Blog do Miguel

09 Jan

Eguinha Pocotó e o Rondó dos Cavalinhos.

Há algum tempo fez sucesso na web uma cômica “análise filosófica” da letra do funk da Eguinha Pocotó, com um discurso de academês para algo evidentemente tosco e destruidor da cultura. (ver link).

Essas iniciativas tem um precedente clássico no Fabuloso Gerador de Lero Lero, que por sua vez é inspirado, é claro, em programas gringos. Existe um que gera discurso “pós modernos”, incrementando o preconceito contra a verve de pensadores continentais, como Heidegger e Deleuze, Derrida e Lacan e citado ocasionalmente junto com o caso Sokal, um episódio bastante sobre estimado e mal respondido, onde um “cientista” publicou e foi aprovado numa tradicional revista de sociologia um texto preparado intencionalmente para ser cheio de “lero lero” sem sentido. Lembro-me que já vi textos inteiros do gerador de lero lero postados nesses sites de publicação de artigos web 2.0, que fazem bastante sucesso.

Quando li o poema Rondó dos Cavalinhos do Manuel Bandeira, senti estranheza e ele nada me disse, achei-o apressado e mal ajambrado, mundano e pretensioso nas suas críticas à estagnação da elite. No entanto, logo após a leitura, tivemos que estudar a análise do grande crítico Antonio Candido. A esclarecedora análise mostra que este “rondó” é alta poesia, extraindo de seus elementos insumo para reflexões variadas, numa abordagem estrutural que consegue achar inclusive a tão cobiçada relação entre forma e conteúdo. Achei bárbara a análise na época, mas, relendo o poema, digamos que continuo preferindo a análise…eguinha

Comments are closed.

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes

© 2010 Blog do Miguel | Entries (RSS) and Comments (RSS)

Your Index Web Directorywordpress logo

Bad Behavior has blocked 45 access attempts in the last 7 days.