Extermínio Voluntário da Raça Humana
Desculpem aos (raros) que (ainda) vêm a este humilde blog, depois de tanto tempo sem posts, achando que encontrarão algo divertido ou engraçado ou inútil pra ler nas horas de ócio. O post a seguir é bastante trágico e depressivo, então os que quiserem arriscar estão avisados.
Eu já tive muitos amigos que gostavam de cultuar aquele ar de morbidez, de depressão, e alguns que inclusive já tentaram se suicidar. Eu sempre fui (e sou) contra esse ato covarde e desesperado de barbárie contra a vida. Covarde porque a vida de ninguém é apenas flores, mas fugir dela eu não acho uma solução viável. Ainda mais porque apesar de não ter certeza de como é o “outro lado” (se é que ele existe), na via das dúvidas é melhor ficar por aqui até que sejamos obrigados a cruzar essa tênue linha.
Mas hoje eu parei pra pensar: e se eu morresse hoje? Que diferença faria? Alguém sentiria minha falta? Com certeza.
Minha família sentiria. Os mais próximos mais, os mais distantes menos, mas acho que a maioria sentiria. Mas e daí? Perdem uma pessoa que só deu trabalho a vida inteira, preocupações, gastos (e eu sei quanto!)… Eu sei que não dou a atenção que eles merecem (e que eles sentem falta, apesar de não o dizerem formalmente), mas seriam preocupações e gastos a menos. Ok, um enterro ou cremação custa caro do mesmo jeito, mas seria o ÚLTIMO gasto.
Meus amigos? Alguns dos quais eu considero como irmãos e/ou irmãs, que já fizeram de um tudo pra mim mesmo quando eu não precisava? Sim. Mas esses eu também não dou a atenção que merecem. E eu sei que para alguns isso faz (ou já fez) falta.
Além disso eu já decepcionei (demais) muitos, sem falar nos que eu (com o perdão da má palavra) fudi a vida com meus atos estúpidos e irresponsáveis, achando que era uma brincadeira engraçada. Para esses também não não faria grande diferença.
As pessoas com quem eu divido apartamento. Com certeza, pois um aumento de 50% nas contas gerais de cada mês são um grande impacto. Mas sempre se dá um jeito. É apenas dinheiro.
A mulher com quem eu gostaria de passar o resto da vida, constituir família, ter filhos, fazer feliz, perpetuar juntos parte de nossos genomas nesse grande pool gênico que é a Humanidade, até que uma raça alienígena ou um grande cataclisma acabe de vez com esse vírus tamanho família. Acho que sentirá, mas tem tanta gente melhor por aí que tem condições de fazê-la mais feliz. A procura é complicada, mas uma mulher capaz e inteligente como ela vai achar fácil.
As grandes indústrias de consumo, de energia elétrica e os bancos. Esses vão sentir falta. Mas vai durar alguns bilionésimos de segundos, afinal tem milhões de outros trouxas por aí pra sugar o dinheiro.
O planeta? Esse vai dar graças à Grande Deusa! Um cretino a menos pra gastar as limitadas (e cada vez menores) reservas naturais! Ainda mais se for embora sem deixar descendentes!
Mas é nessas horas que eu fico deprimido e quero chorar (sim, eu sou canceriano e chorão) que eu lembro que eu não tenho um ombro amigo. Claro que entre os poucos que lerem esse texto sempre surgirão os preocupados e solícitos, não duvido. Mas aquilo que eu chamo de ombro amigo é aquela pessoa que está sempre lá, no colo de quem se pode chorar copiosamente sempre que necessário. Claro que chorar no colo de outro homem é complicado, por causa da nossa maldita criação homofóbica cristã. Mas nesse caso pode ser o supra-citado ombro mesmo.
Não precisam se preocupar, ligar, mandar e-mail ou mensagem reconfortante. Isso é mais um desabafo pro vazio mesmo. Eu sei que entre os poucos (por minha culpa também) que lêem meu blog alguns vão se compadecer, mas deixa pra lá.
Enfim, pensando friamente, eu entraria para o programa de Extermínio Voluntário da Raça Humana, mas como o Programa não existe e eu não vou me suicidar, I’ll keep moving. A vida continua e o que há de se fazer?
Um grande abraço aos parcos leitores,
Leo