dia 15 - Mendoza
Acho que de todos os dias da viagem, esse foi o mais esotérico, by far!
Depois de um jantar ótimo na noite anterior, no italiano Trevi, onde bebemos duas garrafas de vinho, nocello na sobremesa e tomamos um expresso digno de lembranças, dormimos exaustos. Não tanto pela viagem, que fora curta entre La Serena e Mendoza, mas creio que por causa da travessia do Paso e pela exposição, ainda que rápida, a uma grande variação em altitude.
Acordamos tarde, descemos para o café e, entre uma conversa e outra, o Hall informou que estava retornando pra SP. Dormira muito mal, tivera pesadelos e estava com idéia fixa, inamovível, que precisava voltar.
Não havia o que discutir. Quando deixa de estar bom para um, forçar qualquer coisa é bobagem. Demos o apoio que ele poderia precisar, combinamos o roteiro que ele faria, possíveis lugares de problemas e procedimento para panes e coisas afins. Sequer almoçamos e lá se foi ele, estrada sob as rodas e a cabeça já distante, com a sua família.
Sobramos o Leandro e eu…
Assim que o Hall partiu, arrumamos nossas motos e resolvemos voltar em direção à fronteira, pela mesma estrada que havíamos vindo, para tirar fotos. Havia um dique do rio Mendoza que queríamos conferir, além da torcida por um tempo melhor, para mais fotos.
Pegamos a estrada e em cerca de uma hora estávamos na região do tal dique. O trânsito vinha pesado da turma veranista (era um domingo!) e nós vínhamos utilizando toda a vantagem que as motos têm em ultrapassagem. Uma moto precisa de infinitamente menos distância que um carro, além de acelerar melhor, freiar melhor e ser muito menor. Ultrapassar de moto, depois que se pegou a manha, é uma delícia!
Em um trecho de pista simples, com faixa contínua nos dois sentidos, eu ultrapassei um comboio de “pois-és” e, ao virar a curva, dei de cara com um comando da Policía de Mendoza, que me mandou encostar imediatamente. O Leandro, que optara por não ultrapassar, escapou ileso e parou uns 50m à frente.
Parei a moto, desliguei o farol, apaguei o motor, tirei luvas e capacetes e me preparei para o pior. O guarda veio, seco e ríspido, pediu documentação e a minha carteira de habilitação. Conferidos, pediu a habilitação brasileira (entregara a ele a Internacional) e informou que iria segurá-la.
Explicou que era uma faixa contínua, que não comportava ultrapassagem, que eu havia ultrapassado, que havia multa e que o procedimento era a retenção da carta até o pagamento da multa em Mendoza (100km dali). A multa era algo entre 500 e 700 pesos argentinos, ou seja, perto de 300 a 400 reais.
Joguei um verde, perguntei se poderia pagar a multa mais perto. Disse que não e continuou preenchendo o documento. O Leandro perguntou se estaria aberto o distrito, já que era domingo. Sim, estaria e continuava preenchendo… Comecei a apelar e perguntei se daria para pagar no cartão de crédito. Disse que não sabia, que eu me informasse por lá, e a caneta corria solta no talão…
Como tudo estava perdido mesmo, elogiei a região, disse que o dique era lindo e que eu me distraira. Não quis inventar nada não, já estava na roça mesmo… Pedi permissão para fotografar o dique enquanto ele acabava e o guarda me liberou para juntar-me ao Leandro, 50m pra frente dali.
Foto, conversa, foto, foto… O policial vem vindo, avisou o Leandro… foto, finge que não sabe, mais fotos… “Cabron, decidi perdonar Usted. Aca estan tuyos documientos. Bon viaje” ou algo assim. Meus olhos arregalaram. Saltaram pra fora. O guarda linha dura iria perdoar a falta grave!
Relaxados os três, começamos a bater papo. A polícia de Mendoza estava equipada com belíssimas BMW GS 650 como a do Hall e o guarda tinha a tristeza de ter que pilotar uma destas. Elogiamos as motos, ele elogiou a luva do Leandro. Olhou comprido. O Leandro mostrou os rasgos, disse que era de qualidade duvidosa, o guarda encolheu os ombros. De repente, um estalo na minha mente. Tirei da mala de tanque as minhas luvas de couro, com proteção em kevlar, e ofereci para ele experimentar.
Ato contínuo, pôs nas mãos, elogiou, olhou, olhou, falou, elogiou… perguntei se havia gostado mesmo, confirmou os elogios. São suas, disse. Não, não posso aceitar, retrucou. Eu insisti, um presente do Brasil. Ele esticou as mãos, olhou as luvas e abriu um sorriso inacreditável. Cumprimentou aos dois e partimos.
