As menções à China tem crescido, ainda mais agora que está sediando os Jogos Olímpicos. É uma boa oportunidade para conhecer mais deste país que está ficando muito influente economicamente: sua indústria nos invade de forma impositiva. Aqui tenho vários produtos vindos da China, câmera digital, placa de vídeo etc.
O perigo, porém, é o de cair nas armadilhas ideológicas que emprestam uma carga negativa tão aguda ao país que simplesmente pensar nele ou mencioná-lo torna-se uma coisa cansativa. Recentemente me perguntaram o que eu achava da política da China, querendo empurrar a “bandeira libertária” que traz as acusações de praxe de que lá é um país com internet censurada (reportagem de TV mostrou-me que os chineses driblam facilmente a tosca censura estatal), opressora do Tibete (sou pró-Tibete, mas isso é desculpa esfarrapada do bloco Ocidental que inclusive instala suas fábricas lá para se aproveitar da mão-de-obra barata Por exemplo, olhe aqui logo quem reclamando dos direitos humanos e liberdade de expressão na China. Aliás, no cinema de Hollywood a China tem sido citada com frequência. “Os Infiltrados”, aquele filme horroroso do Martin Scorcese, por exemplo, é engraçado. É uma adaptação de um longa chinês, “Internal Affairs”, mas ridiculariza os chineses em mais de um momento e também traz a curiosa afirmação de que os EUA se preparam para entrar em guerra com eles em 40 anos. Outra acusação engraçada veio de um amigo do MSN, de que aos antípodas chineses querem “engolir o Ocidente”.
Para ficarmos só na contemporaneidade, esta preocupação já tem dezenas de anos. É uma das previsões contidas, por exemplo, no romance “O Presidente Negro ou o Choque das raças” de Monteiro Lobato (1926), onde, avançando no futuro, o professor constata que os asiáticos dominariam o planeta, simplesmente por se “reproduzir mais e comer menos”. Karl Jaspers no livro Introdução ao pensamento filósofico de 1960 também já traz uma preocupação dos alemães em relação a China no contexto do pós-guerra.
Então dei a minha resposta de por quê eu não odeio a China, apesar dos pesares: é um país vital e irrevogável, uma parte grande da terra e da humanidade, por quê não iria vê-lo como natural? Eu não, odiar faz mal
.O positivo nisso, como disse, é a oportunidade de ver o debate intensificado e as informações sobre o país circularem mais, evitando esta armadilha idelógica. Nesse sentido, gostei de ter visto o filme
“Still Life” ou Natureza Morta (2006) de Jia Zhang-ke, que é um quase documentário sobre as desapropriações que o governo fez para constuir as barragens da represa para a Usina Hidrelétrica de Três Gargantas, que desbancou Itaipu e tornou-se a maior do mundo. O filme mostra uma China sem nenhum “glamour milenar”, com uma história humana se desenrolando num cenário de miséria e devastação.
Algumas imagens interessantes sobre a realidade chinesa:
Comida “exótica” chinesa, sempre lembrada pelos fetichizadores da comida, mas que é também o resultado de uma cultura de escassez, que não admite nenhum desperdício de alimentos. (No nosso país acontece o contrário, existe uma cultura de fartura, apesar do crime que se impõe contra a população, forçando o consumidor a concorrer com o mercado mundial e impondo baixa qualidade e altos preços para o mercado interno – mas isso é outro assunto)






( via Catarro Verde )
Imagem bonita de Hong-Kong, atual possessão chinesa, paraíso do livre mercado e do capitalismo mundial, revelando um aspecto bem “high-tech”.
