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	<title>Blog do Miguel &#187; ccac</title>
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	<description>Este é um blogue, se você tem algo a dizer, vá em frente e comente.</description>
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		<title>A imaculada conceição</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 04:11:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As pessoas que seguem a cartilha do catecismo sem tentar problematizar a origem, a história, as contradições das questões, colocando tudo numa área insossa da fé e do sagrado que não se discute costumam se irritar quando são levantadas questões acerca do dogma da Imaculada Conceição de Jesus por Maria.
Esse dogma é um tanto tardio, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As pessoas que seguem a cartilha do catecismo sem tentar problematizar a origem, a história, as contradições das questões, colocando tudo numa área insossa da fé e do sagrado que não se discute costumam se irritar quando são levantadas questões acerca do dogma da Imaculada Conceição de Jesus por Maria.</p>
<p>Esse dogma é um tanto tardio, embora, é claro, se possa argumentar que ele já existia de forma marginal desde o cristianismo primitivo. Porém foi oficializado somente no século XVIII pelo Papa Pio IX em sua bula <em>Ineffabilis Deus</em>.</p>
<p>Dos Evangelhos da Bíblia, o mais antigo é também o mais conciso. O Evangelho de Marcos traz o núcleo fundamental da história. Jesus, com cerca de 30 anos, foi batizado por João Batista, tendo o Espírito descido e ele começado a pregar. O de Mateus e de Lucas trazem mais ou menos os mesmos fatos, com adições e subtrações. Somente o de João traz revelações novas sobre a infância de Jesus, seu nascimento e aprendizado, citando &#8220;o discípulo que Jesus amava&#8221; recostado a seu peito, provavelmente o próprio João, de confidências mais íntimas e inacessíveis aos outros apóstolos (!?).</p>
<p>Os Evangelhos falam abertamente dos irmãos de Jesus e citam a surpresa de seus conhecidos quando começou a falar as &#8220;coisas estranhas&#8221;, pregando o &#8220;Reino dos céus&#8221;. Me parece uma inversão querer abordar isso de forma relativa, ou levantar obscuras evidências filológicas para dizer que eram na verdade primos. Está bem claro nas próprias histórias, mas tudo é feito para tapar o buraco e garantir a virgindade de Maria. O dogma da imaculada conceição vem a tona por causa da consequência embaraçante do parto: mesmo tendo sido fecundada virgem pelo Espírito Santo, a santíssima teria perdido a virgindade ao dar a luz, então tascaram ali uma imaculada conceição.</p>
<p>A questão é uma má interpretação. Sabemos de forma geral que o catolicismo para se estabelecer precisou do sincretismo com várias tradições filosóficas e religiosas já existentes. Isso está na própria história da patrística. Mais recentemente, chega ao grande público produções midiáticas, como a do Código da Vince ou o documentário Zeitgeist, que citam de forma rápida as questões dos concílios, o estabelecimento do corpo dogmático da nova religião etc. Isso causa estranheza às pessoas que mal conhecem a religião para além das palavras que lhe foram passadas de forma geral, sem nenhum contato com os milênios de erudição, debates e problemáticas que fazem parte do cristianismo. O balanço é positivo: se não são a palavra final esclarecedora sobre o assunto, também não merecem ser tratadas de forma desqualificadas como &#8220;teorias da conspiração&#8221; sem fundamento, já que isso fecha o debate e leva à pressa, à superficialidade.</p>
<p>O problema é que tanto os crentes com essa postura como essa nova forma de ateísmo que surge hoje entre os jovens cometem erros recorrentes e graves. O surgimento do ateísmo se deu a partir de um imenso esforço teórico sintonizado com os tempos modernos, e foi preciso um monumental trabalho de reflexão para desconstruir as bases sólidas da civilização ocidental. As pessoas estão pegando toscamente o que acham ser o resultado disso (deus não existe) para carimbar qualquer menção ao assunto como se fosse uma intromissão do pastor fanático ou do padre opressor em suas vidas. É preciso entender, porém, que a coisa é muito mais complicada do que pensamos, sempre. E o pior é que põe no lugar disso um novo dogmatismo deslumbrado cientificista que fica, aliás, a margem da verdadeira ciência, que jamais cumpriu esse papel da forma que está sendo feita, de forma marketeira, por &#8220;autores&#8221; picaretas, como, por exemplo Richard Dawkins.</p>
<p>Ainda sobre o nascimento de Jesus, é pouco conhecida a hipótese do Jesus, Filho de Pantera, Yeshu ben Pantera, baseada em fontes arqueológicas e aventados por judeus, que acusa a Maria de ter sido tomada por um soldado romano, de nome Pantera, como era comum aos homens em campanhas se verem atraídos pelas belas donzelas judias. Esse homem teria sumido no mundo e o retrato depois de Jesus é um tanto esculachado, como um profanador das milenares tradições do povo judeu.</p>
<p>O sincretismo que mencionamos teria, portanto, sintonizado Maria, a mãe de Jesus, com outros mitos do eterno &#8211; feminino, da mãe natureza e da virgem, como a deusa Ártemis dos gregos. Mas a defesa de um parto virginal carnal e de uma virgindade carnal literal é uma subserviência desses que defendem a fé cega à própria materialidade do mundo.</p>
<p> O problema de todo pecado original e o da caverna de Platão é o da prisão do homem, o seu calabouço perceptivo e o de ser manipulado por forças superiores, julgando ingenuamente ter alguma autonomia. O Evangelho de Jesus justamente traz a boa nova otimista de que as coisas ocorrem para o bem, existe uma saída, uma religação com o mundo divino, com o reino dos céus. Evangelho quer dizer &#8220;anjo bom&#8221;, ou seja, que as forças estranhas e além da compresão que regem o homem não estão somente interessadas na sua opressão. No entanto ele diz &#8220;meu reino não é desse mundo&#8221;. E assim deve ser entendida a mensagem: nessa forma mítica, não material, como a única viagem que conta: a viagem da consciência. O entendimento do conceito fenomenológico e o legado do idealismo podem ajudar a entender o que está em jogo: O que Deus observa é a alma de cada um, o julgamento é das reações da mente segundo os estímulos do mundo externo, e não o mundo cotidiano em si. Quando se sonha estamos vivos mas &#8220;sós&#8221;, sem o mundo, assim como quando se morre e deve-se prestar as contas do relato da consciência. Ora, os místicos sempre afirmaram que o mundo é uma espécie de mentira, ou uma prisão: uma arena de batalha onde o homem é cuspido dos céus para o desenvolvimento da consciência. Por isso não se deve entender os fatos trágicos como castigos dos deuses, e nem a boa fortuna como recompensa. </p>
<p>Essa é a chave também para começar a leitura do Apocalipse, não o fim de um mundo geral supersciente, já que esse sequer existe: o mundo é um retrato da sua consciência, e o que julgamos ser a totalidade é apenas uma Idéia, uma representação. O fim do mundo apocaliptico deve ser entendido a partir, justamente, da viagem da consciência. O mundo acaba a todo instante para cada um e a todo momento, no decorrer de suas viagens.</p>
