[insaned]

January 27, 2008

dia 12 - San Pedro de Atacama à Antofagasta (CH)

Filed under: atacama — poka @ 9:21 pm

Na noite anterior, fora com o Hall para a estrada para experimentar a minha moto e ver se descobria a causa da barulheira… nao descobriu, concluiu que nao aumentava, mas que achava que daria pra continuar em frente. UFA! Avaliaremos ao longo do caminho!

Pois é… depois do merecido descanso e passeios escandalosos em San Pedro, já era a manha de partirmos. Acordamos perto das sete da manha e saimos completamente sonados para uma rapida visita de moto ao Valle De La Luna, distando poucos km da nossa pousada.

Esse é mais um dos passeios tradicionais da regiao, mas eu nao esperava muita coisa nao… Ledo engano! O lugar eh lindo e a luz da manha deixa-o ainda mais deslumbrante! As fotos no flickr falarao por mim…

Na volta, entrando na cidade, meu primeiro contato com os Carabineros Del Chile, a polícia local. Fomos parados, pediram nossos documentos e toda a rotina que vcs jah sabem. Soh que o bonitao aqui esquecera tudo na pousada, distando duas quadras dali!

Tomei um sabao do guarda, ameaçou de multa, mas ficou soh por isso! Que sorte!

Rapida saida pra umas comprinhas, achei um adesivo de SPA que caiu como uma luva na minha moto. Alias, falando dela, ela mudou seu nome de “La Tenebrosa” para “Jovencita”, depois de ter morrido em Londrina e renascido, com coracao novo. O adesivo de San Pedro se tornou a sua primeira tatuagem!

Ando com uma mania de me inclinar pra frente, na estrada, enquanto converso com ela, acariciando a sua carenagem, tratando-a como um cavalo. A unica diferenca eh que eu nao conseguiria comer um bife da minha moto, enquanto eu devoraria um cavalo inteiro!

Voltamos pra Pousada, despedidas dos nossos anfitrioes e muito, muito chao pelo deserto, rumo ao tal do Oceano Pacifico. O vento era algo insano e nao era uma visao incomum a moto na frente inclinada em mais de 20 graus para se manter em linha reta.

Atravessamos uma tempestade de poeira de boa proporçao - nao posso dizer que era uma tempestade de areia, pois vc nao ve areia em qase nenhum lugar do deserto do Atacama. Tudo que se encontram sao pedras, poh de pedras e mais pedras.

Muitas minas pelo caminho, em especial em Calama, no coraçao do altiplano. De Calama, seguimos rumo a Tocopilla, jah na costa do Pacifico. Fiquei emociado ao ve-lo e mais ainda com a Jovencita, que estava me levando ateh ele!

De Tocopilla seguimos ateh Atofagasta, capital da Region II (acho), onde iriamos dormir. Escolhemos uma estrada que beirava o oceano e acabamos tendo uma boa chance de descer ateh o mar e tirar fotos de nossas motos naquele lugar.

A moto do Hall atolou e foi divertido filma-lo tenntando tira-la daquela roubada… pelo menos para mim foi bastante divertido!

Algumas coisas que impressionaram muito nesse dia de viagem: a pujança mineral do deserto chileno, as praias de pedras no Pacifico e a completa ausencia de vida proximo ao oceano, alem de nenhum rio. A tal da ressurgencia de agua fria que cria o deserto eh malvada mesmo. O mar, porem, transborda em vida. Da pra ver pelas fotos!

Alem disso, abundam minas e mais minas em todo o trecho desde San Pedro. Ao longo da costa, percebem-se linhas que cortam os morros, num zigue-zaguear de caminhoes de minerio. Fiquei extremamente impressionado com isso!

Chegamos em Antofagasta ao anoitecer (anoitecer chileno, ou seja, depois das 21:30), arrumamos um tremendo dum muquifo pra dormir uma noite (os travesseiros cheiravam a vomito), saimos pra uma janta boa e desmaiamos!

Estou cuidando do upload das fotos e nao sei se eu terei paciencia de contar os proximos trechos ainda hjh - sao 22:21 em Mendoza e a fome estah me corroendo!

Business Broker

Cá estamos nós… Mendoza!!!!

