer qualquer cientista se mijar de alegria. Se apenas um dia o que acontece lá acontecesse comigo, eu poderia REALMENTE morrer feliz.
OK, acabei de redigir a babação de ovos mais infudamentada da minha vida. Mas eu REALMENTE gosto de Carl Sagan…