<p>Da mesma maneira, como falei antes, os episódios como a queda de Lúcifer também não devem ser entendidos pensando uma linha do tempo justaposta, evolutiva, mas sim como posicionamentos válidos dentro da &#8220;árvore da vida&#8221;, pois o tempo religioso é diferente do cronológico. Dessa forma, Lúcifer continua sendo um anjo num dos extremos dessa geodésica (o guardião do céu, que desafia o homem a partir de suas fraquezas para que se torne digno de sua missão) e o &#8220;diabo&#8221; em outra (quando já a queda e torna-se deus de um mundo sem essência, uma prisão, onde só a repetição, que são os pecados, os desvios da vontade divina, e não renovação infinita e companhia de Deus).  O perdão infinito de Deus existe para expiar a culpa, que prende a consciência nas cadeias de repetição e impede  o prosseguimento da viagem. Deus envolveria todas as possibilidades infinitas ocorridas no mundo, o verso e o averso, e a magnitude do universo não pode ter como parâmetro as parcas possibilidades de entendimento das criaturas.</p>
<p>Dessa forma, quando o pássaro do Espírito desce nas águas batismais e diz  &#8220;esse é o meu filho amado, ouvi-o sempre&#8221;, não é preciso que tenha havido uma fecundação literal de Maria e uma não-paternidade de José para que a mensagem se cumpra. Jesus poderia ter sido o filho de deus <strong>no mito</strong>, ou seja, deixado de ser o Jesus carpinteiro, abandonado sua vida pessoal, para ser envolvido pelo Espírito e se tornar o Cristo. A esse respeito dizem os rosa-cruzes que existe o Espírito-Cristo, que se adonou de Jesus para livrar o homem do Espírito de Tribo, ou seja, voltá-los a unir todos numa unidade e entender que são fraternos. A revolução da Igreja foi justamente a de afirmar &#8220;somos um em Cristo&#8221;, e unir os diferentes povos (Ide..e espalhai O Evangelho) e as diferentes castas sociais, do escravo ao senhor. Livrar o homem desse microcosmo e da preocupação apenas com o próprio sangue e com o círculo íntimo egoista é a causa da polêmica e revolucionária mensagem em que Cristo diz que vai causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe, etc</p>
<p>No Presente da Águia de Castaneda existem alguns trechos que explicam como o homem comum pode ser envolvido pelo mito e tornar-se algo diferente do que era, dentro do sistema simbólico daquele ritual, Carlos deixou de ser Carlos para ser o &#8220;nagual&#8221; do grupo.</p>
<blockquote><p>Ser envolvido pelo regulamento pode ser descrito como viver um mito. Dom Juan vivia um mito, mito que o dominou e o fez o nagual.<br />
(&#8230;)<br />
Falou que no início tal regulamento lhe era restrito ao reinado das palavras. Não podia imaginar como pudesse sair do domínio do mundo real e de seus meios. Sob a direção efetiva de seu benfeitor, contudo, e depois de uma provação traumatizante finalmente conse¬guiu captar a verdadeira natureza do regulamento, e aceitá-lo totalmente como um conjunto de diretivas pragmáticas e não um mito. Daí em diante, não teve problema algum em lidar com a realidade da terceira atenção. O único obstáculo no seu caminho surgiu do fato de ele estar convencido de que o regulamento era um mapa, e apenas um mapa que ele acreditava ter de procurar para encontrar uma abertura literal no mundo, uma passagem. De alguma forma ele tinha empacado sem necessidade no primeiro nível do desenvolvimento de um guerreiro</p></blockquote>
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		<title>Castaneda &#8211; As últimas lições do eterno aluno</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Jan 2010 23:46:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
				<category><![CDATA[ccac]]></category>

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		<description><![CDATA[Junto à entrevista de Castaneda com as fotos, a revista publicou também o seguinte ensaio na mesma edição.
Vejam também esta resenha sobre o &#8220;Segundo Círculo do Poder&#8221; publicada em 1978.
As últimas lições do eterno aluno
Como o antropólogo Carlos Castaneda perdeu a sabedoria nas montanhas do México e aprendeu a sonhar acordado


Primeiro, ele enfiou na mochila [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Junto à <a title="Entrevista de Castaneda para a Veja" href="http://www.consciencia.org/castaneda/casvista.html">entrevista de Castaneda</a> com as<a title="fotos de castaneda para a Veja" href="http://blog.cybershark.net/miguel/2009/12/30/fotos-de-carlos-castaneda-para-a-revista-veja/"> fotos,</a> a revista publicou também o seguinte ensaio na mesma edição.</p>
<p>Vejam também esta resenha sobre o &#8220;<a title="Resenha sobre o Segundo Círculo do Poder de Castaneda" href="http://outubro.blogspot.com/2010/01/segue-viagem.html" target="_blank">Segundo Círculo do Poder</a>&#8221; publicada em 1978.</p>
<h2><span style="color: #0000ff;">As últimas lições do eterno aluno</span></h2>
<p><em>Como o antropólogo Carlos Castaneda perdeu a sabedoria nas montanhas do México e aprendeu a sonhar acordado</em></p>
<p><strong><em><br />
</em></strong></p>
<p>Primeiro, ele enfiou na mochila os  seus cadernos de aula. Atento, IH preocupado, aplicado, o bom aluno de antropologia viajou para o México c encheu muitas folhas de anotações so­bre as plantas medicinais usadas pelos índios da região. Sonhava com os aplau­sos admirados de seus professores e, quem sabe, uma cadeira de titular que faria sua fortuna acadêmica até o fim da vida. Mas no meio do raminho do recém-formado Carlos Castaneda havia muitos espinhos — e também um feiti­ceiro de ar superior, idade incerta, fala misteriosa e sorriso debochado. Foi um encontro fatal: Juan Matus, o bruxo da tribo iaqui, seduziu seu discípulo para sempre. Transformou-se também no símbolo mais poderoso para uma le­gião de jovens ansiosos em mergulhar nos abismos obscuros da mente, da sa­bedoria extra-sensorial e da imaginação.</p>
<p>Durante muitos anos o velho e o jo­vem conversaram sobre a vida, as dro­gas, o poder, o medo e a morte. As anotações, rabiscadas medrosamente no meio da noite mexicana, ante a ironia sem fim do mestre, correram o mundo na forma de dois livros intrigantes e sen­síveis, c um terceiro, desesperadamente &#8220;filosófico&#8221;, onde uma autoconfissão de fracasso reprovava o aluno na mais dra­mática e essencial das provas: a de se tornar um &#8220;homem de conhecimento&#8221;. As derradeiras correntes que atavam Castaneda aos pilares da &#8220;razão&#8221; rom­pem-se, agora, em &#8220;Porta para o Infi­nito&#8221; . São catorze &#8220;contos do poder&#8221; (como diz o título original em inglês) onde o cientista social se pulveriza nas angústias de sua própria lógica acadê­mica e um escritor libertado brota numa prosa de transparente beleza, é como se o eterno aprendiz de feiticeiro tivesse finalmente saltado naquele abismo sem nome para recolher em seu fundo o indescritível dom da palavra.</p>
<p>São quase mil páginas, publicadas nos Estados Unidos entre 1968 e 1974. Ao longo desse tempo e dessa volumosa pro­dução muita tinta correu no mundo. Don Juan, duvidavam alguns, jamais foi visto por outra pessoa que não Casta­neda. Este, por sua vez, apagava-se cada vez mais como pessoa física, exatamente como tentava apagar os desenhos que reproduziam seus traços. Escondia-se atrás de seus estudos, bania a imprensa, mentia a ponto de não se poder saber com certeza se era brasileiro (como diz), peruano (como a imprensa diz) ou ame­ricano (sua nacionalidade universitária e literária). Tratava-se de manobras, se­gundo ele explica (veja a entrevista na página 88), que lhe permitiriam acen­tuar os principais traços de seu apren­dizado sobrenatural: um desprezo pelo &#8220;senso comum&#8221;, um apego obsessivo em praticar atos &#8220;impecáveis&#8221;, uma indife­rença diante do juízo alheio. Algo, cm suma. tão fantasmagórico como a possi­bilidade de um homem inventar a pró­pria biografia.</p>