Aliviado, mas com as mãos peladas, partimos novamente. Tiramos muitas fotos na dique, depois no Valle Uspallata e no Rio Mendoza, onde tive o prazer de descer a moto quase até a água, num terreno pra lá de difícil pro meu nível (ínfimo) de habilidade off-road.
Logo víamos uma montanha nevada. Uma montanha não, A montanha. Não demorou para que percebêssemos que se tratava dele, do Sentinela de Piedra, o Monte Aconcágua. Fotos, fotos e mais fotos.
Em Punta de Vacas resolvemos continuar avançado e logo passávamos Penitentes. Ali, na barreira da Gendarmeria dissemos que gostaríamos de ir até Puente del Inca e fomos informados que poderíamos seguir tranquilamente até Las Cuevas, que fica depois da Aduana argentina-chilena.
Paramos em Puente, fotos do travertinão e um rápido lanche com direito a um enorme São Bernardo de companhia. Encostaram umas motos do Brasil próximos e estávamos curiosos se viriam puxar papo.
O primeiro deles passou batido por nós, entrou na lanchonete e saiu em seguida. Os outros estavam fora de vista. Erguemos os ombros. Cada um, cada um…
Minutos depois, outro do grupo se aproximou e puxou papo. Logo todos estavam ali, sentados juntos, conversando animadamente, como se fôssemos amigos desde sempre. Era um grupo de Goiás, de Rio Verde, que estava seguindo para o Atacama.
Saimos dali para um pouco mais acima, onde paramos em um Mirador para fotografar melhor o Aconcágua. Um pouco mais abaixo estava a estrada da portaria do Parque, que dava no acampamento de guarda-parques de Horcones. Depois de ver um videozinho sobre a montanha e seus perigos, liberaram-nos para subir os 2km de asfalto até o estacionamento. Bela vista. ‘Inda volto lá!
Na volta, passado 1km de Puente del Inca, paramos para conhecer el Sementerio del Andinista. foi meio emocionante encontrar a placa em homenagem ao Mozart Catão e ver a cruzinha no alto do cocuruto de pedra. Saí de lá bem mexido, sem querer falar nada nem olhar pra ninguém. É estranho o misto de respeito com medo que tomou conta de mim quando entrei ali. Poderia facilmente ser um deles. Porém entendo perfeitamente o que os levou a querer tentar…
Já ia findando a tarde quando resolvemos voltar. No início, seguia cauteloso, evitando as patrulhas na rodovia, mas logo percebi que não havia mais nenhuma e voltei a pilotar a moto normalmente.
Nem bem passaram 20km do “ponto das luvas”, em uma ultrapassagem igualzinha àquela que dera margem a quase ser multado, fomos novamente parados. Na hora em que estava encostando, olho para o guarda e desacredito - meu Deus, era o mesmo policial!
Agora fodeu, pensei. Ele nos deu uma colher de chá e nos pegou na mesma cagada… Com esses pensamentos eu estava tirando o capacete, quando percebi que ele estava do lado da moto. Extendeu a mão, com um sorriso estampado no rosto, e me cumprimentou efusivamente. Fez o mesmo com o Leandro.
O outro policial, carrancudo de tudo, só olhava. Pude perceber que era de uma patente mais alta que o nosso amigo. Ele nos mostrava para o seu oficial, dizendo que éramos os seus amigos “da luva”, que ele havia contado e lá lá lá lá…
Perguntou das fotos, até onde havíamos ido, se havíamos gostado, se estava tudo jóia, quando voltaríamos ao Brasil e mais um montão de coisas assim. Nem tocou no assunto da ultrapassagem. O outro policial, cara fechada.
Na hora de nos despedirmos, nos cumprimentou de novo e, inesperadamente, o outro também apertou nossas mãos. Então, do nada, abre um sorriso e diz: “quando voltarem à Argentina, não esqueçam de trazer uma luva para mim também”. Foi o fecho de ouro!
Voltamos tranqüilos para Mendoza, lan house, jantar, comemos Havanettes com expresso na Peatonal (Av. Sarmiento). Um dia longo, repleto de experiências.
de volta ao ninho
Boizé… já se passou uma semana que voltei ao lar e apenas hoje é que eu criei coragem de retomar as anotações de viagem. Mas não nego que houve um empurrãozinho da Carladuc, pois estava lendo os meus emails e brotou um pingback de um post dela que se refere a um dos meus. Curioso que sou, fui ver o que era e achei que estava na hora de voltar a colocar no ar as coisas.
Cheguei em casa no sábado, mas muita água rolou por baixo da ponte entre Mendoza e São Paulo. Vou manter o estilo de posts “diários”, que eu acredito que me ajude a organizar as informações para viagens futuras.