Filed under: atacama — poka @ 8:43 pm

Pois é… depois do meu post depressivo e de desabafo, esse aqui é nitidamente aquele em que conto que tudo está correndo bem e que eu nao precisei fugir do Deserto do Atacama!

Hoje será a nossa terceira noite aqui em Mendoza e eu estou amando esta cidade. Cheguei mesmo a sugerir pra Fri para que conseguisse uma transferencia pra cá, que eu topava “virar argentino”!

Enquanto baixo as fotos da camera para uma pasta aqui na máquina da lan, vou atualizando o diário de viagens… uma nota geek, antes… essa é a maior lan house q eu jah entrei - sao mais de 200 maquinas num unico salao!!

Business Broker

January 22, 2008

agora que postei tudo, as preocupacoes…

Filed under: atacama — poka @ 3:34 pm

Pois eh, nem tudo sao flores.

Minha moto estah com um barulho estranho. O Hall notou ele ontem e se preocupou bastante. Falou que se for algo grave, teremos que abortar Iquique, Antofagasta e Mendoza e voltar pelo caminho mais curto.

Nao quero.

Se for um problema grave, que eu nao sei se saberemos agora (vamos mexer mais tarde, quando formos ao Valle de la Luna), minha intencao eh que eles sigam viagem e eu retorne pelo proprio Paso de Jama e dali para o Brasil.

Ha muitas cidades por aqui. Ha muitas cidades grandes no caminho. Se a moto quebrar de vez, ponho numa transportadora e mando pra SP. Pego um meio de transporte qualquer e tb me mando de volta pra SP. Nao eh um problema.

Nao quero carregar a responsabilidade de encurtar a viagem dos demais. Nao mesmo. Isso eh uma merda. Pelo que eu assuntei hj no onibus, voltando de Tatio, eles nao parecem gostar da minha ideia.

Ue, fodam-se se nao gostarem. Se for um problema grave, sou capaz de sair escondido, para que as coisas nao sejam de outra maneira. Sou teimoso pra cacete, sei que ha um risco de quebrar na estrada, mas nao quero encurtar a viagem de ninguem…

Por hoje, eh isso!

Vou tentar colocar titulos nas fotos, enquanto as ultimas 65 sobem…

dia 11 - San Pedro de Atacama

Filed under: atacama — poka @ 3:27 pm

Nosso primeiro erro magistral - ontem contratamos com uma agencia a visita aos geysers de tatio e sabiamos que a van passaria em nossa pousada entre 04:00 e 04:20 para seguirmos viagem.

Colocamos nossos alarmes, mas ninguem se preocupou com o horario, efetivamente. Acordamos as 03:30 e estavamos nos preparando, quando nos tocamos do fuso horario. Haviamos acordado uma hora mais cedo!

A ida ao campo geotermal foi cansativa. Sao pouco mais de 90km em estrada muito ruim, com muito sono e com muito frio. Levamos duas horas! Acordei em varios trechos da estrada, mas logo apagava novamente.

Finalmente, chegamos! As primeiras fumarolas, os geysers propriamente ditos e as piscinas de aguas quentes. Que beleza! Pena que estava tudo coberto por nuvens, em um friozinho de 2°C. Mas valeu mesmo assim. Tirei diversas fotos, filmei algumas coisinhas, mas nao sei quando conseguirei postar. Estou fazendo o upload de mais 50 fotos, mas ainda tem 115 para acabar esse card e depois mais umas 100 no outro para chegar lah… hoje eu tenho certeza que nao dara tempo!

Tomamos cafe na frente da van - um sanduba de frios, nescafe quente (muito benvindo) e UM BOMBOM. Ao final de tudo, nossa guia chegou com muitos ovos cozidos, feitos ali mesmo, na agua de um dos geysers.

E espetacular de se ver. Acredita-se que o processo comece mais de 65km abaixo daquela saida, no proprio magma. Sabe-se que o magma aquece uma camada consideravelmente grossa de rochas e estas, em contato com um rio subterraneo frio, fazem com que a agua se vaporize. A agua vaporizada acaba tampada por outra camada superior de agua tambem fria. A pressao aumenta, a bagaca jorra que nem louca. Vale a pena.

Na volta, parada para fotografar bichos, vilarejos e outras coisitas mas. Chegamos em SPA proxima as 13:00. O Leandro foi dormir, o Hall foi as compras e eu vim pra ca, tirar o atraso. Agora o meu blog viajero estah em dia. Pena que as fotos nao possam acompanhar na mesma velocidade, ainda que a conexao aqui seja bem veloz.