<table cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="top">m</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>as é algo parecido a esta proeza que Castaneda tenta nos seus três primeiros livros. Talvez condena­do a ser um eterno aluno, ele se deixa guiar por Don Juan a experiências que sua pele sente mas sua mente vomita. Um cachorro transparente mostra suas veias cheias de sangue, como vitrinas. Um inseto pegajoso, de asas peludas e boca desdentada, roça nele suas antenas repugnantes. O aluno &#8220;transforma-se&#8221; cm corvo, e sente falta de ar pela au­sência de bico. Talvez ainda mais amea­çadores que estas aberrações &#8220;externas&#8221; são os fantasmas autoritários desenter­rados de dentro da memória do apren­diz. Um deles aparece na forma de ba­rulho dos chinelos e da voz da mãe: &#8220;Eu percebi então que nunca a amara&#8221;, chora ele.</p>
<p>Na sua luta para &#8220;ver&#8221; os &#8220;seres lu­minosos&#8221; e sustentar em seus frágeis ombros de cientista todo o mistério de um outro mundo. Castaneda tropeça e cai o tempo todo em crises de pavor, solidão e autocompaixão. O cientista de­mora a perceber que o ritual de sua ini­ciação se processa num palco privilegia­do: as montanhas e os vales do México central, onde o sol torna o horizonte cor de laranja e a paisagem, a despeito de sua beleza, é .sempre triste e silenciosa. Estas montanhas escondem, nos seus desvãos, o que restou de uma cultura indígena que remonta a 3 000 anos e que quatro séculos de repressão religio­sa reduziram aos mais desprezíveis rótu­los de obscurantismo, ê dessas sombras que se nutrem os ensinamentos de Don Juan. Ele é um duende tão imponderá­vel quanto sua lógica estranha, porém maciça. Teria 70 anos quando Castane­da o conheceu (estaria agora com 85), mas um de seus amigos, o feiticeiro Don Genaro, capaz de voar e saltar para uma montanha a 15 quilômetros de distância corrige tal idade: &#8220;Ele deve ter uns 300 anos&#8221;, é Don Genaro que dá a Casta­neda. com seu pulo quilométrico, talvez a lição mais preciosa do aprendizado dos três primeiros livros: quando o incon­formado antropólogo decide ser &#8220;impos­sível&#8221; o exagero atlético do bruxo, a vi­são cessa. A fé, ou a &#8220;vontade&#8221; que é a luz do guerreiro, fora abandonada. A ironia suprema de Don Juan sublinha esta e outras indecisões racionais de Cas­taneda: &#8220;Você não tem tempo e, no en­tanto, está cercado pela eternidade. Que paradoxo para a sua razão!&#8221;</p>
<p>A eternidade, diante da qual tudo ces­sa, c a morte, pela qual se deve ter uma soberba indiferença, banham os contos de &#8220;Porta para o Infinito&#8221; e iluminam o quase feiticeiro Castaneda. Ele apren­de a &#8220;sair do corpo&#8221; (e se vê a si mes­mo) e a sonhar um sósia; aprende, po­rém, que talvez ele não seja mais que o sonho de outra pessoa. Esses &#8220;labirin­tos circulares&#8221; tão caros a um outro mestre literário latino-americano, o ar­gentino Jorge Luis Borges, plantam-se vertiginosamente na prosa de Castaneda, com sua torrente de visões em duplo (sombras que se metamorfoseiam em animais, ruídos que se transmutam em massas disformes e opacas), e as inter­rogações sobre os dois conceitos finais que, também em dupla, regem a vida: o tonal, a pessoa social, o guardião com­preensivo, e o nagual (pronuncia-se naual), mortal e inalcançável pela des­crição de palavras. No cenário surpreen­dente de um México urbano, Don Juan aparece de terno, pela primeira vez. co­menta com elegância o cardápio de um restaurante e mais uma vez ensina ao espantado — ainda! — Castaneda que somente os seus preconceitos o impe­diam de imaginar um índio cm vestes &#8216;civilizadas&#8221;.</p>
<table cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="top">O</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>mestre, apesar de tudo isso, aca­ba por ter orgulho do aluno. Dei­xa-o à beira de um despenhadei­ro, num dia de crepúsculo, na fresta entre dois mundos: lá está o abismo e. depois deste, o desconhecido. As últi­mas páginas, onde os dois se despedem para sempre, equilibram-se admiravel­mente entre o choro contido da despe­dida e o latido de um cão que ecoa pela montanha embaralhado na voz de um homem: ambos são escravos e com­panheiros de toda vida, de toda tristeza, de todo tédio que o dia-a-dia e a rea­lidade ordinária espicaçam. &#8220;Nós agora somos poeira da estrada&#8221;, diz Don Juan afastando-se com Don Genaro. &#8220;Talvez um dia torne a entrar nos seus olhos.&#8221; No limite do desconhecido, sentindo-se o único homem do mundo, o ex-discí­pulo rende-se, redimido e purificado, an­te a vertigem da descoberta dos poderes sem limite da imaginação. O cientista já aprendera que um astronauta pode ir à Lua. Mas o novo feiticeiro sabe agora que pode ir à Lua quando qui­ser, só que jamais trará de lá um saco de pedras.</p>
<p>• <a title="A morte de Geraldo Mayrink" href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/08/27/a-morte-de-geraldo-mayrink/" target="_blank">Geraldo Mayrink</a></p>
<hr size="1" />(Fonte:: Revista Veja edição 356, 2 de julho de 1975)</p>
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		<title>Fotos de Carlos Castaneda para a Revista Veja</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 00:37:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para a  entrevista de Castaneda à Revista Veja que transcrevi e postei na Internet há mais de 10 anos (considerando que era um material de difícil acesso na época), escrevi a seguinte nota:
 Um pouco depois da maliciosa publicação da matéria da revista Time &#8211; que desmentia Castaneda num momento em que este tornava-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para a  <a href="http://consciencia.org/castaneda/casvista.html">entrevista de Castaneda à Revista Veja</a> que transcrevi e postei na Internet há mais de 10 anos (considerando que era um material de difícil acesso na época), escrevi a seguinte nota:</p>
<blockquote><p> Um pouco depois da maliciosa publicação da matéria da revista Time &#8211; que desmentia Castaneda num momento em que este tornava-se notório e atingia o centro dos debates afirmando, baseada em obscuros documentos levantados, ser o autor peruano de Cajamarca, e não brasileiro, Castaneda concedeu esta entrevista à Revista Veja. A condição sine qua non para isso foi de que a entrevista deveria sair primeiro no Brasil. O rapaz que fez o free-lancer para a Veja, uma espécie de TIME brasileira, pôde então atestar que Castaneda falava perfeitamente português, com sotaque regional. Castaneda forneceu à revista negativos (fotos) que fez durante suas viagens ao México &#8211; provas documentais de seu trabalho antropológico e pesquisa de campo. Infelizmente a Veja optou por não polemizar, e colocou no sub-título não que Castaneda era brasileiro, mas sim que era um &#8220;homem só e sem pátria&#8221;. Após esta entrevista, Castaneda ficou cerca de 10 anos sem falar com a imprensa.</p></blockquote>
<p>A entrevista permanece importante, já que é pouco conhecida dos estudiosos estrangeiros, que parecem não considerar a existência dela no desenrolar do debate acerca da naturalidade do escritor (brasileiro ou peruano).</p>
