Published by Leandro on 25 Feb 2009
O efeito “netbook” – como os pequenos laptops baratos chegaram lá.
História dos Netbooks, traduzida de http://www.wired.com/gadgets/wireless/magazine/17-03/mf_netbooks?currentPage=1

Mary Lou Jepsen não pretendia inventar o netbook e virar a indústria de computadores de cabeça pra baixo. Ela estava somente tentando criar um laptop superbarato. em 2005, Jepsen, uma projetista de telas LCD pioneira, foi chamada para liderar o desenvolvimento da máquina que ficaria conhecida como One Laptop per Child (OLPC). Nicholas Negroponte, o eterno visionário do MIT Media Lab, lançou esse projeto esperando criar um computador barato para as crianças dos países em desenvolvimento. Ele teria Wi-Fi, tela colorida, e um teclado completo – e seria vendido por cerca de US$ 100. Por este preço, os governos do terceiro mundo poderiam comprar milhões deles e distribuí-los gratuitamente em comunidades rurais. Adicionalmente, ele teria de ser pequeno, incrivelmente resistente, e capaz de rodar com um mínimo de eletricidade. “Metade das crianças do mundo não têm acesso regular à eletricidade”, indica Jepsen.
Essas fortes limitações a estimularam a ser ferozmente criativa. Ao invés de um usar um hard drive comum, ela escolheu usar memória flash – o mesmo tipo do seu pen drive – porque ela usa muito pouca energia e não quebra quando cai. Como software, ela escolheu o Linux e outros pacotes open-source gratuitos, ao invés de pagar pelos programas da Microsoft. Ela usou um AMD Geode como processador, que não é muito rápido mas precisa de menos de um watt de energia. E, como a “pièce de résistance”, ela bolou uma tela de LCD inteligente que detecta se a imagem exibida é estática (como quando você está lendo um documento) e diz para o processador desligar, economizando a preciosa energia.
Para construir o laptop, apeliodado de XO-1, a OLPC contratou a empresa taiwanesa Quanta. Esse não é um nome conhecido domesticamente, mas a Quanta é a maior fabricante mundial de laptops do mundo. Provalvelmente várias peças da máquina que você tem na sua mesa, seja ela um Apple, Dell ou HP, foram fabricadas pela Quanta – possivelmente, até mesmo projetadas pela Quanta. Assim como a maior parte dos fabricantes taiwaneses de computadores, ela emprega alguns dos melhores engenheiros do planeta. Eles resolveram muitos dos problemas de engenharia mais desafiadores de Jepsen, e lá por 2007, o OLPC estava tomando forma. As crianças pobres do mundo teriam seu notebook – se não exatamente po US$ 100, também não por MUITO mais que isso.
Inspirada (ou talvez um pouco assustada) pelo projeto OLPC, a Asustek – arquirrival da Quanta em Taiwan e a sétima maior fabricante de laptops no mundo – começou a montar seu próprio laptop barato e de baixo desempenho. Ele também seria produzido barato usando Linux, memória flash e uma telinha de 7 polegadas. Ela não tinha drive de DVD e não era potente o bastante para rodar programas como Photoshop. De fato, a Asustek pretendia que ele fosse usado principalmente para ler E-mail e navegar pela Web. Seus clientes, ela imaginava, seriam crianças, idosos, e a classe média emergente na Índia ou na China que não podia comprar um laptop completo de US$ 1000,00
O que aconteceu foi algo completamente diferente. Quando a Asustek lançou o Eee PC no outono de 2007, ela vendeu todo o estoque de 350.000 unidades em poucos meses. Os Eee PC´s não foram comprados por moradores de países pobres, mas pela classe média da Europa Ocidental e dos EUA; pessoas que queriam um segundo laptop para carregar numa bolsa ou numa pasta para dar uma espiada do YouTube ou o Facebook em qualquer lugar. Logo as maiores marcas de PCs – Dell, HP, Lenovo – estavam correndo atrás do prejuízo; por volta do outono de 2008, quase todos os fabricantes de computadores tinham corrido para lançar um pequeno netbook de US$ 400 no mercado.
Tudo isso, se você parar para pensar, é muito estranho. Os netbooks violam todas as leis do mercado de hardware. Tradicionalmente, o desenvolvimento desce do mercado de alto desempenho para o de massa. Os fabricantes de PC miram nos “early adopters” com recursos novíssimos e ultrapoderosos. Anos depois, essas inovações se espalham pelos modelos mais baratos.
