Archive for the 'Run to the hills!' Category

I read the news today

Posted in Run to the hills! on December 22nd, 2005

No prédio em que trabalho os elevadores têm daqueles monitores LCD em que passam as “últimas notícias” (fornecidas, neste caso, pelo Terra).

Bom, se algum jornalista acabar lendo este blog, recomendo enviar o currículo pra central de notícias do Terra, porque eles claramente estão precisando. Uma das manchetes, ontem (não consegui achar o link exato, mas se relaciona a esta notícia), era: “Enquete revela que corinthianos não vão torcer pela Argentina, na copa” .

Surpreendentes, esses corinthianos, hein? Se ano que vem eles resolverem torcer pelo Corinthinans no campeonato brasileiro, nada mais me assusta…

A vida continua imitando a arte

Posted in Run to the hills! on December 22nd, 2005

Pra quem não conhece, Monty Python é um grupo inglês de comediantes, da década de 70, de que eu gosto muito. O humor deles é muito absurdo, muito cínico e (não surpreendentemente) muito inglês. Além de alguns filmes (mais conhecidos), eles fizeram três temporadas e meia de um programa periódico na BBC, o Monty Python’s Flying Circus.

Um determinado “sketch” (quadro) do Flying Circus é uma paródia daqueles programas com apresentadores felizes, dando dicas domésticas e mostrando como a vida é bela. Um trecho (tradução minha):


Alan: Esta semana em “Como Fazer” nós vamos mostrar como tocar flauta, como fissionar um átomo, como construir uma ponte pênsil, como irrigar o Deserto do Saara e formar vastas áreas de terra fértil, mas, primeiro, aqui está a Jackie para te falar sobre como livrar o mundo de todas as doenças conhecidas.

Jackie: Bem, primeiro torne-se um médico e descubra uma cura maravilhosa para algo, e então, quando a comunidade médica começar a te notar, você pode simplesmente dizer a eles o que fazer e se certificar de que eles façam tudo certo para que nunca mais existam doenças.

E assim vai. Bom. No verso do meu talão de tickets-restaurante há o seguinte:


8 jeitos de mudar o mundo.

1) Acabar com a fome e a miséria. (Só isso? Posso aproveitar a dica do Monty Python e acabar com as doenças também?)

2) Educação básica de qualidade para todos. (Essa é fácil! Só não já temos hoje porque as crianças vagabundas matam aula pra ficar fazendo malabarismo nos faróis!)

3) Igualdade entre sexos e valorização da mulher. (Se igualarmos os sexos e valorizarmos a mulher, os homens não vão acabar desvalorizados?)

4) Reduzir a mortalidade infantil. (Podemos manter as criancinhas vivas com aparelhos e desligá-los quando elas fizerem 18 anos!)

5) Melhorar a saúde das gestantes. (É, tadinhas! É como se houvesse algo dentro delas, roubando seu alimento e tomando seu corpo!)

6) Combater a AIDS, a Malária e outras doenças. (Ah, eles pensam em tudo! E eu querendo apressar as coisas e acabar com as doenças junto com a fome…)

7) Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente. (É preciso priorizar! Matar animaizinhos gostosos e de pele bonita melhora minha qualidade de vida!)

8) Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento. (Posso trabalhar pelo desenvolvimento de uma arma química que só afete marketeiros?)

“Nós podemos”

Se eu fosse empresário do Monty Python, processava por plágio…

A burocracia

Posted in Run to the hills! on November 30th, 2005

Ano passado, para quem não se lembra, eu “trabalhava” em um projeto de pesquisa. Então, como era de se esperar, meus rendimentos anuais ficaram abaixo do limiar de isenção de imposto de renda.

Em princípio, eu ia fazer a declaração normal de imposto, declarar o que eu tinha recebido e ia aparecer como isento, como fiz ano passado. Mas perdi a data de entrega da declaração.

Bom, daí resolvi (ou, eu tendo perdido a declaração normal, a Receita Federal resolveu por mim) fazer a declaração de isento. É claro, a menos de 9 horas do encerramento do prazo.

Já acessei o site da Receita preparado pra provação. Clico no link de “instruções”. Blá blá blá, quem precisa declarar, quem não precisa, o que acontece se você não declarar (4,50 reais de multa, que eu já estava conformado em pagar, já que certamente não iria ter, aqui no trabalho, os documentos necessários pra declaração). Ok. Link da declaração.

Carregando a página… Ih, pronto, já vi tudo, ainda por cima o site vai estar caído. Claro, no último dia! Clico de novo. Conexão recusada. Saco. Desencano e pago a multa depois? Vamos lá, última tentativa.