<p>Graças a disponibilidade do Acervo Digital da Revista Veja, consegui novo acesso às fotos que mencionei na nota, na época não pude não postá-las por ter lido a entrevisa num xerox de má-qualidade, feito na biblioteca da ECA-USP. É de se considerar também que presumivelmente a Revista Veja selecionou alguns dos negativos e não publicou todos. Os restantes podem, com sorte, ainda estar nos arquivos da Abril ou terem se extraviado através do tempo.</p>
<p>
<a href='http://blog.cybershark.net/miguel/2009/12/30/fotos-de-carlos-castaneda-para-a-revista-veja/castaneda-tribo-yaqui/' title='castaneda-tribo-yaqui'><img width="150" height="150" src="http://blog.cybershark.net/miguel/wp-content/castaneda-tribo-yaqui-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="" title="castaneda-tribo-yaqui" /></a>
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<a href='http://blog.cybershark.net/miguel/2009/12/30/fotos-de-carlos-castaneda-para-a-revista-veja/castaneda-sonora-2/' title='castaneda-sonora'><img width="150" height="150" src="http://blog.cybershark.net/miguel/wp-content/castaneda-sonora1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="" title="castaneda-sonora" /></a>
<a href='http://blog.cybershark.net/miguel/2009/12/30/fotos-de-carlos-castaneda-para-a-revista-veja/castaneda-sonora2/' title='castaneda-sonora2'><img width="150" height="150" src="http://blog.cybershark.net/miguel/wp-content/castaneda-sonora2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="" title="castaneda-sonora2" /></a>
<a href='http://blog.cybershark.net/miguel/2009/12/30/fotos-de-carlos-castaneda-para-a-revista-veja/castaneda-tipica-residencia-yaqui-2/' title='castaneda-tipica-residencia-yaqui'><img width="150" height="150" src="http://blog.cybershark.net/miguel/wp-content/castaneda-tipica-residencia-yaqui1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="" title="castaneda-tipica-residencia-yaqui" /></a>
<a href='http://blog.cybershark.net/miguel/2009/12/30/fotos-de-carlos-castaneda-para-a-revista-veja/estrada-de-terra-no-deserto-de-sonoro-casa-don-juan/' title='estrada-de-terra-no-deserto-de-sonoro-casa-don-juan'><img width="150" height="150" src="http://blog.cybershark.net/miguel/wp-content/estrada-de-terra-no-deserto-de-sonoro-casa-don-juan-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="" title="estrada-de-terra-no-deserto-de-sonoro-casa-don-juan" /></a>
<br />
(fonte Revista Veja edição 356, 2 de julho de 1975)</p>
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		<title>O olho de Hórus e o olho do vidente sem forma</title>
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		<pubDate>Tue, 19 May 2009 01:26:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O Olho de Hórus é uma imagem popular relacionada ao Egito Antigo, um símbolo de proteção relacionada a divindade, no caso o deus falconeiforme Hórus, cujo olho consegue tudo abranger, no panorama e fixar a atenção aguçada, igualmente, em qualquer detalhe. Lembramos que os olhos, como órgãos externos, tem grande importância na religião, mesmo na semítica, em que há também há o símbolo do olho de deus em torno da pirâmide. Castaneda enfatiza que a principal ligação dos olhos não é com o mundo sensível, e sim com o intento, e chega mesmo a descrever alguns exercícios de mudança de foco e atonalidade afim de suscitar uma quebra na atenção cotidiana, ou estados específicos de atenção mais propícios para conseguir &#8220;ver&#8221;.</p>
<p><img src="http://blog.cybershark.net/miguel/wp-content/horus-oog.jpg" alt="horus-oog" title="horus-oog" width="513" height="380" class="alignleft size-full wp-image-610" /><br />
Este símbolo é usado pelas tradições mágicas modernas, pela maçonaria, e mesmo pelos médicos, tendo sido usado com seu poder evocativo de cura e amuleto, como é explicado abaixo:</p>
<div style="display: block; margin: 10px 30px 0 30px; padding: 2px 10px 5px 10px; border-top: 4px solid #333; color: #333; background: #C3D4DF;">
 Hórus, o deus falcão, irá se tornar mais tarde o deus da arte de curar; e o “Olho de Hórus”, um amuleto protetor muito utilizado cuja ação terapêutica derivava da interpretação da luta mitológica acima, de uma certa maneira chegou até  nossos dias de uma forma insuspeitada para muitos de nós médicos. O estilizado olho do falcão transformou-se no símbolo da intenção da medicina – restaurar a saúde. Assim como o olho e a visão de Hórus foram restaurados, assim fazem os médicos, recuperando a saúde dos pacientes. TEXTO COMPLETO: <a href="http://www.historiadaoftalmologia.com.br/artigos/artigo.asp?cod=14">http://www.historiadaoftalmologia.com.br/artigos/artigo.asp?cod=14</a>
</div>
<p>Mais pode ser lido <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Eye_of_Horus">aqui</a>, <a href="http://www.terminologia.com.br/2008/08/18/olho-de-horus-traducao/">aqui</a>, <a href="http://www.magiazen.com.br/palavra-chave/olho-de-horus">aqui</a> e<a href="http://cathstark.multiply.com/journal/item/2"> aqui</a></p>
<p>Mas se você se deparar com o &#8220;documentário&#8221; Olho de Hórus do picareta Fernando Malkun, por favor evite, já que é demasiado desonesto intelectualmente.</p>
<p>Abaixo um trecho do Segundo Círculo do Poder de Carlos Castaneda, que pode, talvez, oferecer nova luz para a interpretação da mitologia em torno deste símbolo.</p>
<div style="display: block; margin: 10px 30px 0 30px; padding: 2px 10px 5px 10px; border-top: 4px solid #333; color: #333; background: #C3D4DF;">
<p>— O que mais você sentiu, Gorda, quando perdeu a sua forma, além de não ter bastante energia?<br />
— O Nagual me disse que um guerreiro sem força começa a ver um olho. Eu via um olho na minha frente sempre que fechava os olhos. A coisa chegou a um ponto que eu não podia mais descansar: o olho me acompanhava por onde eu fosse. Quase enlouqueci. Por fim imagino que me tenha acostumado. Agora eu nem noto, pois tornou-se parte de mim.<br />
— O guerreiro sem forma usa aquele olho para começar a sonhar. Se você não tiver uma forma, não tem de adormecer para sonhar. O olho na sua frente o puxa toda vez que você quiser ir.<br />
— Onde exatamente fica esse olho, Gorda?<br />
Ela fechou os olhos e mexeu a mão de um lado para outro, bem em frente do rosto, abrangendo o espaço do rosto dela,<br />
— Às vezes o olho é muito pequeno e às vezes é enorme — continuou ela. — Quando é pequeno, o seu sonhar é preciso. Quando é grande o seu sonhar é como voar sobre as montanhas e não ver grande coisa. Ainda não sonhei muito, mas o Nagual me disse que aquele olho é o meu trunfo. Um dia, quando eu realmente me tornar sem forma, não verei mais esse olho; o olho se tornará igual a mim, nada, e, no entanto estará ali, como os aliados. O Nagual disse que tudo tem de ser peneirado através de nossa forma humana, Quando não tivermos forma, então nada tem forma e no entanto tudo está presente. Eu não podia compreender o que ele queria dizer com isso, mas hoje vejo que ele tinha toda a razão. Os aliados são apenas uma presença e o olho também será. Mas a essa altura o olho é tudo para mim. Aliás, tendo esse olho, eu não devia precisar de mais nada a fim de provocar o meu sonho, mesmo quando estou desperta. Ainda não consegui isso. Talvez eu seja como você, um pouco obstinada e preguiçosa.
</p></div>
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		<title>Educação X espontaneidade na psicologia infantil</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 14:15:45 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Abaixo, texto de autor independente sobre o tema.

