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	<title>Blog do Miguel &#187; Marcos Bagno</title>
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	<description>Resumos, ensaios e indicações do professor Miguel, dono do site Consciencia.org</description>
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		<title>preconceito linguístico: linguística descritiva e normativa.</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 01:24:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Afirmações preconceituosas do senso comum como &#8220;mim não faz nada, só índio fala mim&#8221; trazem embutida um fenômeno social interessante, abordado por Marx: a absorção: a absorção da ideologia da classe dominante pelas outras classes. Fortalecer a democracia envolve também desmontar esta ideologia e promover o debate amplo e o conflito de idéias. Afirmações como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Afirmações preconceituosas do senso  comum como &#8220;mim não faz nada, só índio fala mim&#8221; trazem embutida um fenômeno social interessante, abordado por Marx: a absorção: a absorção da ideologia da classe dominante pelas outras classes. Fortalecer a democracia envolve também desmontar esta ideologia e promover o debate amplo e o conflito de idéias.</p>
<p>Afirmações como essa são refutadas por Marcos Bagno, por exemplo, quando ele nos traz excertos dos Lusíadas do poeta português Luís de Camões. Este texto é considerado um dos fixadores da língua portuguesa, assim como foi a tradução da Biblia por Lutero, que ajudou a padronizar o incipiente idioma alemão, que tinha inúmeros dialetos. É, portanto, original, e contém algumas palvras que são consideradas incorretas pelo português padrão, como &#8220;frecha&#8221;. Bagno também aborda o interessante fenômeno do arcaísmo: em algumas comunidades rurais semi-isoladas conservam-se o que seriam verdadeiros &#8220;fósseis linguísticos&#8221;, formas originais que não foram alteradas com a interação da dinâmica da metrópole, nem absorveram as mudanças que ocorrem postumamente pelos poderes centrais. O advérbio latino &#8220;ad&#8221;, por exemplo, formou várias palavras começadas com &#8220;a&#8221;, como arrepiar, e muitas depois perderam este &#8220;a&#8221;. Nas comunidades, no entanto, mantiveram-se, como no vocábulo hoje considerado caipira &#8220;alevantar&#8221; e &#8220;arreparar&#8221; (Elomar canta: sem arreparar se é noite ou dia, vai longe cantar o bem da forria &#8211; sem um tostão na cuia o cantador / canta até morrer pelo bem do amor).</p>
<p>Assertivas do senso comum muitas vezes trazem uma carga normativa e consideram que só a gramática normativa tradicional é a correta. Embora seja importante seu ensino através dos aparelhos ideológicos como a Escola, ela pode também ser fonte de preconceitos infundados na perspectiva da linguística, já que esta aborda o fenômeno tal como ocorre, sem considerar nenhuma variante melhor do que a outra. Cada comunidade em sua variedade tem suas necessidades de comunicação atendidas e satisfeitas, e cada língua é suficiente para descrever e interagir com o mundo que o cerca. Quando um hiato de incomunicabilidade ocorre, mostra-se a dinâmica da língua, com a incorporação de vocábulos de outras variantes ou de outras línguas, ou mesmo com a criação de novos vocábulos e expressões. A linguística tem uma tendência a comportar-se, portanto, descritivamente e não normativamente.</p>
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		<title>o mito da unidade linguística no Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 23:26:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde a independência do Brasil os políticos se ocuparam em formatar no imaginário popular um certo mito de fundação do país, usando para isso recursos da simbologia e da ideologia. Dom Pedro II, por exemplo, criou um Instituto Arqueológico e promoveu expedições para mostrar a antiguidade da civilização em terras brasileiras, fomentando assim um desapego do novo país recém-independente em relação à matriz e a dependência colonial histórica. Marilena Chaui cita em &#8220;Brasil: Mito de origem e Sociedade Autoritária&#8221; algumas outras idéias trabalhadas, como a glorificação de uma natureza idílica e gentil e das riquezas que ela propicia, o que foi aproveitado na confecção do símbolo máximo da bandeira do brasil. Outro mito de fundação estaria do caráter do povo brasileiro, aberto a todos os povos e culturas do mundo, envolto numa espécie de &#8220;Bonomia Superior&#8221;, como diz Sérgio Buarque de Hollanda ao explicar o seu conceito de &#8220;homem cordial&#8221; brasileiro. Darcy Ribeiro também considera estes mitos ao dizer que o Brasil está assentado na mais bela província da Terra, e por isso foi muitas vezes considerado, literalmente, o paraíso bíblico na terra, o que Sérgio Buarque explora no seu clássico &#8220;Visões do Paraíso&#8221;. Ao explicar a origem do que chamou de &#8220;ninguénzada&#8221;, ou seja a população brasileira, Darcy aborda a grande miscigenação que possibilitou aos colonizadores fincar nova população em território descomunal: a melancolia portuguesa, a força e ginga dos africanos e a sede de liberdade inflexível das nações indígenas. Este mito é explorado na Bandeira do Estado de São Paulo, que é tricolor, com as três cores representando os três &#8220;sangues&#8221; principais da formação dos nosso povo: vermelho, preto e branco.</p>