Na segunda ou terça de carnaval fomos atender um convite dos “Pês” e eu fiz uma mostra das fotos da viagem, devidamente baixadas no notebook da Fri. Fiz a mesma exposição pra turma daqui de casa no domingo e repeti a dose pro Leandro e pro Hall na última sexta-feira. Moral da história: num agüento mais ver as fotos da viagem. Porém, para poder colocar as que faltam no ar, estou baixando da câmera no meu micro de casa, pra queimar um DVD e levar pra loja, onde eu tenho largura de banda suficiente pra poder fazer upload no flickr… ou seja, nunca me livro delas!! argh!
Voltei pro escritório na quinta, mas sequer me dei ao trabalho de dar as caras por lá na sexta… o pessoal tocou tão bem e tão redondinho na minha ausência que deu gosto! Assumo o comando da nave apenas amanhã, mas não sei se estou muito ansioso. Nas palavras do Leandrão - “voltar pro escritório está sendo foda!”
Minhas aulas começam apenas em 25/02, mas estou bem mais ansioso. Terceiro ano, o ano da metade do curso. É um recorde pessoal!! As aulas da Mazi começam amanhã e combinamos que eu irei levá-la de moto. Ela está curtindo a idéia e já é a feliz proprietária de um capacete, capa de chuva, polainas e luvas.
Bom, enough said, ‘time to get back to the trip!
February 1, 2008
dia 14 - de La Serena à Mendoza (ARG)
Acordamos tarde, mas o café da manhã nos esperou e logo estávamos na estrada de novo. Nosso destino? Paso Los Caracoles, através do túnel Cristo Redentor.
Não minto - estava tenso, por causa do meu rádio. Passar com um rádio amador nas aduanas é sempre um momento de intenso stress.
Seguimos por uma estrada ótima (e pedagiada) até a saída para Los Andes e, de lá, para a fronteira internacional. Aqui, a estrada era de trânsito intenso e de mão dupla, o que tornava o avanço bastante lento. Além disso, estava em reparos, o que aumentava ainda mais o tempo de percurso.
Sobre os reparos, vale uma nota. Passam muitos e muitos caminhões aqui e os chilenos tiveram o bom senso de construir a pista em concreto. Cada ramo em reparo era escavado na terra em uma pofundidade de quase 1,5m, preenchido com cascalho bem grosso, areia e, depois, uma camada de mais de 30cm de concreto reforçado. Um exemplo!
À medida que subíamos, as montanhas dos Andes iam dando as caras ao fundo. A temperatura caía também, mas o sol forte ajudava a não perceber a queda.
Quando adentramos a subida em um intenso zigue-zague, foi uma emoção. Pilotar naqueles grampos de cabelo, deitando muito a moto a cada curva (ainda que a 45-55km/h), observando o trânsito que descia na mão contrária é uma sensação indescritível, que só é passível de cognição por aqueles que gostam e andam de moto…
Passamos os km de túnel bem no topo do Passo e logo estávamos em uma estação de fronteira do exército chileno. Ganhamos um carnê e fomos encaminhados para o controle conjunto de fronteira, alguns quilômetros à frente.
Aqui neste complexo, uma longa fila, alguns trâmites burocáticos simples, mais carimbos e podíamos seguir viagem. Fui o primeiro a passar e logo estava do outro lado, esperando pelos demais.
Um soldado da Gendarmeria Argentina puxou papo, interessado pela moto e logo éramos “brothers”. Ou Hermanos… Passar do Chile para a Argentina é necessário para que se perceba a diferença cultural entre os dois povos. O Argentino é alegre, brincalhão, curioso. O chileno, carrancudo, mal humorado. Na média, lógico.
Atravessada a zona de aduanas, à nossa esquerda, o Sentinela de Piedra, o tal do monte Aconcágua. As nuvens não nos permitiam vê-lo, mas descendo alguns km estávamos em Puente Del Inca, famoso início da trilha para muitos daqueles que ascenderam ao cume do teto das américas!
Em Punta de Vacas, mais um controle da Gendarmeria, com muitos sorrisos e muita “Suerte”. Estávamos ainda a 200km de Mendoza, mas em terra de altas montanhas e de muito respeito, pelo menos por mim.
Penitentes, outro ponto famoso para a ascensão e voa pra Mendoza. Ou corre!
Chegamos debaixo de muita chuva, eu estava ansiosíssimo… Em uma virada de praça, uma peça da minha bagagem se desprendeu e eu parei para pegá-la. Os demais não perceberam e seguiram em frente. Quando voltei para onde viraram, não os vi mais. Optei por ficar onde estava, sendo mais prático do que sair procurando a esmo. Quando viessem me procurar, a inteligência mandaria fazer o mesmo caminho… Não deu outra, em menos de 20 minutos o Leandro estava me buscando…
Pegamos um hotel simples, mas com estacionamento (distando só 3 quadras, pertinho, pertinho…), bem central, na Calle Las Heras, colado na San Martin.