Como é possível perder uma individualidade? A traição, ignorada e inconcebível, começa na infância, com nossa secreta morte psíquica&#8230; é um perfeito crime duplo, no qual ele — isso não é apenas este simples assassinato de uma psique (sic) &#8230; a pequenina personalidade toma parte, gradual e inadvertidamente. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abaixo, texto de autor independente sobre o tema.</p>
<div style="display: block; margin: 10px 30px 0 30px; padding: 2px 10px 5px 10px; border-top: 4px solid #333; color: #333; background: #C3D4DF;">
Como é possível perder uma individualidade? A traição, ignorada e inconcebível, começa na infância, com nossa secreta morte psíquica&#8230; é um perfeito crime duplo, no qual ele — isso não é apenas este simples assassinato de uma psique (sic) &#8230; a pequenina personalidade toma parte, gradual e inadvertidamente. Não foi aceita conforme ela é. Oh, eles a &#8220;amam&#8221;, mas querem que seja, ou forçam-na a ser, ou esperam que se torne diferente! Por conseguinte, deve ser inaceitável Ela própria aprende a acreditar nisso, e por fim aceita tal coisa como verdade incontestável. Ela realmente se entregou. Não importa se presta obediência a eles, se fica junto deles, se desobedece ou se se afasta — seu comportamento, sua atuação, isso é tudo o que importa. Seu centro de gravidade está &#8220;neles&#8221;, não em si mesma — contudo, se chegasse a reparar nisso, pensaria que isso é bastante natural. E a coisa toda é inteiramente plausível; toda ela é invisível, automática e anônima!<br />
Este é o paradoxo perfeito. Tudo parece normal; não houve intenção de cometer nenhum crime; não há cadáver, não há culpa. Tudo o que podemos ver é o sol nascendo e desaparecendo no poente, como de costume. Mas o que aconteceu? Ela foi rejeitada, não apenas por eles, mas, por si mesma. (Realmente, está sem uma personalidade.) O que perdeu? Simplesmente, a única parte verdadeira e vital de si mesma; seu próprio sentimento de auto-afirmação, que é sua própria capacidade de desenvolvimento, seu sistema básico. Infelizmente, porém, não está morta. A &#8220;vida&#8221; continua; portanto, ela deve continuar. A partir do momento em que se rende, e na medida dessa rendição, começa, sem ter nenhum conhecimento disso, a criar e manter uma pseudopersonalidade. Mas isto por pura conveniência — é uma personalidade sem desejos. Esta será amada (ou temida), enquanto ela é desprezada; será forte onde ela é fraca; executará todos os movimentos (oh, mas eles são caricaturas!), não para divertir-se ou por alegria, mas por sua sobrevivência; não simplesmente porque quer movimentar-se, mas porque precisa obedecer. Esta necessidade não é vida — não é a vida dela — é um mecanismo de defesa contra a morte. É, também, a máquina da morte. A partir desse momento será despedaçada por conflitos compulsivos (inconscientes) até ficar paralisada, cada momento, cada instante, anulando sua individualidade, sua integridade; e durante todo esse tempo está usando o disfarce de pessoa normal e todos esperam que se comporte como tal!<br />
Numa palavra, eu digo que ficamos neuróticos buscando ter ou defendendo um pseudo-eu, um pseudo-sis-tema; e somos neuróticos ao ponto de não termos um eu.<br />
(Anonymous. &#8220;Finding the real self: a letter with a foreword by Karen Horney.&#8221; Am. J. Psychoanal, 1949, p. 93, conforme citação feita, ao pé da página, no livro de Maslow, A., intitulado Toward a Psychology of Being. Princeton, Van Nostrand, 1962. <i> apud Speeth, Kathleen &#8211; I trabalho de Gurdjieff)</p>
<p></i></div>
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		<title>egrégora &#8211; a força envolvente do grupo</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Dec 2008 17:52:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma amiga minha, que praticava yôga regularmente, conta que, quando decidiu parar com as aulas, teve um sonho intenso. Sonhava ela que aparecia num local indeterminado, mas antigo, na companhia de dois mestres yogues, com aspecto e maneiras indianas. Conversaram sobre tudo, com grande felicidade, por um tempo até que um deles, sorrindo, perguntou: &#8220;você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma amiga minha, que praticava yôga regularmente, conta que, quando decidiu parar com as aulas, teve um sonho intenso. Sonhava ela que aparecia num local indeterminado, mas antigo, na companhia de dois mestres yogues, com aspecto e maneiras indianas. Conversaram sobre tudo, com grande felicidade, por um tempo até que um deles, sorrindo, perguntou: &#8220;você quer mesmo sair do grupo?&#8221;. Ao que ela respondeu afirmativamente, justificando-se acordou, tomando consciência do que tinha se passado e ao mesmo tempo repleta de uma grande sensação de paz depois desta &#8220;despedida&#8221;. A explicação que ela deu é que ela havia saído da &#8220;egrégora&#8221;.</p>
<p>Este interessante conceito é usado por algumas correntes iniciáticas. Está na cartilha do  aclamado mestre DeRose, que dá a seguinte definição:</p>
<div style="display: block; margin: 10px 30px 0 30px; padding: 2px 10px 5px 10px; border-top: 4px solid #333; color: #333; background: #C3D4DF;">
Egrégora provém do grego egrégoroi e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. Todos os agrupamentos humanos possuem suas egrégoras características: todas as empresas, clubes, religiões, famílias, partidos, etc. </p>
<p>Egrégora é como um filho coletivo, produzido pela interação &#8220;genética&#8221; das diferentes pessoas envolvidas. Se não conhecermos o fenômeno, as egrégoras vão sendo criadas a esmo e os seus criadores tornam-se logo seus servos, já que são induzidos a pensar e agir sempre na direção dos vetores que<br />
caracterizaram a criação dessas entidades gregárias. Serão tanto mais escravos quanto menos conscientes estiverem do processo. Se conhecermos sua existência e as leis naturais que as regem, tornamo-nos senhores dessas forças colossais. </p>
<p>Por axioma, um ser humano nunca vence a influência de uma egrégora caso se oponha frontalmente a ela. A razão é simples. Uma pessoa, por mais forte que seja, permanece uma só. A egrégora acumula a energia de várias, incluindo a dessa própria pessoa forte. Assim, quanto mais poderoso for<br />
o indivíduo, mais força estará emprestando à egrégora para que ela incorpore às dos demais e o domine. A egrégora se realimenta das mesmas emoções que a criaram. (<a href="http://www.uni-yoga.com.ar/downloads/pdf/Karma_e_dharma.pdf">DeRose , Kharma &#038; Dharma</a>) </div>
<p>Embora transposta por DeRose para o contexto hindu de karma e dharma, a palavra, grega, é mais utilizada, ao que parece, pelos maçons. Estes consideram as leis de simpatia e antipatia que regem a comunicação humana. (Este contexto, aliás, foi muito importante no medievo e no Renascimento, Foucault em <em>As palavras e as coisas</em> tece bons comentários sobre ele.) A maçonaria tem 33 graus de aprendizagem e maestria, e considera especialmente cada um deles. Toda a ligação entre maçons é enfatizada, dentro de cada nível, e os segredos litúrgicos da transmissão e das reuniões não são passados a estranhos em parte por causa da noção de &#8220;egrégora&#8221;. Abaixo, mais algumas definições tiradas da web:</p>
<div style="display: block; margin: 10px 30px 0 30px; padding: 2px 10px 5px 10px; border-top: 4px solid #333; color: #333; background: #C3D4DF;">
É A EGRÉGORA”, é o mistério que faz de cada um, um só ser, todos os Maçons passam a uma individualização única, é a harmonização dos pensamentos, das idéias dos propósitos, é a Aura geral, o esplendor único, é a transformação de um corpo físico em um corpo místico, é a fusão de todos numa corrente divina. A EGRÉGORA é um ser real que permanece, enquanto o Livro Sagrado estiver aberto. <a href="http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=35374&#038;cat=Artigos&#038;vinda=S">http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=35374&#038;cat=Artigos&#038;vinda=S</a></div>
<div style="display: block; margin: 10px 30px 0 30px; padding: 2px 10px 5px 10px; border-top: 4px solid #333; color: #333; background: #C3D4DF;">
