Do casamento – Montaigne
Do casamento – Michel de Montaigne
…Não sei de matrimônios que mais cedo falhem a desmoronem do que os realizados à base da beleza e dos desejos amorosos-; exigem fundamentos mais sólidos e constantes e atilada prudência; o arroubo impaciente de nada vale…
Um bom casamento, caso haja, deve recusar a companhia e as condições do amor e ater-se às da amizade. É uma doce comunhão, cheia de constância, de confiança e de um número infinito de úteis e sólidos deveres e obrigações. Não quererá servir de amante a seu marido a mulher que lhe experimentar o gosto (do casamento). Pois se estiver alojada na afeição de seu esposo como esposa, muito mais honrosa e seguramente alojada estará…

