Já vai tarde
Posted in Death, Bizarro Universe and Plagiarism on December 11th, 2006Tarde demais. Fácil demais.
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Augusto José Ramón Pinochet Ugarte. 25 de Novembro, 1915 – 10 de Dezembro, 2006.
Tarde demais. Fácil demais.
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Augusto José Ramón Pinochet Ugarte. 25 de Novembro, 1915 – 10 de Dezembro, 2006.
Um rápido resumo dos últimos acontecimentos relevantes a este post: o HD do meu computador estava dando sinais claros (mensagens de erro, barulhos, olhares feios) de que em breve seria no more. Como ele ainda estava na garantia, devolvi-o ao meu fornecedor (não sem antes passar algum tempo angustiado procurando onde fazer backup de 160Gb de dados e finalmente apagando metade de seu conteúdo) e fiquei esperando receber um novo. Mesmo antes disso, já não baixava emails há um bom tempo, uma vez que deixei de ter acesso remoto à rede de casa e, usando o webmail, pelo menos podia continuar lendo meus emails. Com tudo isso, minha caixa postal acumulou mais de 6.000 mensagens.
Ja com meu micro utilizável em casa, resolvi comecar a baixá-las, ou pelo menos as de listas e outras que eu não faria questão de ler online durante o horário de trabalho. Abri meu fiel leitor de emails (quem não é tão fiel assim sou eu, já que troquei o que vinha usando há alguns anos pelo de um projeto paralelo com desenvolvimento mais ativo), acessei o servidor IMAP do isnomore.net e tentei selecionar todas as mensagens já lidas da lista python-dev. 15 mensagens foram selecionadas. Não, isto não está certo, eu devo ter no mínimo uma centena de mensagens desta lista. Tentei de novo. Mesma coisa. Tentei com outras listas, foram selecionados números de mensagens diferentes, mas igualmente incompletos.
Caramba, devo ter esquecido alguma peculiaridade na forma de selecionar mensagens. Li a documentação. Nada de novo. Tentei mais um pouco, nada.
Quando tudo mais falha, Google!
E, não surpreendentemente, os primeiros resultados pareciam ser relevantes ao meu problema. Abri um que parecia ir particularmente ao ponto. Era uma mensagem para a lista de usuários do meu leitor de emails. Dei uma lida diagonal. Ele falava sobre seleção de mensagens. Ótimo. Em um intervalo grande. Perfeito. Ele dava exemplos de uso. Fantástico. De quebra, ainda dava uma explicação concisa de cada comando que usava. Excepcional!
Ele estava assinado: “rbp“.
Ahn…
3 anos depois, eu me explicava como resolver um problema que eu já tinha tido antes!
No final das contas, meu problema era outro, que descobri logo em seguida (o mutt - e o mutt-ng - soh tratam mensagens que eles já “visitaram”, num folder IMAP). De qualquer modo, preciso lembrar de me agradecer um dia destes…
Como se já não bastasse ser um péssimo ator e uma besta, agora tenho o motivo final pra não assistir mais filmes com o Tom Cruise: o imbecil foi responsável por impedir a veiculação normal de um episódio do South Park que satirizava a “Cientologia”.
A propósito, Isaac Hayes, o sujeito que faz(ia) a voz do Chef na série (e também um cientólogo [sic?]), pediu demissão, por causa do mesmo episódio, dizendo que “há uma hora em que o humor dá lugar à intolerância contra crenças religiosas de outros”. Segundo Matt Stone (um dos criadores do South Park), “[Isaac] não teve problemas - e descontou muitos cheques - quando nosso programa satirizou cristãos, muçulmanos, mórmons ou judeus. (…) Nós nunca ouvimos um pio do Isaac por qualquer coisa até que falamos da Cientologia. Ele quer um padrão diferente para religiões que não são a dele, e, pra mim, é aí que começa a intolerância.”
Como disse o Jon Stewart (âncora do excelente Daily Show), durante uma apresentação ao vivo em que passou um bom tempo fazendo piadas de judeus (ele é judeu) e após emendar uma piada sobre o papa (que não
arrancou muitas risadas), “não é tão engraçado quando é com o cara de vocês, hein?”
Certo dia, num daqueles marasmos que só a falta de uma guerra pode trazer, o rei Hindu Kaid pediu a seu ministro Sassa (não, não era o filho da concubina Sussa) que lhe arranjasse algo pra fazer. Algo que lhe lembrasse uma guerra, mas não tão trabalhoso.
Sassa então se recordou de um jogo vindo da Grécia antiga e trazido à Índia por Alexandre, o Grande. O jogo era meio complexo, mas Sassa deu uma boa adaptada e apresentou ao rei o primeiro jogo do que hoje chamamos de Xadrez.
O Rei ficou tão maravilhado que ofereceu a Sassa o que ele escolhesse! Minha filha em casamento? Leva a bruaca! Palácios de ouro? Me manda a planta! Suprimento vitalício de Lango-Lango? Mando fazer uma edição especial no formato da sua cabeça!
Mas Sassa, muito humildemente, retrucou que não queria nada disso. Só queria, assim, um pouquinho de arroz.
- Arroz, criatura? Ficou besta?
Pois é, só arroz. E nem era tanto assim. O novo jogo utilizava um tabuleiro de 8×8 casas. Sassa queria um grão de arroz (unzinho!) pra primeira casa, dois pra segunda, quatro pra terceira, 8 pra quarta e assim por diante. Só isso.