<p>O mito da Unidade Linguística no Brasil pode ter origem no próprio processo de colonização, já que o território era disputado pelos portugueses com outras potências européias: França, Holanda e Espanha, principalmente. Após a Independência o Brasil conseguiu manter coeso o território político, ao contrário da fragmentação do Império na América Espanhola, que se dividiu em vários países. Isso foi mantido, por vezes, com a força das armas, como nos mostra a biografia de Duque de Caxias durante o Império Brasileiro: Balaiada no Maranhão, Guerra dos Farrapos etc.</p>
<p>É evidente que no Brasil não se fala apenas uma única língua (o português). No imenso território do &#8220;país-continente&#8221; podemos atestar isso através de inúmeros fatos, como a presença maciça de imigrantes em tempos relativamente recentes. Nesse sentido, clássico é o exemplo de pequenas comunidades semi-isoladas no interior de SC e RS, que orgulham-se de conservar certas tradições de seus países de origem, como a Alemanha e a Itália. Também, especialmente mais ao Norte, encontramos comunidades e nações indígenas que têm o direito garantindo de conservar como podem seu idioma e suas falas nativas.</p>
<p>Ainda hoje causa espanto para alguns a decisão do Governo Vargas, durante a II Guerra Mundial, de proibir que se falasse e ensinasse o alemão nas escolas de algumas destas cidades no interior de SC e RS. Isto nos leva a crer que a unidade linguística é promulgada politicamente, a partir de um centro de irradiação de poder. O nhengatu e a língua geral paulista, mistura de língua guarani com gramática portuguesa (jesuítica) era a mais falada no Brasil até o Marquês de Pombal impôr o uso do português somente no século XVIII. Na prática a unidade linguística via de regra sempre encontra vários contra-exemplos e exceções. Mesmo o português brasileiro não é único, embora haja liames recorrentes, como na ação da mídia ou da Rede Globo, que cumprem um papel planificador ao propalar em seu sinal um número reduzido de variantes linguísticas, adotando um padrão e ignorando ou estereotipando as diferenças e variações regionais. Estas são notáveis: no litoral fala-se diferente do interior e cada estado mantém um &#8220;sotaque&#8221; próprio. Adotar uma das variantes como padrão único é considerado pelos sociolinguístas como um legado autoritário e centralizador, ou, como diz Marcos Bagno &#8220;A língua padrão é a língua do patrão&#8221;.</p>
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		<title>variação linguística e preconceito linguístico: sociolinguística, origem e definição</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 23:02:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Miguel</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O objeto de estudo da sociolínguistica foi fixado no meio acadêmico norte-americano nos anos 1960, e um ponto vital deste processo foi um congresso na Universidade de Los Angeles, Califórnia (UCLA), que reuniu vários estudiosos em 1964, e cujos trabalhos apresentados foram publicados em um livro chamado &#8220;Sociolinguistics&#8221; dois anos depois. Naturalmente, este ponto de inflexão não excluí uma precedência no campo teórico desta nova corrente, que podemos encontrar em outros autores desde o início do século XX. O russo Mikhail Bakhtin, por exemplo, no clássico &#8220;Marxismo e Filosofia da Linguagem&#8221; procurou pensar toda a ebulição que a filosofia da linguagem vinha causando a partir de uma perspectiva sociológica dentro do campo teórico da filosofia da práxis marxista.</p>
<p>Os sociolinguistas perceberam que a linguística não estava dando conta de explicar certos fenômenos, como o da variação linguística social dentro das comunidades de fala. Estas variações são verificáveis, por exemplo, no sistema de castas brahmâne, onde cada camada do estrato social usa palavras diferentes para designar um mesmo objeto. Uma frase como &#8220;Tu não sabe com quem está falando&#8221; ouvida no Rio de Janeiro pode levar a suposição que os falantes são jovens. A sociolinguísitca observa também as variações que ocorrem na comunicação de adultos com bebês, o chamado &#8220;baby talk&#8221; e outras verificáveis em diferentes grupos de fala. Numa ilha isolada no interior de Massachussets os habitantes podem exercitar um idioleto diferente do inglês praticado no continente.</p>
<p>Para alcançar estes objetivos, a sociolinguísitica  precisa ser interdisciplinar, dialogando com outras áreas das ciências sociais e humanas, especialmente, é claro, a sociologia e antropologia. Têm se caracterizado como importante no combate ao preconceito e na defesa de minorias que falam variantes diferentes do padrão, já que sua abordagem procura ser descritiva, e não normativa. O combate ao preconceito linguístico no Brasil tem como um dos protagonistas o professor Marcos Bagno, autor dos livros  &#8220;Língua de Eulália&#8221; e &#8220;Preconceito linguístico, o que é e como como se faz&#8221;.</p>
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