“Era na primavera…Eu visitava as rosas ridentes de Paestum, carregadas de orvalho ao raiar do dia … Era a hora em que os botões nascentes’ das rosas iam desabrochar ao mesmo tempo. Uma verdeja , coberta por um estreito chapéu de folhas; a outra se nuança de um estreito fílete que a púrpura avermelha ; esta descobre já o cume afilado de seu cone, revelando a ponta de sua cabeça em púrpura; aquela abria os véus reunidos sobre sua fronte, já sonhando em estender uma a uma suas pétalas e rapidamente revela as belezas de sua jovem corola, mostrando o pólen compacto e dourado que contém . Mas uma outra, que brilhava agora há pouco com todos os fogos de sua cabeleira, empalidece, abandonada pelas folhas que caem. Eu admirava a pronta destruição do tempo fugidio e essas rosas envelhecidas , assim que nascidas. Eis inclusive que a cabeleira vermelha da flor brilhante se destaca dela, enquanto falo; e a terra brilha, juncada de púrpura. Todas essas formas, todos esses nascimentos e metamorfoses, um só dia os produz, os destrói um só dia. Nós nos queixamos, Natureza, de que tão breve seja a beleza das flores; você só nos mostra seus dons para arrebatá-los em seguida. O espaço de um dia é o que as rosas .vivejnj para elas a juventude toca a decrepitude. A que o astro da manhã contemplou no nascimento, em seu retorno, à tarde, ele revê inteiramente envelhecida … Jovem, colhe as rosas, enquanto sua flor é nova e nova e s tua juventude, lembra-te de que , do mesmo modo rápido , tua idade vai passar.” (Ausonio – “De rosis nascentibus” . In RONSARD, Poésies choisies, I, Paris, Larousse. 15. ed. [ 1946, p.39, trad. de G.P. Passos)
Boa tarde!
A tradução do “De rosis nascentibus” é sua?
Grande Abraço!
Boa tarde!
Não, a tradução é do professor Gilberto Pinheiro Passos, da FFLCH/USP, como indicado, e de quem fui aluno numa matéria do curso de letras. Postei uma parte do material de curso que ele forneceu para nós.
Abs