Ainda nao almocei…

dia 10 - San Pedro de Atacama

Filed under: atacama — poka @ 3:16 pm

Acordei mais cedo que os outros e aproveitei para fazer a barba. Tomamos cafe em uma especie de padaria e nos preparamos para seguir ateh as Lagunas.

Minha tristeza - parece que o SD de 4Gb nao estah funcionando na minha maquina, o que me deixaria com apenas mais 1Gb para poder tirar fotos. Após o cafe, depois de passarmos pelo caixa automatico, encontrei um SD de 2Gb e comprei, triplicando as minhas reservas!

Seguimos de motos ateh os lagos salgados, no altiplano. Rodamos cerca de 120km, mas dos quais 30 foram em terra e pedras soltas. Divertido! Muitas fotos aqui!

As lagunas sao interessantes, mais pelo aspecto geologico do que por qualquer outro. Notam-se maravilhosos vales cortados pelas geleiras, em formato de “U”. É muito legal poder ver ao vivo as coisas dos livros. Pensei na Aline aqui - ela deve ter pirado na Patagonia com esses aspectos de relevo glaciar.

Tivemos um encontro com um Zorro, que é como uma raposa. Tirei muitas fotos do bichinho, que praticamente comeu na mao do Hall. Tirei tantas que a minha bateria esgotou-se. Consegui apenas mais duas fotos depois disso!

Das lagunas seguimos ao Salar do Atacama, para vermos os flamingos. Lugar legal, estrada no meio do sal. Bichos rosados interessantes!

Voltamos a cidade, banho, janta e cama. No dia seguinte, nossa intencao era seguir ateh os Geysers de Tatio, uma formacao geotermal que eu sempre morri de curiosidade por conhecer.

Porem, nao vou acabar esse post por aqui nao… Descobri que estou bem adiantando, estou conseguindo fazer upload de toneladas de fotos no flickr (estah na 190 agora) e eu ainda tenho duas horas para almocar e voltar para a pousada, para que saiamos com destino ao Valle de la Luna, para ver o famoso por do sol.

San Pedro eh uma graca de cidade. As casas sao quase todas de adobe, uma especie de tijolo feito de barro local, com telhados tambem cobertos de adobe. Eh um enorme labirinto, que me faz pensar bastante nas cidades da cultura indigena norte-americana, mais especificamente dos povos do deserto.

Desde a fronteira argentina, as pessoas tem tracos indigenas fortes. Eh o povo dos andes, com rostos que me lembram peruanos, bolivianos e outros, guardadas e respeitadas as devidas diferencas. Cai mais uma lenda para mim - que a Argentina nao tem indigenas. Tem sim e estao em Salta e Jujuy.

O povo chileno me pareceu, ateh agora, mais fechado que o argentino. Fomos muito mal atendidos no unico posto de San Pedro, mas nao posso falar isso do resto da cidade - nos restaurantes, lojas, pousada, agencia de turismo - tudo foi excelente. Soh nao sao tao abertos quanto os argentinos.

Aqui em San Pedro, ha pessoas do mundo todo. Enquanto escrevo, ouco espanhol, alemao, frances, ingles, portugues e outras coisas. Eh uma loucura. Nao eh o mesmo tipo de gente que estava em Purmamarca, mas parecem mais com excursionistas e tambem com o tradicional estilo aventureiro de boutique que temos em Lencois, BA. Os dois tipos tem por aqui e eh uma mistura interessante.

Tanto o Chile quanto a Argentina parecem respeitar bastante o turista e a inteligencia deste. Nao ha vigias na grande maioria dos monumentos nacionais, apenas placas de aviso. Aqui, definitivamente, explora-se o turismo e nao o turista. Vale a pena!

Depois de mais de uma semana na estrada, comeco a me sentir efetivamente relaxado e de ferias. Sequer penso em SP e no meu trabalho. Sei que ha coisas importantes pendentes, mas sei que ha gente competente cuidando delas e simplesmente nao me preocupo. Terei tempo de sobra pra fazer isso quando eu voltar. Sequer abri as minhas caixas de email e sigo tocando com SP pelo telefone, com a Frida.

