Blog do Miguel

18 Apr

Educação X espontaneidade na psicologia infantil

Abaixo, texto de autor independente sobre o tema.

Como é possível perder uma individualidade? A traição, ignorada e inconcebível, começa na infância, com nossa secreta morte psíquica… é um perfeito crime duplo, no qual ele — isso não é apenas este simples assassinato de uma psique (sic) … a pequenina personalidade toma parte, gradual e inadvertidamente. Não foi aceita conforme ela é. Oh, eles a “amam”, mas querem que seja, ou forçam-na a ser, ou esperam que se torne diferente! Por conseguinte, deve ser inaceitável Ela própria aprende a acreditar nisso, e por fim aceita tal coisa como verdade incontestável. Ela realmente se entregou. Não importa se presta obediência a eles, se fica junto deles, se desobedece ou se se afasta — seu comportamento, sua atuação, isso é tudo o que importa. Seu centro de gravidade está “neles”, não em si mesma — contudo, se chegasse a reparar nisso, pensaria que isso é bastante natural. E a coisa toda é inteiramente plausível; toda ela é invisível, automática e anônima!
Este é o paradoxo perfeito. Tudo parece normal; não houve intenção de cometer nenhum crime; não há cadáver, não há culpa. Tudo o que podemos ver é o sol nascendo e desaparecendo no poente, como de costume. Mas o que aconteceu? Ela foi rejeitada, não apenas por eles, mas, por si mesma. (Realmente, está sem uma personalidade.) O que perdeu? Simplesmente, a única parte verdadeira e vital de si mesma; seu próprio sentimento de auto-afirmação, que é sua própria capacidade de desenvolvimento, seu sistema básico. Infelizmente, porém, não está morta. A “vida” continua; portanto, ela deve continuar. A partir do momento em que se rende, e na medida dessa rendição, começa, sem ter nenhum conhecimento disso, a criar e manter uma pseudopersonalidade. Mas isto por pura conveniência — é uma personalidade sem desejos. Esta será amada (ou temida), enquanto ela é desprezada; será forte onde ela é fraca; executará todos os movimentos (oh, mas eles são caricaturas!), não para divertir-se ou por alegria, mas por sua sobrevivência; não simplesmente porque quer movimentar-se, mas porque precisa obedecer. Esta necessidade não é vida — não é a vida dela — é um mecanismo de defesa contra a morte. É, também, a máquina da morte. A partir desse momento será despedaçada por conflitos compulsivos (inconscientes) até ficar paralisada, cada momento, cada instante, anulando sua individualidade, sua integridade; e durante todo esse tempo está usando o disfarce de pessoa normal e todos esperam que se comporte como tal!
Numa palavra, eu digo que ficamos neuróticos buscando ter ou defendendo um pseudo-eu, um pseudo-sis-tema; e somos neuróticos ao ponto de não termos um eu.
(Anonymous. “Finding the real self: a letter with a foreword by Karen Horney.” Am. J. Psychoanal, 1949, p. 93, conforme citação feita, ao pé da página, no livro de Maslow, A., intitulado Toward a Psychology of Being. Princeton, Van Nostrand, 1962. apud Speeth, Kathleen – I trabalho de Gurdjieff)

4 Responses to “Educação X espontaneidade na psicologia infantil”

  1. 1
    ali_se Says:

    Sim Miguel, é esta naturalmente e talvez, a maior das crises de se Ser. E quando assim se nos assiste assim numa completa consciência, cabe-nos pois, agora e o mais possível, dar a volta, a tentar colocá-la no seu devido lugar. Será que conseguiremos?

    Um abraço

    Alice

  2. 2
    Miguel Says:

    Sem dúvida uma tarefa de peso, Alice, tanto mais que poucos são aptos a empreendê-la, e as coisas se dão de tal forma por um motivo, uma razão. Mudar a educação infantil requer mudanças também em toda a sociedade.

    Obrigado pelo comentário,
    Abs

  3. 3
    kelly adriana da silva oliveira Says:

    gostaria de receber orientação sobre o comportamento do meu filho quando a avó materna esta por perto. Ele tem 3 anos e bate, chora estericamente principalmente na hora de dormir, grita: “Eu quero a minha vó”!, e quando estamos perto dela não me obedece mesmo que como consequencia tome um tapinha. Minha mãe como uma boa avó mima demais e super-protege de tudo, e o principal me repreende na frente do meu filho dizendo que como minha mãe pode fazer isso sim por que se ele não me ver respeitando ela nunca vai me respeitar! ele mexe em tudo, bate em mim e no pai, age com agressividade. acho que ele ama minha mãe de tal forma que está ficando um pouco doentil! É possível? por favor estou desesperada e aguardo com ansiedade a resposta.

  4. 4
    Miguel Says:

    Oi Kelly
    Que bom ver seu comentário. Eu não sou psicológo nem tenho filhos :-) então sinceramente não poderia dar um conselho. Na minha opinião a agressividade e atitude da criança são normais e não doentias, acho que você deveria conversar com sua mãe para ela impor limites também, e fazer-te respeitar, afinal, sua mãe é adulta e o filho não, então tem que focar a ação neste ponto fraco.

    Mas acho melhor você continuar pesquisando, sugiro a leitura do seguinte link:
    http://bebe.com.br/familia/sermae/conteudo_250469.php

    Abraços

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