Blog do Miguel

27 Jan

LÓGICA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS DE KARL POPPER

Abaixo, um resumo que fiz em 1997 sobre Popper.

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RESUMO DA LÓGICA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS DE KARL POPPER

O texto faz parte de um simpósio do qual participou Adorno. Popper apresenta duas teses opostas sobre o alcance do conhecimento. Uma diz que conhecemos muito, a outra diz que somos ignorantes. Mas elas se opõe só na aparência. Para explicar melhor, Popper desdobra isso em mais teses. A teoria do conhecimento deve ser lida com o aparente paradoxo apresentado por estas duas teses.

O conhecimento começa com problemas, com a tensão entre saber e ignorância.

Na 6ª tese, a mais importante, Popper fala que o método das Ciências Sociais consiste em experimentar problemas que surgem durante a investigação. As soluções para estes problemas surgem durante a investigação e devem ser submetidas ao método crítico, à análise lógica, na busca por contradições. Popper adota o sentido kantiano de criticismo, ou seja, de uma doutrina que estuda a validade o os limites do uso da razão pura, da crítica do conhecimento.

A fusão entre conhecimento e ignorância nunca é superada, pois conduz à meras sugestões para soluções experimentais. Então, o argumento de Popper é contra possíveis objeções à esta hipótese, como a de querer aplicar o método das Ciências Naturais nas Ciências Sociais. Nas Sociais, é muito mais difícil, segundo ele, de alcançar uma objetividade.Um assunto científico é demarcado sempre de forma artificial. Por isso, A vitória do método antropológico é a vitória de um método pseudo-científico.

Popper conta a história de uma conferência da qual participou, junto com mais sete pessoas. Depois de dois dias de discussões, um antropólogo explicou que não falara nada por ser um observador tentando descobrir a verdade por trás das relações humanas. Não se envolveu na argumentação para ser impessoal e objetivo.

Porém Popper critica também o relativismo histórico e sociológico. A objetividade científica não depende da objetividade do cientista, mas é fruto da sociabilidade. Os problemas extra-científicos influem na pesquisa científica. Isto vale também para a objetividade. A busca pela verdade tem raízes religiosas e extra-científicas. Os cientistas isentos de valores não são o modelo ideal. Sem paixão não se consegue nada:

“A função mais importante da pura lógica dedutuva é a de um sistema de crítica”.

Popper defende a lógica dedutiva em contraposição à indutiva. Se uma premissa é verdade, a conclusão que se segue necessariamente também é. Uma proposição é verdadeira, porém se corresponde aos fatos. Aqui observamos que uma conclusão acerca dos fatos parte quase sempre de um juízo dedutivo. Se deduzo que o “peixe X nada”, isso advém de um primeiro juízo indutivo que diz “todos os peixes nadam”, já que não é possível observar a validade deste juízo observando todos os peixes existentes.

Popper analisa o esquema lógico, baseado numa inferência dedutiva das conclusões. Existem dois conceitos lógicos: o de aproximação da verdade e o de conteúdo explicativo de uma teoria.

As ciências não são observacionais, mas teóricas. A psicologia é uma ciência social não fundamental. Por isso, a sociologia deve buscar tornar-se independente da psicologia.

Se os elementos psicológicos (como desejos, motivos, lembranças) forem transformados em elementos de situação, cria-se um novo método, através da lógica da situação. Esta lógica é feita através de uma reconstrução racional e teórica, que facilmente pode se revelar falsa. A lógica situacional leva em conta o mundo físico em que o objeto existem com suas barreiras. Já o mundo social leva em conta as instituições sociais, como a política, o casamento etc. Os indivíduos agem sempre dentro das instituições, e não sozinhos.

Razão ou Revolução?

Popper comenta a sua conferência organizada por teses que não rendeu boa polêmica com Adorno. Habermas chamou Popper de positivista, mas o próprio tentou se resguardar deste rótulo, já que critica também o positivismo em “A Lógica da Pesquisa Científica”. Popper se queixa que suas teses não foram rebatidas em seus conceitos fundamentais, nem mesmo quando publicadas em livros, em co-autoria com outros pensadores. Ele foi acusado pelos filósofos de Frankfurt de defender o status quo político.

Popper fala que para se combater a violência, é necessário substituí-la pela razão crítica. Assim eliminamos hipóteses obsoletas, e evoluímos, como na natureza. Popper critica a noção de objetividade dos cientistas sociais, reservada para poucos intelectuais selecionados, segundo os sociólogos do conhecimento (ele cita especificamente Manhein). Popper argumentas que os cientistas naturais não são nem mais nem menos objetivos que os cientistas sociais. Os valores são assimilados num ambiente social, e, portanto, são passados em relações. Um dos valores intelectuais seria, por exemplo, o de um estudante que ingressa na faculdade, para aprender a “escrever difícil”. Isso, segundo Popper, está errado.

