Published by Leandro on 15 Dec 2004 at 06:51 pm
Teorema da miséria absoluta.
Yep. Eu de novo. Falta do que fazer é chato. Falta de vontade de fazer o que se tem é pior.
Dessa vez, na série “teoremas improváveis”.
I. Introdução.
Toda contrariedade nos torna infelizes, mesmo que por breves momentos. Entrar no banho e descobrir que o sabonete não está lá, perder o ônibus, quebrar o pé, perder um braço.
II. Hipótese.
No momento que a contrariedade ocorre, a quantidade de miséria percebida pelo nosso cérebro é saturante. Por menor que a contrariedade seja.
III. Discussão
Dar uma topada de mindinho na quina da mesa estraga um dia tão eficientemente quanto bater o carro, ou levar uma cagada de pomba, ou perder um olho.
IV. Conclusões
Isso não quer dizer que algumas misérias não durem mais que outras, ou que, comparativamente, algumas não pareçam piores que outras. Não se deixe enganar, é uma ilusão. Na hora, todas foram igualmente miseráveis. Apenas a necessidade de classificação, instrumento pelo qual a nossa mente limitada tenta apreender um Universo infinito, é que produz a percepção de gradações na miséria.
V. Aplicações
Eu já tive dias destruídos por ter colocado a quantidade errada de açúcar no café.

Ju on 15 Dec 2004 at 18:10 #
Também tem o dia em que vc queria tanto de volta aquele dia estragado “só” por que vc colocou açucar demais no café…
Karin on 15 Dec 2004 at 18:17 #
Você mencionou a necessidade de classificação. Não podemos esquecer da necessidade de comparação, que é satisfeita quando você olha para o lado e se sente melhor por ver que alguém está tendo um dia muito mais estragado que o seu…
Leandro on 15 Dec 2004 at 18:32 #
A classificação é comparativa, sempre, e é um artefato. Pode crer que o cara com o dia muito mais estragado que o seu está se sentindo TÃO miserável QUANTO você, não mais. E, Ju, no dia do açúcar errado, você está se sentindo tão miserável quanto no dia do braço arrancado. No dia do açúcar errado, não adianta lembrar que poderia ter sido um braço arrancado… Ou seja, no momento, toda miséria é absoluta.
Milena on 16 Dec 2004 at 06:45 #
Não sei se concordo… Mesmo eu, pessimista confessa, já não esperneio mais por certas coisas.
Lembro uma vez em que eu estava me aprontando pra ir para a faculdade, e não achei a calcinha que eu queria vestir, em meio às dezenas de calcinhas que existiam na gaveta. Passei o resto do dia puta da vida.
Hoje eu fui botar meu pijama e só encontrei a camiseta, o short não. Em uma gaveta com poucas peças de roupa. Quer dizer, o short certamente não está lá. Sumiu. Naquela época, eu teria tido um ataque cardíaco. Hoje eu simplesmente catei outro e vesti, fechei a gaveta com a camiseta órfã lá dentro.
Acho que, com a idade, eu fui percebendo que certas coisas não valem o estresse, nem o desperdício do meu tempo.
Quer dizer… Ou isso, ou simplesmente me falta energia…
PS: Uma última consideração: nada, NADA, é pior do que bater com o carro. Nem perder um olho.
Leandro on 16 Dec 2004 at 11:44 #
Não precisa espernear, Mi… Mas a história da calcinha, e do carro, dá uma certa substância a esse teorema. Teoricamente, são coisas sem importância, mas causam miséria. A putidão é outra coisa…