Vamos ao proximo post!

dia 9 - de Tilcara a San Pedro de Atacama

Filed under: atacama — poka @ 2:41 pm

Acordamos muito cedinho, inauguramos o cafe da manha e logo estavamos rodando. Seguimos ateh Susques, ultimo abastecimento antes do Atacama e tambem posto da Aduana Argentina.

Susques fica acima dos 4000m e, ateh ali, as motos vinham se comportando bem na altitude. Como se sabe bem, o ar rarefeito tem um efeito nocivo nos motores de combustao, baixando a sua potencia e elevando loucamente o seu consumo… eu estava preocupado com isso!

No abastecimento, a surpresa boa - minha moto estava com consumo na faixa de 22km/l, melhor que na estrada mais abaixo! O mesmo nas outras duas. O ajuste que o Hall fizera nos carburadores em SP estava se mostrando excelente!

Passamos tranquilamente pela Aduana e logo estavamos no Paso de Jama, na fronteira internacional. Fui posar para uma foto na frente da placa e desequilibrei da moto e tomei o meu primeiro chao. Pra piorar, como o Hall iria tirar a minha foto, jah estava com a maquina na mao e acabou fotografando a moto no chao. Precisei da ajuda dos dois para levantar a moto em 4320m de altitude, o que se tornou um esforco inacreditavel!

Seguimos em frente, pegamos um frio desgracado (4°C) e eu tive a felicidade de pegar neve no topo do Paso, a mais de 4800m. Durou alguns minutos, mas o suficiente para que eu filmasse a nevasca.

A paisagem era deslumbrante, repleta de morenas ou morainas, que sao reliquias de antigos glaciares. Tirei muitas fotos, fiquei embasbacado.

Fizemos a aduana em Atacama, um pouco atabalhoado por falta de informacaoes e entramos tranquilamente no pais. Vale informar que entre o posto argentino e o chileno há mais de 200km de absolutamente nada!

Procuramos um pouco por uma pousada e acabamos encontrando uma casa de familia que aluga um apartado nos fundos, com quarto, cozinha e banheiro. Apenas duas camas aqui, mas dei sorte e fiquei com a de casal, enquanto o Hall dorme no chao.

Saimos para jantar e a comida aqui foi maravilhosa. Comi carne (filete) com um molho de chañal, que é um fruto local. É um agridoce que eu recomendo. Desmaiamos em nossas camas, tanto pelo esforco do trecho quanto pela altitude e pela diferenca de temperatura (de 4C a 37C aqui no deserto).

dia 8 - de Salta a Tilcara

Filed under: atacama — poka @ 2:28 pm

Acordei bem cedo no nosso oitavo dia de viagem. Aproveitei a deixa do cafe da manha e fui a uma lan house, onde escrevi parte do relato que cobre o meu segundo post. Optamos por deixar o Hall dormir, pois nao queriamos acorda-lo. Tanto eu quanto o Leandro estavamos dispostos a gastar mais um dia em Salta se fizesse necessario para o reestabelecimento do nosso terceiro viajante!

Na noite anterior, depois da janta, acabamos descobrindo uma praca nos mesmos moldes de Tucuman e foi uma graca - serviu para que mudassemos a nossa impressao da cidade!

Logo apareceram os dois na Lan e fiquei sabendo que o Hall estava melhor, que seguiriamos viagem ainda no mesmo dia e que a diaria fechava em menos de 30 minutos! Dedos pra que te quero, precisei acabar logo o que estava escrevendo no blog, alem de cortar o upload das fotos no meio…

Arrumamos bem arrumadas as motos e seguimos rumo aos pés dos Andes, pois queriamos pousar em Purmamarca, a cidade da encruzilhada da “ruta” que nos levaria ao Paso de Jama e, atraves dele, ao Chile!

Cobrimos poucos quilometros entre Salta e Jujuy, por uma estrada beeeeeeem complicada, numa serrinha linda de morrer, mas cheia de curvas bem fechadas, onde precisavamos buzinar a cada virada, para nao ter surpresas! Alem disso, atravessavamos rios aos borbotoes com a moto, o que eh delicioso e dificil de descrever a sensacao para quem nunca pilotou duas rodas!

Paramos em Jujuy para trocar o oleo das motos e eu aproveitei para trocar o meu novamente, apesar dos 2 mil km que havia percorrido desde Foz. Achei mais prudente.