Popper critica o fato de os cientistas terem um jargão exclusivo e defendê-lo como nicho de mercado. Os candidatos a PhD recebem apenas treinamento técnico e não são iniciados na tradição científica de formular problemas. Para fundamentar este ataque, Popper mostra um quadro, onde traduz um trecho de Adorno para a linguagem simples, e descobre que trata-se apenas de trivialidades. Este trecho de Adorno consta no texto em que Habermas critica Popper.

A racionalidade das Revoluções Científicas

Rememorando o evolucionismo de Spencer, Popper divide sua explanação sob dois pontos de vista, o primeiro revolucionário e o segundo lógico. As revoluções científicas levam ao progresso, e as ideologia raramente são defendidas racionalmente. Sob um ponto de vista biológico, a ciência é um instrumento para a conquista do ambiente.

Popper fala de três níveis existentes para explicar sua tese: adaptação genética, comportamento adaptável e descoberta científica. A estrutura genética do organismo é básica nos três níveis, pois dita a estrutura do comportamento. Estas estruturas são transmitidas pela instrução, que não vem do ambiente, mas da própria estrutura. Esta é submetida à pressões, problemas etc. As instruções são repercussões dos três níveis: genético, de comportamento e científico.

Popper então trata do estágio de eliminação do erro, da seleção natural, que repercute nestes três níveis. Essa eliminação é sempre a resposta para problemas que surgem no relacionamento do organismo com o ambiente. Para superar os problemas, é preciso o progresso. Assim a ciência avança. Popper fiz que a sua tese postula, em suma, que nestes três níveis citados operamos com estruturas herdadas e passadas adiante pela instrução, código genético e tradição.

As mutações genéticas não são totalmente cegas, mas tem um pouco de cegueira, pois não reagem à metas. Assim também as mudanças de comportamento.

Os homens e alguns animais investigam o meio-ambiente, são atingidos por insights e intuições, mas devem por a prova suas hipóteses.

A mudança de comportamento influi na estrutura genética. Quando publicamos uma teoria científica, ela passa a existir fora de nós, e pode ser submetida à crítica e à eliminação de erros. A mudança da estrutura nunca vem de fora, mas sempre de dentro.

Popper critica Bacon, que acreditava ser necessário limpar a mente dos ídolos e de teorias para alcançar o saber verdadeiro. Para ele, Bacon procurou resultados na mente vazia, mas o progresso só acontece com a crítica, e as teorias são como orgãos sensitivos. Bacon foi um defensor do método indutivo, criticado por Popper, que, como citamos prefere a dedução, nos moldes do racionalismo cartesiano. Comenta também Darwin e Lamarck, dizendo ser o primeiro o mais correto, mas está atento sempre à alternativas contra o dogmatismo, com base na sua tese de falseacionismo.

A seguir, Popper faz uma breve descrição de como o gene se reproduz segundo a biologia molecular. E amplia para um nível cósmico este progresso, sugerindo uma nova visão de mundo.

Para que uma nova teoria se sedimente e constitua um avanço, ela deve conflitar-se com o vigente, e para superá-la deve obter resultados melhores que o anterior. A ciência é sempre revolucionária, está sempre progredindo. Nestas questões observa-se o eco dos debates de Popper com Thomas Kuhn, autor do clássico “A estrutura das revoluções científicas”. Popper cita Trotsky, que desenvolveu uma teoria do marxismo como a revolução permanente.

No tratamento da questão da validade do saber, Popper faz uma distinção: A objetividade da ciência não é a mesma coisa que a objetividade do cientista. O desenvolvimento abstrato de uma teoria não implica que seus agentes tenham critérios e noções igualmente objetivos.

Popper trata dos obstáculos ao progresso da ciência. Estes são divididos entre obstáculos econômicos e ideológicos.

O mais conhecido obstáculo ideológico é a da intolerância ideológica ou religiosa, que no entanto pode significar um avanço. Giordano Bruno, mártir da filosofia, morreu na figueira, porém adquiriu, junto com suas teorias, uma fama e alcance que não seriam pensáveis sem seu fim trágico. Popper cita ainda vários casos de rejeilão de novas idéias. Sempre existe o perigo de uma teoria científica virar moda e passar a ser uma ideologia. Ele define a ideologia como qualquer teoria não-científica. Cita como exemplos de teorias que viraram ideologia as de Copérnico e Darwin.