&#8220;Chama-se egrégora a uma entidade, um ser coletivo originado de uma assembléia&#8221;. Entidade viva e etérea a que cada membro contribui com sua parcela individual e, de igual modo, todos se beneficiam pela geração de um estado de consciência que propicia tranqüilidade, repouso e bem-estar. (<a href="http://www.perfeitauniao.org/oficina/2004/a_iniciacao_como_partida.htm">Erton Alves Costa</a>)</div>
<div style="display: block; margin: 10px 30px 0 30px; padding: 2px 10px 5px 10px; border-top: 4px solid #333; color: #333; background: #C3D4DF;">
Chama-se egrégora uma entidade, um ser coletivo originado por uma assembléia, cada Loja possui a sua egrégora, cada obediência possui a sua, e a reunião de todas essas egrégoras forma a grande EGRÉGORA MAÇÔNICA. (J. BOUCHE <em>apud</em> <a href="http://misticismoeesoterismo.blogspot.com/2008/02/egrgora-manica-fenmeno-da-fora-incgnita.html">Egrégora maçônica, fenômeno de força incógnita.</a> </div>
<p>.</p>
<p>O Castaneda, no seu duvidoso esforço final por direcionar produtivamente as aspirações dos leitores que queriam ser seguidores, promoveu seminários em que ensinava uns exercícios corporais que desenvolveu, baseado em várias fontes diferentes, chamados de Passes Mágicos ou Tensegridade. Um dos objetivos destas reuniões finais, segundo ele mesmo explica no livro <em>Arte do Sonhar</em>, era o de ocasionar a criação de uma tal &#8220;massa enérgica&#8221; no ambiente, com a concatenação das várias forças humanas reunidas em um objetivo comum, criaria-se uma concentração irresistível de energia, capaz de vencer os abismos e empurrar as ameaças para longe, dando propósito e propulsão aos guerreiros.</p>
<p>O escritor chileno Alejandro Jodorowsky, junto com o desenhista francês Jean Girard, trata da força envolvente do grupo no final da fenomenal série &#8220;O Incal&#8221;. Desta série eu tinha lido apenas o volume 1, (O Incal Negro), que era do meu irmão <a href="http://www.daniduc.net">Daniel</a>, colecionador de quadrinhos. Mas numa tarde tensa em que estava perto do Metrô Vergueiro, em São Paulo, fui até a <a href="http://www.centrocultural.sp.gov.br/gibiteca/index.html">Gibiteca Henfil</a> e lá li os volumes restantes. O argumento é bastante denso, mas pode-se dizer que o protagonista, John Difool, é um detetive particular do futuro, que se envolve, num ambiente surreal, numa epopéia mirabolante quando encontra-se com a existência do Incal. Este é um artefato em forma de pirâmide, antigo e misterioso, com poderes mágicos, que cai em sua posse. Os inimigos, que querem aniquilar o universo com o não ser e a anti-matéria, passam a perseguir Difool em toda espécie de situação, no ambiente de ficção e futurismo corrompido que o traço de Moebius cria bem.</p>
<p>Difool é inepto e relapso, com vários vícios e defeitos, e está numa missão bem além do seu alcance ordinário. Os seus amigos, mais ambientados na querela intergaláctica, porém, esforçam-se para que  a missão se cumpra de qualquer maneira. Bem, no final da saga o mistério do Incal é revelado, e o  Ohr mostra a Difool que tudo fazia parte de um plano, sendo ele o Alfa e o Ômega daquele universo, o ser e o não-ser. Difool é o escolhido por ser uma encarnação da eterna testemunha, a chama da consciência individual, própria, do ser vivo, que difere do absoluto e deve testemunhá-lo e irrecusavelmente viver. No último quadrinho está a homenagem à força envolvente do grupo que falei. Para manter a vida, e não reencarnar novamente, Difool precisa recordar, ou <a href="http://blog.cybershark.net/miguel/2004/11/11/eu-no-esqueci/">não esquecer</a> e o início disso acontece quando ele se lembra dos bons momentos passados pelas grandes amizades (último quadro). Abaixo a seqüência de quadros da situação descrita. </p>
<p><img src="http://www.consciencia.org/imagens/incal/41.jpg" alt="Incal" /><br/><br />
<img src="http://www.consciencia.org/imagens/incal/42.jpg" alt="Incal" /><br/><br />
<img src="http://www.consciencia.org/imagens/incal/43.jpg" alt="Incal" /><br/><br />
<img src="http://www.consciencia.org/imagens/incal/44.jpg" alt="Incal" /><br/><br />
<img src="http://www.consciencia.org/imagens/incal/45.jpg" alt="Incal" /><br/><br />
<img src="http://www.consciencia.org/imagens/incal/46.jpg" alt="Incal" /><br/><br />
<img src="http://www.consciencia.org/imagens/incal/47.jpg" alt="Incal" /><br/><br />
<img src="http://www.consciencia.org/imagens/incal/48.jpg" alt="Incal" /><br/></p>
<p>Felizmente, graças a internet, não precisamos mais ir nas gibitecas. Você encontra para download a série inteira no<a href="http://www.4shared.com"> 4shared </a>ou <a href="http://www.esnips.com">esnips</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>yoga e religião</title>
		<link>http://blog.cybershark.net/miguel/2008/12/11/yoga-e-religiao/</link>
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		<pubDate>Fri, 12 Dec 2008 00:54:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lendo uma versão do livro de Botânica Oculta do místico Paracelso, me deparei com o seguinte excerto:
A palavra loga é sinônimo da palavra religião, em sânscrito; ambas significam o ponto que une o homem ao Universo e a Deus; seu processo é o mesmo que aquele pelo qual uma semente colhe, de um terreno informe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lendo uma versão do livro de Botânica Oculta do místico<a href="http://www.consciencia.org/paracelso"> Paracelso</a>, me deparei com o seguinte excerto:</p>
<div style="display: block; margin: 10px 30px 0 30px; padding: 2px 10px 5px 10px; border-top: 4px solid #333; color: #333; background: #C3D4DF;">A palavra loga é sinônimo da palavra religião, em sânscrito; ambas significam o ponto que une o homem ao Universo e a Deus; seu processo é o mesmo que aquele pelo qual uma semente colhe, de um terreno informe e obscuro, as moléculas com as quais va¡ formar urna flor bela e aromática. Segundo o ideal de quem a pratica, a loga transforma as moléculas impuras do corpo físico em moléculas fixas e inalteráveis; as paixões baixas, em puro entusiasmo; a ignorância intelectual, em luz de verdade. Esta a razão por que os mestres da loga são representados debaixo duma árvore sagrada. (PARACELSO, Botânica Oculta, Cultrix)</div>
<p>Pesquisas posteriores no Google confirmaram este dado, embora haja alguma controvérsia da sua significação dentro das inúmeras vertentes interpretativas. A etimologia é interessante, especialmente quando consideramos o uso da palavra &#8220;ponto&#8221;. Um ponto oculto, quiçá parte do ser total do homem, que liga o homem ao universo, conhecido desde os primórdios por aquela antiga civilização, aquele antigo império indo-europeu, que existiu em plenitude antes dos alicerces das civilizações que, julgamos, deram origem à nossa. Mas que foi preservado de alguma forma pelas tradições místicas do Oriente. </p>
<p>Ferrater Mora, no seu excelente Dicionário de Filosofia, fornece duas etimologias para o termo, com duas leituras diferentes, uma mais espiritual e outra mais política:</p>
<div style="display: block; margin: 10px 30px 0 30px; padding: 2px 10px 5px 10px; border-top: 4px solid #333; color: #333; background: #C3D4DF;">RELIGIÓN. Dos interpretaciones etimológicas suelen darse de &#8216;religión&#8217;. Según una, &#8216;religión&#8217; procede de religio, voz relacionada con religatio, que es sustantivación de religare (= «religar», «vincular», «atar»). Según otra —apoyada en un pasaje de Cicerón, De ojj-, 11, 3—, el termino decisivo es religiosas, que es lo mismo que religens y que significa lo contrario de negligeiis. En la primera interpretación lo propio de la religión es la subordinación, y vinculación, a la divinidad; ser religioso es estar religado a Dios. En la segunda interpretación, ser religioso equivale a ser escrupuloso, esto es, escrupuloso en el cumplimiento, de los deberes que se imponen al ciudadano en el culto a los dioses del Estado-Ciudad. En la primera interpretación se acentúa la dependencia del hombre con respecto a la divinidad, aun cuando el. concepto de religación puede entenderse de varios modos: como vinculación del hombre a Dios o como unión de varios individuos para el cumplimiento de ritos religiosos. En la segunda interpretación se acentúa el motivo ético-jurídico. Según J. L. L. Aranguren, puede llamarse al primer sentido propiamente hablando religión y al segundo justicia (en la amplia acepción que tenía el vocablo iusütia entre los romanos).(FERRATER MORA, José, Diccionário de Filosofía, Ariel, Barcelona, 1994. </div>