Carregou! Formulariozinho pedindo CPF, data de nascimento, título de eleitor. Residente no exterior? Não. Conta bancária? Sim. Automóvel? Sim. Imóvel? Sim. Dependente? Não. Email (opcional). Enviar. Bom, agora eles disponibilizam o link pro aplicativo java pra eu finalmente poder fazer a bendita declaração.

“Declaração entregue com sucesso.” Saco, lá vamos nós, essa burocr…

Hein? Só isso? Acabou? “Imprima esta tela ou anote o número da declaração”. Imprimi. Só? Mais nada? Mesmo?

Fiquei tão frustrado que ainda segui o link de “atualizar endereço”, que eu sabia já estar atualizado, só pra ter o que fazer, no tempo que tinha separado pra declaração…

Gúgol Níus!

Posted in Run to the hills! on November 27th, 2005

Eu quase parei de usar o Google, quando soube que eles abriram um escritório no Brasil e nem me chamaram, mas, como bom cristão que não sou, acabei perdoando: o primeiro lançamento da equipe brasileira (mineira, de Belzonte, pra ser mais exato) foi a versão em Português do Google News! Com centrais de notícias para o Brasil e para Portugal!

Agora ninguém mais tem desculpa pra não ficar a par dos últimos acontecimentos!

Exceto, é claro, desgosto…

Esporte é saúde!

Posted in Run to the hills! on October 31st, 2005

Minha teoria é a seguinte: o corpo humano tem uma quantidade limitada de metabolismons, que são as partículas constituintes do metabolismo. Quanto mais acelerado o metabolismo, mais as chances de os metabolismons colidirem e sofrerem acidentes (possivelmente fatais), reduzindo-se em número. O número de metabolismons ativos define a idade real da pessoa. Se metabolismons sofrem acidentes não-fatais, o hospedeiro fica debilitado até a recuperação das partículas afetadas. Com um acidente fatal, reduze-se irrecuperavelmente o número de metabolismons para aquela pessoa, que, naquele momento, envelhece de uma Unidade Básica de Vida (UBV). Acidentes de intensidade variada vão acontecendo a todo momento, de modo que as pessoas envelhecem, em maior ou menor ritmo.

Esporte acelera o metabolismo. E é por isso que, depois de uma corrida de aventura, eu fico parecendo o meu avô! Meus metabolismons estão na UTI!

Por favor, torçam por eles…

O populi mostrou sua vox…

Posted in Run to the hills! on October 24th, 2005

… E eu nao sei dizer o que sinto a respeito…

Pronto, pronto, já ganhou atenção, agora pode ir papar…

Posted in Run to the hills! on October 10th, 2005

Este post está relacionado a um texto que a Carla publicou no blog dela (na verdade, eu já estava pensando em escrever sobre o assunto há um bom tempo, comecei a escrever um comentário pra Carla, daí resolvi publicar aqui). Não deve ser um post muito popular, mas tudo bem, meu público é restrito, eu faço um sushi pra eles e fica tudo numa boa :)

Bom, o padre que fez greve de fome contra a transposição do rio São Francisco já voltou a comer. Sem esperar que o projeto fosse abandonado, como ele havia prometido. Eu esperava que um “homem de Deus” mantivesse sua palavra, mas, convenhamos, isso seria condená-lo à morte certa. Não porque o projeto seja mesmo uma monstruosidade, nem porque o presidente Lula seja um canalha sem coração (não digo que não seja, isto simplesmente não é relevante neste caso). O fato é que um projeto desta magnitude, que vai afetar, de uma forma ou de outra, a vida de milhares de pessoas, não pode ficar nas mãos de qualquer um que resolva daqui em diante vai fazer uma dieta estrita de pão (bom, hóstia) e água. Sim, estou sendo (claramente) irônico, mas, falando sério, decisoes desta relevância têm de adotar critérios técnicos, científicos, sociais, não emotivos (nem políticos, aliás, embora acabe sendo inevitável). É fácil se sensibilizar com o bom pastor disposto a dar a vida pelo rio (ou, imagino - espero - por quem hoje usufrui dele), mas, sendo bastante pragmático, quanto ele estudou, de verdade, sobre o assunto? Ou, melhor ainda, quanto ele efetivamente mostrou que a transposição seria ruim? “Ele morou a vida toda à beira do São Francisco” não quer dizer absolutamente nada.