Mas o projeto de Jepsen subiu. No processo de criar um laptop para satisfazer as necessidades das pessoas pobres, ela revelou algo sobre os usuários tradicionais de PCs. Eles não queriam MAIS num laptop; eles queriam MENOS.

No final de 2008, a Asustek tinha vendido 5 milhões de netbooks, e as outras marcas somadas tinham vendido 10 milhões (a Europa, em especial, ficou doida com os netbooks; as vendas lá são 8 vezes maiores que nos EUA). Em um único ano, os netbooks se tornaram 7% do mercado mundial de laptops. No ano que vem, serão 12%.
“Nós começamos inventando tecnologia para a base da pirâmide,” diz Jepsen, “mas o topo também a quer.” Esse fragmento de inovação ascendente, esse netbook, pode muito bem reformar a indústria de computadores – se não a matar primeiro.
Eu escrevi essa história em um netbook, e se você tivesse espiado por cima do meu ombro, você teria visto exatamente dois ícones nom eu desktop: o Firefox e a Lixeira. Nada mais.
No fim, 95% do que eu faço num computador hoje pode ser feito através de um browser. Eu o uso para atualizar o Twitter e o Facebook e para blogar. O Meebo.com me coloca em contato com vários instant messengers ao mesmo tempo. O Last.fm providencia as minha músicas, e o webmail cuida do meu E-mail. Eu uso o Google Docs para o processamento de textos e, se eu precisar gravar um video, eu posso fazê-lo diretamente da webcam para o YouTube. Pensando bem, já que nenhum dos meus documentos está NO netbook, eu nem sei se preciso mesmo da Lixeira.
Os netbooks acabaram com a guerra de desempenho. Antes, quando você ia a uma loja para comprar um computador, você comprava o mais poderoso que você podia. Porque, vai saber? Talvez algum dia você vá precisar jogar aquele jogo de última geração ou editar sua obra de arte do cinema indie. Por 15 anos, a indústria de PCs acedeu à nossa paranóia do “vai saber?”. Intel e AMD cuspiram processadores incrivelmente rápidos, hard drives galoparam até os terabytes, a RAM explodiu, e placas de vídeo de última geração permitem que você assista a filmes Blu-Ray na sua imensa tela de 17 polegadas no seu laptop.Essa máquina dos sonhos pode fazer praticamente qualquer coisa.
Mas tem um problema: na maior parte do tempo, nós não fazemos praticamente NADA. Nossas tarefas mais comuns – E-mail, navegação na Web, videos na Internet – exigem muito pouco poder de processamento. Apenas umas poucas pessoas, como por exemplo designers gráficos e gamers viciados, precisam realmente de hardware pesado. Por vários anos, sem ninguém realmente perceber, a indústria de PCs tem funcionado como uma fábrica de carros vendendo SUV´s: ela tem empurrado máquinas absurdamente poderosas porque as suas margens de lucro são maiores, enquanto os consumidores engoliram a fantasia de que eles podiam sair fazendo rally, embora eles nuncam o façam. E os programadores se aproveitaram desse poder extra para fazer aplicativos e sistemas operacionais cada vez mais inchados.
O que os fabricantes de netbooks fizeram, de fato, foi atrasar o relógio; suas máquinas têm o mesmo desempenho dos laptops de 4 anos atrás. E no fim, 4 anos atrás (mais ou menos) é muita coisa.”Os computadores mormais são tão rápidos que você realmente não consegue notar a diferença entre 1,6 GHz e 2,0 GHz”, diz Andy Tung, vice-presidente de vendas nos EUA da MSI, a fabricante taiwanesa do netbook Wind. “Nós notamos a diferença entre 1 e 2 segundos, mas não entre 0,0001 e 0,0002 segundos”. Para a maior parte das tarefas de computação de hoje, os maiores impactos no desempenho não estão dentro da máquina. Estão Fora. O seu sinal de Wi-Fi está forte? O Twitter está fora do ar de novo?
Os netbooks são a evidência de que nós agora sabemos para que servem os computadores pessoais. O que quer dizer, uma listinha bem pequena de coisas que são feitas quase inteiramente online. Essa foi a epifania da Asustek. Ela colocou os preços dos laptops abaixo de US$ 300 construindo um aparelho que não faz absolutamente nenhum sentido quando está offline. Imagine: o flash drive do Eee PC original era de apenas 4 Gb. Isso é tão pouco que você precisa colocar todas as suas fotos, videos e arquivos online – e instalar um mínimo de software nele – porque simplesmente não há espaço dentro dele.
