O filósofo desde o princípio foi colocado numa posição de ingenuidade, mas com a promessa velada de que chegaria a conhecer, à compreensão. A fala divina, através da pitonia no Oráculo de Delfos coloca Sócrates como o mais sábio dos homens, porque ao menos ele sabe que nada sabe. O conhece-te a ti mesmo (pois conhecendo conhecerás também o universo e os deuses) era uma enunciação que vinha desde a remota antiguidade, a servir de farol para as especulações sobre o mundo e a resolução dos problemas da mente. O universo, sob certa perspectiva, é um apenas um retrato da consciência, o seu campo de batalha, onde agem as forças que direcionam, regulam e julgam o esforço humano de compreensão, como o daimon que Sócrates evoca durante sua defesa nos tribunais atenienses.
A Apologia de Sócrates é o primeiro diálogo de Platão, a defesa incondicional de seu mestre injustiçado, que torna-se personagem principal dos seus diálogos. Platão se insurge contra um antigo sistema educacional grego que baseava-se na tradição dos mitos homéricos, afim de endossar os atos virtuosos e heróicos das épocas passadas. Os cantos da Ilíada e Odisséia eram decorados e mantidos muitas vezes de forma oral. Platão usa o diálogo, representação escrita da oralidade, para criticar a própria oralidade. Sócrates sabidamente nada deixou escrito, e permanece-se como uma figura histórica palpável, mas coberta de névoa. Os primeiros diálogos de Platão estariam mais próximos do Sócrates real, ele indica o problema, mas não resolve. São aporéticos, terminam como uma charada. Mas contra o relativismo subjetivista dos sofistas (o homem é a medida de todas as coisas), Platão desenvolve a Teoria das Idéias, a tentativa de sair da doxa e chegar à episteme, um realismo não subjetivista das entidades mentais, metafísicas, que são as idéias. O homem, então, é capaz de conhecer a verdade, ao voltar-se para si, com a inteligência consegue o vislumbre da realidade ordenadora e auto-consistente do mundo sensível, pleno de fluxo e fonte de erros.
O desenvolvimento desta doutrina, que foi o grande instrumento de interpretação da realidade no mundo antigo por séculos, só foi possível graças à criação da Academia: um local de livre investigação e estudo, criado graças à efervescência anterior do século de Ouro (de Péricles), onde as grandes cabeças da época podiam reunir-se na capital Atenas, “farol do universo”. A Academia e esse modelo de ensino foram tão importantes que sua influência persiste até hoje, muitas vezes ingressa como conhecimento atávico pelo senso comum, e parte da linguagem corrente. Antes dos ginásios esportivos adonarem-se deste nome, ainda era sinônimo da nossa Universidade, em todas as áreas.
No Fronstipício da Academia estava escrita a lendária frase: “Que aqui não adentre quem não souber geometria”. A importância da matemática na filosofia de Platão é mais do que puramente científica, é ainda mística, com a herança dos conceitos de números das correntes pitagóricas, secretas e iniciáticas. Perguntado certa vez sobre a atividade divina, Platão respondeu: “Ele eternamente geometriza”. A relação filosofia X matemática é capital desde o princípio, com o sábio Tales sendo também um geômetra, passando pelo próprio Pitágoras e seguindo constante através dos séculos: Descartes alé do cogito é lembrado pela filosofia analítica, Leibniz pelo cálculo infinitesimal (desenvolvido em paralelo com Newton, com quem disputou a autoria na Royal Society), o cristão Pascal etc. O método de exposição euclidiano é usado por exemplo, em Espinosa com sua Ética demonstrada pelo método geométrico, numa união entre o problema humano e a certeza da matemática.
Aristóteles foi um dos alunos da Academia, mas, aluno com brilho próprio, não seguiu a esteia de defesa do mestre e criou o Liceu, passando a concorrer. O cerne da discordância é justamente a teoria das idéias, para Aristóteles um universal abstrato e pouco palpável não serviria para explicar o Ser, e por isso, ao distanciar-se disse: “Muito queridos são os amigos, mas mais querida ainda é a verdade”. O Liceu de Aristóteles foi fundador de várias das ciências que temos hoje, com a razão universal investigando as aplicações particulares: biologia, física, lógica etc. Os misteriorosos tratados ontológicos de Aristóteles sobre o Ser estavam organizados, na Biblioteca de Alexandria, depois dos tratados de Física, ta meta ta physika, e por isso ocorreu o surgimento da palavra metafísica, num interessante caso de correlação entre esta origem “prosaica” e seu significado, já que a metafísica passou a significar uma realidade transcendente à realidade física, mais conforme, aliás, com a doutrina platônica do que aristotélica.