Devo admitir, pelo menos este padre chamou atenção para o tema. Mas acho que é o tipo errado de atenção. Ele não suscitou debate, ele simplesmente tentou colocar o presidente contra a parede e criou uma situação desconfortável em que quem é contra o gesto dele, ou a posição que ele defende, é tachado de insensível. A não ser que fosse extremamente inocente, ele deveria saber que o Lula nunca iria ceder à sua chantagem para abortar incondicional e imediatamente a transposição. Nenhum presidente o faria, seria politicamente inviável. Parar um projeto deste tamanho, com tanto já investido, pelo protesto de um homem? E, por favor, não me venham com Ghandi, Ghandi criou todo um movimento, mobilizou a população, não simplesmente sentou e disse “não como até os Ingleses irem embora”. Teria morrido de fome, ao som das risadas de Sua Majestade. Aliás, o fato de o padre ter voltado a comer, sem que o presidente tivesse aquiescido às suas exigências, me faz pensar se ele realmente pretendia ir às últimas conseqüências. Quando a fome aperta, haja hóstia!

Mas, até agora, ainda não disse qual a minha posição a respeito da transposição em si. Acontece que não tenho uma posição fechada sobre o assunto. Tenho opiniões, mas, se tivesse de dizer “sim” ou “não”, não saberia responder. Não acho que eu tenha embasamento o bastante (e olha que meu pai trabalha com recursos hídricos, já acompanhei muitas discussões sobre o tema), e acho o resto da população deveria tentar se informar melhor antes de achar que tem. É fácil se envolver emocionalmente, é fácil falar mal de um presidente de quem já não se gosta (e, convenhamos, ele fez por merecer), mas isto não deveria poluir o nosso julgamento. O terceiro link citado no post da Carla, por exemplo, tem frases como “[a transposição do S. Francisco] será uma tragédia para toda a sua população ribeirinha”, uma frase forte, mas quem lê deveria colocar a questão: vai mesmo ser uma tragédia para toda a sua população ribeirinha? Onde estão os dados que apoiam esta afirmação? E as fontes dos dados? As partes contra e a favor usam os mesmos dados?

Em particular, acho que o grande desafio de uma transposição, além da lisura do processo em si, é cuidar para que a distribuição da água, no destino, seja feita de forma adequada. Não adianta nada ter mais água se a população continua sem ter acesso a ela. Agora, se não houver água, sem dúvida não há distribuição, justa ou não, dela. Quanto a secar o São Francisco, sua vazão é de 2800 metros cúbicos por segundo; o projeto atual prevê desviar uma vazão de 26 metros cúbicos por segundo, menos de 1% da vazão do rio. Não sou especialista no ramo, mas a minha impressão é que não é isso que vai drenar o “Velho Chico” (que, devo dizer, me deu ótimas lembranças na infância, e por quem tenho o maior carinho). Aliás, salvo engano, eu diria que esta diferença de vazão já acontece, normalmente, ao longo do ano e mal seria sentida, se fosse.

Sei que já houve (há?) propostas de se fazer a transposição do rio Tocantins, num processo que seria mais caro, mais demorado, percorrendo um trajeto mais longo do rio até os estados de destino. E, curiosamente, ninguém acha ruim. Seria uma troca meio esquisita, ridícula até, porém mais politicamente viável. O pobre Tocantins não tem o carisma do São Francisco. Na pior das hipóteses, alguém arruma um coroinha pra passar o dia lá, se alimentando só de coca-cola quente e fandangos sabor presunto, e todos voltam felizes pra casa, cientes do dever cívico cumprido.

Interlúdio

Posted in Run to the hills! on May 18th, 2005

Urru! Segundo a classificação “não-oficial” do Caloi Adventure Camp (levando em conta equipes que não passaram por todos os PCs, que não fizeram vertical etc), ficamos em 38º lugar, contra 87º na corrida passada!!

Parabéns e obrigado de novo, equipe e apoio! Estou orgulhosíssimo e muito animado pra próxima etapa (começo de Julho, em Brotas)! Vamos treinar pra continuar progredindo!! :)

As hilariantes desventuras de Érre nas corridas de aventura

Posted in Run to the hills! on May 17th, 2005

Primeira etapa do Caloi Adventure Camp (20/02/2005): Eu e o Poka chegamos ao local do vertical (rapel), mas tivemos de esperar uns 20 minutos na fila (vertical é normalmente onde há concentração maior de gente, especialmente no “pelotão do meio”). Nesse meio tempo, descansamos, comemos, nos hidratamos e fomos planejando nossa saída triunfal, com idéias revolucionárias de já irmos nos desequipando durante a descida, darmos impulso contra o paredão pra cairmos no chão já mais perto do rumo pra onde teríamos de correr, sairmos correndo sem perder tempo e deixar todos os outros competidores comendo poeira (”MWAHUAHUAHUAUA” vem à mente). Tudo perfeito.

