Archive for December, 2005

Astuto e sagaz

Posted in The Bleeding Obvious (of course!) on December 28th, 2005

Como deve ter ficado (se já não era) abundantemente claro, depois do post sobre “dicas” de como mudar o mundo, a humanidade tem uma tendência quase suicida para o óbvio. O grande problema é que ela não sabe disso!

Alguns dias atrás, um rombo de 30 centímetros fez com que um avião nos Estados Unidos precisasse fazer um pouso de emergência. Um dos passageiros, demonstrando calma e presença de espírito, sacou seu celular e tirou várias fotos da situação.

Primeiro comentário: um celular. Um celular! Há uma despressurização do avião, estão no meio de uma emergência e um sujeito resolve que a melhor coisa a fazer é utilizar um aparelho proibido por interferir com a navegação! Tudo bem que esse pavor todo de celulares em aviões é muito exagerado, mas mesmo assim…

Mas isto não é aonde eu quero chegar. Entrevistado depois de aterrisarem todos em segurança (apesar da iniciativa aparente terrorista do infeliz e seu celular), o gênio diz:

“There was a bang and the oxygen masks fell down… And I knew at that point that something was wrong”.

(”Houve uma explosão e as máscaras de oxigênio caíram… E naquele momento eu soube que alguma coisa estava errada”.)

Não tenho palavras. Avião. Explosão. Máscaras de oxigênio. Hmmm… Talvez haja algo de errado. Nah, acho que vou esperar por sinais menos sutis, como avisos piscantes de “Atenção passageiros, alguma coisa está errada”, aeromoças sem cabeça correndo pelo corredor trombando umas nas outras ou o ventinho na nuca vindo do grande buraco no lugar previamente ocupado pela metade traseira da aeronave.

A namorada do sujeito disse que “se sentiu com sorte por estar viva”. Com um namorado esperto assim, eu concordo que é a única explicação.

I read the news today

Posted in Run to the hills! on December 22nd, 2005

No prédio em que trabalho os elevadores têm daqueles monitores LCD em que passam as “últimas notícias” (fornecidas, neste caso, pelo Terra).

Bom, se algum jornalista acabar lendo este blog, recomendo enviar o currículo pra central de notícias do Terra, porque eles claramente estão precisando. Uma das manchetes, ontem (não consegui achar o link exato, mas se relaciona a esta notícia), era: “Enquete revela que corinthianos não vão torcer pela Argentina, na copa” .

Surpreendentes, esses corinthianos, hein? Se ano que vem eles resolverem torcer pelo Corinthinans no campeonato brasileiro, nada mais me assusta…

A vida continua imitando a arte

Posted in Run to the hills! on December 22nd, 2005

Pra quem não conhece, Monty Python é um grupo inglês de comediantes, da década de 70, de que eu gosto muito. O humor deles é muito absurdo, muito cínico e (não surpreendentemente) muito inglês. Além de alguns filmes (mais conhecidos), eles fizeram três temporadas e meia de um programa periódico na BBC, o Monty Python’s Flying Circus.

Um determinado “sketch” (quadro) do Flying Circus é uma paródia daqueles programas com apresentadores felizes, dando dicas domésticas e mostrando como a vida é bela. Um trecho (tradução minha):


Alan: Esta semana em “Como Fazer” nós vamos mostrar como tocar flauta, como fissionar um átomo, como construir uma ponte pênsil, como irrigar o Deserto do Saara e formar vastas áreas de terra fértil, mas, primeiro, aqui está a Jackie para te falar sobre como livrar o mundo de todas as doenças conhecidas.

Jackie: Bem, primeiro torne-se um médico e descubra uma cura maravilhosa para algo, e então, quando a comunidade médica começar a te notar, você pode simplesmente dizer a eles o que fazer e se certificar de que eles façam tudo certo para que nunca mais existam doenças.

E assim vai. Bom. No verso do meu talão de tickets-restaurante há o seguinte:


8 jeitos de mudar o mundo.

1) Acabar com a fome e a miséria. (Só isso? Posso aproveitar a dica do Monty Python e acabar com as doenças também?)

2) Educação básica de qualidade para todos. (Essa é fácil! Só não já temos hoje porque as crianças vagabundas matam aula pra ficar fazendo malabarismo nos faróis!)

3) Igualdade entre sexos e valorização da mulher. (Se igualarmos os sexos e valorizarmos a mulher, os homens não vão acabar desvalorizados?)

4) Reduzir a mortalidade infantil. (Podemos manter as criancinhas vivas com aparelhos e desligá-los quando elas fizerem 18 anos!)

5) Melhorar a saúde das gestantes. (É, tadinhas! É como se houvesse algo dentro delas, roubando seu alimento e tomando seu corpo!)

6) Combater a AIDS, a Malária e outras doenças. (Ah, eles pensam em tudo! E eu querendo apressar as coisas e acabar com as doenças junto com a fome…)

7) Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente. (É preciso priorizar! Matar animaizinhos gostosos e de pele bonita melhora minha qualidade de vida!)

8) Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento. (Posso trabalhar pelo desenvolvimento de uma arma química que só afete marketeiros?)

“Nós podemos”

Se eu fosse empresário do Monty Python, processava por plágio…

Reflexão zen de final de ano

Posted in Death, Bizarro Universe and Plagiarism on December 20th, 2005

Quem trazia presentes pro Papai Noel quando ele era criança?

A vida submarina imita a arte submarina

Posted in Gimme my category back, you hippies! on December 19th, 2005

Depois do (previsivelmente) tétrico “Asterix - O dia em que o céu caiu!” (O Goscinny morreu! Conforme-se, Uderzo!), eu tinha definitivamente jogado a toalha para qualquer “novidade” do mundo dos clássicos quadrinhos franceses (Asterix, Tintin, Lucky Luke, Umpa-pá, Túnicas Azuis etc). O que, aliás, só me faz apreciar mais os antigos.

Mas hoje soube de um excelente “spin-off”. Não, não é uma nova série, ou manuscritos perdidos. É algo mais no estilo “exploração espacial utilizando idéias de Júlio Verne”.

Fabien Cousteau, neto do Jacques Cousteau, criou um submarino no formato de tubarão para conseguir se aproximar dos bicharocos. O legal é que a idéia foi inspirada no álbum “O Tesouro de Rackham, o Terrível”, em que o professor Girassol cria, também, um submarino em forma de tubarão em que o Tintin e o Milu mais tarde exploram o fundo do mar. O Cousteauzinho leu a história quando era criança e ficou com a idéia na cabeça.

Hergé sem dúvida teria ficado honrado :)