Motos zeradas… ou quase! Lá fui eu trocar um parafuso do meu bagageiro que se havia “dañado”, em mais um reparo na minha moto… que coisa! Seguimos viagem rumo a Purmamarca, numa estrada gostosa e tranquila, que antecipava as belas paisagens que teriamos pela frente.

No nosso destino, a primeira decepcao - tudo lotado, dificil de achar vaga. As unicas pousadas que as tinhas queriam arrancar as nossas tripas pelos dedos, cobrando um absurdo! Decidimos seguir mais adiante, ateh outra das cidades da Quebrada de Humahuaca, mas deu-se o mesmo problema. Lotado de mochileiros, no melhor estilo Sao Tome das Letras!

Mais adiante, em Tilcara, encontramos uma belissima pousada, que valeu todas as cabecadas que deramos desde Purmamarca. Essa eu peguei o cartaoe pretendo trazer a Frida.

Jantamos maravilhosamente bem e tomamos um vinho “da casa” muito gostoso. Peguei um cartao de la, pois ficarei um par de dias com a Fri e a Ma quando viermos fazer essa viagem novamente!

Dormi no chao, pois o unico quarto que tinha a pousada era um double. Nenhum problema, apenas a inquietude e a ansiedade de atravessar o passo no dia seguinte (4800m de altitude, frio intenso e duas aduanas).

Depois de atravessar mais uma regiao lindissima de serras e desertos, num continua aqui nao… editei essa parte, pq ela faz parte do post seguinte. E o erre eh um mala! :-P

dia 7 - de Tucuman a Salta

Filed under: atacama — poka @ 2:06 pm

Paramos em uma borracharia (aqui se chamam de Gomerías) e lá desmontou-se a roda para podermos trocar os raios. O dono foi muito bacana e interessado e ainda mandou comprarem refrigerantes para nós, pois estava muito calor! O borracheiro, empregado do dono, foi muito habilidoso e cuidadoso e logo estavamos prontos para entrar na estrada… Custo do desmontar e montar o pneu - 5 pesos argentinos ou algo em torno de 3 reais!

De Tucuman jah avistavamos as primeiras montanhas ao fundo. Enfim um alivio para a monotonia e a promessa de uma estrada interessante e bonita para os 500km do dia!

Aqui, as primeiras fotos de muitas outras em que pego motos e pessoas, motos, pessoas, motos andando, motos paradas, motos, motos, motos… Jah comentei que eu gosto delas e que estamos viajando atraves delas?

Logo nos primeiros 100km encaramos uma serra maravilhosa, com vegetacao que lembrava a da Serra do Mar, bastante tecnica e cheia de curvas. Uma delicia para se pilotar uma moto num dia quente de Janeiro! Estavamos entre Tucuman e Cafayate, uma importante cidade vinifera da provincia de Salta.

Passamos para um altiplano proximo dos 3000m e logo estavamos em Cafayate. Recomendo as fotos, que comecam com o Leandro dando um “legal”, sentado no Cagivao e acabam em duas ou tres fotos de vinhas, entupidas de uvas! Um lugar estupendo de bonito!

Nota para o futuro - trazer a Fri e a Ma para Cafayate. Muitas e muitas vinicolas esperam os nossos figados! Eh uma regiao desertica e arenosa e o vinho daqui promete ser muito bom!

Pegamos a primeira chuva seria da viagem nesse trecho entre Cafayate e Salta, com trombas d´aguas pavorosas. A pouco menos de 30km de Salta, pegamos inundacoes enormes, onde passamos com agua na altura da metade de nossas rodas, que sao beeeem grandes.

O Hall vinha sentindo-se mal desde de manha e soh piorou no caminho. Acabamos concluindo que um dos dois queijos que comemos de entrada na noite anterior fizeram mal para ele! Alias, em Tucuman, o Leandro comeu um bife de lhama!

Decidimos ficar por Salta, cortando fora os 100km que teriamos ainda ateh Jujuy. Como de costume, encontramos um hotel no centro da cidade. A primeira impressao foi horrivel!

