Archive for August, 2005

Metablogger

Posted in Garoto de programa! on August 12th, 2005

Desde que comecei a trabalhar, fico reclamando (para mim mesmo e para outros pobres infelizes que me perguntam a respeito) que não tenho tempo de escrever mais para o blog. Tenho um arquivo texto, no micro, em que vou escrevendo idéias para posts e, conforme tenho tempo e inspiração, vou terminando e postando. Este arquivo, atualmente, deve ter uns 10 começos de posts.

E, no entanto, outro dia fiquei até as 3 da manhã programando para achar o jeito mais prático, flexível e elegante de listar blogs e seus últimos posts na página de índices de blogs do cybershark.

Malditos geeks…

Cruz sobre

Posted in I don't believe in categories on August 5th, 2005

Bem amigos do bê do Érre. Aqui quem vos fala é o dude, mas esta não é a “fala do dude”. A coisa é a seguinte: Conversando com o érrebêpê, surgiu a idéia de fazer um “cross-over” com ele postando no meu blogue. Ele pediu em troca um post meu no blogue dele. Acontece que eu tenho mais tempo livre e acabei pondo em prática a idéia primeiro. E aqui está, com vocês, o primeiro post-cross-over do coletivo bloguístico CyberShark.net.

E pra comemorar, resolvi badernar com a história do Fred, “A Queda”, fazendo uma junção com o meu mini-conto “Agora, trabalho”. Para você entender o post abaixo, sugiro ler, ou reler, o seguinte:

- A Queda
- Agora, trabalho
- O assassino

Considerem a história a seguir um “What if”, um universo alternativo, uma edição especial. Não deve ser assumida como continuação “oficial” de nenhuma das histórias anteriores, que são separadas, independentes e não relacionadas. Só resolvi juntá-las nessa brincadeira porque não pude resistir a tentação de juntar o “Dude’s talk” e o “Aquilo era eu” aqui no Bê do Érre!

***

Aquele muquifo era ruim, mas não tanto quanto o que eu estava estacionado. Aqui só cheirava a mofo e a chá velho, mas nada de mijo. Nenhuma puta gemia orgasmos altos demais para serem verdadeiros, na esperança de arrumar mais uns pilas de algum otário. Mas não quer dizer que esse pedaço de merda seja um 5 estrelas. A cama era de ferro, toda enferrujada, e o tapete era tão podre que poderia se desfazer. Pensando bem, era o que estava acontecendo. Um quarto-cozinha-banheiro de quinta categoria, especialmente se levar em conta aonde o atual inquilino costumava morar. Heh. Quase aprecio a ironia.

As horas passavam, e eu me entretia com as brigas homéricas do casal do apartamento ao lado. Parece que ela tinha chegado antes da hora e não gostou do que viu. Alguma coisa a ver com um buraco úmido que não era o dela. Devia ter trazido pipoca. Já anoitecia, e eu olhei pela janela o guri ruivo descer no ponto de ônibus daquela rua. Ônibus! Ha! O filho da puta está andando a pé. Você se fodeu mesmo, guri. Está na pior. E eu estou prestes a te chutar um pouquinho mais pra baixo.

Esperei vendo o chuveiro gotejar, ouvindo o casal brigar, e quase gostei da cara aturdida que o moleque fez quando me viu na penumbra, esperando por ele, apontando minha arma.

- E ai, guri. Como tá?

Ele não respondeu. Continuou paralizado, a mão na maçaneta, olhando pro cano da minha arma.

- Não tá contente em me ver? Não tá com saudades? Vai ficar parado ai que nem a besta que tu é?

Ele continuou mudo.

- Entra e fecha a porta, guri.

Ele obedeceu. É burro, mas sabia que aquela arma podia machucá-lo.

- Tuas costas ainda doem? - perguntei com uma ponta de prazer perverso.
- Um pouco, ele resmungou, de mau humor.
- Aposto que tem uma bela cicatriz. - Sorri – ou melhor, duas.

Ele só me olhava, desconsolado.

- Cadê teu chefe, Téo?
- Não tenho chefe.

Mandei um direto na fuça dele. Espirrou sangue e senti a cartilagem arranhar meu punho. Acho que ele vai ter que se acostumar com um nariz torto. Estava quebrado. Esses tipos, por mais que tenham caido, não esperam violência súbita. Antes que ele se recuperasse, dei uma rasteira e o chutei no estômago assim que caiu. Então pisei na mão dele, esmagando as falanges com a minha bota e me agachei.

- Teo, seu filho de uma puta perdedor de merda, não me faz ficar bravo. Tu te lembra de como é quando eu fico bravo. Eu to cagando pra ti, seu vagabundo – apertei um pouco mais os dedinhos dele – eu quero o Lou. Tu sabe disso, e eu sei que tu sabe. Se eu ficar puto, não vai ser legal. Então, devagar, com calma, respira e me fala: cadê o filho da puta do Lou?

Ele gemeu um pouco, tossiu. Não parecia estar com boa saúde. Ainda mais sangrando que nem um porco pelo nariz. Mas finalmente, com uma voz débil, ele cuspiu:

- Ele sempre me encontra de manhã. No ponto de ônibus. Não sei onde ele mora. Está se passando por eletrecista.

Essa era boa. Eletrecista. Hah! O Lou sempre foi um escroto, mas era um escroto comédia, isso eu tinha que reconhecer. Teve uma vez que o filho da puta cruzou uma porra de um deserto só pra foder a vida de um idiota que se achava o matador. E ele usou a forma de uma guria com o nome “Luciana”, e tinha um cão no banco de trás. Sacaram? O “Cão”? E “Lou”ciana? Esse Lou era uma figura. Tinha seu carisma, o escroto.

Peguei o dedo mindinho do Téo debaixo da minha bota e subi ele um pouquinho por vez até ouvir um “clec” do osso partindo. Um berro, música celestial.

- Téo, tu vai ter que se esforçar um pouquinho mais, meu chapa. Eu preciso saber onde achar o vagabundo. Quem sabe a gente te dá uma motivação pra ajudar? Hm? Ta a fim de uma dança?

Ele não tava. Cuspiu direitinho onde achar o Lou. O Lou era o meu trabalho, e o email no laptop brilhante escondido no muquifo fedorento dizia que tinham achado o Téo. O babaca dera vacilo, e sacaram a dele. Estava morando no centro velho, num quarto-cozinha nojento. Bem diferente do que o Lou tinha prometido pra ele, em troca de mudar de lado. Agora Téo sangrava no chão, morava na merda e andava a pé. Faça uma barganha com o Lou, e você perde. Sempre.