Os netbooks mostram que a “nuvem” não é ´mais apenas “hype”. Agora faz sentido projetar computadores que mandam o trabalho difícil pra alguém. O rabo da nuvem está abanando o cachorro do hardware.
A maior parte dos consumidores nunca ouviu falar das pacatas e pouco divulgadas empresas de PC de Taiwan, mas elas estiveram por trás de alguns dos mais importantes hardwares dos últimos 30 anos. A Quanta foi notada pela primeira vez nos anos 80, por atulhar os notebooks com novos componentes. Em 2001, a Apple fechou um contrato com essa empresa para projetar seu notebook G4 de alto a baixo. O produto foi um sucesso espetacular, e logo a Quanta estava fazendo a engenharia de vários fabricantes de PCs.A Asustek e a MSI, as duas outras gigantes do mundo taiwanês do laptop, também diversificaram de placas-mãe para tudo, desde TVs de LCD até telefones celulares. Essas companhias são enormes: a Quanta vendeu US$ 25 bilhões no ano passado, mais que firmas famosas como Amazon.com, Texas Instruments, e Electronic Arts.
Apesar dos fabricantes taiwaneses continuarem subservientes às marcas mais conhecidas de PCs, eles absorveram toneladas de conhecimento através dos anos. Por exemplo, quando a Intel criou seu chip x486 em 1988, a Asustek fabricou uma placa-mãe compatível antes mesmo da Intel conseguir fazer s sua própria funcionar. Mais tarde, a Asustek estava produzindo componentes para os laptops da Apple. “Nove vezes em cada dez,” lembra John Jacobs, um ex-gerente da Apple que hoje se dedica ao mercado de LCD como um analista para a DisplaySearch, “quando nós dizíamos ‘pulem’, eles perguntavam ‘que altura?’. Foi assim que a Asustek aprendeu tanto”.
Mas, a despeito do seu sucesso, companhias como Asustek e MSI eram sapos de fora. E quando a Asustek lançou o netbook Eee, as grandes empresas como Dell, HP e Apple não fizeram nada por meses. “Todas as outras marcas estavam pensando, “Ah, isso é lixo’”, lembra Lillian Lin, diretora de marketing global da Asustek.
A Dell e a HP não iriam inovar com um laptop de US$ 400 porque elas já estavam vendendo laptops por US$ 1000. Por que mexer em time que estava ganhando? A MSI não vendia laptops em absoluto, e a Asustek tinha um pequeno mercado vendendo máquinas completas com sua propria marca, na sua maioria na Asia e na Europa. Já que as taiwanesas não estavam viciadas em vender computadores-SUV, elas poderiam mergulhar como a Honda com modelos menores e mais eficientes. Elas também sabiam como projetar barato depois de anos produzindo placas-mãe com margens de lucro torturantemente baixas.
No “Dilema do Inovador“, Clayton Christensen argumentou famosamente que as inovações verdadeiras quase sempre vêm de recém-chegados, uma vez que firmas lucrativas raramente querem revolucionar seus modelos de negócios. “Netbooks são uma inovação disruptica Christenseniana clássica para a indústria de PCs”, diz Willy Shih, um professor da Harvard Business School que estudou tanto o trabalho da Quanta no projeto OLPC quanto o desenvolvimento do netbook pela Asustek.
As empresas taiwanesas, argumenta Shih, agora têm enorme influência na indústria de PCs. Nos EUA, nós consideramos branding e marketing – convencer as pessoas do que comprar – como funções-chave dos negócios. O que a Asustek provou é que as conpanhias com força real são aquelas que realmente fazem produtos desejáveis. Os fabricantes taiwaneses de laptops possuem a inteligência aguçada que uma vez definiu os EUA mas que atrofiaram aqui, juntamente com nossa base industrial. No que diz respeito à fabricação de laptops, Taiwan praticamente é dona do mercado, hoje; eles não são produzidos em quantidade significativa em nenhum outro lugar.
Se você perguntasse aos CEOs das empresas de hardware taiwanesas sobre sua relação com Dell, HP e Apple há alguns anos, eles diriam que as empresas americanas faziam as marcas e as vendas enquanto terceirizavam sua produção e projetos para Taiwan. Hoje, a visão na ásia é crescentemente oposta. “Quando eu falo com eles agora”, ri Shih, ” eles dizem ‘ nós terceirizamos as marcas e as vendas para eles‘”.