Karl Popper comenta ainda a revolução einsteniano. Diz que a relatividade foi um avanço sobre Newton, e uma grande revolução científica. A teoria dos quanta também é muito importante, para ele, do ponto de vista científico e ideológico.

O que entendo por filosofia.

Karl Popper fala de um amigo que apresentou um trabalho assim intitulado. Concorda com ele em diversos pontos. Para ele, os filósofos não são um tipo especial de pessoa. Qualquer ser humano pode tornar-se filósofo. Mas apesar disso existe uma “elite filosófica”. O trabalho filosófico que Popper mais admira é a “Apologia de Sócrates” de Platão. Porém, para ele Platão era profundo, mas posuía uma visão terrificante da natureza humana. Para o autor de “A sociedade aberta e seus inimigos” o fato de Platão ser aristocrata e acreditar no “filósofo-rei” é um de seus pontos negativos.

Já Hume teria errado ao afirmar que a razão é escrava da paixão. Apesar de Popper ser devedor de Hume em vários aspectos, os elogios não vêm na mesma medida que as críticas.

Spinoza, por sua vez, era extremista e seu racionalismo teria sido levado à conclusões erradas.

Kant falhou, segundo Popper, mas este o admira, bem como aos outros. Porém chega a afirmar que não produziram coisas boas.

Karl Popper nunca foi um membro do Círculo de Viena. Ele critica Wittgenstein por acreditar que existam problemas filosóficos verdadeiro. A filosofia não seria a resolução de quebra-cabeças (jogos) de linguagem, nem tampouco um trabalho artístico. Popper diz ser partidário da audácia intelectual. Não considera Fichte nem Hegel verdadeiros filósofos, pois discorda da devoção deles pela verdade, já que Hegel, por exemplo, norteou toda sua filosofia na busca da coisa-em-si, do absoluto, da essência.

A filosofia não é uma tentativa de explicar linguagens ou conceitos, nem uma “maneira de ser esperto”. Popper volta a contradizer Wittgensteion e a criticar os modismos ideológicos. E pretende refutar a idéia hegeliana de historicismo, onde o Espírito encontra-se a si mesmo na evolução da história e se auto-produz através das atividades humanas, sendo o homem o produto do espírito de época.

Popper então fala de alguns preconceitos filosóficos, onde os homens sempre tendem a responsabilizar alguém pelo mal. A teoria não-crítica é uma doutrina que se preocupa com princípios. Ele acha que devemos discutir os princípios também e não é necessário concordar com eles para discutí-los.

Faz a seguir uma distinção: a atividade epistemológica otimista acha que é possível conhecer, o pessimismo epistemológico não. A história da filosofia é permeada por autores que pertencem cada qual a uma das esferas, a um dos gomos dessa laranja. A tradição platônica triunfante, defensora do conhecimento, foi contemporanemente atacada por vários pensadores críticos do otimismo na razão.

Popper admira o senso comum. É um materialista, mas admira a realidade da mente e acha que conjeturas científicas formam um mundo a parte, usando a matéria e a mente.

Existem para ele duas visões de mundo separadas do otimismo do senso-comum, que gira o mundo:

1) O Imaterialismo (Berkeley, Hume etc) – nega a realidade de fato, já que tudo seria relativo à percepção: “Ser é ser percebido”, dizia a fórmula de Berkeley.

2) Materialismo behaviorista (Skinner) – nega a existência da mente, já que o comportamento da mente é animal. O behaviorismo tem um comportamento anti-ético de pensar que o homem é apenas fruto do condicionamento, mas as formas éticas não derivariam da natureza humana.

Por fim, Popper observa que com Newton a ciência se separa da filosofia, mas todos os grandes cientistas, para ele, são também filósofos.
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LINK: A CIÊNCIA NORMAL E SEUS PERIGOS – Karl Popper

3 Responses to “LÓGICA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS DE KARL POPPER”

  1. 1
    MARCO SANTOS Says:

    E sta bem elaborado este resumo.

    este resum,o aborda a teoria de karl popper de uma forma simpleficada e facil de entender pra kem le
    parabens pelo excelente trabalho

  2. 2
    aline Says:

    tah bom o resumo pena que num tem nada doq eu tava precisandooo

  3. 3
    Mathiaz Says:

    parabéns por elaborar um texto que aborda perfeitamento o pensamento deste grande filosofo que foi Karl Pooper.

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