Lendo uma versão do livro de Botânica Oculta do místico Paracelso, me deparei com o seguinte excerto:
A palavra loga é sinônimo da palavra religião, em sânscrito; ambas significam o ponto que une o homem ao Universo e a Deus; seu processo é o mesmo que aquele pelo qual uma semente colhe, de um terreno informe e obscuro, as moléculas com as quais va¡ formar urna flor bela e aromática. Segundo o ideal de quem a pratica, a loga transforma as moléculas impuras do corpo físico em moléculas fixas e inalteráveis; as paixões baixas, em puro entusiasmo; a ignorância intelectual, em luz de verdade. Esta a razão por que os mestres da loga são representados debaixo duma árvore sagrada. (PARACELSO, Botânica Oculta, Cultrix)
Pesquisas posteriores no Google confirmaram este dado, embora haja alguma controvérsia da sua significação dentro das inúmeras vertentes interpretativas. A etimologia é interessante, especialmente quando consideramos o uso da palavra “ponto”. Um ponto oculto, quiçá parte do ser total do homem, que liga o homem ao universo, conhecido desde os primórdios por aquela antiga civilização, aquele antigo império indo-europeu, que existiu em plenitude antes dos alicerces das civilizações que, julgamos, deram origem à nossa. Mas que foi preservado de alguma forma pelas tradições místicas do Oriente.
Ferrater Mora, no seu excelente Dicionário de Filosofia, fornece duas etimologias para o termo, com duas leituras diferentes, uma mais espiritual e outra mais política:
RELIGIÓN. Dos interpretaciones etimológicas suelen darse de ‘religión’. Según una, ‘religión’ procede de religio, voz relacionada con religatio, que es sustantivación de religare (= «religar», «vincular», «atar»). Según otra —apoyada en un pasaje de Cicerón, De ojj-, 11, 3—, el termino decisivo es religiosas, que es lo mismo que religens y que significa lo contrario de negligeiis. En la primera interpretación lo propio de la religión es la subordinación, y vinculación, a la divinidad; ser religioso es estar religado a Dios. En la segunda interpretación, ser religioso equivale a ser escrupuloso, esto es, escrupuloso en el cumplimiento, de los deberes que se imponen al ciudadano en el culto a los dioses del Estado-Ciudad. En la primera interpretación se acentúa la dependencia del hombre con respecto a la divinidad, aun cuando el. concepto de religación puede entenderse de varios modos: como vinculación del hombre a Dios o como unión de varios individuos para el cumplimiento de ritos religiosos. En la segunda interpretación se acentúa el motivo ético-jurídico. Según J. L. L. Aranguren, puede llamarse al primer sentido propiamente hablando religión y al segundo justicia (en la amplia acepción que tenía el vocablo iusütia entre los romanos).(FERRATER MORA, José, Diccionário de Filosofía, Ariel, Barcelona, 1994.
Paracelso, porém, chama a atenção para a maestria dos mestres iogues (tá bom, yogues) hindus, que, através de milênios de aperfeiçoamento conseguiram mapear milhares de nervos do corpo humano e suas consequências e funções. O ocultista, aliás, é famoso por trazer pioneiramente estas informações das tradições orientais para o Ocidente, assim como o alemão Rosenkreuz, criador da fraternidade antiga rosacruz, após ter sido iniciado por mestres em Meca e na Índia. Na definição diz que liga “o homem ao universo”, e sendo um ponto, e levando em consideração essa preocupação de mapeamento do ser total, a associação com o ponto de aglutinação do Don Juan, me veio a tona. Seriam a mesma coisa? Abaixo, uma primeira definição que D. Juan teria dado ao discípulo no livro “O Fogo Interior”:
A verdade seguinte é que a percepção tem lugar — continuou — porque existe em cada um de nós um agente chamado ponto de aglutinação que seleciona as emanações internas e externas para alinhamento. O alinhamento particular que percebemos Como mundo é produto da posição específica em que nosso ponto de aglutinação está localizado em nosso casulo.(CASTANEDA, Carlos in O Fogo Interior
Esta definição é central em todos os esforços do livro. A tarefa do vidente, em última instância, seria a de saber que o ponto existe, para conseguir movê-lo e alcançar as áreas conscientização ocultas em nós, na segunda atenção. Os toltecas pretendem mapear todas as possibilidades de posição até atingir a “terceira atenção”. O ponto de aglutinação é localizado por eles no casulo luminoso (ou da árvore sagrada acima?)como atrás da omoplata direita, a distância de um braço. O ponto de aglutinação se moveria naturalmente, por exemplo, durante o sono.
Abaixo uma representação gráfica que tirei deste site.

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Abraços
March 10th, 2009 at 8:28 pm