“Mas e o Photoshop?” é a resposta padrão daqueles que consideram os netbooks brinquedos. Claro, um mísero chip de 1,6 GHz rodando Linux está bom para E-mail e pra coisas bobas como o YouTube. Mas e quando você precisar de um pouco de computação real, como edição de fotos avançada? A nuvem não vai te ajudar nessa hora, não…
No sentido mais literal possível, isso é verdade: um aplicativo realmente poderoso como o Adobe Photoshop exige um processador muito mais rápido. Mas pense na minha experiência: nessa primavera, depois do meu laptop normal com Windows XP começar a travar duas vezes por dia, eu reformatei o HD. Quando eu fui reinstalar meus programs, não consegui encontrar o CD do Photoshop. Eu deixei pra lá – por uma semana, quando eu estava blogando e precisei mexer numa foto. Frustrado, eu entrei na Internet e descobri o FotoFlexer, uma das várias ferramentas de edição gratuitas baseadas na Web. Eu carreguei a minha foto, e em cerca de um minuto eu já tinha aparado, aprofundado a saturação de cor e aumentado a nitidez dela.
Eu não usei mais o Photoshop desde então.
Tenha em mente que eu gosto do Photoshop´. Eu não estou fazendo isso pra apoiar nenhum ponto de vista geeky sobre como eu sou moderno, ou sobre como eu odeio pagar por software pronto. Simplesmente, a aporrinhação de achar meu disco do Photoshop agora é maior que a facilidade de usar o FotoFlexer. O programa para trabalhar com o aplicativo na Web tem meros 900 KB, e, “para o usuário comum, isso vem bem rápido”, como Sharam Shirazi, CEO da Arbor Labs, que o criou, me mostra.
Minha experiência com o Photoshop é apenas um exemplo de como a indústria de software está mudando. Antes, o programadores eram forçados a produzir bloatware com funções infinitas porque eles tinham que adivinhar o que os clientes poderiam querer fazer. Mas se você projeta um fragmento de software que fica na nuvem, você sabe os que os seus clientes estão fazendo – você pode observá-los em tempo real. A empresa de Shirazi descobriu que os usuários do FotoFlexer raramente fazem edição sofisticada; as funções mais frequentemente utilizadas são as ferramntas para escrever ou rabiscar nas fotos. Ou então, pense no aplicativo Writely, que acabou virando o processador de textos do Google Docs: quando Sam Shillace o colocoou online pela primeira vez, ele descobriu, para a sua surpresa, que os que os usuários mais queriam era uma maneira de vários usuários editarem o mesmo texto ao mesmo tempo.
“Antes era ‘Eu estou comprando um programa de desenho, e eu vou comprar o que tem 5000 funções. Eu não sei o que são 2000 dessas funções, mas eu vou comprar só pra estar seguro,” diz Shillace. “Hoje é ‘qual é o mais fácil de acessar? Qual já está online?’ Portanto, os aplicativos estão competindo por mérito; eles não estão competindo no tamanho.”
Netbooks são tão baratos que eles estão reformando a economia fundamental do mercado de PCs. Em outubro passado, a operadora de celular britânica Vodafone ofereceu aos seus clientes um novo acordo: se eles assinassem um contrato de dois anos de acesso a dados wireless de alta velocidade, a Vodafone daria a eles um netbook Dell Mini 9. Isso não é a mesma coisa que ganhar um computador de graça; afinal, a Vodafone cobra dos seus usuários US$ 1.800 por esse contrato de dois anos, então eles podem se dar ao luxo de colocar o netbook no negócio. (Em dezembro, a RadioShack ofereceu um plano similar: um Acer Aspire por US$99,00 pra quem assinasse um contrato de dois anos de serviço 3G com a AT&T).
O que esses planos sinalizam é que os computadores estão desenvolvendo a mesma economia que os telefones celulares. O hardware está se tornando genérico. Está difícil cobrar por ele. O que é realmente valioso – o que as pessoas pagam qualquer coisa para ter – é a capacidade de se comunicar.
Portanto, os netbooks causaram um arrepio na indústria de computadores. Claro, é ótimo ter uma nova categoria de produtos estourando. Mas essa é uma categoria onde é muito difícil ganhar dinheiro: a US$ 300, um netbook custa pouco mais que a soma das suas partes – e às vezes menos. “As margens de lucros nessas coisas são inexistentes,” ri Paul Goldenberg, diretor-gerente da Digital Gadgets, ue criou uma linha de netbooks sob a marca “Sylvania”. “Todo mundo está dizendo ‘Nós estamos perdendo dinheiro agora, mas vamos compensar no volume, certo?’”