A noite, o Hall com muita febre, ficou de cama. Saimos para jantar apenas o Leandro e eu e comemos uma massa mais ou menos. Pelo menos eles servem refrigerantes de litro no restaurante!

dia 6 - de Saenz Peña a S. M. Tucuman

Filed under: atacama — poka @ 1:53 pm

Cá estou eu no terceiro post num mesmo blog. Inacreditavel.

Estou no meu segundo dia de San Pedro de Atacama e finalmente sobrou tempo para ir a a uma Lan e tentar organizar um pouco a parte digital-geek-cybershark desta viagem! Só que aqui é pior que na Argentina, já que o teclado é ainda mais esquisito e as teclas de acento nao correspondem a realidade alguma. Insolito!

Em Saenz Peña acabamos por perder a hora de acordar, levantando por volta das 11 da manha. Tomamos um cafe rapido e jah saimos correndo para pegar a estrada. Nosso objetivo inicial era rodar perto de 900km e chegar diretamente a Salta (ARG), mas pelo horario isso seria bastante dificil.

A paisagem foi composta da mesma monotonia do dia anterior, com planicies infindaveis e, como uma variacao, enormes campos de plantacao de girassol. Isso sim era algo bonito de se ver, depois de horas e mais horas de… nada!

Nas “estaciones de servicio” (postos de gasolina), em todas elas, sempre algum argentino vinha puxar papo. Motos estranhas, pessoas diferentes, placas estrangeiras… Sem excecao, todos foram extremamente afaveis e agradaveis. Nada o que reclamar. O que comecou, porem, a me chamar a atencao e o quanto o argentino e saudavelmente curioso. Isso eh bacana, pois eles se empolgam com os detalhes, com a distancia percorrida, com as motos, com a viagem, com o quanto ainda se vai viajar. Todos muito orgulhosos, porem, fazem questao de saber se estamos gostando do pais e por ai vai. Muito bom!

Ao final de um dia longo de estrada, com muito calor e velocidade, chegamos em San Miguel de Tucuman, capital da provincia que leva o mesmo “sobrenome”. O povo aqui se proclama “tucumeño” e é bastante afável!

Chegando aqui, descobri que a Tenere esta com 3 raios da roda quebrados. Precisando substitui-los, conseguimos uma indicacao com o menino do hotel e logo compramos raios similares, que se adequaram bem ao tamanho original.

Saimos para jantar em Tucuman e comi a melhor carne da viagem. Um belo dum bife de chorizo, com papas fritas e outras regalias, alem de muita quilmes de litrao pra ajudar a descer. Um restaurante muito simpatico, onde fomos bem recebidos, bem servidos e bem alimentados.

Gastamos ainda parte da noite tirando fotos da praca central, onde tirei muitas fotos. Um lugar espetacular, que eu vou voltar e trazer a Fri e a Ma para conhecerem e gastarmos alguns dias. Na praca ha uma catedral, La Casa Del Gobierno, igrejas, estatuas… Confiram no flickr depois, se eu conseguir baixar as fotos!

Fomos dormir perto da meia-noite e acordamos bem cedinho no setimo dia de viagem, quando pretendiamos seguir ateh San Salvador de Jujuy… mas isso eh outro post!

January 19, 2008

de Londrina à Salta - a aventura continua!

Filed under: atacama — poka @ 10:20 am

Quem diria! Um segundo post no blog! Na verdade, estou me sentindo culpado e preciso continuar alimentando os meus curiosos, ainda mais depois de ter interrompido os posts depois de um evento que causou tanto suspense quanto o fato do meu pistao (que se fodam os acentos, esses teclados argentinos sao um horror!) ter derretido e eu nao saber se poderia ou nao continuar a viagem… rsrsrsrs

Mas, ca estou eu na Ciudad de Salta, capital da provincia - isso mesmo, aqui nao se chamam as unidades federativas de estado, mas sim de provincia. Foram longos dias, de muito trabalho, consertos e estradas ate chegarmos aqui, mas eu conto tudo tintim por tintim…

Assim, comecemos do começo, que é aquilo que mais interessa a todos!

Dia 3 - Londrina. O conserto!

Acordamos bem cedinho na segunda, afinal precisávamos correr atrás de um novo pistao, de anéis para ele, além de ter que encontrar uma retífica que fizesse o tal do “brunimento” da camisa do cilindro, que ficara impregnada de material do pistao malvado.