A physis grega é uma palavra fecunda, sinônimo de natureza. Na origem é tudo aquilo que brota espontaneamente do chão, indicando, portanto atividade acolhedora que independe da intelecção do sujeito, e de seu progresso dentro dos labirintos das idéias, que é submisso à moralidade e à virtude. Por muitos séculos a física foi chamada por isso de “Filosofia Natural”, como na obra de Newton: Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica. A influência da religião na visão do mundo é um monobloco palpável e milenar, em todas as culturas, que tem perdido força nos tempos recentes, embora nem de longe tenha ainda sido superada. Classicamente a razão é a “luz natural” nos intrumentos disponíveis à cognificação, contemplando a fé, que é sobrenatural, revelada. A teologia medieval justamente procura demonstrar de forma racional as “verdades” registradas nas escrituras.
A espontaneidade da razão, que surge na filosofia grega, é um movimento da ingenuidade em direção à emancipação, cumprindo o anseio da promessa pelo triunfo do entendimento, que referenciamos no início. Falamos do matemático Pascal, que como filósofo cristão disse: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Contra o racionalismo exarcebado de Descartes, que queria passar ao largo de Cristo disse: “Descartes, inútil e incerto”. Era tão erudito na Bíblia Sagrada que ao ouvir alguém a tergiversar sobre o assunto, apenas ponderava: “Isso está nas escrituras. Isso não está nas escrituras”.
Kant tratou da questão do lugar da filosofia diante a fragmetação da Universidade no livro “Conflito das Faculdades” e Weber colocou como uma das características da modernidade a “separação das esferas”.
Tudo isso foi um preâmbulo para abordar um problema contido no popular manual “Convite à Filosofia” da professora Marilena Chaui, uma intelectual notória, de quem aliás, usei algumas lições neste próprio preâmbulo. Ao elucidar a ampliação do conceito de razão num dos capítulo do livro, ela cita “en passant” a Teoria da Relatividade de Albert Einstein. Einstein como físico ainda é um paradigma atual, mas atuou também politicamente, como judeu alemão na pré-guerra e como filósofo, escrevendo sobre assuntos variados. Também é estudada sua viagem ao Brasil e Argentina, onde expressou um certo desalento pelo atraso da intelectualidade local comparada com a Europa. Essa aparentemente não se deu por achado, pois o nosso prolixo autor Pontes de Miranda teria comentado ao gênio, numa de suas palestras:
– Data venia, Herr Einstein, a Teoria da Relatividade não considerou as implicações metafísicas das hipóteses que aventa. Das ciências físicas até as ciências jurídicas a diferença, saiba, é de grau. A Física mantém um pacto com o mundo da sociedade também, e é pacto que tira e põe, mas não deixa intacto o que estava…
Data Venia, expressão latina, é um pedido de licença numa discussão cavalheiresca: pede-se permissão para discordar. Tenho observado, aliás, que isso faz falta, uma discordância no plano das idéias aparece como ofensa ao interlocutor, que já exagera no antagonismo e cria juras de inimizade eterna, perseguição, ameaças…tudo para defender o ego, e nada para defender o erro. Como apontamos, a discordância e o antagonismo são partes indissociáveis da história da filosofia e também da democracia.
Nesse contexto, lanço o post, pois temos que admitir, diante da explicação especializada, que o que a professora fala da Teoria de Einstein no manual está errado. Apontado pelo erro por um amigo, que o viu num blog de matemáticos, defendi a filosofia, mas admiti o erro. Porém, como realmente não conheço o sistema de Einstein, precisei de um auxílio didático, e por isso mandei email para os professores do IF da USP, que aliás, mantém um evento de “Convite a Física” para o público não-especializado. Seguem-se a cópia dos emails, não identificarei os autores, pois não informei que postaria.
Advirtamos, antes, porém, que na filosofia mesmo existem vários professores especializados em Teoria da Ciência, com uma visão profunda da física moderna, e muitos oriundos da própria faculdade de Física.
Meu email:
Olá
Sou formado em filosofia pela USP (2003).