O rei deu aquela olhada pro alto, pensando “Nasce mesmo um idiota a cada minuto”, e mandou seus calculistas definirem o número total de grãos de arroz pra entregar a Sassa, já cogitando oferecer um saquinho pra que o rapaz não precisasse ir pra casa com o punhado de arroz na mão. Dali a pouco os calculistas voltaram, olhando pra baixo e meio sem jeito. A quantidade de arroz não iria caber num saquinho. Nem numa saca. Nem, na verdade, em todas as sacas que o reino pudesse produzir pelos próximos séculos.
A quantidade de arroz estipulada ficaria em 264 - 1, ou 18.446.744.073.709.551.615, grãos. Dizem alguns que Sassa não reteve sua cabeça por tempo o bastante pra comer nem um só dos grãos que lhe cabiam de direito (ou pra tirar molde pro Lango-Lango).
Corta para algum lugar, nos confins do mundo, início dos tempos. No templo de Brahma (sem trocadilhos com aquela água amarga que chamam de cerveja, por favor), monges deparam-se com três postes. Um deles atravessa 64 discos de ouro, de tamanhos escalonados, ordenados, de baixo para cima, do maior para o menor. Buda, então, os exorta a transferir os discos para um dos dois outros postes. Quando um dos monges mais apressados (devia ser novato) já ia correndo chamar mais gente pra ajudar (64 discos de ouro devem pesar umas boas onças), Buda acrescentou que só poderiam mover um disco de cada vez. E que não poderiam colocar um disco sobre outro menor. Sugeriu, ainda, que eles tivessem paciência. Pra começo de conversa, quando terminassem a tarefa o mundo chegaria ao fim. Vendo surgir uma lágrima furtiva no canto do olho do tal novato, Buda o tranquilizou.
O número mínimo de movimentos necessários para realizar a transferência seria 264 - 1. Se os monges conseguissem mover um disco por segundo (o que parece extremamente rápido, mesmo para um monge novato e assustado), o fim do mundo levaria algo em torno de 585 bilhões de anos (o que nos deixaria, atualmente, com aproximadamente 570 bilhões de anos pela frente).
Os monges respiraram fundo, procuraram seu nirvana interior e colocaram o disco menor em um dos postes vazios.
Quem trazia presentes pro Papai Noel quando ele era criança?
Todo mundo conhece a famosa frase “nóis capota mais num breca” (e suas variantes com “+”, “breka”, “kapota” etc), difundida em caminhões, kombis e carros tunados em geral.
Vindo pro trabalho, vi, agora há pouco, num caminhão:
“Nóis breca purque num é burro de tombá”
Ah, a sabedoria popular… :)
Meu irmão mais novo já pêlos brancos na barba! Acho que fiquei mais impressionado com isto do que com meus próprios cabelos brancos, que começaram a surgir bem cedo…
Pelo menos a minha namorada é mais nova que a dele ;)
Acabo de voltar do neurologista, que disse que meus aneurismas (”aneurismas”? Não era só um? Ele bem que comentou “estranho…”, mas…) continua na mesma. Não vou operar, continuo sem restrições (aliás, esqueci de mencionar a sugestão do meu primo, também neurologista, sobre evitar excesso de cafeína, mas eu já evito mesmo), volto lá em 3 anos pra mais um controle.
Sushi? Erdingers? Baden-badens? :)
Depois de anos, décadas até, ouvindo Beatles sem parar, uns meses atrás tive uma epifania: a animada música “Good Morning, Good Morning”, do Sgt. Pepper’s, que inclusive empresta uma frase ao título deste blog, começa com alguém sendo informado de que vai morrer!
“Nothing to do
to save his life
call his wife in.”
Ou, em Português e numa ordem menos enganosa, “Nada a fazer pra salvar sua [dele] vida, [o médico] pede para a esposa entrar”.
E continua:
“Nothing to say,
but what a day!
How’s your boy been?”
Outra mini-epifania, enquanto escrevo este texto! Anteriormente, eu lia esta linha como: “Nada a dizer, mas que dia! Como tem passado o seu garoto?”. Mas agora vi que ela pode ser melhor interpretada como “Nada a dizer, exceto ‘Que dia! Como tem passado o seu garoto?’”.
E ainda joga mais uma pra esposa. Eutanásia?
“Nothing to do,
it’s up to you.”
“Nada a fazer, agora [a escolha] é com você.”
(Bem, “it’s up to you” não necessariamente faz referência a uma escolha, ele pode querer dizer “agora [o fardo] é com você”, o que também não é lá muito animador)
Finalmente,
“I’ve got nothing to say
but it’s ok.”
“Não tenho nada a dizer, mas tudo bem”.
E, já que foi uma manhã divertida, tudo na paz, há um coro desejando a todos, em meio a uma gigantesca polifonia,
“Good morning!
Good morning!
Good morning, yeah!”
Simplesmente “ouvir” Beatles nem arranha a superfície :)
PS: Por outro lado, cuidado com interpretações (a acima inclusive). Diz a lenda que o John Lennon, ao saber que professores de uma determinada escola passavam uma música sua para os alunos interpretarem, escreveu “I Am The Walrus” e disse “Quero ver interpretarem isto!”
O resto eu ainda estou assimilando :)