Por sorte, nosso hotel ficava a poucas quadras da loja da Yamaha e lá fomos nós atrás de um pistao original da XT-600 que resolvesse. Azar o nosso, nao tinham nada em estoque, mas indicaram outra Yamaha (há duas em Londrina!) e uma loja de peças de moto que poderia ter o tal do “paralelo”.

Decidimos ir primeiro à loja do paralelo, para ver se resolveríamos ali o nosso problema, senao teríamos que recorrer à SP e aguardar mais um ou dois dias ainda na mesma cidade. Nao tinham. Ou pelo menos isso nos disse o menino do balcao…

Fazer o quê? Começamos a andar de volta para o hotel e eis que chega o mesmo menino, esbaforido, correndo atrás de nós há pelo menos 3 quadras… Achara a peça perdida no estoque! Voltamos para a loja, compramos o pistao, os anéis e o pino, além do óleo lubrificante e mais uma ou outra coisinha. Parecia que a minha sorte estava virando!

Resumo da manha - apos bastante correria, acabamos encontrando um pistao novo Yamaha, assim como conseguimos a retífica da camisa do cilindro e tivemos uma tremenda sorte com todos os provedores de serviço que encontramos pelo caminho. Gasto total até aqui - cerca de 500 reais, em dois pistoes, brunimento da camisa, oleo e algumas ferramentas.

Almoçamos e voltamos para Jataizinho, para começar o longo trabalho de lavar o motor - afinal, ele estava entupido de limalha e cavacos de pistao - depois, montar, acertar e, quem sabe, tudo funcionar como que por milagre e, entao, seguirmos para o Sul, afinal de contas, o inverno vinha chegando!

Passamos a tarde chafurdados em óleo, gasolina e peças - as fotos nao mentem! Depois de um trabalho infernal, o motor parecia limpo para ser montado. Parecia. A primeira surpresa - os comandos de válvulas estavam imundos e vazando, coisa que nao poderia estar acontecendo. Pior de tudo, nao havia ferramenta para desmontar valvulas por perto. Beco sem saída? Nah!

O Leandro voltou à Londrina, na mesma retífica que havia brunido a camisa e eles deixaram a peça nova em folha - confira no flickr a diferença entre a peça em que se está raspando a golpes de canivete e aquela zerinho, depois!

Montamos o bicho, sofremos muito para colocá-lo de volta na moto - pesa pra caralho - e, colocado o óleo, a moto pegou facilmente! Opa! Parecia uma promessa. Colocamos o resto do óleo e o motor continuou rodando direitinho. Nao me contive pulei de alegria, abracei o Hall e o Leandro, que salvaram, por hora, a minha viagem ao Chile!

Apenas um probleminha - um dos três parafusos que seguram a tampa do filtro de óleo estava mortalmente espanado e vazava um pouco, mas nada terrível.

Hora de arrumar as ferramentas, agradecer muito a todos que nos ajudaram por ali - e nao foram poucos - e voltar, dirigindo!, para Londrina!!

Fiz questao de pagar a janta, afinal de contas, mereciam!

Durante o resto do dia anterior, eu havia feito o Tabajara Afastator, que aparece nas fotos. Minha bagagem estava pronta para ser montada na moto!

Dia 4 - Londrina - Foz do Iguaçu. A saga do óleo

Acordamos cedo, arrumamos tudo e saimos acenando da cidade que havia nos recebido tao bem e nos atendido tanto naquilo que precisamos para o reparo de emergência - eu tinha um motor novo, retificado, que havia sido montado num posto de gasolina… Mas era novo e funcionava!

500km depois, amaciando o meu bichinho, chegamos a Foz. Na estrada, consumo bom, o óleo nao baixou em nada e raramente ultrapassei os 100km/h nos primeiros 300km de trecho, e depois 120km/h nos trechos seguintes…

Leandro e Hall foram às Cataratas e eu me mandei para Ciudad Del Est, para comprar um HT e ver se encontrava um cabinho para duplexar MP3 e rádio no fone do Leandro. Nao achei o cabo, mas achei um HT largado na rua - nao comprei nada nao, viu Fri?

Voltando do Paraguas (a terra da Ana Matumoto - morito!!!), parei pra trocar o óleo e filtro da moto, que precisam ser trocados logo depois de se retificar um motor, pois o óleo “lava” a limalha que resulta dos primeiros atritos entre o pistao e a camisa…

Foi um horror - o mecânico conseguiu espanar outro parafuso, além de nao ter o parafuso certo para resolver o primeiro espanado. Moral - vazava mais, vazava melhor e era uma merda.