Um ex-aluno do IF-USP apontou-me recentemente uma citação do manual de filosofia para Ensino Médio escrito pela professora Marilena Chaui, da FFLCH-USP, O Convite a Filosofia, no qual ela comenta, en passant, A Teoria da Relatividade de Einstein, dentro de um trecho maior sobre a ampliação do conceito de razão no século XX. As definições fornecidas pareceram a ele tão evidentemente erradas e “rídiculas”, que sequer mereceram uma nota explicativa. Aleguei que o contexto político implícito e o “conflito das faculdades” seriam a verdadeira motivação da crítica, já que o trecho em questão mais parecia um resumo comum a vários manuais. A Teoria da Relatividade de Einstein notoriamente é tão famosa quanto desconhecida, ou mal compreendida. Eu nunca a estudei de verdade, por isso recorro a este email para obter um parecer de um especialista do IF/USP. O pedido se justifica dada a tremenda popularidade do referido manual e seu uso escolar massivo. Gostaria de saber se o que é dito pode ter algum efeito pedagógico e didático negativo nos jovens alunos, comparado, naturalmente, ao que é comumente ensinado nos cursos de física a nível de ensino médio, e não a um estudo aprofundado, que nem caberia aqui. Cito o texto abaixo a partir do ebook disponível no CFH da UFSC http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/convite.pdf Como vocês tem um seminário de “Convite à Física” , ficaria agraciado com qualquer retorno de sua parte, por mais breve que seja.
Obrigado,
Miguel
Por sua vez, a física atômica ou quântica abalou o princípio da razão suficiente.
Vimos que esse princípio afirma que, conhecido A, posso determinar como dele
necessariamente resultará B, ou, conhecido B, posso determinar necessariamente
como era A que o causou. Em outras palavras, conhecido o estado E de um
fenômeno, posso deduzir como será o estado E2 ou E3 e vice-versa: conhecidos
E3 e E2 posso dizer como era o estado E. Ora, a física dos átomos revelou que
isso não é possível, que não podemos saber as razões pelas quais os átomos se
movimentam, nem sua velocidade e direção, nem os efeitos que produzirão.
Esses dois problemas levaram a introduzir um novo princípio racional na
Natureza: o princípio da indeterminação. Assim, o princípio da razão suficiente
é válido para os fenômenos macroscópicos, enquanto o princípio da
indeterminação é válido para os fenômenos em escala hipermicroscópica.
(…)
Um outro problema veio abalar o princípio da identidade e da não-contradição. A
física sempre considerou que a Natureza obedece às leis universais da razão
objetiva sem depender da razão subjetiva. Em outras palavras, as leis da Natureza
existem por si mesmas, são necessárias e universais por si mesmas e não
dependem do sujeito do conhecimento.
Contudo, a teoria da relatividade mostrou que as leis da Natureza dependem da
posição ocupada pelo observador, isto é, pelo sujeito do conhecimento e,
portanto, para um observador situado fora de nosso sistema planetário, a
Natureza poderá seguir leis completamente diferentes, de tal modo que, por
exemplo, o que é o espaço e o tempo para nós poderá não ser para outros seres
(se existirem) da galáxia; a geometria que seguimos pode não ser a que tenha
sentido noutro sistema planetário; o que pode ser contraditório para nós poderá
não ser para habitantes de outra galáxia e assim por diante.
(…) (CHAUI)
Abaixo as respostas:
Prezado Miguel,
tudo que jamais ouvi sair da boca (ou da pena) da
Profa. Marilena em matéria de Física, Matemática
ou sobre as Ciências em geral, foi da mais absoluta
imbecilidade — fruto, aparentemente, de ignorância
combinada com arrogância. Como dizemos em
Física, “it’s not even wrong”.
Sinto muito, mas sempre que fui obrigado a ler
qualquer coisa dessa senhora acabei me irritando.
Me desculpe, mas eu não vou me dar ao trabalho
de ler (ou comentar) mais uma das suas patetadas.
Você pode ter 100% de certeza de que é besteira.
Abr.
