Archive for September, 2005

Nóis capota?

Posted in Death, Bizarro Universe and Plagiarism on September 21st, 2005

Todo mundo conhece a famosa frase “nóis capota mais num breca” (e suas variantes com “+”, “breka”, “kapota” etc), difundida em caminhões, kombis e carros tunados em geral.

Vindo pro trabalho, vi, agora há pouco, num caminhão:

“Nóis breca purque num é burro de tombá”

Ah, a sabedoria popular… :)

Assumindo responsabilidade pelos filhos!

Posted in Gimme my category back, you hippies! on September 13th, 2005

Olha só! Parece que o Google finalmente assumiu a paternidade do Orkut! Você agora entra no Orkut usando sua conta no Google Accounts (pra quem não sabe o que é uma Google Account, é a mesma conta que te permite usar o Gmail: note que, quando você está logado no Gmail, a página do Google mostra, no topo, seu endereço de e-mail do Gmail, além de alguns outros links como “search history” e “my account”).

Será que agora finalmente a qualidade do Orkut vai melhorar?

A propósito: acabo de ouvir de um amigo: “Você viu que fecharam o Orkut pra quem não tem Google Accounts?” O que não é olhar uma questão sob dois pontos de vista, hein? Pensando por este lado, realmente não parece uma mudança tão bem-vinda. Eu tenho Google Account (mais de uma, aliás, já que tenho dois endereços no gmail), estou sempre logado na minha, mas isto faz com que, por exemplo, o Google armazene minhas buscas e seus resultados. Eu não me importo, isso me dá histórico de buscas e refina os meus resultados, mas há quem não queira, quem ache que este armazenamento é uma invasão de privacidade e, portanto, não usa Google Accounts. E aí? Essa pessoa não pode mais usar o Orkut? Não que o Orkut seja um modelo de segurança e privacidade, mas sempre se podem (ou podiam) usar dados falsos.

Que comecem… Bom, elas já estão aí faz tempo. Que venham, então, novas teorias da conspiração!

Covarde Anônimo

Posted in What does this button do? on September 13th, 2005

Estou tendo aulas de Direito, no Senac. A perspectiva era sombria, tinha todo o jeito de ser mais uma matéria sem sal para cumprir currículo e deixar o curso com cara de “pluralista” e “pronto para o mercado” (como é o caso, por exemplo, de “Comunicação e Expressão”, que tambem estou cursando neste semestre). Mas estou gratamente surpreso, a matéria é muito interessante, a professora sabe explorar os aspectos que nos dizem respeito.

Bem, em uma das primeiras aulas, fomos ler alguns artigos da Constituição Federal. No artigo 5º:

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

Como assim, “vedado o anonimato”? A racionalização por trás disto é evitar declarações (ou, por exemplo, acusações) levianas; se você tem uma opinião, ou, ainda, se tem algo a dizer, assuma responsabilidade sobre isto. Tudo bem, tem algum sentido. Eu mesmo costumo dar pouco crédito (ou atenção) a declarações/comentários/posts/etc anônimos. Mas fico meio receoso quanto a se *vedar* o anonimato. Há uma série de motivos legítimos que podem levar alguém a preferir não se identificar, dos quais o mais óbvio é medo de represálias (mas pode haver outros, como evitar exposição ou situações possivelmente embaraçosas). Pode não ser a melhor escolha, pode ser discutível, mas acho meio radical “proibir e pronto”. Aliás, não sei como se encaixam aí denúncias anônimas (em que mecanismos muito eficientes, como o Disque-denúncia, se baseiam).

Além disso, pra usar um chavão, acredito que atacar o mensageiro é uma tentativa incompetente de desviar atenção da mensagem, sem entrar no mérito de ela ser ou não relevante. Acho que o mesmo se aplica quando o “mensageiro” prefere não se identificar.

Hmmm… Post chato… Pronto, pronto, passou. Podem ignorar sumariamente. Eu só fiquei incomodado, quando li isto na Constituição, resolvi desabafar aqui :)

Ah, e já podem começar a comentar anonimamente, vamos ver quem é o primeiro a fazer a piada óbvia ;)

(Nota: pra quem não sabe, “covarde anônimo” é o nome padrão de quem faz comentários anônimos no Slashdot, daí a referência no título)

A revolta

Posted in Gimme my category back, you hippies! on September 7th, 2005

O sol escaldante faz o suor escorrer sobre meus olhos, borrando um mundo já distorcido. O metal é frio em minhas mãos, e aperto com tanta forca que posso sentir cada imperfeição tentando romper minha pele para penetrar em minha carne. Hoje será definido meu destino.

Na encruzilhada da minha indecisão, posso ganhar liberdade e recuperar minha independência, ou permanecer para sempre enclausurado. Uma grande decisão. E o sol não me deixa pensar. Cada maldito raio atinge meu rosto, querendo me manter imóvel. Como seu eu já não estivesse coagido o suficiente. Meu instinto me impele a obedecer, mas foi justamente seguir o meu instinto que me trouxe à situação em que estou hoje. Mas não mais.

Observo o objeto metálico que seguro com tanta ansiedade. Nem mesmo é inteiramente metálico, mas o sol, sempre o sol, reflete sobre as partes que são e ofusca o que me restava de visão. Neste objeto repousa a solução dos meus problemas. Ou a perpetuação deles. Por atividade ou inatividade, é o divisor de águas. Minhas mãos estão suadas, escorregadias e, com um arrepio, fecho ainda mais os dedos. Um escorregão agora poderia chamar atenção indevida para mim, para o objeto, para o que estou fazendo ali. Ou o que estou prestes a fazer. Ou a não fazer. O sol parece rir da minha incapacidade de transformar em ação aquilo com que sonho há tanto tempo.

Já chega! Vida assim não vale viver! A hora é para grandes atitudes, não para inércia e temores! Um gesto ousado! Soh um, uma inconformidade e o ciclo estará quebrado! O metal em minhas mãos já está quente, mas não importa. Minhas roupas estão encharcadas de suor, tanto pelo calor quanto pela antecipação.

Tenho um sobressalto ao ouvir um leve barulho de passos às minhas costas. Descoberto! E estava tão perto!

- Se você vai ficar olhando pra chave do carro o dia todo, seja útil pelo menos uma vez e vá me comprar um sorvete. O sol está de matar, hoje…

Mulheres. Abaixo a cabeca e ando lentamente em direção à garagem. Um plano comeca a se formar em minha mente, e sorrio com o doce sabor da vingança. Vou comprar sorvete de morango. Ela detesta sorvete de morango…