Chegando perto da nossa vez, nós já com o equipamento de rapel, descobrimos que precisamos colocar o colete salva-vidas (o rapel era numa cachoeira). Como o Poka estava à frente, eu o ajudei a tirar a mochila, já que o colete devia ser colocado por baixo da camiseta do evento. Nesse meio tempo, a menina do staff da competição verificou o equipamento dele (insira aqui piada fálica óbvia) e mandou que ele seguisse em frente. O Poka vestiu o colete, a camiseta, colocou a mochila de volta e foi fazer a descida. Daí, enquanto a menina verificava o meu equipamento (piada diferente, por favor), eu tirei a mochila e a camiseta, coloquei o colete, recoloquei a camiseta, a menina me deu o OK e eu fui em frente.

Se você não notou nada de errado até aqui, releia o último parágrafo e compare o que o Poka fez ao que eu fiz.

Bem, quando eu estava uns 2 metros já na descida, olhei pra baixo e vi que caiu uma garrafa da mochila de um sujeito abaixo de mim. Neste momento, pensei “Puxa, espero que não caia nada da minha mochi… MOCHILA!! ESQUECI DE COLOCAR A MOCHILA!!!”

E pra contar isso pro tio da competição que fica lá em cima?

“..~. ~ ~~….._____”
“HEIN??”
“eusqueciminhamochila…”
“HEIN???”
“Minha mochila… euesqueci…”
“HEIN?????”
“EU ESQUECI MINHA MOCHILA AÍ EM CIMA!!”
“…”

Quando ele conseguiu parar de rir (felizmente estava bem ancorado, porque quase caiu lá de cima, entre convulsões e choro), mandou que eu continuasse descendo e ele mandaria minha mochila pela corda, com um mosquetão. Bem, lá se foi nossa estratégica retomada de velocidade. Mas tudo bem. Com alguma sorte, o Poka estaria atarefado em retirar seu equipamento e este mico ficaria só entre o staff da competição e eu.

“Alguma sorte” é um conceito fictício. Exatamente neste local, de todos os locais e pontos de controle da prova, a Aline e a Frida (e, de quebra, a Marina, a Tânia (esposa do Godoy, nosso companheiro de equipe), e mais uma amiga delas) estavam nos esperando, até então orgulhosas de seus cônjuges e esperando nos ver em gloriosa ação!!

Fiquei sinceramente tocado por elas ainda terem conseguido balbuciar “boa sorte” entre as gargalhadas…

Segunda etapa do Caloi Adventure Camp (15/05/2005 - ontem!): fomos MUITO melhor que na corrida passada (passamos da nonagésima pra quadragésima-quinta colocação - pausa para meus sinceros agradecimentos à equipe e à melhor equipe de apoio do mundo, das nossas cônjuges). Glória e felicidade à parte, em uma certa parte da prova eu e o Poka chegaríamos a um local em que estariam as bicicletas dos outros dois componentes da equipe (o Godoy e o Serginho). Nós iríamos com elas até um local mais adiante, em que eles pegariam suas bicicletas e nós continuaríamos remando.

Enfim, eu e o Poka pegamos as bicicletas e fomos pedalando rumo ao nosso próximo objetivo. Isso devia ser lá pelas 11 da manhã, um sol de rachar. Eu já estava meio desconfortável (eufemismo? Alguém?), pois fiquei com a bicicleta do Serginho que tem, para dizer de modo delicado, um terço do meu tamanho. Mas tudo bem. A uma certa hora, já deveras cansado, resolvi botar em prática um plano que já vinha elocubrando há um bom tempo: peguei a “squeeze” (ou “caramanhola”, ou “garrafinha que fica na bicicleta”) e molhei as costas, depois a cabeça (pelo capacete) e a testa . Já refrescado, continuei pedalando. Um pouco depois, querendo um insumo de água mais volumoso do que o possível com um hidratador (pra quem não conhece, é a versão cool e esportiva da mamadeira), pequei novamente a squeeze e bebi uma bela golada. Só que… Ela estava… Doce! Gatorade!! Eu me molhei todo de Gatorade!!

Meu capacete fez “screeeeeetch” até o final da corrida, toda vez que eu o tirava.

E o sujeito que havia me mandado a mochila na prova passada estava cuidando do vertical novamente. A julgar pelo riso, ele tem a memória bem melhor que a minha…