Essa é boa para vermos o Conflito das Faculdades. E as seguintes, cada vez menos ranzinzas e truculentas e mais explicativas:
Há imprecisões fatais no texto, a começar pelo que é entendido como A,
B, E, E2, etc. Diz-se inicialmente que são `estados’, mas essa
caracterização é subitamente abandonada no caso da `física dos
átomos’, em que passa a ser (talvez) explicitada como “as razões pelas
quais os átomos se movimentam”, “sua velocidade e direção” e “os
efeitos que produzirão”, por sua vez uma enumeração ao estilo da
antiga enciclopédia chinesa de um escrito de Borges. O quadro
resultante me parece ser de natureza a impossiblitar a mais tênue
impressão do que seja de fato a ruptura envolvida na formulação da
toria quântica. Suponho que “princípio de indeterminação”seja uma
referência às relações de incerteza de Heisenberg. Assim sendo, vale
notar que elas foram obtidas DEPOIS (1927) da formulação da Mecânica
Quântica (1925), como parte do esfôrco de interpretação da nova
teoria, e não desempenhou portanto nenhum papel na sua
formulação. Segundo Heisenberg, serviu como motivação uma afirmação de
Eintein, feita em outro contexto, segundo a qual (“a teoria é que deve
determinar o que pode ser observado”).
A afirmação sobre a teoria de relatividade é grotescamente FALSA. Essa
teoria tem por ponto central precisamente o oposto do que é sugerido
no texto: ela especifica como deve ser feita a tradução entre
observações feitas por diferentes observadores, com o pressuposto de
que AS MESMAS LEIS FÍSICAS devem valer para TODOS eles. Há duas
teorias, a restrita (1905) e a geral (1916), esta última sendo a
teoria moderna da gravitação e, ao contrário da teoria restrita,
tratar de observadores acelerados um em relação ao outro, além de
observadores em movimento relativo com velocidade relativa
constante. A tradução correta, já na teoria restrita, é de natureza a
invalidar o caráter `absoluto’ de certas observações, como observações
de simultaneidade de eventos espacialmente separados. Mas isso
justamente para que se reconheça que as leis físicas sãi de fato as
mesmas!
Caro Miguel,
Li o cap.1 do texto da Marilena Chauí que voce menciona em seu email.
Antes de prosseguir seria bom delimitarmos sobre o que estamos estaremos comentando.
Como voce deve saber existe a teoria da relatividade restrita, que se aplica à fenomenos em que estão envolvidos corpos em movimento com velocidades próximas à velocidade da luz e na ausência da força gravitacional. Existe também a teoria da relatividade geral que é aplicada a corpos na presença de um campo gravitacional. A relatividade geral é uma teoria da gravitação que incorpora a relatividade restrita. Consulte a wikipedia para mais detalhes (http://pt.wikipedia.org/wiki/Relatividade_geral).
O texto não especifica qual teoria da relatividade está sendo tratada. Do contexto entendo que se trata da teoria da relatividade geral e vou assumir que onde se le teoria da relatividade deve-se entender a teoria da relatividade geral.
Gostaria também de esclarecer um de seus comentários. Voce afirmou que: “A Teoria da Relatividade de Einstein notoriamente é tão famosa quanto desconhecida, ou mal compreendida.” Nada mais longe da verdade. A teoria da relatividade é bastante conhecida e muito bem compreendida. Qualquer estudante pode aprender relatividade geral. No Instituto de Física da USP ministro a disciplina Introdução à Relatividade Geral para alunos do quarto ano da GRADUAÇÃO. Todos os meus alunos da pós-graduação estudaram relatividade geral. A relatividade restrita é usualmente ensinada no primeiro ano do curso de graduação, inclusive para os alunos da engenharia. Afirmar que poucos conhecem a relatividade e que ela não é bem compreendida é um mito que precisa ser desfeito.
Vamos agora ao texto da Marilena. Na pág.74 ela afirma: “A física da luz (ou óptica) descobriu que a luz tanto pode ser explicada por ondas luminosas quanto por partículas descontínuas.” Quem faz essa afirmação é a teoria quântica da luz e não a óptica. A luz, assim como a matéria (por exemplo, um elétron), não é nem uma onda nem uma partícula. Se for feita uma experiência para saber se a luz ou o elétron é uma partícula, a resposta será positiva. Se for feita outra experiência para saber se a luz ou o elétron é uma onda a resposta também será positiva. Não há conflito entre os resultados. Essa é a dualidade onda-partícula da teoria quântica. Mais detalhes na wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dualidade_onda-part%C3%ADcula). De fato, isto viola o princípio do terceiro excluído e mostra que devemos abandonar a lógica clássica ao nível sub-atômico.