<p>Paracelso, porém, chama a atenção para a maestria dos mestres iogues (tá bom, yogues) hindus, que, através de milênios de aperfeiçoamento conseguiram mapear milhares de nervos do corpo humano e suas consequências e funções. O ocultista, aliás, é famoso por trazer pioneiramente estas informações das tradições orientais para o Ocidente, assim como o alemão Rosenkreuz, criador da fraternidade antiga rosacruz, após ter sido iniciado por mestres em Meca e na Índia. Na definição diz que liga &#8220;o homem ao universo&#8221;, e sendo um ponto, e levando em consideração essa preocupação de mapeamento do ser total, a associação com o ponto de aglutinação do Don Juan, me veio a tona. Seriam a mesma coisa? Abaixo, uma primeira definição que D. Juan teria dado ao discípulo no livro &#8220;O Fogo Interior&#8221;:</p>
<div style="display: block; margin: 10px 30px 0 30px; padding: 2px 10px 5px 10px; border-top: 4px solid #333; color: #333; background: #C3D4DF;">A verdade seguinte é que a percepção tem lugar — continuou — porque existe em cada um de nós um agente chamado ponto de aglutinação que seleciona as emanações internas e externas para alinhamento. O alinhamento particular que percebemos Como mundo é produto da posição específica em que nosso ponto de aglutinação está localizado em nosso casulo.(CASTANEDA, Carlos in <i>O Fogo Interior</i></div>
<p>Esta definição é central em todos os esforços do livro. A tarefa do vidente, em última instância, seria a de saber que o ponto existe, para conseguir movê-lo e alcançar as áreas conscientização ocultas em nós, na segunda atenção. Os toltecas pretendem mapear todas as possibilidades de posição até atingir a &#8220;terceira atenção&#8221;. O ponto de aglutinação é localizado por eles no casulo luminoso (ou da árvore sagrada acima?)como atrás da omoplata direita, a distância de um braço. O ponto de aglutinação se moveria naturalmente, por exemplo, durante o sono.<br />
Abaixo uma representação gráfica que tirei <a href="http://www.nakedspirit.co.uk/p/ap2.jpg">deste site</a>.</p>
<p><img src="http://www.consciencia.org/castaneda/pontodeaglutinacao.jpg" alt="ponto de aglutinação" /></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Está ficando raro&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 22:33:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eis alguns exemplos de situações da fala que se repetem:
&#8220;Comprei uma bicicleta&#8221;
R:&#8221;Preciso de uma para mim&#8221;
&#8220;Escrevi um post novo&#8221;
R: &#8220;Hmm, vou escrever um daqui a pouco&#8221;
&#8220;Tive 54 visitas&#8221;
R: &#8220;Hmm, o meu site teve 28&#8243;
&#8220;Passei no vestibular&#8221;
R: &#8220;Ah tá&#8221;
&#8220;Vi o novo filme tal, achei muito bom&#8221;
R: &#8220;Ah, você ja viu o filme ypsilon, vi ontem, é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis alguns exemplos de situações da fala que se repetem:</p>
<p>&#8220;Comprei uma bicicleta&#8221;<br />
R:&#8221;Preciso de uma para mim&#8221;</p>
<p>&#8220;Escrevi um post novo&#8221;<br />
R: &#8220;Hmm, vou escrever um daqui a pouco&#8221;</p>
<p>&#8220;Tive 54 visitas&#8221;<br />
R: &#8220;Hmm, o meu site teve 28&#8243;</p>
<p>&#8220;Passei no vestibular&#8221;<br />
R: &#8220;Ah tá&#8221;</p>
<p>&#8220;Vi o novo filme tal, achei muito bom&#8221;<br />
R: &#8220;Ah, você ja viu o filme ypsilon, vi ontem, é bom&#8221;</p>
<p>&#8220;Tenho o seguinte problema&#8221;<br />
R: &#8220;Entendo&#8230;&#8221;</p>
<p>Nada contra a troca de experiências, porém o costume de ouvir (sim, eu tento praticá-lo!), considerar o Outro, parabenizar, se interessar está ficando cada vez mais raro na competitiva sociedade moderna de consumo. Parece que as únicas reações possíveis são de a) inveja b) desprezo e c) indiferença. Se você considerar que o ego descontrolado aparece ao interlocutor como algo pesado e pegajoso, logo vemos o quão penuriosa está tornando-se a comunicação. Tudo o que você fala é apropriado pelo universo pessoal do interlocutor. Comece a policiar as conversas para ver como as situações desse tipo são frequentes, o egotismo infantil não está mais sendo superado. Lembramos de uma máxima de Zenão, o estóico:</p>
<p>&#8220;O motivo de se ter duas orelhas e somente uma boca é que devemos ouvir mais do que falar&#8221;.</p>
<p>Outra questão é quando você faz algo generoso pelo próximo e a bola volta quadrada, por causa do constrangimento ou da esquizofrenia ingrata de achar que não fizemos mais do que a obrigação. E se você dá corda, por outro lado, a pessoa te transforma num mero &#8220;gateway&#8221; para as nuances e mil problemas do cotidiano, abusando da boa vontade. Aliás, é pertinente a classificações dos espreitadores do universo de castaneda acerca dos tiranos e das pessoas como &#8220;peidos&#8221; &#8220;mijos&#8221; na crítica implacável à &#8220;auto-importância&#8221;&#8230; É uma reivindicação brusca de ser o centro do universo, somos todos reis e rainhas, ou um dos problemas da democracia, é que todos querem ser aristocratas <img src='http://blog.cybershark.net/miguel/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>O centímetro cúbico de oportunidade</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 22:53:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É mais um conceito explanado pelo Don Juan de Castaneda, especialmente no livro Viagem a Ixtlan. O guerreiro, na busca por poder pessoal, está sempre a espreita para agarrar esse instante mágico de espaço e tempo com tenacidade. Uma pequena ocasião pode mudar toda a sua vida e o modo como o poder se acumula. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É mais um conceito explanado pelo Don Juan de Castaneda, especialmente no livro <em>Viagem a Ixtlan</em>. O guerreiro, na busca por poder pessoal, está sempre a espreita para agarrar esse instante mágico de espaço e tempo com tenacidade. Uma pequena ocasião pode mudar toda a sua vida e o modo como o poder se acumula. No mundo ocidental, existe uma mistura entre a noção de sucesso e a escalada social, que gera muitos equívocos graves e constantes, com o paradigma das realezas misturando-se ao plano divino, o que é expresso, por exemplo, na construção jurídica do direito divino do rei. Como se apenas a vida aristocrática do <em>kalos kagatho</em> platônico se verificasse, além de politicamente, também espiritualmente. </p>
<p>A esse respeito, Max Heindel, no capítulo XII (A época Atlante) do seu clássico Conceito Rosacruz do Cosmos, tem uma consideração interessante. Vale lembrar que o cerne da doutrina rosacruciana alega que manteve contato com certas tradições que traziam um conhecimento preservado desde a origem do mundo.</p>
<div style="display: block; margin: 10px 30px 0 30px; padding: 2px 10px 5px 10px; border-top: 4px solid #333; color: #333; background: #C3D4DF;">
A segunda raça atlante foi a dos Tlavatlis. Começaram a sentir seu valor como seres humanos separados. Tonaram-se ambiciosos, pediam recompensa pelas suas obras. A memória tornou-se um importante fator na vida da comunidade. A recordação das proezas de alguns fez o povo eleger para Guia o que tivesse realizado feitos mais importantes. Foi o germe da realeza.</p>
<p>A lembrança das obras meritórias de algum grande homem permanecia depois da morte. A memória dos antepassados começou a ser honrada. Não só os antepassados, também outros que tivessem alcançado algum grande mérito foram honrados e adorados. Foi o princípio de certa forma de adoração, ainda hoje praticada por alguns asiáticos. (Max Heindel, <a href="http://www.fraternidaderosacruz.org/conceito.htm">Conceito Rosacruz dos Cosmos</a>) </div>
<p>Apesar da ressalva, creio que ela não se aplica ao centímetro cúbico aproveitado por Paul Potts, ex-vendedor de celulares que ganhou um concurso inglês de revelação de talentos. O vídeo, que o <a href="http://www.diablerie.com.br">Arddhu </a> me indicou fez muito sucesso na internet. Diante de um juri inicialmente incrédulo ele confirma que não estava ali para brincar, mas confirmar sua vocação. Sua incrível performance surpreendeu a todos, levantando o público e deixando o júri embascado, totalmente envolvido. É um exemplo de Revolução de Sistemas.</p>
<p>Abaixo, uma das versões da performance.</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/O2OISeEvZ1A&#038;hl=en&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/O2OISeEvZ1A&#038;hl=en&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
