Blog do Miguel

10 Feb

Método histórico comparativo em Saussure: origem da linguística e distinção entre diacronia e sincronia

No século XIX houve um grande florescimento de estudos sobre a linguagem, com a gramática e a filologia, ao mesmo tempo em que se intensificava o intercâmbio dos países da Europa com outros povos e culturas ao redor do globo. Na Alemanha, o erudito alemão Franz Bopp conseguiu demonstrar as relações de parentesco entre línguas européias – como o latim e o grego – com outras línguas orientais – como o persa, e, especialmente, o sânscrito, cuja gramática havia sido conservada pelo cuidado com os textos sagrados hindus. Bopp então levantou a hipótese de que estas línguas derivariam de uma raiz comum, o indo-europeu, e as classificou como indo-européias. O indo-europeu passou então a ser reconstituído através do método histórico-comparativo.

O primeiro trabalho do lingüista suíço Ferdinand de Saussure é de gramática comparada. Porém, foi somente a publicação do seu “Curso de Linguística Geral”, com base nas anotações de aluno, que representou um ponto de inflexão a ponto de ser considerado como texto fundador da linguística como ciência. Um dos aspectos da obra, responsável por isso, foi o de sua distinção entre sincronia e diacronia, um dos pares que formam as chamadas “dicotomias saussurianas”. A diacronia estuda as alterações da língua através do tempo, como mostra sua própria etimologia (dia+kronus). Por isso logo vemos o quão importante a diacronia é para o método histórico-comparativo. Para identificar as mudanças na evolução das línguas, ele se serve de registros escritos e outros indícios, além do uso da filologia e etimologia. Um exemplo clássico, dentro da língua portuguesa, seria o de analisar a transformação “Vossa Mercê” na palavra de uso corrente “você”, passando pelo vocábulo intermediário “vosmecê”. A sincronia, pelo contrário, não tem o foco na origem dos elementos da língua, mas os toma de forma simultânea, isto é, sincrônica, fazendo um recorte em um dado ponto do tempo e do espaço. A sincronia trabalha com um “estado” da língua, interpretando-o como um sitema de elementos interligados e hierarquizados. Os fatos sincrônicos, portanto, são analisados de forma abstrata, comportando a abordagem única para diversos aspectos hibridizados da língua.

LINK: Relações sintáticas e paradigmáticas em Saussure

5 Responses to “Método histórico comparativo em Saussure: origem da linguística e distinção entre diacronia e sincronia”

  1. 1
    anônimo Says:

    muito bom o resumo!

  2. 2
    letrada Says:

    Muito bem resumido, o texto de fácil compreensão e apreensão. Muito obrigada, foi muito útil como resultado de pesquisa rápida.

  3. 3
    Jessica Olivera Says:

    Gostaria de saber cmo surgiu a Gramatica Normativa e Gramática expositiva???

  4. 4
    Sonia Says:

    ótimo resumo. Só uma correçãozinha ou duas: Os franceses gostam de puxar a sardinha pro lado deles e grandes nomes acabam sendo franceses: Saussurre era suiço. Ao que me constava, a “hipótese do indo-europeu” é de antes do Bopp, que fez uma ótima gramática comparada do indo-europeu. Um inglês, Sir William Jones, tinha proposto a relação entre as línguas e a proximidade do sânscrito em meados do século XVIII.

  5. 5
    Miguel Says:

    obrigado pela contrib. Sonia

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