Cada vez melhor. Novamente fui ao Rio no fim de semana passado. Estava feliz, até. O ônibus estava quase saindo, e a poltrona do meu lado estava vazia ainda. Não estava antevendo nenhum problema.

Ledo engano. O ùltimo passageiro a embarcar sentou do meu lado. OK. Irritante, mas OK.

Se não fosse o violão e o atabaque. Sim, ele subiu no ônibus com um violão e um atabaque. Péssimo sinal. Eu acredito que um homem que anda por aí com um violão nas costas não pode, em hipótese alguma, não ser chato. Sei lá, parece uma lei da natureza. Mas eu me segurei.

Na primeira hora de viagem, o cara foi ao banheiro umas 3 vezes. Me acotovelando para levantar e para voltar a sentar. E eu estava na janela. Justamente para evitar isso. Fora o ritual de ajeitar o violão, que ele fez questão de deixar na poltrona, com ele. Eu devia ter previsto o que vinha a seguir.

Sim, ele tirou o violão da capa e começou a tocar. Todo mundo dormindo, ou tentando, e eu sentado do lado do cara que estava tocando violão pra ninguém, dentro de um ônibus, no início de uma viagem de 6 horas.

Eu ainda me segurei, juro. Mais uma hora. De fones de ouvido, tentando ouvir outra coisa, mas sem ficar surdo com o volume necessário para abafar o “músico”.

Não deu; fiquei MUITO irritado. Diálogo como o que se segue:

“Com licença, qual o seu nome?”
“Fábio.”
“Pois é, Fábio. Eu estava aqui pensando que, de todos os ônibus que estão indo de são Paulo para o Rio, e de todos os assentos nesses ônibus justamente EU fui escolhido por Deus pra sentar do lado do cara que resolveu tocar violão pelas 6 horas de viagem.”
“Qual é o problema, você não gosta de música?”
“Até gosto, mas não de ouvir duas ao mesmo tempo.”
“Qual é o seu nome, mesmo?”
“Leandro.”
“Qual a sua profissão?” (!!!!!!!)
“Cientista.”
“Eu sou professor de Matemática. OK, eu paro de tocar, se você abaixar o seu som.”
“Fábio, se for para você parar de tocar, estou DESLIGANDO meu mp3 agora!”

E desliguei.

Santo silêncio.

Não que ele não tenha ido ao banheiro mais umas 9 vezes. Não que ele não tenha deixado a luz acesa a viagem toda. E não que, ao descer do ônibus, antes da rodoviária, ele não tenha deixado a luz acesa do mesmo jeito.

Para você, Fábio, professor de Matemática, esta singela homenagem: você é uma das “top ten” pessoas mais escrotas que eu já conheci.