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		<title>Nostalgia &#8211; Ensaio de Luiz Carlos Maciel</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 04:54:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Resolvi postar este ensaio do Maciel, publicado em 1977, porque o julguei interessante &#8211; o texto tem uma profundidade porque é escrito a partir de um ponto psicológico de calma, que está se tornando raro, e exerce brevemente uma denúncia sobre um tema que continua atual. O que se fala há 30 anos, separando os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Resolvi postar este ensaio do Maciel, publicado em 1977, porque o julguei interessante &#8211; o texto tem uma profundidade porque é escrito a partir de um ponto psicológico de calma, que está se tornando raro, e exerce brevemente uma denúncia sobre um tema que<a href="http://blog.cybershark.net/miguel/2005/12/05/destino-tedioso-e-presumvel/"> continua atual</a>. O que se fala há 30 anos, separando os períodos e gerações dos anos cinqüenta, sessenta e setenta, repete-se monotamente hoje, em muitos casos. Não há nada de errado com o passado, mas a saudade da época áurea da vida, que já foi analisada como uma dimensão mítica atemporal da idade de ouro da humanidade, pode tolher nossos sentidos para o tempo que se aproxima, fixando-se no tempo que passou. A saudade pode ser apenas a falta incômoda da capa brilhante da consciência que se foi&#8230; Às vezes é preciso`romper com a causalidade para enxergar e abrir o ser, para que o novo irrompa. Mesmo que este seja apenas um reencontro.</p>
<p><strong>NOSTALGIA</strong><br />
Luiz Carlos Maciel in A morte Organizada</p>
<p>Dizem que há um clima geral de nostalgia em todo o mundo. De repente, como se tivéssemos ficado cansados das novidades incessantes dos últimos anos, estaríamos parando para lembrar. São numerosos os jornais e revistas, os articulistas e repórteres, que parecem estar tentando nos convencer de que a memória, afinal de contas, é bem mais excitante e divertida que a vida atual. O que tem Humphrey Bogart e Mari-lyn Monroe que Mick Jagger e Alice Cooper, a julgar por eles, não têm? É difícil saber, considerados apenas os chamados dados objetivos desses nomes e dos fenômenos mais amplos que eles representam. As coisas passam e o mundo muda — isto é tudo. Se, de alguma forma, nos prendemos ao que passou ou pretendemos, periodicamente, retornar a ele, isso deve ser naturalmente atribuído a uma poderosa força psicológica sobre a qual não parecemos ter, ainda, muita clareza. Por que o passado — e não o passado distante, mítico e incognoscível, mais aberto portanto à imaginação, mas um passado que vivemos — nos parece, de súbito, tão atraente e envolto em encanto?<br />
A nostalgia, como fenômeno social, é o produto direto de um certo sentimento do mundo, que se pretende afirmar como dominante, típico de pessoas que ultrapassaram a metade provável de suas vidas. Vivemos sempre no passado ou no futuro; a desatenção nos desvia no momento presente para essas fantasias, sempre imprecisas mas exigentes, sugeridas pela memória e pela imaginação. Os jovens, por exemplo, em sua circunstância biológica, costumam viver o futuro: são, inteiramente, projeto e antecipação. Gostam de previsões, profecias e, mesmo, planos a longo alcance. A imaginação doentia, então, se projeta para diante. Na medida em que a vida passa, porém, o futuro se fecha, as fantasias se desmentem e a imaginação — cada vez mais doentia, pois em geral tentamos curar nossas doenças ingerindo doses cada vez mais altas dos venenos que as provocaram — procura pasto na memória. Frustradas as suas antecipações, o ego sente que está perdido e abandonado à insegurança fundamental da liberdade — que, aliás, só é angustiante em sua ótica deformada, sendo para o homem desperto, ao contrário, fonte de paz e equilíbrio psicológico. Volta-se, então para essas imagens obscuras da memória como se elas fornecessem um atestado da existência objetiva de algum paraíso e seguro que ele, o ego, pudesse dominar. As imagens obscuras, porém, são apenas imagens obscuras, não correspondendo a nenhuma realidade efetiva, e o sentimento que brota então é uma coisa morna e passiva, doce mas triste, aparentemente tranquilizadora mas mortal a que chamamos nostalgia.<br />
A verificação prática é fácil. Todos os objetos da pretensa onda de nostalgia que, segundo certa imprensa, é uma moda atual, são lembranças dos anos cinqüenta, justamente a época em que as pessoas que, agora, estão na metade provável da vida, eram jovens curiosos e abertos ao futuro. O aparecimento de um sentimento nostálgico no mundo, nessa gente, indica, antes de mais nada, que estamos vivendo o momento histórico em que elas viram desmentidas as suas antecipações, frustrados os seus projetos e desmanchado o futuro fictício que elaboraram longamente nas cavernas secretas da imaginação. Por que a nostalgia não se satisfaz com um passado mais recente? Por que não ousa recuar a um passado mais remoto? Não: as explosões nostálgicas fixam-se num recuo de cerca de vinte anos, mais ou menos, ou seja, justamente o período intermediário entre a infância e a adolescência dos que estão nos trinta, nos quarenta, e suas atuais decepções. &#8220;Já temos um passado, meu amor&#8221;, diz Caetano Veloso em Saudosismo. Essa verificação existencial é o ponto inicial do processo: o passado reaparece a partir do esvaziamento do futuro. Os anos cinqüenta aparecem, imaginariamente, como a perspectiva perdida de um controle ingênuo da realidade, típico da infância e da adolescência — uma ilusão evanescente, é verdade, mas nossa primeira reação ao desamparo é o apego a ilusões — dolorosas ou agradáveis, não importa. Naturalmente, o que se introduz aqui, na vida de um indivíduo, é a própria velhice e a própria morte, disfarçadas nas cores suaves da memória. &#8220;Recordar é viver&#8221;, dizem as pessoas mais velhas, morrendo sempre mais um pouco — sabendo ou não —, na medida em que se fortalece o apego ao que passou.<br />
A nostalgia é uma espécie de nó psicológico. Ela obstruí a atenção ao momento presente, invertendo o sentido original de velhas aspirações — políticas, afetivas, existenciais, etc. Pode ser definida como o momento traiçoeiro de descoberta do passado, uma reversão psicológica de conseqüências mortais para a vida espiritual de qualquer indivíduo ou coletividade. Por isso, as épocas nostálgicas são sempre épocas de poucas perspectivas para o futuro. Quando a sombra das desilusões caem sobre ele, nossa sede insana por segurança e conforto, nossa moleza espiritual e nossa covardia procuram refúgio no passado. Esse sentimento do mundo aparece sempre quando a geração intermediária — sempre influente nos caminhos das coisas — se defronta, afinal, com uma perplexidade insuperável. Norman O. Brown já estudou o fenômeno da regressão psicanalítica em termos de uma nostalgia de uma Idade de Ouro perdida junto com a infância. Resta verificar a medida em que essa nostalgia serve a interesses ideológicos específicos de estagnação da vida que deveríamos permitir que se renovasse sempre. A nostalgia, de que tanto falam os jornais e revistas, não passa de um poderoso instrumento psicológico da Morte Organizada.</p>
<p>__________________________</p>
<p>Ainda sobre esse assunto Kafka escreveu no conto <a href="http://poesiadepanela.blogspot.com/2008/05/uma-mulher-pequena-de-franz-kafka.html">&#8220;Uma mulher pequena&#8221;:</a></p>
<p>&#8220;Mas em parte trata-se apenas de um sintoma da idade; a juventude veste tudo com belas roupagens; pormenores desagradáveis se perdem no jorro enérgico da juventude; mesmo que alguém, quando jovem, tenha tido um olhar um tanto à espreita, isso não é levado a mal, não é notado nem por ele próprio; mas o que sobra na velhice são resíduos e cada um deles é necessário, nenhum é renovado, todos ficam sob observação – e o olhar de espreita num homem de idade está claramente à espreita, não é difícil percebê-lo. Mas também aqui não se trata de uma piora real e efetiva.&#8221;</p>
<p>E Drummond: &#8220;Não recomponhas tua sepultada e merencória infância<br />
Não osciles entre o espelho e a memória em dissipação.<br />
Que se dissipou, não era poesia.&#8221;</p>
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