Jantamos em um restaurante italiano excelente (Trevi), pegado ao hotel e com direito a 2 ótimas garrafas de vinho e também um nocello, cotesia do proprietário, um italiano da Sicília, que passava de mesa em mesa dando palpites e cumprimentando a freguesia.
Desmaiamos!
dia 13 - de Antofagasta à La Serena (CH)
Mais um dia longo de estrada. Na noite anterior, enquanto buscávamos um lugar pra comer - nota: há muitos deles em Antofagasta, que é uma cidade muito legal - cruzamos com um casal gaúcho numa CB-500, que vinham voltando para o Brasil, através do Atacama. Estiveram mais ao Sul do Chile e já estavam na contagem regressiva.
Jantamos em um restaurante pequeno e aconchegante (De Antaño, em uma casa da década de 1910) e pudemos nos deliciar com os maravilhosos peixes locais, com direito a entrada de mariscos e coisas afins. Quase não foi bom!
Saimos bem cedo, depois de um café minguado. Rodaríamos 900km nesse dia e era melhor acelerar para não chegarmos em La Serena durante a noite e ferrar a nossa procura por um hotel e, depois do merecido (e necessário) banho, por um restaurante.
Paramos após 50km para conhecer e fotografar a escultura conhecida como “Mão do Deserto”, uma enorme err… mão! que sai da areia no meio de lugar nenhum… um sonho de consumo bem ao estilo da Bienal de SP!
Muitas fotos, um cartão do mesmo casal gaúcho estrategicamente deixado entre as pedras e ‘bora acelerar que aí tem mais asfalto pra cobrir!
Completei 5000km de estrada nesse trecho, testemunhamos a mais bonita de todas as costas do Pacífico e passamos por uma longa tempestade de areia, devidamente fotografada!
Interessante também foi notar a gradual mudança no relevo, que foi saindo de desértico para uma savana e dali para uma espécie de cerrado e, então, para a presença de árvores maiores e maiores…
Da mesma maneira, os outrora inexistentes rios em sub 3400m passaram a se tornarem mais frequentes e maiores, mais caudalosos. As montanhas, pegadas no mar em Antofagasta e Tocopilla, afastaram-se bastante, dando espaço para mais propriedades de produção agropecuária e também havia praias de areia, de um azul muito, muito convidativo!
Em La Serena parece haver bastante cultivo de frutas e olivas, mas não nos sobrou tempo, nesta viagem, para conhecer. A cidade nos pareceu intensamente mais interessante que Antofagasta, com direito a belos prédios antigos, muita gente pelas ruas e ruas muito arborizadas. Uma tentação de lugar!
Logo encontramos um hotel que se adequava às nossas necessidades (precisamos sempre de estacionamento e estes são raros em La Serena) e buscamos um bom jantar.
Nossa primeira tentativa foi o mercado municipal, mas a insistência do garçom irritou bastante o Hall e optamos por uma mudança de lugar… boa escolha, comida muito boa e um ótimo Casillero Del Diablo pra fechar a noite. A última noite chilena merecia um ótimo vinho!
São Borja - terra de presidentes!
Primeiro dia de fevereiro e já cruzamos a fronteira de volta à nossa terra brasilis, depois de mais de 8000km de estrada, sendo 7000 deles em terras austrais!
Estamos no RS, em São Borja, cidade de fronteira com a Argentina, às margens do estupendo Rio Uruguai. Meus planos originais eram seguir daqui pra SP, saindo bem cedinho e tentando estar em casa no meio da noite.
Planos furados! Estou parado por aqui e vou aproveitar pra fazer upload de algumas fotos (algumas pq o link de up não é tão bom quanto o de download!), atualizar o diário de viagem e descansar um bocadinho.
Voltei a poder usar os acentos, portanto palavras sem acentuação ou são fruto de ignorância ortográfica ou mero esquecimento desta mente perturbada.
Estou morrendo de saudades da minha da Fri, da Má, de todos de casa. Quanto mais perto se está de chegar, mais a saudade aperta, mais aumenta a impaciência e maior é a vontade de correr de volta.
Mas, nem tudo é como se quer e muitas coisas numa viagem são um enorme exercício de paciência. Aliás, filosofando um pouquinho, acabei concluindo com o Hall que saudade não é o mero egoísmo de se querer a pessoa junto o tempo que se está longe. Suplanta em muito isso… saudade é querer dividir, é querer que o outro também viva aqueles momentos, veja aquelas coisas, coma aquelas comidas e beba aqueles vinhos… saudade é o enorme desejo de compartilhar as experiências.
Então, Fri, essa é pra vc:
“É noite, o carro está rugindo, parecendo fera…
Voando baixo em Campinas, na Via Anhangüera.
Já estou vendo ao longe a linda e doce Ribeirão
toda iluminada feito um céu no chão
na noite azulada de uma primavera…”
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