[insaned]

August 13, 2008

Lavoisier

Filed under: gourmet — poka @ 9:14 am

Ao iniciar a nova vida de morar separado dos meus pais, resolvi mergulhar na cozinha como eu sempre gostei, mas com uma liberdade que eu nunca havia me permitido. Bons pratos têm fluído, assim como algumas encrencas também. Acredito que quando puder usar os dois braços para cozinhar eu encontre mais algumas mudanças!

Descobri que herdei do meu pai o horror completo e irrestrito por restinhos - aqueles potinhos que viram a semana na geladeira com o feijão de outrora ou a carne temperada de outros tempos ou um pedaço verde e gosmento de algo impronunciável. Mas, junto com o horror à ditadura dos potinhos, brotou o lado teimos que detesta mais ainda o desperdício e, portanto, jogar qualquer coisa fora…

Assim, tenho investido meus neurônios em maneiras de reutilizar os restos e tentar transformá-los em apetitosos novos pratos. Já usei frango assado velho para um bom molho de macarrão, cenouras murchas para um bifum com legumes refogados e outras coisas. Ontem, acabei de deparando com uma panela japonesa com 2 xícaras de arroz (goham) que ali se encontravam sendo requentadas (hey, a panela não desliga nunca!) desde sábado…

Humm… arroz branco, sem nenhum tempero e ressecado… O que fazer com ele? Resolvi fazer um arroz doce, ainda que um pouco ressabiado, já que minha mãe havia feito isso no passado e eu não morria de amor pelo resultado. Arrisquei mesmo assim… e ficou ótimo!

Cozinhei (novamente!) o arroz ressecado no leite integral (foi quase um litro), junto com cravo, em fogo baixo. Quando a fervura começou a levantar, coloquei um pouco de açucar (umas duas colheres de sopa) e mexi bastante. Deixei ferver, mexendo sempre, até engrossar. Joguei mais um pouco de leite, para tornar a mistura bem mais líquida. Deixei ferver novamente e coloquei uma lata de leite condensado. Segui mexendo até levantar fervura, desliguei o fogo e deixei esfriar na panela. Frio, transferi para uma vasilha e polvilhei com canela da china. Voilà!

A Frida e a Marina se atracaram com o pote ontem e disseram que ficou beeeeeeeem saboroso. Eu só experimentei enquanto fazia, mas gostei do resultado. Ferver no leite o arroz ressecado teve a propriedade de amolecê-lo. Ferver com o açucar jogou o adoçado para dentro do grão. O leite condensado deu o gosto final de arroz doce de restaurante.

O divertido é que eu adaptei pra conseguir algum resultado, pois todas as receitas partem de arroz cru e nenhuma fala em reciclagem de goham… Pois bem, aqui tem uma, então!

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4 Responses to “Lavoisier”

  1. Frida Lickel Says:

    Já entendi para onde está indo o leite…hahahaha
    Brincadeirinha, o seu arroz doce ficou EXCELENTE MESMO! Acho que para o prato original
    teremos que fazer primeiro o goham, deixá-lo 2 dias de espera para secar um pouco e depois
    disso fazer o arroz doce, se fizermos de imediato não ficará com o mesmo sabor.

    Estou adorando essa empolgação, acho que vou virar uma BOLINHA!!!! Risos

  2. poka Says:

    olha, está divertida essa história de brincar de casinha… estou cozinhando com um braço só, abusando um pouco do outro braço de vez em quando, mas tem dado certo!

  3. Ali Says:

    O Poka está provando ser mesmo um Allegrini. Esta história de aproveitar todo e qualquer resto para torta, cuscuz, molho, salada, sobremesa… é bem coisa de M.I. :-)

    “Estou adorando essa empolgação, acho que vou virar uma BOLINHA!!!! Risos”
    Já??????????? E você nem fala nada! Parabéns! :)

  4. Frida Lickel Says:

    Não fala nada??? Como assim?

    Que estou comendo pra caramba e engordando como uma porca!? Não sabia que precisa falar, achava que seria nítido no primeiro encontro..rsrsrsrs Beijos.

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