Jantamos em uma churrascaria horrenda, com carne de segunda, mas deu pra matar a fome e também pra ter medo da cidade - nunca vi tantos mendigos e tantos drogados andando para lá e para cá!

Nossa idéia original era atravessar o Paraguai para cair em Encarnación (PAR) e depois Posadas (ARG), mas o dono da pousada que estávamos em Foz nos fez mudar de idéia - muitos relatos de assalto e violência contra motorista e motoqueiros!

Decidimos abandonar a via perigosa e entrar direto pela Argentina, fazendo a Aduana em Puerto Iguazu e descendo por lá até Posadas…

Fui dormir sonhando com as longas estradas do Chaco que nos esperavam e rezando para que os parafusos fossem o último problema da minha moto!

Dia 5 - Foz do Iguaçu - Pres. R. Saenz Peña (ARG). É fogo na bomba

Acordamos cedo, arrumamos toda a bagagem (isso é uma constante, nao vou mais dizer isso - desmontamos tudo quando chegamos e montamos novamente quando partimos!) e fomos atrás de parafusos para resolver a cagada do mecânico.

Resolvido o problema com a habitual habilidade do Hall (hey, HHH!), partimos para a aduana sob um calor de rachar. Cozinhávamos em nossas roupas.

Tentei despachar o meu rádio e os acessórios, mas foi em vao - por como Foz é cidade de fronteira, nao despacham nada pelos Correios sem NF… que saco!

Fizemos a fronteira sem dores de cabeça, carimbamos nossos passaportes e já estávamos em território argentino! Nem bem rodamos 50km e o primeiro posto da Gendarmeria para a todos os estrangeiros… passaporte, CNH e carta verde. Tudo em paz, estávamos prevenidos e bem equipados!

Temos o hábito de viajar em formaçao - O Hall vai à frente, eu vou em segundo e o Leandro fecha o grupo. Viajamos em triângulo, um na direita, o do meio na esquerda da faixa e o último, na direita novamente. Dessa maneira, o primeiro vê sempre aquele de trás sem nenhum esforço, através dos espelhos…

Rodávamos por menos de 100km dentro do país quando o Leandro acelera e cola na minha moto. Aos berros, entendo apenas que tem algum problema grave com a minha moto. Encosto rapidamente num acostamento inexistente e o cheiro pungente de queimado invade as minhas narinas.

Bota sério nisso! O meu alforge com o Afastator está em chamas, com o fogo subindo acima do meu banco! O calor do escape foi suficiente para que a madeira entrasse em combustao e o vento dos 120km/h ajudou a aumentar o fogo…

Sacamos nossos canivetes e, em instantes, estava tudo cortado e no chao. Pessoas que aguardavam no ponto de ônibus correram para nos ajudar e ainda uma caminhonete parou para prestar socorro…

Resultado - um alforge destruído, uma toalha, um par de luvas e uma camiseta completamente incinerados. Nao vou negar que eu ri a beça, principalmente depois que tudo se resumiu a apenas um sustao! O Tabajara Afastator transformara-se num Tabajara Incinerator!!

Rearranjei a carga como deu e tocamos até Saenz Peña. Atravessamos enormes descampados, cobertos de gado (taurino) e de alguma plantaçao. As planícies sao gigantescas e aqui nao há nenhum sinal de montanhas em nenhuma das direçoes em que olhamos.

Rodamos cerca de 700km e a paisagem é sempre a mesma. Retas enormes, calor sufocantes e nada pra se ver. Tudo o que nos restou foi acelerar forte e chegar logo ao ponto de dormida.

Hoje para por aqui. Em breve sairemos para Punamarca, em nosso último dia de Argentina. A diária do hotel vence ao meio-dia e já sao perto das 11:15.

Pretendo fazer o upload de parte das fotos e disponibilizá-las, mas ainda há muito mais - cerca de 2Gb! Parece que o flickr aceitou o meu upgrade, o que é ótimo. Vou fazer o upload de cerca de 45 fotos, que cobrem tudo até chegarmos em Saenz Peña. O restante, só Deus sabe!

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