Na pag.75 onde se lê “princípio da indeterminação” deve-se ler “princípio da incerteza”. Na wikipedia: (http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_incerteza_de_Heisenberg). Dado o estado inicial A e estados finais B1, B2, … Bn, a teoria quântica não pode afirmar com certeza absoluta qual será o estado final. Ela apenas prevê qual a probabilidade P1, P2, … Pn, de encontrarmos a sistema num dos estados finais B1, B2, Bn, respectivamente. O princípio da incerteza não permite determinar simultâneamente a velocidade e a posição de um elétron com precisão absoluta, portanto, a trajetória do elétron não pode ser determinada (note que a trajetória é determinada fornecendo-se simultâneamente a posição e a velocidade em cada ponto). A causalidade, entretanto, é preservada pelo princípio da incerteza. A frase: “Ora, a física dos átomos revelou que isso não é possível, que não podemos saber as razões pelas quais os átomos se movimentam, nem sua velocidade e direção, nem os efeitos que produzirão.” não está completamente correta. Sabemos as razões (os motivos) que geram o movimento dos átomos (são as forças eletromagnéticas). O que não sabemos é sua trajetória (devido ao princípio da incerteza). Sabemos quais os efeitos que podem ser produzidos (temos as probabilidades dos eventos finais). Como voce percebe, há uma confusão dos diversos conceitos envolvidos e uma interpretação errônea. O abandono da lógica clássica ao níbel sub-atômico é o que permite a dualidade onda-partícula e o princípio da incerteza.
Na pag. 75 está escrito: “A física sempre considerou que a Natureza obedece às leis universais da razão objetiva sem depender da razão subjetiva.” Isto continua sendo verdadeiro. Nem a teoria quântica, nem a teoria da relatividade contrariam essa afirmação. Ela é a base do método científico.
Na pag. 75 está escrito: “Contudo, a teoria da relatividade mostrou que as leis da Natureza dependem da posição ocupada pelo observador, isto é, pelo sujeito do conhecimento e, portanto, para um observador situado fora de nosso sistema planetário, a Natureza poderá seguir leis completamente diferentes, de tal modo que, por exemplo, o que é o espaço e o tempo para nós poderá não ser para outros seres (se existirem) da galáxia; a geometria que seguimos pode não ser a que tenha sentido noutro sistema planetário; o que pode ser contraditório para nós poderá não ser para habitantes de outra galáxia e assim por diante.” Vamos analisar por partes. A teoria da relatividade afirma exatamente o contrário: As leis da física tem a mesma forma em qualquer referencial. Este é o princípio da covariância da relatividade geral. Veja (infelizmente a wikipedia em portugues não trata bem este tópico; segue o link para a wikipedia em ingles http://en.wikipedia.org/wiki/General_covariance). Portanto, um observador na Terra e outro fora do sistema solar determinarão exatamente as mesmas leis fundamentais do universo. Possivelmente ela se refere a observações que dependem do referencial, e portanto, do observador. Isso existe mesmo na relatividade restrita. Por exemplo, se eu tenho uma régua de 1 metro de comprimento, um outro observador em movimento medirá a minha régua e afirmará que ela mede menos de 1 metro. Esse é o efeito da contração de Lorentz da relatividade restrita. Veja (novamente, apenas em inglês: http://en.wikipedia.org/wiki/Lorentz_contraction). O mesmo ocorre com um relógio em movimento, ele parece marcar o tempo mais devagar, e é chamado dilatação temporal (veja: http://en.wikipedia.org/wiki/Time_dilation). Esses efeitos são bem conhecidos, compreendidos, e testados experimentalmente. Diferentes observadores medem diferentes intervalos de tempos e comprimentos diferentes. São quantidades cuja medida dependem do observador. Já as leis fundamentais daa física são independentes do observador. Parece que reside aí a confusão. Portanto, continua verdadeiro que as leis da física são independentes do observador.
Acho que é muito importante o que é ensinado em qualque nível do ensino, seja público ou privado, básico ou superior. É necessário formar e informar nossos alunos corretamente. Lamento que textos ambíguos e/ou contendo erros sejam utilizados e é nosso dever tentar localiza-los e corrigi-los. Por isso acho importante a sua iniciativa e o congratulo bastante.
Espero ter conseguido sanar algumas de suas dúvidas. Caso seja necessário sinta-se a vontade para me contactar e obter mais esclarecimentos.
Atenciosamente,