Quase toda companhia na indústria de PCs teve seu plano de jogo bagunçado pelos netbooks. A Microsoft pretendia parar de vender o Windows XP nesse verão, dirigindo seus clientes para o mais lucrativo Vista. Mas quando Linux disparou na largada dos netbooks, a Microsoft discretamente deu pra trás, estendendo o XP por mais dois anos – especificamente para netbooks. A maioria dos especialistas acha que Redmond pode cobrar no máximo US$15 pelo XP em um netbook, menos de 1/4 do preço pelo qual ele era vendido anteriormente. (O vice presidente corporativo da Microsoft Brad Brooks me garante que a companhia está ganhando um bom dinheiro nesse mercado e planeja ter certeza que seu próximo SO, o Windows 7, possa rodar em netbooks – o Vista não funciona bem neles). Do seu lado, a Intel está vendendo milhões dos chip Atom de baixo consumo para fabricantes de netbooks. “Nós vemos isso como nosso próximo mercado de um bilhão de dólares”, diz Anil Naduri, gerente de marketing técnico na Intel – exceto que a Intel ganha apenas uma fração do dinheiro no chip Atom do que ganha num Celeron ou Pentium mais poderoso num laptop normal.
O grande medo da indústria de PCs é que ela tenha criado um aparelho de US$300 tão bom que a maior parte das pessoas não vá mais sentir a necessidade de torrar US$ 1.000 num computador portátil. Eles rezam para que os netbooks permaneçam uma “compra secundária” – aquela coisinha móvel que você compra depois que você já tem um laptop normal. Mas também é possível que, da próxima vez que você esteja trocando um laptop velho, você entre na loja e pense “Por que exatamente eu estou pagando tanto por uma máquina que eu não uso pra nada a não ser E-mail e Web?”. E a Microsoft e a Intel e a Dell e A HP e a Lenovo vão morrer um pouco por dentro nesse dia.
A decisão provavelmente não está nas mãos dos americanos. Na verdade, vivendo nos EUA – onde os netbooks estão apenas começando a decolar – pode ser difícil entender o quanto esses aparelhos se tornaram populares na Europa e na Ásia e o grau no qual eles já estão alterando o cenário. Com Shih me disse, “Eu estava falando com o presidente de uma das maiores fábricas taiwanesas de laptops, e ele me disse ‘é daqui que vai sair o meu próximo bilhão de clientes.’ E ele não estava se referindo aos EUA”. Ele se referia ao países do BRIC – BRasil, Russia, India e China – onde bilhões de clientes bem econômicos ainda não compraram seu primeiro computador. E as decisões que eles tomarem – Windows ou Linux? Microsoft ou aplicativos gratuitos na nuvem? – terão enorme influência em como a computação evoluirá nos próximos anos.
Os netbooks podem impulsionar a criação de computadores ainda mais loucamente leves e baratos. “Se tudo que você está fazendo é online, então o netbook se torna uma tela com um chip de rádio. Então, porque você precisa de um placa-mãe?” diz a projetista do OLPC, Mary Lou Jepsen. “Especialmente se você quer que as baterias durem. Por que não fazer dele uma tela e um chip de radio realmente barato, de US$ 2 ou US$ 5?”. A nuvem provavelmente se tornará poderosa de formas que hoje parecem apenas fantasia. A AMD está trabalhando num grupo experimental de servidores gráficos 3D que rodariam jogos de última geração, lançando um stream para dispositivos portáteis de tal maneira que você poderia jogar o jogo mais extravagantemente luxuoso sem um processado sofisticado onboard. Patrick Moorehead, vice-presidente de marketing da AMD, lembra que em 2007, gamers tiveram de comprar desktops poderosos carregados de RAM e com placas de video de US$600 para jogar Crysis: “Imagine então que você tem servidores rodando Crysis e streaming para um iPhone ou um netbook, mandando apenas os vetores que permitem que você navegue o jogo.”
Porque esse é o futuro do hardware. Para os poucos usuários que precisam de um PC de alto desempenho, o fabricantes continuarão a oferecer conjuntos cada vez mais absurdamente rápidos, refrigerados a água com telas do tamanho da sua sala – a US$2.00o cada. Para todo o resto – advogados procurando algo pra fazer no trem, mulheres desesperadas por algo que caiba nas suas bolsas – os netbooks dominarão. É a ascenção das maquininhas.
