Lavoisier
Ao iniciar a nova vida de morar separado dos meus pais, resolvi mergulhar na cozinha como eu sempre gostei, mas com uma liberdade que eu nunca havia me permitido. Bons pratos têm fluído, assim como algumas encrencas também. Acredito que quando puder usar os dois braços para cozinhar eu encontre mais algumas mudanças!
Descobri que herdei do meu pai o horror completo e irrestrito por restinhos - aqueles potinhos que viram a semana na geladeira com o feijão de outrora ou a carne temperada de outros tempos ou um pedaço verde e gosmento de algo impronunciável. Mas, junto com o horror à ditadura dos potinhos, brotou o lado teimos que detesta mais ainda o desperdício e, portanto, jogar qualquer coisa fora…
Assim, tenho investido meus neurônios em maneiras de reutilizar os restos e tentar transformá-los em apetitosos novos pratos. Já usei frango assado velho para um bom molho de macarrão, cenouras murchas para um bifum com legumes refogados e outras coisas. Ontem, acabei de deparando com uma panela japonesa com 2 xícaras de arroz (goham) que ali se encontravam sendo requentadas (hey, a panela não desliga nunca!) desde sábado…
Humm… arroz branco, sem nenhum tempero e ressecado… O que fazer com ele? Resolvi fazer um arroz doce, ainda que um pouco ressabiado, já que minha mãe havia feito isso no passado e eu não morria de amor pelo resultado. Arrisquei mesmo assim… e ficou ótimo!
Cozinhei (novamente!) o arroz ressecado no leite integral (foi quase um litro), junto com cravo, em fogo baixo. Quando a fervura começou a levantar, coloquei um pouco de açucar (umas duas colheres de sopa) e mexi bastante. Deixei ferver, mexendo sempre, até engrossar. Joguei mais um pouco de leite, para tornar a mistura bem mais líquida. Deixei ferver novamente e coloquei uma lata de leite condensado. Segui mexendo até levantar fervura, desliguei o fogo e deixei esfriar na panela. Frio, transferi para uma vasilha e polvilhei com canela da china. Voilà!
A Frida e a Marina se atracaram com o pote ontem e disseram que ficou beeeeeeeem saboroso. Eu só experimentei enquanto fazia, mas gostei do resultado. Ferver no leite o arroz ressecado teve a propriedade de amolecê-lo. Ferver com o açucar jogou o adoçado para dentro do grão. O leite condensado deu o gosto final de arroz doce de restaurante.
O divertido é que eu adaptei pra conseguir algum resultado, pois todas as receitas partem de arroz cru e nenhuma fala em reciclagem de goham… Pois bem, aqui tem uma, então!
SanFran
Ontem voltei oficialmente a freqüentar as aulas in a daily-basis. Achei que seria muito difícil segurar até às 23:15, mas confesso que não foi mesmo. Embora tenha enfrentado algumas matérias chatas (Administrativo e Processual Penal), o sono não me atacou e eu agüentei firme até o último instante.
O meu curso passou oficialmente da metade e estou agora no sexto semestre. Eu continuo embasbacado com o meu ritmo, minha empolgação e com o desempenho escolar. Nenhuma DP, pouquíssimas médias abaixo de 8,5 e ainda no semestre correto. É a primeira vez em minha longa e tortuosa história de corredores de Universidades!
É divertido de pensar que eu estou efetivamente *gostando* de Direito e consigo me ver trabalhando com isso em um futuro não tão longíquo!