Bão dia!
Depois de anos, décadas até, ouvindo Beatles sem parar, uns meses atrás tive uma epifania: a animada música “Good Morning, Good Morning”, do Sgt. Pepper’s, que inclusive empresta uma frase ao título deste blog, começa com alguém sendo informado de que vai morrer!
“Nothing to do
to save his life
call his wife in.”
Ou, em Português e numa ordem menos enganosa, “Nada a fazer pra salvar sua [dele] vida, [o médico] pede para a esposa entrar”.
E continua:
“Nothing to say,
but what a day!
How’s your boy been?”
Outra mini-epifania, enquanto escrevo este texto! Anteriormente, eu lia esta linha como: “Nada a dizer, mas que dia! Como tem passado o seu garoto?”. Mas agora vi que ela pode ser melhor interpretada como “Nada a dizer, exceto ‘Que dia! Como tem passado o seu garoto?’”.
E ainda joga mais uma pra esposa. Eutanásia?
“Nothing to do,
it’s up to you.”
“Nada a fazer, agora [a escolha] é com você.”
(Bem, “it’s up to you” não necessariamente faz referência a uma escolha, ele pode querer dizer “agora [o fardo] é com você”, o que também não é lá muito animador)
Finalmente,
“I’ve got nothing to say
but it’s ok.”
“Não tenho nada a dizer, mas tudo bem”.
E, já que foi uma manhã divertida, tudo na paz, há um coro desejando a todos, em meio a uma gigantesca polifonia,
“Good morning!
Good morning!
Good morning, yeah!”
Simplesmente “ouvir” Beatles nem arranha a superfície :)
PS: Por outro lado, cuidado com interpretações (a acima inclusive). Diz a lenda que o John Lennon, ao saber que professores de uma determinada escola passavam uma música sua para os alunos interpretarem, escreveu “I Am The Walrus” e disse “Quero ver interpretarem isto!”
May 24th, 2005 at 9:30 am
NOSSA.. NOSSA.. NOSSA!!! :)
Cada vez que ouço algo sobre Beatles, me apaixono mais por eles!!!
Acho que vou querer sim aquele livro que vc me indicou nesse final de semana, sabe?! :)
May 25th, 2005 at 4:38 pm
Nem começa a arranhar…
Eu estava me perguntando quanto tempo mais iria demorar pra você postar sobre os B(atidas)esouros :)
May 25th, 2005 at 4:40 pm
Este post estava semi-escrito há um tempo, daí finalmente resolvi terminá-lo :)
Aliás, é uma estratégia que comecei a adotar: tenho um arquivo texto em que vou escrevendo idéias, inícios de posts. Daí volta e meia termino e publico um :)
May 25th, 2005 at 4:41 pm
Ops, o comentário acima é meu (Érre). Estou na faculdade, aqui os campos não ficam pré-prenchidos :P
May 25th, 2005 at 10:09 pm
É que os campus do Senac são meio toscos. Se fossem os da Unicamp ;)
May 26th, 2005 at 7:53 am
Podem até tentar. mas os campos da USP são muitos melhores. (Os campi tambem!)
May 26th, 2005 at 1:21 pm
Pffffff… Na USP nem mesmo tem um projetor e computador em cada sala… Os quadros ainda são a giz, os laboratórios de computação (”pró-aluno”? Que nome ridículo!) não têm Macs G5 com monitores de 21 polegadas ou mais, as bibliotecas não tem vários andares, não só com livros mas também com televisões e vídeos para emprestar, consoles diversos (Xbox, Playstation 2, Nintendo Gamecube) e jogos disponíveis… Arcaico…
Em Setembro eu presto Poscomp :P
June 8th, 2005 at 12:11 am
Seu PS me chamou a atenção. Estou fazendo uma matéria chamada Introdução aos Estudos Literários I. Basicamente ela ensina a interpretar poemas, ou introduz o aluno na arte de interpretar poemas. Para isso dá um grande embasamento teórico sobre poesia e suas estrturas e significados.
E tenho notado entre os alunos, e pessoas em geral, o seguinte: parece que interpretar um poema é “adivinhar”, ou “desvendar” um sentido ou jogo oculto que o autor fez. Como se fosse o poema uma charada. O autor pensa em algo que quer dizer, e depois vai disfarçando o sentido e o construindo dentro do poema.
Não sei se foi o que você quis dizer, mas de qualquer forma é o que as pessoas pdoem pensar lendo seu PS, e resolvi expor meu ponto, sobre o qual eu já havia pensado, aqui :)
E, conclusão desse sentido, uma boa interpretação é aquela que “descobre” o sentido oculto pelo autor.
Nessa situação, o juis final seria o autor. Se um crítico, ao interpretar o texto, ve nele algum sentido que não o pensado pelo autor, isso, de alguma forma, invalida a análise.
Eu particularmente não vejo a coisa assim.
Pra começo de conversa, se fosse assim acho que nenhuma crítica ou análise seria válida, porque não há como saber o que o autor queria dizer, ou pretendia. Mesmo que ele declare: ele pode estar mentindo.
Mas não acho que quando os autores analisam seus próprios poemas, elucidando os jogos, eles estejam mentindo, claro. Mas também não acho que a análise do autor é a correta e as outras inválidas.
Vejo a análise de poemas como um jogo, sim, mas não uma “charada”, cuja resposta o autor detém.
è mais um jogo abstrato, onde você deve descobrir as partes (os jogos de palavras, trocadilhos, figuras de linguagem, ritmo, sonoridade), os padrões que elas formam, e ver se é possível extrair um sentido daquilo.
Porque no fundo a poesia brinca com a língua na totalidade: forma e conteúdo.
Então acho que um poeta propõe um jogo aos leitores, que devem buscar perceber as possibilidades de língua exploradas ali, e ver o que conseguem extrair daquilo.
Uma boa poesia permite boas e variadas análises, as relações são bem pensadas e a obra é coesa.
e ponto pro crítico/leitor que conseguir levar (de maneira embasada) a poesia além do que o autor planejou de início.
Porque as regras são elásticas, mas não é baderna: sua análise tem que ser embasada no texto, não é oba-oba.
Então, dentro dessa visão, me parece que o John propos um desafio pros críticos: vejam que sentido/análise vocês conseguem extrair daqui. O fato de não ter um a priori não invalida o puzzle. Aliás, só o valoriza, a meu ver. Mas tem que ser um puzzle interessante, ou seja, rico em peças e relações, se for só bobagem aleatória perde a graça.
Protanto, pra concluir meu comentário: achei sua análise muito boa, e pertinente pois se embasa e encaixa na poesia. Memso que não tenha sido nisso que os Beatles pensaram quando compuseram.
:)
June 9th, 2005 at 10:29 pm
Meu PS era sobre a primeira forma de entender “análise” (desvendar o que o autor estava pensando). Minha análise foi feita com a segunda forma em mente :)
Acho ambas as formas válidas e interessantes :)
June 15th, 2005 at 9:25 pm
Essa frase do John me lembrou a frase do James Joyce sobre o Ulisses:
“Incluí tantos enigmas e quebra-cabeças que Ulisses vai ocupar acadêmicos durante séculos. Esse é o único modo de assegurar a imortalidade de alguém”.
June 16th, 2005 at 11:47 am
Bem, intencional ou não, deu certo com o John e “I Am The Walrus” ;)